Talvez o fato de saber que ficaremos algum tempo sem ser obrigado ouvir os discursos da senadora Gleisi Hoffmann (e seus congêneres) pro...


Talvez o fato de saber que ficaremos algum tempo sem ser obrigado ouvir os discursos da senadora Gleisi Hoffmann (e seus congêneres) provoca em nosso íntimo um certo alívio com o impeachment de Dilma. 

Talvez o fato de não ter que ouvir vozes anasaladas pronunciando aquele "presideeenntaaa" retire de nosso âmago aquele nojo da política que vinha transbordando por todos os nossos poros. 

Talvez o fato de não ter que ouvir o maior rolando lero desse País todos os dias, na figura do ex-ministro José Eduardo Martins Cardozo, seja condição imprescindível no esforço da crença de argumentos são necessários para que a espécie humana tenha alguma chance de convivência fraterna. 

Talvez o fato de saber que não assistiremos mais na TV aquelas propagandas milionárias do PT querendo nos convencer que estávamos vivendo no paraíso na terra seja um ponto alto de inflexão para retomarmos os padrões de serenidade e analisar com isenção e clareza o contexto em que estamos vivendo. 

Talvez o fato de sabermos que a partir de agora estamos lidando com profissionais do poder, com gente que não brinca em serviço e que tem claro quais são os reais interesses a defender, possamos, enfim, tirar o véu diáfano que nos reduzia a idiotas diários das conveniências, e bradar em alto e bom som: chega de sonhos, queremos a realidade! 

Os três senadores de Mato Grosso do Sul, Pedro Chaves (PSC), Waldemir Moka (PMDB) e Simone Tebet, votaram a favor do impeachment de Dilm...


Os três senadores de Mato Grosso do Sul, Pedro Chaves (PSC), Waldemir Moka (PMDB) e Simone Tebet, votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff, mas não seguiram orientação do presidente do Senado, Renan Calheiros, para garantir seus direitos políticos. 

Dos três senadores sul-mato-grossenses, a mais próxima de Renan é Simone. Na imagem transmitida ontem pela TV Senado, quando Renan anunciou a concordância pelo fatiamento da votação, levantou a Constituição e anunciou, inusitadamente, seu voto, Simone mostrou-se surpresa e esboçou um leve sorriso de malícia. 

O fato é que o assunto se tornará controverso daqui pra frente. E os três senadores do Estado estarão livre dessa cobrança específica de seus eleitores, ou seja, dar salvo conduto a Dilma para fazer proselitismo político em todo o País, assumir cargo público para garantir foro privilegiado e ficar longe das garras do juiz Sérgio Moro. 

O ato de posse do novo presidente do Brasil, Michel Temer, foi rápido e discreto. Não é momento para festas. A crise brasileira demanda ...


O ato de posse do novo presidente do Brasil, Michel Temer, foi rápido e discreto. Não é momento para festas. A crise brasileira demanda posturas diferentes, mais ajustadas a figurinos delgados do que a de modelitos espalhafatosos, tipo estampa de sofá.

Espera-se que Temer a partir de agora domine a cena e indique saídas. A viagem à China pode ser um bom momento para espalhar otimismo.

Dentro da estratégia do novo presidente, nada mais importante nesse momento do que a chancela internacional e a indicação de celebração de acordos comerciais futuros para aliviar as tensões dos investidores.

Sabe-se que a mídia venderá analises promissoras, tentando criar um clima mais ameno para os novos ocupantes do poder. Isso aconteceu com Lula e Dilma.

O problema de Temer, contudo, é que ele terá pouco tempo.

A economia brasileira está em frangalhos. Previsões mais otimistas indicam que o alivio poderá ser realmente percebido a partir do final de 2019.

Mas todos sabem que o processo econômico tem elementos motivacionais capazes de alterar previsões negativas e recolar o otimismo no lugar.

Tomara que o novo governo consiga fazer isso.

A partir de hoje é provável que a figura de Michel Debrun  seja mais lembrada pelo debate político brasileiro depois do impeachment f...



A partir de hoje é provável que a figura de Michel Debrun  seja mais lembrada pelo debate político brasileiro depois do impeachment fake de Dilma no Senado.

Usando um linguajar do PT, Renan Calheiros, ao articular a manutenção dos direitos políticos da ex-presidente, aplicou o “golpe” dentro do “golpe”, ressucitando a velha teoria de Debrun, o da especialíssima característica da conciliação brasileira.

Michel Debrunm foi um filósofo francês nascido em Neully-sur-Seine, que passou a morar no Brasil (1957) e tornou-se Professor Titular e Emérito da Universidade Estadual de Campinas a Unicamp, onde lecionou (1970-1988) e ajudou a fundar o Instituto de Filosofia, Política e Ciências Humanas.

Seus livros estão aí. Mas, fora da cátedra de esquerda, era personagem esquecido. Deve voltar agora para ajudar a dar explicações sobre o tema que despertará algumas paixões e perplexidades a partir de agora.

Debrun dedicou longo ensaio ao que se chama “conciliação à brasileira”, uma modalidade sociológica específica do País das jabuticabas.


É ele quem escreve: “ ‘Conciliação’ de que falaremos (aqui) sempre entre aspas. Pois não corresponde ao que geralmente se entende por conciliação política, a qual está concebida como um acordo entre atores – grupos ou indivíduos – de um peso mais ou menos igual. Ou, pelo menos,  nenhum dos dois poderia esmagar o outro. Ora, a idéia apresentada à sociedade neste livro (“A Conciliação e outras Estratégias”, editora brasiliense, 1983) é que a ‘conciliação’, no Brasil, sempre pressupôs o desequilíbrio, a dissemetria dos parceiros, e não o seu equilíbrio. Tanto no nível micropolítico do engenho, da fazenda, da empresa, da repartição pública etc., como no nível macropolítico da constituição e manutenção do poder central, a ‘conciliação’ não se desenvolveu para evitar brigas incertas e custosas entre contendores de força comparável. Mas, ao contrário, para formalizar e regular a relação entre atores desiguais, uns já dominantes e os outros já dominados. E para permitir que os primeiros explorassem em seu proveito a transformação dos segundos em sócios caudatários”.



Filósofo Michel Debrun

O senado cassou Dilma Rousseff por 61 votos a 20, mas manteve seu direito exercer cargo público, abrindo espaço para debater juridicamen...


O senado cassou Dilma Rousseff por 61 votos a 20, mas manteve seu direito exercer cargo público, abrindo espaço para debater juridicamente seu direito de concorrer a cargos eletivos. 

Minutos antes, o senador João Capiberibe PSP/AP) ressaltou a velha figura da "conciliação" das elites brasileiras, conclamando que os senadores aceitassem o fatiamento da sentença - o que acabou ocorrendo -, medida que, certamente, ficará entalada na garganta da sociedade brasileira.

A decisão abre precedentes. Certamente será objetivo de discussão no Supremo. 

Enfim, Dilma perdeu a presidência, mas poderá a partir de agora continuar a fazer proselitismo sobre o "golpe parlamentar", liberada para subir no palanque e falar suas platitudes de sempre. 

Noutras palavras, o senado obriga a sociedade a ficar ouvindo o palavrório desconexo de quem provocou a maior ruína econômica e social da história brasileira. 

Mais grave: Dilma e o PT salvaram Eduardo Cunha. 

Nojento.

Os programas televisivos do horário eleitoral gratuito para a prefeitura de Campo Grande estão com cara de que não afetarão tendências el...


Os programas televisivos do horário eleitoral gratuito para a prefeitura de Campo Grande estão com cara de que não afetarão tendências eleitorais.

Primeiro, a divisão do tempo ficou muito fracionada, o que afasta o telespectador.

Segundo, em função da nova legislação eleitoral, que impede doações empresariais, os programas forçosamente terão que dar certa impressão de precariedade.

De modo  geral, o horário do TRE parece pouco atrativo; as equipes dos candidatos parecem que não estão se adaptando ao novo modo de fazer os vídeos; os textos são banais, a maioria calcada em denuncismos que parecem chover no molhado.

Como o tempo é curto, os candidatos parecem estar narrando jogo de futebol, impossibilitando a transmissão de mensagens límpidas e acessíveis à maioria dos eleitores - poucos escolarizados, desatentos, com ressentimento da classe política.

Acho que é melhor apostar as fichas nas redes.

Nas mídias de superfície os candidatos não conseguirão fisgar eleitores.

Morreu Ernst Nolte (1923-2016), um dos mais polêmicos historiadores da Alemanha nazista. E eu, por mero acaso bibliográfico, soube da no...


Morreu Ernst Nolte (1923-2016), um dos mais polêmicos historiadores da Alemanha nazista. E eu, por mero acaso bibliográfico, soube da notícia quando lia, maravilhado, "Fascisme et Communism", uma troca de cartas entre o próprio Nolte e outro gigante da história: o saudoso François Furet (1927-1997).

Eis o problema (e a polêmica) que Nolte nos coloca: será que o fascismo, e em especial o nazismo, foi uma resposta à ameaça comunista? Mais ainda (ou pior ainda): o antissemitismo genocida que marcou o Terceiro Reich pode ser entendido pela desproporcional participação de judeus no socialismo e no bolchevismo?

Perguntas dessas, na Alemanha do pós-Segunda Guerra, fizeram estremecer vários espíritos. Sim, Lênin é anterior a Mussolini; e Mussolini é anterior a Hitler. De igual forma, o Gulag é anterior a Auschwitz. Mas será que fatos meramente cronológicos podem ser também causais?

Sem surpresa, Ernst Nolte era a "bête noir" da historiografia alemã. Se o nazismo foi um "produto" do comunismo, isso não seria uma desculpa para o próprio nazismo?

E o que dizer do antissemitismo de Hitler? Será que ele pode ser justificado pela composição judaica da primeira geração bolchevique?

Nolte sempre se defendeu das interpretações maldosas das suas teorias – e repete o exercício no diálogo com Furet. Nas suas palavras, uma explicação "reativa" do nazismo não desculpa os crimes cometidos pelo regime.

O objetivo de Nolte é outro: procurar "entender" o nazismo (no sentido epistemológico do termo) sem o encerrar nos clichês habituais de "mal absoluto" ou infâmia de um "povo criminoso".
Eu "entendo" as perguntas de Nolte. E "entendo" as reações que elas provocaram. Hoje, casar comunismo e nazismo é moeda corrente para qualquer intelecto civilizado.

Mas as coisas não eram assim na segunda metade do século 20, quando uma longa legião de "idiotas úteis" festejavam sobre o cadáver de Hitler ao mesmo tempo que prestavam vassalagem a um psicopata igual: Stálin.

Mas no debate entre Nolte e Furet, estou com o segundo. O nazismo não é uma mera reação à Revolução Russa de 1917. François Furet prefere olhar para o comunismo e para o fascismo como gêmeos ideológicos contra um mesmo inimigo: a democracia liberal (ou "burguesa", para usar a linguagem das seitas) que emerge na Europa do século 19.

O ódio ao parlamentarismo é igual. O ódio ao capitalismo é igual. A defesa de um regime de partido único é igual. A exortação da violência como meio legítimo de construir o "homem novo" é igual.
Falar de Raça, ou Proletariado, é questão de pormenor quando o fim é semelhante: a destruição da democracia pluralista pela imposição do Estado totalitário. Escusado será dizer que os resultados não poderiam ter sido outros: a mesma desumanidade e a mesma montanha de cadáveres.

De igual forma, estou com François Furet sobre o antissemitismo nazista. Hitler não precisava de bolcheviques judeus para destilar o seu ódio. Capitalistas judeus também serviam (ó supremo paradoxo!). E, além disso, será preciso lembrar que o fascismo de Mussolini não era, de início, uma ideologia estruturalmente antissemita?

É possível estudar o comunismo e o fascismo "racionalmente", como pretende Nolte, desde que isso não signifique o apagamento da mesma fonte iliberal em que ambos beberam abundantemente.

Por último, existe uma dimensão dos fenômenos totalitários que está ausente em Nolte mas também em Furet. 

É a dimensão pseudo-religiosa do comunismo e do fascismo. Se Deus estava morto, como proclamou um filósofo célebre, estariam as massas finalmente libertas de qualquer "religião"?

Raymond Aron (1905-1983), um compatriota de Furet, deu a resposta em "O Ópio dos Intelectuais" (uma obra-prima que a Três Estrelas editou recentemente): os movimentos totalitários, a começar pelo comunismo, mimetizaram a religião tradicional nos seus ritos e narrativas. Com uma diferença: prometeram aos "humilhados e ofendidos" uma recompensa terrena, e não celestial.

Os anos passam, as leituras acumulam-se. Mas a interpretação de Aron sobre as "religiões seculares" parece-me cada vez a explicação definitiva para tantos "fiéis", "sacerdotes" e executados "heréticos". 

*Escritor português, é doutor em ciência política.Publicou esse artigo originalmente na edição da Folha de S.Paulo desta terça-feira, 30.

Reportagem de Hugo Marques publicada nesta final de tarde no site da Veja mostra a quantidade e a intensidade de troca de telefonemas en...


Reportagem de Hugo Marques publicada nesta final de tarde no site da Veja mostra a quantidade e a intensidade de troca de telefonemas entre o empresário sul-mato-grossense José Carlos Bumlai e o ex-presidente Lula nos últimos 5 anos.

Foram mais de mil telefonemas trocados entre eles, dona Marisa e pessoas que viviam no entorno de Lula e Bumlai.

A Veja também toca num assunto delicado: o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel, um dos maiores mistérios político e policial de todos os tempos.

Num trecho da reportagem o site da Revista diz: "Havia intensa troca de telefonemas entre os dois todas as vezes que circulavam notícias sobre denúncias envolvendo a morte do ex-prefeito Celso Daniel. Nos dias 2 e 3 de abril de 2013, eles trocaram 18 telefonemas. Neste período, foram veiculadas notícias de que a Procuradoria do Distrito Federal ia abrir seis procedimentos para investigar o empréstimo intermediado por Bumlai para pagar a chantagem do empresário Ronan Maria Pinto, que ameaçava envolver Lula no escândalo da morte do ex-prefeito Celso Daniel".

Não demorou uma semana e percebemos que papai sumia do serviço antes do fim do  expediente. Ora no período matinal, ora em passeios vesp...



Não demorou uma semana e percebemos que papai sumia do serviço antes do fim do  expediente. Ora no período matinal, ora em passeios vespertinos. Em casa, não tinha fome nem disposição para estar conosco. Tudo muito estranho. Mamãe começou a segui-lo de longe.

De manhãzinha, preparávamos uma matula reforçada pra ele aguentar o pique no serviço: ele trabalhava num galpão de sementes que ficava a poucas quadras de casa.

Ali, junto às sacarias de grãos, passava o dia espiando o passar de mulheres na rua.

No fim de tarde, pontificava com dois ou três amigos no Bar do Adão. Um boteco mequetrefe, ponto de encontro da vizinhança. Encostado junto ao balcão se esbaldava e suavizava a vida no frescor das cervejas.

Mamãe desconfiava que papai estava de safadeza com uma manicure miudinha que morava do outro lado da rua.

Suspeitava que essa mulherzinha se deitava com ele em plena luz do dia, bem atrás das sacas de soja. Papai dizia aos amigos que preferia as baixinhas porque tinham molejo na cintura e bom movimento de pernas.

Quando recebia a quinzena, dava uma escapada e corria com ela para o motel mais próximo. Nas casinhas de pecado, comiam calabresa e tomavam cerveja gelada, sempre depois das estrepolias do amor repleto de névoa e culpa.

Mamãe não entregava os pontos, fingia que nada acontecia e enfrentava com otimismo as crises matrimoniais. Atendia a qualquer chamado de papai e sempre com ânimo para satisfazê-lo no leito conjugal. Era sua obrigação de mulher.

As aventuras de papai tornaram-se mais intensas depois que passou a frequentar todo tipo de almoço dançante. Nesses lugares, rasqueava seu violão como quem não quer nada e dava em cima das casadas.

Foi em uma dessas domingueiras que ele se atracou com uma paraguaia roliça. A coisa ficou fácil porque a mulher era vizinha da minha tia. Assanhado, papai virou a cabeça. Avisou que sairia de casa enquanto nós tentávamos segurá-lo com simpatias nos cantos das portas.

Eu e minhas irmãs custávamos a acreditar. Ele era um homem tímido e de pouca conversa. Até bem pouco tempo, não tirava as calças de brim nem pra bater uma bola no campinho do Chicão. Agora, desfilava de short e camiseta pelas ruas do bairro. Só podia ser macumba.

Em casa, mamãe era só silêncio. Pálida e emudecida, pensava em passar uns tempos com as irmãs em Cuiabá. Antes, queria dar um trato no visual: arrumar os dentes e fazer dieta pra recomeçar a vida.

Sem o mesmo brilho nos olhos, passava o dia em meio a réguas e panos, modelando vestidos na máquina de costura. Estava um trapo. Quando conseguia erguer o rosto, se levantava da cadeira e ia cuidar da casa: varria a varanda, lavava roupa e limpava os cocôs nas gaiolas dos passarinhos.

Ouvia todo o tipo de fofocagem que corria como fumaça na vizinhança. Mas preferiu ficar metida com os afazeres domésticos e esperar ali pelo estouro da notícia: que papai estava de mudança de casa.

Quando ele partiu, mamãe chorou um tipo de lágrima que seca os ossos. No caso dela, acrescentaria a seguinte frase: “A traição é uma lembrança que não se apaga, só se amarga”.

Papai ficou com a paraguaia por seis anos, até não conseguir mais aturá-la. A mulher era de um ciúme doentio e dava chiliques quando o flagrava no portão flertando com a vizinhança. Batia o armário, esmurrava a porta e dizia a todos que podia viver sem ar, mas sem o papai, jamais.

Com as crises de ciúmes freqüentes o desgaste da relação aconteceu de maneira natural. Desta vez, o escape foi com uma vizinha de muro. A moça era esbelta, de boa anca, mas escondia um olhar atrevido e um comportamento assanhado.

Papai não quis saber do passado da moça e se enfurnaram num quartinho insalubre perto do emprego. Com medo de ser galhado, a manteve a contragosto quase em carcere privado.

A mulher não gostou de ficar em uma jaula de cimento sob os arrulhos dos pombos no forro. Logo pediu o chapéu, dando um chega pra lá nele. Pra justificar a partida, citou uma série de motivos que a levaram a desistir da relação.

O pior deles não foi a situação constrangedora de estar trancafiada, mas um segredo que veio à tona: o odor dos gases intestinais que papai liberava no período noturno.

Aquilo era constrangedor e o quartinho ficava impregnado com um cheiro insuportável. Papai tinha problemas nas abluções matinais e permanecia constipado durante o dia, indo se aliviar só no período da noite.

Chegou a buscar tratamento em Mineiros, ‘lá no Goiás’, mas de nada adiantou. Só mamãe o aturou com esse problema por tanto tempo.

Com os anos, papai permaneceu afeito a relacionamentos. Demorou, mas o fogo passou e o desejo adormeceu. Homem de fé, passou a freqüentar uma igreja evangélica pra curar a alma. Lá buscou o perdão e procurou esquecer os desejos do passado.

Mamãe ainda o espera. Vira e mexe ensaiam uma reaproximação. O capítulo final dessa história ainda não foi escrito.








A prática política da esquerda brasileira é fascista.  Basta que o líder dê o comando, lá em cima, para que a chamada “base”, aqui e...



A prática política da esquerda brasileira é fascista. 

Basta que o líder dê o comando, lá em cima, para que a chamada “base”, aqui embaixo, repita acriticamente a mesma palavra de ordem, esperando que o mantra anule o indivíduo e subleve o coletivo. 

Trata-se de uma lógica profundamente autoritária do ponto de vista moral. Ao mesmo tempo, impõe certezas políticas que anulam a capacidade das pessoas pensarem as complexidades da vida e viverem apenas de difusão de slogans. 

A indústria de danoninho faz melhor.

Dou um exemplo imediato: ontem, na sessão do senado, Dilma sacou a terminologia do “golpe parlamentar”. 

Disse que existe ampla literatura sobre o assunto. Existe mesmo? Citem os autores, os livros, as teses, os ensaios, por favor... 

Olha, reconheço que sou uma besta quadrada, mas já andei lendo por aí meia dúzias de livrinhos (alguns cânones da literatura universal), e não me lembro de ter visto, nem de passagem, alguma obra tratando especificamente do assunto. Deve ser culpa minha.

Hoje perpasso os olhos nas redes sociais e vejo amigos e amigas pontificando sobre o tal “golpe parlamentar”. 

Me poupem. A idiotice cansa.

Eles parecem robozinhos cacarejando o mesmo som (ia comentar aqui o tom de voz estridente da senadora Gleisi Hoffmann, mas deixa pra lá), como se estivessem sob o domínio de um programa central semelhante àquele do filme Matrix. 

E parece que os próximos dias essa coisa vai pegar. Eles vão repetir, repetir, repetir, até que a maluquice pareça algo palpável e que está perfeitamente ajustável à análise do quadro político brasileiro. 

Companheiros e companheiras: não vamos entrar nessa. Se quisermos realmente mudar esse País, vamos começar a praticar a primeira honestidade necessária para que todos os homens e mulheres confluam no rumo de uma sociedade mais justa e melhor do que esta que estamos vivendo: a intelectual. 




Leio pesquisas variadas e vejo que a candidatura de Athayde Nery (PPS) praticamente não existe em Campo Grande.  Na pesquisa Datamax ...


Leio pesquisas variadas e vejo que a candidatura de Athayde Nery (PPS) praticamente não existe em Campo Grande. 

Na pesquisa Datamax publicada ontem pelo site Midiamax, ele tem 0,87% das intenções de voto. 

Analisando os detalhes do levantamento, Athayde não atrai a juventude, não provoca interesse do eleitor do centro da cidade, tem reduzida influência nos bairros, não cola nos mais escolarizados e, surpreendentemente, tem indicações episódicas entre as pessoas de baixíssima escolaridade. 

Olhando esse começo de campanha, o PPS divulga um projeto bem pensado para a cidade, um tema que deveria suscitar interesse pelo menos nas faixas de eleitores mais esclarecidos. 

Claro, ainda estamos numa fase incipiente da campanha e a divulgação de candidatos e propostas ainda está muito limitada.

A pesquisa diz, contudo, que o partido está esfarelado no meio da sopinha de letras que compõe o quadro de candidaturas em disputa .

Diante disso, ou o PPS está errado, ou a cidade deveria ser outra. 

O PPS é um partido de quadros. Tem nomes excelentes, pessoas que formulam políticas públicas e são dotadas de informação suficiente para fazer análises calibradas da realidade. 

Pode-se dizer que a divergência entre a vereadora Luíza Ribeiro e Athayde Nery fragilizou ainda mais o partido. Mas essa é uma tese da qual nem todos seus integrantes concordam. 

Vou insistir num ponto: o momento político não é de formulação de projetos nem de propostas. A sociedade não adere mais a isso. O eleitor meio enraivecido não quer solução, quer posição.

 As questões urbanas estão dadas e todos os candidatos, de certa maneira, falam a mesma coisa.

O PPS perde, nesse caso, porque não consegue fazer o que mais sabe: pensar a política. A candidatura de Athayde Nery está contaminada pelo tucanato. 

Por isso, não consegue ser alternativa política.

O que eu quero dizer com isso? 

O PPS abdicou da reflexão politizada da cidade. A impressão que dá, infelizmente, é que o partido trabalha para oferecer quadros técnicos para o próximo prefeito, num gesto claro de fisiologismo disfarçado. 

Daí a insistência em apresentar "seu projeto". Ninguém vai ligar para isso se o partido não ter posições claras sobre a bagunça vivida pelo município e pelo Estado.

O PPS devia confrontar os projetos políticos que estão postos.  Devia fazer um corte programático-ideológico entre as candidaturas de Marquinhos Trad, Alcides Bernal e Rose Modesto e confrontá-lo um a um, politicamente. 

Não conseguirá fazer isso com um pé na canoa de Bernal e outro na de Azambuja. 

O momento é de fazer confronto, de propor rupturas, criar sedimento para mostrar que esses personagens representam atraso e retrocesso político. 

Com discurso firme, honesto, crítico, o partido se sairá melhor, a meu ver, do que muitos que estão fazendo a mesma coisa (ou seja, participando do laranjal) e conseguindo muito mais votos. 





U m sinal vermelho acendeu nos EUA. As pesquisas eleitorais estão cada vez mais imprecisas. A crise dos institutos tradicionais agr...



Um sinal vermelho acendeu nos EUA. As pesquisas eleitorais estão cada vez mais imprecisas. A crise dos institutos tradicionais agrava-se há anos. Há mais de uma década a disparidade entre as previsões eleitorais e o resultado das eleições cresce.

São muitos os exemplos. Nas primárias da campanha presidencial, todos os grandes institutos de pesquisa apontavam Hillary Clinton liderando em Michigan por no mínimo cinco pontos. No entanto, foi Bernie Sanders quem levou a disputa, com quatro delegados a mais que Clinton. Um deslize bem acima da chamada "margem de erro".

O que estaria acontecendo então? Nos EUA a crise vem sendo explicada por um declínio imenso no índice de retorno das pesquisas. A principal metodologia para consultar eleitores lá é via telefone fixo. A regulamentação impede que sejam feitas ligações de pesquisas diretamente no celular dos eleitores. Com isso, a taxa de resposta a essas ligações, que era de 78% na década de 1980, é agora de apenas 0,9% em 2016.

No entanto, a questão não se esgota por aí. Outro fator crucial é que as pesquisas tradicionais não funcionam tão bem no mundo de hoje. Elas produzem um "instantâneo" da situação. Uma fotografia estática do momento eleitoral que não dá conta de sua dimensão dinâmica.

Essa limitação tornou-se especialmente problemática em um mundo hoje hiperconectado. As mudanças de opinião e transformações sociais são vorazes. Um bom exemplo está no artigo "Living At Pokémon Go Speeds" (Vivendo na Velocidade do "Pokémon Go"), do escritor Ferrett Steinmetz. Ele usa o game para exemplificar a velocidade atual. No dia 6 de julho de 2016, o joguinho era virtualmente desconhecido. Em 12 de julho, ele já contava com 12 milhões de usuários ativos só nos EUA.

Steinmetz diz que essa mesma dinâmica afeta as informações que circulam publicamente (incluindo informações falsas). Nas palavras dele: "Se todo o mundo na internet está falando alguma coisa e as fontes oficiais de notícias não estão nem confirmando nem negando aquela informação, você acaba cedendo e acreditando que aquilo é verdadeiro porque 'todo o mundo' está falando sobre aquilo". Ou seja, "velocidade Pokémon" de hoje provoca mudanças massivas de opinião que influenciam também os processos eleitorais.


*Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITSrio.org). Mestre em direito por Harvard. Pesquisador e representante do MIT Media Lab no Brasil

Saiu na Folha de São Paulo, concomitante à pergunta desse blog - quem era a Barbie de Ricardo Lewandowisk? -, um breve perfil a loura que...


Saiu na Folha de São Paulo, concomitante à pergunta desse blog - quem era a Barbie de Ricardo Lewandowisk? -, um breve perfil a loura que permanecia sentada ao lado do presidente do Supremo, nestes dias de longas sessões no senado para discutir o impeachement de Dilma.

Reportagem de Daniela Lima trouxe ao mundo a criatura. "O protagonismo do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, no julgamento do impeachment acabou lançando luz sobre uma de suas mais antigas e discretas assessoras, a secretária-geral da Corte, Fabiane Duarte, 36".

"Servidora de carreira do Supremo - escreveu a Folha -, Fabiane trabalha há mais de dez anos com o ministro e, com a Corte sob seu comando, ocupa hoje o cargo mais alto na hierarquia da carreira técnica do órgão".

Ela é uma espécie de "japonês da federal" do impeachent - a comparação é meio grotesca, mas vá lá -, personagens que saem do anonimato para ribalta em momentos históricos como o que estamos vivendo.

Lula participava com Chico Buarque da sessão do senado ontem, em que Dilma se esforçava para não torturar a língua portuguesa nem a real...


Lula participava com Chico Buarque da sessão do senado ontem, em que Dilma se esforçava para não torturar a língua portuguesa nem a realidade de seu governo, quando veio a notícia de que a Receita Federal decidiu suspender a isenção tributária do Instituto que leva seu nome do período de 2011 a 2014 por "desvios de finalidade", além de cobrar imposto de renda e contribuições sociais, anunciando multa milionária.

A conta final está sendo fechada, mas deve ficar entre R$ 8 milhões e R$ 12 milhões, segundo apurou a Folha de São Paulo.

Depois disso, Lula sumiu. Ele deve estar percebendo que no Governo Michel Temer não há coincidências de data. 

Tudo é política.

 O mundo do lulismo certamente não será mais o mesmo a partir dessa semana.

O Midiamax publicou hoje pesquisa de opinião de votos sobre as eleições de Campo Grande. A reportagem da jornalista Jéssica Benitez está ...


O Midiamax publicou hoje pesquisa de opinião de votos sobre as eleições de Campo Grande. A reportagem da jornalista Jéssica Benitez está linkada aqui e, como não costumo dar a cara a tapa aos números em períodos relativamente longos até o dia da eleição, acho que está de bom tamanho como ponto de referência. 

Chamo a atenção para o fato de que uma boa leitura de pesquisa deve ser feita considerando a série histórica, o que até então não era possível, visto ainda não se ter o quadro completo de candidatos. 

Mas é bom lembrar que há meses atrás Rose figurava na casa dos 9%, sempre com Bernal um pouco na frente e a liderança de Marquinhos. Na essência, o quadro não se alterou muito, apesar dos esforços dos candidatos.

Só não concordei com a manchete do site - "Marquinhos mantém liderança e Rose encosta em Bernal, aponta DATAmax" - embora, a rigor, não esteja errada.

Se eu fosse o editor da matéria daria destaque ao fato de que 32,8% do eleitorado indicarem que ainda não sabem em que votar. 

Esse é o fato relevante: estamos falando de um número bem maior do que a de todas as candidaturas. 

Mais ainda: o "candidato ausente" (vamos chamá-lo assim para efeito retórico) está acima 6 pontos percentuais dos dois candidatos com real poder nas mãos - Alcides Bernal, no comando da prefeitura - e Rose Modesto, vice-governadora, representando o Governo do Estado. 

Não se trata de algo trivial. Alô, alô, marqueteiros, tem algo acontecendo na base social que vocês ainda não sacaram.

Colocando vis a vis ao laranjal (ou seja, os demais candidatos), que juntos reunem 10,9% das preferências, a coisa torna-se ainda mais complexa. Sorte nossa.

Se eu fosse jornalista do Midiamax mergulhava mais fundo nesses números. 

Dentro do atual cenário, em termos de votos válidos, Marquinhos Trad teria 41%, Bernal 21% e Rose 19%. 

Como costuma afirmar meu analista político ocasional, Victor Eugênio Filho (o Tatão), se Marquinhos conquistar algo em torno de 50 mil votos até o dia das eleições é bem provável que vença no primeiro turno. 

Ou seja: as eleições vão depender dos índices de abstenção. 

Se eles forem elevados - como parece que será - tudo indica que é algo plausível que nossas eleições tenham apenas um turno. 

Ainda não apostaria minhas fichas nessa tese. Mas ela é possível. 

O povo tá doidinho para dar uma lição em Bernal e Azambuja. Ambos estão brincando de fazer política, esbanjando amadorismo pelos poros.

Na segunda rodada das pesquisas, teremos um quadro mais acabado. 

Talvez minha opinião seja mais consistente. 

Aguardo no meu rotundo silêncio.


Dilma Rousseff fez um discurso no senado de 45 minutos e respondeu perguntas de senadores. Para muitos, estamos vivendo uma apoteose ...



Dilma Rousseff fez um discurso no senado de 45 minutos e respondeu perguntas de senadores. Para muitos, estamos vivendo uma apoteose histórica. Pelo que vi até agora, estamos transitando entre o drama farsesco e a comédia cínica.

Mesmo Dilma reiterando a tese do “golpe parlamentar”, achei o evento mal calibrado. Um senador usa 5 minutos cravados para fazer pergunta; e ela leva o tempo que for necessário para respondê-la, sem que haja contradita, enfiando goela abaixo de quem está assistindo o que ela tem na cabeça.

A verdade não importa. Tudo é encenação.

E olha que Dilma não consegue disfarçar muito: ela não mudou nada, mesmo com esse longo processo, algo que levaria qualquer ser humano a fazer reflexões e autocríticas, sugerindo algum acerto com o passado.

Ela se mantém firme nos mesmo equívocos, se diz inocente, deixa claro que se o impeachment for aprovado, levará o caso ao Supremo Tribunal Federal, arrastando consigo um período de insegurança jurídica, como que dizendo, à semelhança de Zagalo num famoso depoimento. “vocês vão ter que me engolir”.

Compreende-se: ela não quer ser condenada pela história. Apega-se a nesgas e filigranas de ordem jurídica e contábil, inventa teses loucas, elabora raciocínios fantasiosos, pois pretende no futuro deixar marcado na consciência coletiva a idéia de vitima de elites cruéis e desalmadas.

É o seu direito. A democracia sustenta-se nos elementos contraditórios da realidade. Dilma faz seu jogo sabendo de antemão como ele está sendo e como será jogado nos próximos dias.

Todos temos direito ao nosso teatro particular. E todos aqueles que acreditam na sua defesa tem o direito de segui-la como numa jornada de fé e sacrifício.

“Jamais haverá justiça com a minha condenação”, ela afirmou. “A democracia está sendo julgado comigo”, reiterou.

Difícil avaliar alguém que nutre tal grau de megalomania; complicado julgar alguém com um narcisismo tão ferido.

Mesmo assim, Dilma cometeu um tremendo erro – fatal, a meu ver – quando, na sua narrativa heroica, fundada na ideia da legitimidade de 54 milhões de votos, esqueceu de mencionar ( numa linha que fosse) que seu governo começou a se esboroar quando a soberania popular indicou o caminho a ser tomado com as famosas jornadas de junho de 2013.

O esquecimento – proposital ou não – mostra que todos os seus argumentos pecam pelo maniqueísmo fantasioso de não endossar o que vem das ruas, a não ser que estivesse a seu favor.

A recente história do Brasil ainda não começou a ser contada. O projeto de Dilma, Lula e PT nesse momento é criar uma obra cinematográfica que não somente preserve suas respectivas biografias, como prepare uma espécie de lavagem cerebral para as gerações vindouras.
Vão conseguir? O tempo dirá.





O IBOPE está cobrando R$ 45 mil da TV Morena para fazer pesquisa de opinião para a prefeitura de Campo Grande. Serão entrevistados 603 el...


O IBOPE está cobrando R$ 45 mil da TV Morena para fazer pesquisa de opinião para a prefeitura de Campo Grande. Serão entrevistados 603 eleitores. A divulgação acontecerá no próximo dia 03 de setembro. Não fica claro se o valor cobrado é por uma única ou várias pesquisas.

A Compar, por sua vez, registrou pesquisa no TRE/MS que será divulgada nesta segunda-feira, 29.

A base de entrevista tem 804 eleitores. Valor: R$ 7, 5 mil.

O Instituto Valle Pesquisas (A.J.Ueno Instituto de Pesquisa) divulgará pesquisa no próximo dia 01 de setembro, com 1750 entrevistados. Valor: R$ 5 mil.

Com tamanha discrepância de valores e base de dados o eleitor deve desconfiar ou receber essas informações como referências plausíveis das tendências do eleitorado.

O Ministério Público Estadual bem que poderia perguntar aqui e ali o que está acontecendo no Reino da Dinamarca.

Pode ser normal. Pode não ser. Na dúvida....



O IBOPE registrou pesquisa no Tribunal Regional Eleitoral d Mato Grosso do Sul (TRE/MS) neste fim de semana e divulgará os resultados na...



O IBOPE registrou pesquisa no Tribunal Regional Eleitoral d Mato Grosso do Sul (TRE/MS) neste fim de semana e divulgará os resultados na semana que vem, até o dia 03 de setembro. O órgão contratante foi a TV Morena. A pesquisa custará R$ 45 mil e serão entrevistados 602 eleitores.

O IBOPE também pretende avaliar o desempenho do prefeito da Capital, governador e presidente da República.

O instituto, além do questionário de praxe, perguntará ao eleitor(a) quem ele (a) acha que "independente da indicação de voto será o próximo prefeito de Campo Grande".

Abaixo a abordagem técnica da pesquisa:

"Plano amostral e ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução e nível econômico do entrevistado; intervalo de confiança e margem de erro:

Representativo do eleitorado da área em estudo, elaborada em dois estágios. No primeiro estágio faz se um sorteio probabilístico dos setores censitários, onde as entrevistas serão realizadas, pelo método PPT (Probabilidade Proporcional ao Tamanho), tomando a população de 16 anos ou mais residente nos setores como base para tal seleção. No segundo e último estágio, dentro dos setores sorteados, os respondentes são selecionados através de quotas amostrais proporcionais em função de variáveis significativas, a saber: IDADE: 16-24 (masculino) 19% (feminino) 15%; 25-34 (masculino) 25% (feminino) 23%; 35-44 (masculino) 21% (feminino) 22%; 45-54 (masculino) 17% (feminino) 18%; 55 e+ (masculino) 18% (feminino) 21%; INSTRUÇÃO: Até Ensino Médio (masculino) 72% (feminino) 70%; Ensino Superior (masculino) 28% (feminino) 30%; NÍVEL ECONÔMICO: 

Economicamente ativo (masculino) 85% (feminino) 69%; Não Economicamente ativo (masculino) 15% (feminino) 31%. Está prevista eventual ponderação para correção das variáveis sexo e idade, com base nos percentuais anteriormente mencionados, caso ocorram diferenças superiores a 3 pontos percentuais entre o previsto na amostra e a coleta de dados realizada. Para as variáveis de grau de instrução e nível econômico do entrevistado, o fator previsto para ponderação é 1 (resultados obtidos em campo). O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima estimada considerando um modelo de amostragem aleatório simples, é de 04 (quatro) pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra. FONTE DOS DADOS: Censo 2010 | PNAD 2014 | TSE 2016 | Entre outras".

Eleição de 2014. Reinaldo Azambuja e Delcídio Amaral tentavam articular uma aliança entre PT e PSDB em Mato Grosso do Sul. Azambuja...



Eleição de 2014. Reinaldo Azambuja e Delcídio Amaral tentavam articular uma aliança entre PT e PSDB em Mato Grosso do Sul.

Azambuja tentava fingir ser um empresário na política. E Delcídio queria atuar como empresário da política. 

O trato era simples: o tucanato apoiava o PT e Azambuja disputava o senado, com recursos do PT. Em contrapartida, Delcídio figuraria como uma espécie de "candidato único" no processo eleitoral. 

Todos sabem, mas a coisa não funcionou. Azambuja virou adversário de Delcídio e a campanha começou. 

No meio do caminho estourou o Petrolão.

O envolvimento de Delcídio era evidente. 

Mas Azambuja relutava em trazer esse tema para a campanha. Havia muita pressão para que o fizesse. 

O ex-senador Ruben Figueiró - evoco seu testemunho - era contra que se utilizasse o tema pelas mãos diretas do candidato tucano. 

Ele achava que a pauta era de domínio público e que não havia necessidade de machucar Delcídio de forma contundente. Figueiró havia acompanhado de perto as negociações entre PT e PSDB que, posteriormente, malogrou.

Lembro que Azambuja ficou angustiado com o assunto, o que, a meu ver, lhe conferia um sentimento de decência política.

Delcídio era um alvo fácil. O acirramento social contra o PT na sociedade era fortíssimo.  

Mas não adiantou. Prevaleceu o pragmatismo eleitoral e Reinaldo usou o escândalo para criar a simbologia do "patrimônio ético" na campanha. 

Foi num debate promovido pelo site Midiamax que Azambuja colocou todo o arsenal de que dispunha contra Delcídio. Bateu pesado contra um adversário cansado, rouco, à beira de um ataque de nervos.

O mal estar gerado foi tanto que, na platéia, um assessor de Amaral, Edimar Paes, não aguentou a carga e gritou histericamente na direção de Azambuja: "Canalha! Canalha!"

O resto é história. 

Agora, nas eleições de 2016, Azambuja vive um dilema parecido. 

Só que ele nem esperou passar o tempo para ponderar: na abertura da campanha abriu carga contra a chamada "família Trad". De maneira enviesada, querendo ser sutil (mas não sendo) fez o seu jogo. 

Azambuja, dessa vez, segue o caminho errado. Ele não carrega mais a insígnia do "patrimônio ético"; ao contrário.

Seu Governo foi literalmente loteado por várias famílias, dentro da sólida tradição patrimonialista da nossa política. Seria covardia enumerar as posições de cada uma delas na estrutura de poder. 

Azambuja está se apequenando. Ele devia ser exemplo de altivez e parcimônia nesse momento. Está ouvindo gente que não presta. Devia ser mais atencioso ao que fala e faz. 

Nessa toada, além de levar sua candidata à derrota, deixará ressentimentos que o prejudicará enormemente em 2018. 

Mas o governador é dono de seu destino. Mas é bom que se lembre: não se faz política destruindo, até porque o tempo histórico é outro e a sociedade não gosta de ver seu governador rebaixar o padrão institucional do cargo que ocupa.


Depois de ouvir no mínimo umas dez audiências sobre o processo de impeachment de dona Dilma, com argumentos pró e contra, conclui, enfi...



Depois de ouvir no mínimo umas dez audiências sobre o processo de impeachment de dona Dilma, com argumentos pró e contra, conclui, enfim, ter feito meu mestrado informal em economia e gestão de contas públicas. 

Nunca aprendi tanto. Depois de quase dois meses, me vi como outro brasileiro, mais sábio, mais informado, mais ponderado.

Os debates acalorados entre defesa e acusação foram verdadeiras aulas de legislação orçamentária, Lei de Responsabilidade Fiscal, Constituição Federal, logística processual, acrescidos de técnicas de oratória ministradas pelo notável ex-ministro Eduardo Cardoso e pela advogada Janaína Pascoal. 

Fiquei admirado com a capacidade e resistência física de Gleisi Hoffmann, Ronaldo Caiado, Simone Tebet, Waldemir Moka, Lindberfh Farias, Magno Malta, e tantos outros que brilharam nos embates para salvar ou sacrificar a senhora presidente da República. 

Que cenário. A história viva ali se desdobrando, a luta das vozes esganiçada pelo poder, o frenesi político eclodindo para nosso gáudio e nossa ilustração, num dos momentos cruciais de nossa breve vida nacional. Que cinema. Que teatro. Que happening.

Quanta coisa eu não sabia, não imaginava existir; quantas leis a nos governar, quantas normas e notas técnicas abaixo das leis para tentar fazer mover esse mastodonte sujo e amorfo chamado Brasil. 

Quando o processo entrou em fase final na semana passada, sob o comando do presidente do Supremo Ricardo Lewandowisk, tomei uma decisão inusitada: assistir a tudo com a ausência de som. Só queria ver as imagens. Só queria ver o Teatro. As palavras perderam o sentido. Eu já sabia as falas, tinha-as decorado.

O espírito de Glauber Rocha tinha se aponderado de mim.

Na quarta e quinta-feiras passadas às vezes fazia o acompanhamento na TV ouvindo Stravinsk ao fundo. Noutras, colocava sinfonia número 5 de Mahler, lembrando Viena fin de siecle. 

A pose de prima dona de Gleisi, os olhos inflamados de Lindbergh, a cara de coitada de Vanessa, a face pálida de Lewandovisk, a solenidade de Renan, a travessia sensacional pelo palco do senador Tasso, os meneios de Aécio, a postura fulgurante de Aloysio Nunes, o olhar assustadiço de Simone Tebet, o cabelo encaracolado de Magno Malta, a soberba de Cássio Cunha Lima, as gargalhadas de Zeze perrella, os gestos professorais de Ana Amélia e, finalmente, o jeitão de capiau esclarecido de Cristovam Buarque. 

Que falta fez o ex-senador Pedro Simon. Ele daria ma dramaticidade inédita ao evento. Ele daria um certo encanto à ópera bufa, repleto de som e fúria desses dias, 

O ex-ministro José Eduardo Cardoso, com aquelas mãos leves levitando diante de nossos olhos como se estivesse regendo uma orquestra, e o rosto enfurecido de Janaína Pascoal, com aqueles cabelos negros espargindo sob a face severa, nunca os esquecerei. Grandes atuações. Momentos verdadeiros de nossa arte dramática, esgrima verbal digna de amantes em momentos de separação traumática. 

Enfim, foi uma grande semana. Passei horas ouvindo música, vendo TV, às vezes bebericando um vinho, noutras imóvel, com dor nas costas e no cóccix. 

Vi como funciona o País. Vi senadores fazendo esforços retóricos acima de qualquer capacidade para um plenário que não estava nem aí, com senadores conversando entre si, falando ao telefone, rindo, como se tudo fosse uma festa, só faltando os uísques e canapés. 

Só fiquei com uma pulga na orelha. Acho que não só eu, mas a imensa maioria do público: afinal, que era aquela barbie sentada o tempo todo ao lado de Lewandowisk. Ninguém lhe perguntou nada - a imprensa parece que esqueceu de explicar quem era a personagem - e ela, ali, ocupando a cena, adentrando nossa casa todos os dias, entrando muda e saindo calada. 

Fecha o pano.


  Foto/legenda: Ninguém soube responder quem é a Barbie ao lado de Lewandowisk

Correu frouxo em Campo Grande, ontem, o seguinte comentário pelas redes sociais: durante a realização da chamada Marcha Para Jesus, o g...



Correu frouxo em Campo Grande, ontem, o seguinte comentário pelas redes sociais: durante a realização da chamada Marcha Para Jesus, o governador Reinaldo Azambuja, ao ter o seu nome anunciado no microfone por um dos pastores, teria recebido sonora vaia.

Não sei se isso é verdade. Nem me interessa. O fato é que qualquer pessoa que atualmente "simbolize" o poder político - ele pode ser um santo homem -, citado numa multidão, não tem jeito: é vaia mesmo.

Hoje o Datafolha publicou uma pesquisa interessante: a vinculação de candidatos a padrinhos políticos traz mais prejuízos do que vantagens na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Diz a reportagem da FSP: O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o nome que causa maior rejeição entre eleitores paulistanos: 73% disseram que não votam no candidato apoiado pelo petista "de jeito nenhum".

A associação com o presidente interino, Michel Temer (PMDB), afasta o voto de 65% dos eleitores. E 51% não escolheriam o nome endossado pelo governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB).

A pesquisa, realizada em 23 e 24 de agosto, ouviu 1.092 pessoas. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Não imaginem os leitores verem esse tipo de pesquisa publicada por aqui.

A quem interessaria uma informação dessa?

Se imaginarmos que os números paulistanos pudessem ser utilizados como referência para a realidade campo-grandense, dentro das ponderações possíveis, certamente poderíamos concluir que Reinaldo tiraria mais votos do que a Rose. 

Claro que nenhum instituto local faria essa sondagem porque feriria fundo o ego frágil de Reinaldo, que foi convencido pela sua assessoria de marketing que ele é o "grande líder" que daria a vitória a sua candidata. 

Infelizmente, a realidade desmente. 

É como a foto acima. Não sabemos se Azambuja e Olarte eram amigões do peito, numa relação fortalecida pelos laços que o vice-prefeito preso mantinha com Rose ( algo comprovado pelas gravações do Gaeco). 

Mas que a imagem fala mais alto do que qualquer negativa, ah! isso fala.

A diretora de cinema Anna Muylaert instalou-se no Senado, com unhas, dentes e várias câmeras nas mãos, em gabinetes de senadores do PT,...



A diretora de cinema Anna Muylaert instalou-se no Senado, com unhas, dentes e várias câmeras nas mãos, em gabinetes de senadores do PT, colhendo imagens e depoimentos para produzir um documentário sobre o processo de impeachment. 

De acordo com o registro feito pela imprensa essa tem sido a principal razão da performance de Gleisi Hoffmann , Lindbergh Farias e Vanessa Grazziotin (PCdoB), ora fazendo discursos grandiloquentes, ora protagonizando bate-bocas, ora encenando um gestuário lírico-dramático, conforme o avançar do processo. 

Eles parecem mesmerizados com essa produção pornô-chic de nossa institucionalidade.

A frase da senadora Gleisi de que os senadores "não tinham moral para julgar" Dilma foi escrita e ensaiada, como numa peça de teatro, para surtir o efeito desejado. 

Esqueceram de combinar com os Russos, ou melhor, com o chefe dos cangaceiros. 

O presidente da Casa afirmou, no dia seguinte, fora do sccript, que a senadora do Parará havia pedido sua interveniência junto ao Supremo para não ser indiciada com seu marido por crime de corrupção.

Corta!  

Será que tal cena aparecerá no filme de Muylaert?

Membros do PT consideram que Gleisi errou ao criticar a "falta de moral" do Senado. "Em casa de enforcado, não se fala de corda", disse um político do partido.

É consenso no senado que a defesa de Dilma no plenário do Senado serve ao documentário e não à verdadeira história

Ontem uma nota da Folha de S. Paulo revelava o contexto de todo o dramalhão mexicano-venezuelano-cubano que um dia veremos na tela: críticos dizem que os petistas estão fazendo da Casa um palco teatral e andam com o roteiro debaixo do braço. 

"Não estão preocupados com o processo. Estão preocupados em como serão mostrados no filme para o futuro", disse um senador do DEM.

Eles acreditam que a posteridade os redimirá.

O mesmo acontecerá com a aparição de Dilma na sessão de cassação. 

Será o gran finale da filmografia sobre o evento, no melhor estilo Stalinista, de interpretar a história de acordo com a fé de seus protagonistas. 

É por essas e por outras que o PT vem causando certo asco na sociedade. 

Só uma parcela da intelectualidade de esquerda ainda não compreendeu que está fazendo parte involuntária de um filme em que alguns ganharão milhões, outros fama, e a grande maioria um discurso fantasioso para chamar de seu.



Para os que não conhecem a vida e os costumes dos pardais, pretendo contribuir com algumas informações que poderão ser úteis em algum ...


Para os que não conhecem a vida e os costumes dos pardais, pretendo contribuir com algumas informações que poderão ser úteis em algum momento, sei lá quando. Há um consenso de que o pardal surgiu na Europa Meridional há 2 milhões de anos e a diáspora dessa ave, pertencente à família dos proctoneidos, se deu a partir de um determinado período invernal rigoroso, que provocou sua fuga à Africa setentrional e posteriormente aos Estados Unidos, Cuba e depois o Brasil. 

Sabe-se que os pardais são aves que vivem em grupos fechados e se relacionam exclusivamente entre eles, não havendo casos de cruzamento com nenhum outro tipo de animais semelhantes. Dizem os especialistas que os pardais são bem-humorados e, na maneira deles, contam piadas entre si. Pardais riem.

Entre essas aves existe o mito de que pardais são capazes de voar distâncias de mais de quinze mil quilômetros sem fazer nenhum tipo de pouso. A envergadura média da asa de um pardal, com idade acima de dois anos, chega a 32 centímetros e o seu deslocamento no ar, contra ventos médios de 33 quilômetros, contrários, chega a atingir cento e doze quilômetros horários. Para quem não sabe, o fator que contribui decisivamente para a extrema velocidade alcançada pelos pardais é em razão de seus bicos serem compostos da mesma matéria que compõe o titânio, ultraleve e extremamente resistente. Por esse detalhe supera a velocidade dos gaviões marrudos da Mauritânia, “tidos com os reis do céu” .

Certas características dos pardais, como a sua extraordinária aerodinâmica, inspiraram os cientistas aeronáuticos norte-americanos a desenvolver o mais rápido jato militar já construído. Me refiro ao super avião invisível XL – 1000, que atravessa países sem ser detectado por radares. E é o único equipamento com capacidade de transportar ogivas nucleares de até dez toneladas, como faz a pardoca com seus enormes ovos no bojo de seu ventre. 

Trata-se, o pardal, de um pássaro com o mais alto coeficiente de inteligência e não é à toa sua associação, criada pela Walt Disney, com a figura do Professor Pardal. No Brasil, nas disputas de beirais de telhados com as residentes andorinhas, os pardais se destacam como únicos da espécie que aceitam o homossexualismo como pr&aacu te;tica recorrente entre seus semelhantes, tanto que a união entre pardocas é prática comum.

Um dos cuidados adotados pelos criadores contemporâneos de pardais e pouco difundidos, é o sistema de banho recomendado aos pardais em cativeiro. Há uma necessidade básica de manter alguns padrões, já por que as mesmas interferem no comportamento psicológico dessa espécie, mais que em outras. 

A temperatura da água com que se banha um pardal deve estar rigorosamente a 68 graus Celsius e o banho deve ter inicio debaixo das asas, elevadas simultaneamente em um arco frontal de 97,3 graus, com a manutenção elevada do bico e lavagem tépida com cotonetes esterilizados nas equivalentes axilas da ave. Os pés do pequeno animal não devem ser limpos com o mesmo cotonete utilizado no corpo e nas penas, pois os pardais sendo insetívoros expelem entre as penas pequenas partículas de suor impregnadas de germes corrosivos, facilmente transmissíveis nas regiões de suas patas. Essa precaução evita contaminações indesejadas.

A preocupação com os banhos de pardais procede pelo forte impacto que esses pássaros exercem no equilíbrio ambiental e sobre outras espécies, caso das corruíras e dos tico ticos.

Alguns ambientalistas taxam os pardais de mau caráter, briguentos, mas a verdade é que eles são cordatos e não apreciam confusões, apenas são metidos nelas contra a vontade. Outro fator que recomenda rígidos padrões nos banhos a pardais é a extrema sensibilidade sexual desses pássaros, que de forma comum atingem orgasmo simultâneos ao serem friccionados na região glútea, seja com dedos ou cotonetes. Os pardais são monógamos e a cada estação de acasalamento piam em chamamento de pardocas que os atendem mais que prontamente. Embora sempre predispostos ao sexo, os pardais podem sofrer colapsos pela sequência de orgasmos, chegando não apenas ao desfalecimento, quanto à morte.

Pois bem, senhores leitores, agora chegou o momento de confessar que eu não entendo porra nenhuma de pardais ou de pássaros. O máximo que me aproximei de um foram os cinco metros que distanciam a calçada de um poste na rua. Tudo o que escrevi ai em cima é pura invenção e eu não faço a mínima ideia de como são os hábitos, o que pensam e agem os tais pardais. Minha tese é que se você chegou a acreditar nas minhas mentiras por pura ignorância sobre o que escrevi, afirmo que deve ter aceitado alguns fatos durante sua vida por não ter como contestá-los.

Minha recomendação é que vocês, prezados leitores, jamais aceitem verdades proporcionais à ignorância da hora. Recusem aceitar a sedução de textos com citações técnicas e convincentes, apenas porque foram bem escritos. Contestem a lógica, o conteúdo, o sentido e a puta ou o puto que o pariu. Não aceite os fatos como eles chegam. Se você um dia chegar a dar banho em um pardal seguindo as regras acima, eu juro que me suicido.


Estou linkando aqui um texto da Folha de São Paulo de hoje, de autoria de Salvador Nogueira, informando que "astrônomos brasileir...


Estou linkando aqui um texto da Folha de São Paulo de hoje, de autoria de Salvador Nogueira, informando que "astrônomos brasileiros descobriram na madrugada deste sábado (27) um asteroide prestes a passar de raspão pela Terra"

Segundo a descoberta a pedra gigante "passará a menos de um quarto da distância até a Lua, fazendo sua aproximação máxima às 22h25 de hoje".

Diz mais: "a descoberta foi feita por Cristóvão Jacques, João Ribeiro de Barros e Eduardo Pimentel, do observatório SONEAR, localizado em Oliveira (MG). Eles conduzem o único esforço significativo de monitoramento de objetos ameaçadores à Terra no hemisfério Sul — iniciativa de defesa planetária que é mantida 100% com recursos privados".

Comento: gosto de imaginar o que aconteceria se fosse anunciada que a pedra viesse em nossa direção e que, de repente, o mundo da forma como conhecemos seria transformado, em poucas horas, à semelhança das distopias cinematográficas sobre o final dos tempos, num lugar sombrio e inabitável. 


Realizem, leitores: não teríamos que nos preocupar mais com o impeachment de Dilma, com a candidatura Trump, com o "Fora Temer", com os cabelos de Rose Falsiane, com a voz maviosa de Bernal, com os programas televisivos de Marquinhos Trad e Cel. Davi, enfim, com tudo aquilo que cacareja no dia a dia, dando importância à uma vida sem significado nenhum.



Realizem, realizem, respirem fundo, meus amigos. 



A pedra chegando, nós não sabendo o que fazer nos momentos finais, olhando para céu como aqueles dinossauros  queum dia, há milhões de anos atrás, também olharam para o alto sem saber que uma grande merdança estava prestes a acontecer.  



De minha parte, não faria nada. Ficaria ouvindo Wagner a todo o volume e bebendo uísque. Mais nada. Talvez, antes da pedra chegar, começaria a rir de mim e de todos. 



Só isso. Faria a minha homenagem pessoal à nossa insignificância universal. 



Puf.

Estou preparando um texto mais ou menos longo sobre minhas relações com o PSDB, já que sou filiado ao partido há mais de 12 anos. Tenho ...



Estou preparando um texto mais ou menos longo sobre minhas relações com o PSDB, já que sou filiado ao partido há mais de 12 anos. Tenho sido muito criticado - sempre em tom maledicente - de que mantenho meu blog com críticas ao tucanato por que não consegui um bom emprego no Governo de Reinaldo Azambuja.

Esse seria o caminho mais fácil. Preferi o difícil: fazer jornalismo crítico e independente. Qual o motivo: ressentimento político? Mágoa? Frustração?

Lembro uma frase de um personagem político que admiro intelectualmente, José Serra: "por favor, não me meçam com sua régua!"

Digo o mesmo com esse artigo. Sou PSDB por convicções políticas, assim como muitos petistas são do PT por suas convicções. Ambos imaginamos que o debate da social-democracia - sim, somos todos social-democratas - deve colocar governos populistas e corruptos sob o crivo da crítica permanente.

O PT deixou de fazer isso porque a "cultura da boquinha" matou o senso crítico do partido. Deu no deu.

No PSDB nunca houve essa prática, porque a expectativa fisiológica de poder e o coronelato que passou a controlar a máquina burocrática do partido nunca permitiram.

O que muita gente não compreende é que posso ser filiado a um partido, analisá-lo estruturalmente, criticá-lo interna e publicamente, sem que isso signifique a expressão rançosa de interesses contrariados.

Sou do PSDB mas não gosto do Governo Azambuja. Simples assim. Na verdade, Azambuja não faz um governo tucano. Ele faz negócios.

Mas isso explico depois....

Vale a pena ler “A Cidade na História”, de Lewis Mumford( outubro de 1895/ janeiro de 1990), historiador americano, pesquisador  nas ár...



Vale a pena ler “A Cidade na História”, de Lewis Mumford( outubro de 1895/ janeiro de 1990), historiador americano, pesquisador  nas áreas da arte, ciência e tecnologia e saúde, além de crítico e escritor  e professor.

O livro tem pouco mais de 700 páginas. Abre espaço para que enxerguemos as cidades como organismos vivos, tentaculares, que se modificam conforme a dinâmica da chamada “biologia” existencial vai acontecendo. 

As cidades não são asfalto e concreto. As cidades são larvais. 

Mumford chega a ser quase um místico, não fosse suas leituras de Marx, Stuart Mills, John Dewey e dezenas de pensadores clássicos e modernos.

Li esse trabalho fascinante na década de 90 quando me foi encomendado pelo prefeito da época (André Puccinelli) a escrever um livro em parceria com a historiadora Marisa Bittar sobre Campo Grande. 

Fico hoje pensando se qualquer de nossos candidatos à prefeito e mesmo à vereança tivessem mergulhados num livraço como esse. Certamente alguém estaria propondo hoje um debate diferente. Os atuais me causam tristeza. Eles, infelizmente, transitam na esfera do primitivismo populista, de um lado, e nos conceitos antiquados do planejamento urbano de esquerda dos anos 50.

Olho para a minha cidade e me encanto. Sua história ainda é nada. 117 anos é um tempo tão breve como uma centelha de fósforo que se acende e apaga. 

Fico imaginando o que os cidadãos campo-grandenses pensarão a nosso respeito daqui a 300 anos (idade em que as grandes cidades começam a se tornar culturalmente maduras) e, nessas horas de longo alcance da mente, com olhos marejados, costumo me voltar para o céu, e pensar: tomara que eles sejam complacentes e não nos olhem como selvagens urrando no bosque. 

Abaixo, trecho do livro “A Cidade na História”, de Lewis Mumford (Editora Martins Fontes)

(...)
Infelizmente, o homem moderno tem ainda que vencer as perigosas aberrações que tomaram forma institucional nas cidades da Idade do Bronze e que deram destino destruidor às nossas maiores conquistas. Como os governos da Idade do Bronze, ainda consideramos o poder como principal manifestação de divindade ou, senão, como principal agente do desenvolvimento humano. Contudo, o “poder absoluto”, assim como as “armas absolutas”, pertence ao mesmo esquema mágico-religioso do sacrifício humano ritual. Tal pode destrói a cooperação simbiótica do homem com outros homens. Os organismos vivos só podem empregar quantidades limitadas de energia. À existência orgânica, tanto é fatal o que é “demasiadamente copioso” quanto o que é “demasiadamente escasso”. Os organismos, as sociedades, as pessoas humanas, e não menos que eles, as cidades, são instrumentos delicados para regular energia e empregá-la a serviço da vida. 

A principal função da cidade é converter o poder em forma, a a energia em cultura, a matéria inanimada em símbolos vivos da arte, a reprodução biológica em criatividade social. As funções positivas da cidade não podem ser levadas a cabo sem que se criem novas disposições institucionais, capazes de enfrentar as energias enormes que hoje o homem moderno domina: disposição de uma ousadia tão grande quanto aquelas que, nos primeiros tempos, transformaram a aldeia supercrescida e sua fortaleza na cidade nucleada e altamente organizada.
(...)
Por isso mesmo, devemos agora conceber a cidade não, em primeiro lugar, como um local de negócios ou de governo, mas como órgão essencial de expressão e atualização da nova personalidade humana – a do “Homem de um Mundo Só”.
(...)
A missão final da cidade é incentivar a participação consciente do homem no processo cósmico e no processo histórico. Graças a sua estrutura complexa e durável, a cidade aumenta enormememente a capacidade de interpretar esses processos e tomar neles uma parte ativa e formadora, de tal modo que cada fase do drama que desempenhe vem a ter, no mais elevado grau possível, a iluminação da consciência, a marca da finalidade, o colorido do amor. Esse engrandecimento de todas as dimensões da vida, mediante comunhão emocional, a comunicação racional e o domínio tecnológico, e, acima de tudo, a representação dramática, tem sido na história a suprema função da cidade. E permanece como a principal razão para que a cidade continue existindo”. 


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