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     Bolsonaro decidiu por Riedel demonstrando uma sensatez inusual Dante filho**** Muita gente que não conhece Mato Grosso do Sul volta e m...

Porque Bolsonaro prefere Riedel

 

   Bolsonaro decidiu por Riedel demonstrando uma sensatez inusual


Dante filho****


Muita gente que não conhece Mato Grosso do Sul volta e meia me pergunta: por que o Bolsonarismo é tão forte no Estado? Sempre respondo que é muito provável que haja, neste caso, uma identificação com o anti-petismo do que propriamente com os aspectos ideológicos que Bolsonaro representa.

É bom lembrar que nunca um candidato do PT à presidência venceu por aqui. Sim, Zeca do PT foi governador por duas vezes, mas isso se deveu a uma questão circunstancial: por causa do rompimento de um pacto das elites oligárquicas entre Wilsismo e Pedrossianismo. Ademais, Zeca governou como um bom tucano, abraçado a FHC, fazendo-lhe o tempo todo juras de amor.

Os tempos mudaram. A extrema- direita cresceu e, em 2018, fechou com Bolsonaro, muito com base no avanço das esquerdas em cima dos conflitos fundiários e no sucesso do agronegócio como fator de crescimento econômico do Estado.

A passagem de Bolsonaro por Campo Grande nesta quinta feira (30/07) veio residualmente atravessado por esse dilema: quem melhor representa o atual momento de MS diante do cenário de crise mundial que se avizinha e dos embates ideológicos que estão postos. 

Havia dois atores em cena buscando extrair do potencial de votos do bolsonarismo sua preferência: Riedel(PSDB) e Capitão Contar (PRTB). 

Contar representa o chamado segmento Bolsonarismo-raiz, predominantemente formado por bolhas da extrema-direita. Ele tem força política localizada, mas não consegue ser abrangente o suficiente apara fazer uma campanha de sucesso para todo Mato Grosso do Sul. 

Riedel, por outro lado, representa a centro-direita mais organizada, sem radicalismos, de perfil conciliador, com amplo apoio do agronegócio, com maior sensibilidade social e, mais importante, não se sente constrangido em dialogar com todas as correntes políticas, sem discriminar ideologicamente partidos ou preferências. 

Obviamente, Bolsonaro, no seu campo ideológico, não pode fazer política excludente, mas deu todos os sinais de que prefere Riedel  em vez do Capitão Contar. 

Se este for esperto, desiste da candidatura e põe em execução o plano B. Ganhará em grandeza e sairá fortalecido. Caso contrário, será um político de nicho, sem conseguir atingir a maioridade.

Depurando todos os sinais e declarações, gestos e simbolismos ficou mais do que evidente que Bolsonaro abraçou a candidatura de Riedel. Talvez essa tenha sido uma das poucas vezes que o presidente decidiu pelo caminho da sensatez.


  Puccinelli, assim como Lula, obteve salvo-conduto da Justiça e disputa legitimamente as eleições; não cabe mais jogadinhas de ultima hora....

Precisamos falar sobre André

 

Puccinelli, assim como Lula, obteve salvo-conduto da Justiça e disputa legitimamente as eleições; não cabe mais jogadinhas de ultima hora.


Dante Filho*****

O ex-governador André Puccinelli é um político controverso, ambíguo, fruto das contradições de nosso tempo, herdeiro da linhagem do MDB de Wilson Barbosa Martins. Com André não existe meio termo: ou ama ou odeia. Mesmo assim, querendo ou não, ele faz parte da história de Mato Grosso do Sul. Não é possível dissociá-lo dos melhores tempos vividos pelo Estado. Os dados comprovam isso.

Querendo ou não, aceitando ou não, o fato é que seu nome ficará para sempre no nosso cotidiano. Aquele enclave arquitetônico nos altos da Avenida Afonso Pena está cravado como marca de outro Mato Grosso do Sul, dando-lhe perspectiva modernizadora. 

Todos sabem que o “Aquário Pantanal” será um monumento duradouro, mesmo que para sua viabilização e conclusão os nomes do governador Reinaldo Azambuja e de seu secretário de Infra-estrutura, Eduardo Riedel, figurem com destaque na placa inauguratória. Felizmente, todos deram demonstração de grandeza nesse processo.

Quando foi prefeito da Capital, André revolucionou a cidade, fazendo dela um centro urbano dinâmico, retraçando suas malhas viárias, implantando programas sociais, educacionais e habitacionais, estabelecendo assim marcos definitivos para que a cidade tivesse perspectiva de futuro. Ninguém tira isso dele. As pesquisas mostram isso.

Claro que existe outro André. Aquele que aprendemos a odiar, envolvido em escândalos, eclodidos num momento histórico do Brasil em que um presidente da república também conheceu a cadeia, além de deputados, senadores, empresários, todos enfileirados em cana dura, num dos momentos cruciais e dramáticos do fortalecimento das instituições de controle, numa espécie de repactuação federativa, no qual se acreditava que era fundamental fazer um corte oblíquo para extirpar de vez a câncer da corrupção. 

A sociedade e a mídia, lá atrás, clamavam por decência.O intenso desvio de finalidade dos recursos públicos encontrou uma barreira sólida, numa tentativa de desnaturalizar a cultura da corrupção estrutural no Brasil. Alguns pagaram o preço e outros buscam remissão. O eleitor dirá quem deve permanecer em punição e quem merece a absolvição. Puccinelli está pedindo que a sociedade o absolva. É legítimo e está dentro dos preceitos do Estado Democrático de Direito.

Ele, no plano estadual, e Lula, no nacional, obtiveram salvo-conduto do judiciário para disputar eleições. Tudo dentro da normalidade democrática.

A vida não é uma linha reta. Ela segue em espiral. Aquele quadro punitivo e persecutório de alguns anos está passando por intenso revisionismo. Exageraram na dose, e os efeitos colaterais tornaram-se piores que os resultados pretendidos. Juízes não são heróis nem santos. 

Não se sabe até hoje qual a origem do processo de polarização afetiva que estamos vivendo. Há teses de sobra por aí. Mas se sabe que sua intensificação deu-se entre a reeleição de Dilma, a Lava Jato (e as centenas de operações semelhantes) e a eleição de Bolsonaro. 

Nesse meio tempo, enfrentamos uma pandemia que produziu mudanças globais. As pessoas passaram a ser mais reflexivas, menos imediatistas, gerando aquilo que, num ensaio recente, descrevi como a “Era da Inadaptabilidade”. 

Paralelamente, começamos a enfrentar uma grave crise econômica (tornada mais aguda com a guerra entre Rússia e Ucrânia), que exigirá conhecimento, preparo administrativo, responsabilidade pública. Tudo aquilo que o populismo não gosta.

É neste contexto que analiso a atual campanha eleitoral de MS. Claro que os elementos da polarização (desinformação, fake news etc) estão aí no dia a dia, com seus grupos organizados, gente com gosto amargo de raiva na boca. 

A atual fase é a da maldade, todos querem destruir o inimigo. O Poder Judiciário é o instrumento punitivo. Existem os ingênuos que não perceberam o perigo que representa a Justiça ter se transformado em partido político. E há os maliciosos que se aproveitam da fumaça para enganar a população, querendo o retrocesso autoritário. 

Nos últimos dias, mais uma vez, o Partido do Judiciário está se movimentando. De repente, um jornal diz que a Justiça Federal fez “ressurgir” (o verbo é este?) a Operação Lama Asfáltica, envolvendo o ex-governador. Tudo pra causar falsas expectativas e mandar aviso cifrado a quem interessar possa.

 Penso que Puccinelli, neste atual contexto, não pode ser vítima de armação. É anti-democrático. Campanhas devem ser transparentes, sem jogadinhas de ocasião.

Acredito que não haja mais tempo para alterações institucionais da regra do jogo. Os eleitores conhecem os defeitos e as qualidades dos principais candidatos. Seus erros e acertos. Não há mais espaço para professores de deus e dedinhos em riste. 

O moralismo udenista está fora de moda. É fundamental que nos concentremos nas propostas de governo. Quais prioridades? Como será feita a alocação de recursos para saúde e educação? Quais projetos serão incentivados? Qual o pensamento macro de cada um para desenvolver o Estado? Quem tem programa a apresentar?

Basta isso para se fazer uma campanha civilizada, sem mentiras, sem dancinhas, sem gracinhas. O resto o eleitor decide.


  André pode reverter o quadro e Riedel seguir rumo ao segundo turno ****** Dante Filho  Saiu esta semana uma nova rodada de pesquisas (IBP ...

O momento das pré-candidaturas

 

André pode reverter o quadro e Riedel seguir rumo ao segundo turno



******Dante Filho 


Saiu esta semana uma nova rodada de pesquisas (IBP e Novo Ibrape) sobre as preferências dos eleitores para o governo de Mato Grosso do Sul. Não vou me preocupar com citação de números. Os 4 principais nomes ( André, Marquinhos, Riedel e Rose) estão tecnicamente empatados na casa dos 20% (com variações pontuais, diferenciando-se nas taxas de conhecimento e rejeição).

Esse quadro tem longa duração. Desde os levantamentos feitos em abril passado tanto Puccinelli quanto Marquinhos estão congelados. Não saem do lugar. Parece que estagnaram no teto. Rose e Riedel movimentaram-se. Ela, em leve queda, ele,  em forte elevação. 

Triturando estes números é possível tirar algumas conclusões. A primeira é de que o eleitor ainda não colocou as eleições locais no plano das preocupações primeiras de sua vida. É provável que a polarização afetiva das eleições nacionais venha chamando mais atenção pelo fato de que é mais definidora em relação aos temas de interesse, tais como preço dos combustíveis e da comida na mesa. 

No plano estadual, fica claro que o marketing utilizado até agora por Puccinelli e Marquinhos não funcionam. São ruins, descolados da realidade, fora do tom. Estão gastando dinheiro à toa. 

No caso de Rose pode-se dizer o mesmo. Ela tem batido na tecla de que vivemos num Estado rico, mas pouco ou nada distributivo. Ela defende que a geração de riquezas (agronegócio e serviços) injete grana no bolso da população, via aumento de renda.

Como ela pretende fazer isso, ou seja, atender as demandas sociais da pobreza e promover o incremento da infra-estrutura ao mesmo tempo ela não explica, ou não sabe, sei lá...

Riedel está crescendo porque a gestão tucana está dando certo. Por mais que Azambuja esteja devendo explicações morais à sociedade, em função de escândalos de corrupção que até agora não foram solucionados via judicial, o fato concreto é um só: é palpável que a gestão do Estado entrou no caminho responsável do ajuste fiscal e está colhendo bons resultados. 

A vantagem de Reinaldo é que ele percebeu a tempo que o populismo não funciona e que a sociedade prefere ter uma vida segura, com perspectiva, do que promessas ocas e mentirosas.

Considere-se também que o Governo Bolsonaro aumentou durante a pandemia os fluxos de capital para a federação, recorrendo ao (duvidoso) modelo de incremento de emendas parlamentares e orçamento secreto, resultando num aporte de mais de R$ 40 bilhões nos últimos dois anos para o MS. Ou seja: o governo tucano fez caixa e gastou de forma correta. 

Marquinhos Trad, na prefeitura da Capital, fez o caminho inverso. Não apostou no ajuste fiscal, negligenciou dados elementares das contas públicas, e hostilizou bestialmente a relação receita versus despesa, deixando a prefeitura num momento inadequado para uma vice-prefeita abilolada, completamente despreparada para a função. Resultado: caos.

 Todo esse combo talvez explique a paralisia de Trad nas pesquisas. Seu carro atolou. Vai ser difícil tirá-lo do buraco. 

Puccinelli, por sua vez, precisa repensar seu modelo de apresentação pública. Ele pensa que a mídia e o modelo de campanha são os mesmos dos anos 90. Não adianta fazer brincadeirinha no tik-tok. Ele precisa potencializar aquilo em que ele é o melhor: projetos arrojados, idéias que ressignifiquem o Estado, austeridade executiva. 

A bandeira da gestão e do empreendedorismo ( que foi de André) já está nas mãos de Riedel. Ele não vai soltá-la. André tem que reconstruir seu personagem e renová-lo. Conseguirá? Não sei. O que percebo no momento é que está fácil dar um chega pra lá em Marquinhos  e olhar na direção de uma disputa de alto nível no segundo turno.


  Se a prefeita tiver ainda noção de decência afasta-se da campanha e mergulha na administração Dante Filho***** A semana está sendo complic...

Com mexida na comunicação, Adriane Lopes começa a se distanciar de Marquinhos

 

Se a prefeita tiver ainda noção de decência afasta-se da campanha e mergulha na administração


Dante Filho*****

A semana está sendo complicada para a prefeita Adriane Lopes. Começou com a ação desastrada da prefeitura derrubando barracos no Jardim Los Angeles, no dia mais frio do ano; em seguida, o transporte coletivo deu sinal que de que está empacando em função de medidas tarifárias amalucadas do ex-prefeito Marquinhos Trad; e, pra completar, desde ontem vem se revelando, pouco a pouco, a crise no setor de comunicação da prefeitura, com  o famoso disse-me-disse, puxações de tapete, traições e ranger de dentes. 

Como trabalhei 4 anos no local, alertei muitas vezes (em vão), que aquilo não tinha sustentabilidade. Mas o que adianta discutir assunto sério com um amador como o ex-prefeito.

A estrutura de marketing de Marquinhos Trad misturava perigosamente o público e o privado (um vício antigo), resvalando para o baixo estrato ético e moral de seus operadores. 

No fim, a jornalista Lidiane Kober foi rifada e substituída por Elizabeth Cristina Oliveira Moreira, cujo apelido, “cascavel silenciosa”, já denota a personalidade da figura.  Segundo jornalistas do setor, Elisinha será apenas uma figurante a representar um papel secundário numa tragédia anunciada. 

O ator principal será um jornalista, Vassil Oliveira, veterano da imprensa goiana, que acumula no momento a função de marqueteiro de Marquinhos Trad, trazendo sua experiência com gestão de crise para ver se reduz os desgastes que a prefeitura e o ex-prefeito passarão a sofrer de agora em diante. 

Vassil parece ser bom profissional, um bom texto, sabe agradar quem está no poder e tem livro publicado sobre bastidores de campanha eleitorais de seu Estado. Não sei se combinará com o estilo de Marquinhos, que detesta assessores que julga mais inteligente que ele, tanto que prefere se aconselhar com o baixo clero da imprensa sul-mato-grossense. Boa sorte, Vassil...

Historicamente, o setor de comunicação da prefeitura sempre foi um lugar problemático.  Marquinhos tem um conceito de comunicação dos anos 50, e aposta tudo no personalismo disforme, numa atuação cada vez mais próxima de personagens que transitam entre os atores canastrões das telenovelas da Record com os velhos filmes populares de Cantinflas. 

Seu método é a mentira sistemática. Seu apelido Pinóquio não pegou por acaso. A comunicação da prefeitura nunca teve diretriz nem comando claros. A compra de jornalistas e veículos era tratada com o chefe de Gabinete Alex Oliveira e Robison Gatti, com participação direta do ex-prefeito. Não havia critérios. Ou melhor, havia. Quem ameaçasse com as melhores chantagens ( quase todas de cunho sexual) levava. 

Lidiane Kober era a boneca de pano de pancadas. Era a vítima preferencial das humilhações do ex-prefeito. Marquinhos é dado a chiliques permanentes. Sua superintendente de comunicação  servia pra isso: ser xingada, ameaçada, espezinhada. Nos momentos mais tensos, ela surtava e transferia essa carga de maluquice para o restante da equipe. Claro, o desgaste intensificou-se durante os anos e ela passou a viver em depressão e crise nervosa. Sou testemunho vivo destes fatos. Pedi o boné no meio da pandemia entre perplexo e horrorizado com o que vi e vivi. 

Foi, contudo, uma experiência válida porque pude acompanhar um psicopata em ação. Para o público, um sujeito manso, cordato, fala suave; para sua equipe próxima, um sujeito perverso, predador e assediador. Fui confidente de Lidiani por vários anos. Nas conversas que mantínhamos sob o trato da confidencialidade pude constatar o perigo que representa Marquinhos ser governador de Mato Grosso do Sul. 

Acho que a prefeita Adriane Lopes terá a chance agora de iniciar o processo de distanciamento de Marquinhos. Se ela for uma mulher decente, que preza pelos valores da feminilidade, que diz adotar para a vida preceitos Cristãos, a vida então lhe abriu uma chance de ouro para alterar os rumos da prefeitura, sanitizando uma administração completamente contaminada pela loucura. 

Hitler às vezes ainda vive e poucos percebem.




  Reinaldo Azambuja e André Puccinelli são alvos preferenciais da esgotosfera da atual campanha Dante Filho* Outro dia, lendo a coluna do jo...

Os sentimentos das ruas

 

Reinaldo Azambuja e André Puccinelli são alvos preferenciais da esgotosfera da atual campanha


Dante Filho*

Outro dia, lendo a coluna do jornalista Manoel Afonso, ele lembrou que os pré-candidatos ao governo, neste momento, estão evitando críticas diretas aos concorrentes por causa de possíveis alianças no segundo turno. “Todos estão corteses”, ironizou. A observação é verdadeira, principalmente porque o quadro político é provisório, e a posição dos atores no palco só ficará demarcada a partir de agosto, com as convenções partidárias. 

Por enquanto, só há militância e marketing. Pesquisas identificam aspectos do cenário, preferências pontuais, embora existam pessoas que insistem desde já cravar o que vai acontecer no futuro. 

Tudo indica que mais de 40% do eleitorado ainda não colocou na conta de sua vida cotidiana as eleições deste ano, preocupado com preço da gasolina e da comida. 

Os pretensos candidatos estão fazendo uma espécie de ensaio, testando aqui e ali o eleitor, tentando descobrir o que vai pegar na campanha. 

Todo mundo chuta, mesmo porque o único instrumento que temos são dados estatísticos, que são invariavelmente combatidos porque contrariam nichos de eleitores engajados que vêem nos resultados manipulações conspiratórias, ora dos bancos, ora das centrais sindicais, ora dos interesses internacionais. 

Passei quase quinzes dias em Campo Grande, conversando com pessoas de todas as origens sociais, em vários bairros, com políticos treinados, com alguns candidatos, com jornalistas e marqueteiros. Sim, trata-se de um microcosmo, embora seja possível ter uma percepção de alguns sentimentos coletivos, que não são identificados por pesquisas, porque foge da ordem numérica e penetra nos elementos subjetivos das sensações. 

Qualquer pessoa comporta-se com maior desenvoltura em conversas desinteressadas do que com um pesquisador profissional com suas listas pré-determinada de questões. 

Uma conversa espontânea rende mais do que um questionário. Mesmo assim, a pesquisa sistematiza e organiza tendências e preferências momentâneas, algo que não acontece numa conversas de bar, dentro de um taxi ou mesmo na fila de um banco. 

Algumas impressões que tive de imediato:  a fama de Puccinelli como grande tocador de obras e administrador arrojado continua intacta; Marquinhos está fragilizado por conta do caos no trânsito, obras inacabadas, excesso de mentiras e supostos escândalos  sexuais;  Rose Modesto tem vasta simpatia em bairros das regiões norte, Tiradentes e Prosa, mas a maioria dos eleitores acha que não é a vez dela; Riedel é pouco conhecido pessoalmente, mas é considerado um candidato forte por causa do apoio da máquina, podendo ser uma opção de renovação; Capitão Contar tem forte preferência no centro, nas regiões da base aérea e de parte da elite tradicional da cidade. 

Estas impressões são generalizantes. Não dá pra ir fundo em cada uma delas por que o eleitor desconfia de muitas perguntas e, quando descobre que está sendo “investigado”, se fecha, muda de assunto. 

Poucos se comprometem verdadeiramente com preferências políticas, porque a opinião geral é de “ninguém presta, todos são bandidos e ladrões”. 

Diante desse quadro, os candidatos têm traçado nessa fase de pré-campanha suas estratégias de contatos, formalização de acordos sociais com grupos de interesse, contratação de equipes de marketing, pessoal de apoio, muitos ocupando cargos em comissão em prefeituras, governos, câmaras municipais etc. 

Conforme divulgado na imprensa, só a prefeitura de Campo Grande tem nas ruas 9 mil servidores comissionados apoiando o ex-prefeito ao custo de R$ 30 milhões mensais. 

Expandindo este modelo para todo o Estado, o eleitor pode imaginar o quanto de gente e dinheiro uma disputa eleitoral utiliza, isso sem contar os recursos do fundo partidário e da iniciativa privada. 

Noutras palavras, o contribuinte paga para que candidatos tenham maior ou menor empuxo na disputa pelo poder. Por isso, os tribunais eleitorais deviam ter um sistema de fiscalização e transparência para saber como o dinheiro tem irrigado campanhas que, aparentemente, não têm nenhuma sustentabilidade visível. É preciso mais cobrança da imprensa.

 Campanha Submersa

Todos os candidatos ao governo têm uma esgotosfera para chamar de sua. Acompanhando cada uma delas, a mais agressiva é a do ex-prefeito Marquinhos Trad. Suas vítimas preferenciais são o ex-governador André Puccinelli e o governador Reinaldo Azambuja. Vídeos, memes, animações e fake news, os tratam como criminosos perigosos. Tem material pesado. Muita coisa amparada em blogs obscuros de origem desconhecida. Fernandinho Beira-Mar deve estar achando engraçado.

 

* Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul

  Dante Filho O chamado jornalismo de qualidade tem insistido no conceito de que pesquisas eleitorais são instrumentos válidos de medição de...

Por que devemos duvidar de pesquisas eleitorais neste momento




 Dante Filho

O chamado jornalismo de qualidade tem insistido no conceito de que pesquisas eleitorais são instrumentos válidos de medição de tendências de preferência de pré-candidatos, principalmente a cargos majoritários. O raciocínio é correto. Não há outra forma de analisar o quadro político sem os números e estudos estatísticos que se apresentam. 

Se lá na frente eles se mostrarem assertivos e corretos, é outra história. Pesquisa não é uma verdade absoluta. Duvidar dela não é pecado. É um direito de cada cidadão avaliar a disputa como se lhe apresenta a realidade. O que não pode é torturar números e fazer propaganda mentirosa. Mas isso é outro assunto...

A cada divulgação dos índices, grupos coordenadores de campanhas que atuam junto aos partidos, mobilizam esforços para utilizar os dados estatísticos como instrumento de marketing. A ciência, no caso, serve à picaretagem.

Quem pontua acima busca e se coloca na frente deseja inflar a preferência como se essa realidade fosse imutável, fazendo com que o dado momentâneo seja fixado como elemento consistente de vitória. A queda dos índices passa a não ser aceitável e qualquer desvio tem sempre alguém que grita "fraude!". 

Quem se situa abaixo, martela nos meios de difusão disponíveis de que os números mudarão, pois a eleição nem começou e que haverá muita estrada pela frente, com seus solavancos e sinuosidades. 

Ontem, por exemplo, os principais pré-candidatos a governador de Mato Grosso do Sul passaram o dia debruçados sobre os números do instituto Real Time Big Data, patrocinado pela TV Record do Bispo Edir Macedo. 

Marquinhos fez uma festa porque mostrou-se acima de André Puccinelli, que vinha há meses situando-se em primeiro lugar. 

Uma diferença de 1% (não vale rir) para uma pesquisa feita por telefone, com 1,5 mil entrevistados, com margem de erro de 4%, levou o ex-prefeito às redes sociais superdimensionando o feito. Pode parecer caricato, mas tudo isso faz parte do jogo.

Na verdade, Marquinhos poderia ter 18% e André 23% das intenções de voto (tudo dentro da margem de erro), mas como verdade não é o forte de ninguém neste ramo, então trata-se de criar uma realidade alternativa pra ver se turbina a militância a soldo e consolida algum voto no eleitorado desavisado que gosta de votar no "já ganhou". 

Quem tiver o cuidado ( tem gente que se dedica a isso com afinco) de analisar as variadas pesquisas realizadas nos últimos 30 dias (internas e externas) verá que o quadro geral das preferências permanece petrificado, ou seja, há poucas alterações de fundo na cena eleitoral de MS. 

Marquinhos e André permanecem na faixa de 20% desde o início da pré-campanha. A impressão é de que bateram no teto. Rose e Riedel estão entre 12 e 15%, ainda em fase de degustação pelo eleitorado. Capitão Contar teve leve crescimento de 2% (deve estar com, no máximo, 7%) por conta da disposição em ser candidato, coisa que não estava muita clara há 15 dias.Vida que segue...

A classe política suspeita que o instituto Real Time Big Data tenha tentado ajudar o Capitão Contar com o intuito de impressionar Bolsonaro, que estará em Campo Grande no próximo dia 20 para consagrar uma aliança com o candidato do PSDB. Um jogo bobo, mas tudo pode funcionar.

Francamente, achei os dados técnicos dessa pesquisa frágil, com margem de erro elevada, tudo muito superficial, além de 15% de indecisos (que não responderam ou disseram “não saber em quem votar"), o que mostra que há muitos eleitores que ainda não prestaram atenção ao cenário eleitoral. 

(Uma curiosidade: passei uns dias em Campo Grande e notei que a maioria dos taxistas e uberistas ainda pensa que  o prefeito é Marquinhos Trad e não Adriana Lopes, o que revela que a renúncia do ex-prefeito ainda não foi absorvida por muita gente).

Claro que a pesquisa Big Data é um ativo na campanha de Contar porque ele poderá ter algo a apresentar ao presidente e ao Bolsonarismo raiz com alguma consistência, além de blá-blá-blá ideológico. 

A pré-campanha de Riedel deve olhar os números com alguma preocupação, pois não é confortável ficar numa posição de retaguarda quando, tempos atrás, ele mostrou que os prefeitos, vereadores e deputados, majoritariamente, convergiam rumo ao seu projeto. 

O marketing negativo de candidato que “não decola” é péssimo, mesmo observando que sua taxa de conhecimento é baixíssima e sua rejeição é quase inexistente. 

Para Puccinelli o quadro não é confortável também. 

Marquinhos vem tentando colar no cenário de disputa que tudo se resumirá na divergência política entre o ladrão e o homem honesto. Isso só vai funcionar se até o final da campanha André não reagir e mostrar os podres de Marquinho, perguntando, por exemplo, como pode um homem sem profissão ostentar uma vida de alto padrão como a dele. 

Alguém poderá aparecer para responder a essa e a muitas outras perguntas – de resto, naturais , quando a propaganda eleitoral resvala para cobranças morais e ausência de programas de trabalho. 

Vamos ver. 

 


  Dante Filho* Mato Grosso do Sul é um estado politicamente atípico: o bolsonarismo vive aqui um momento de ascensão e prestígio popular. Pe...

O apoio de Bolsonaro

 


Dante Filho*

Mato Grosso do Sul é um estado politicamente atípico: o bolsonarismo vive aqui um momento de ascensão e prestígio popular. Pesquisas demonstram que Jair Bolsonaro obtém índices de preferência elevados, quase sempre dez pontos à frente de seu principal adversário, Luiz  Inácio Lula da Silva. 

Parlamentares como Simone Tebet e Fábio Trad correm o risco de serem tragados para o ostracismo na próxima eleição dentro do Estado por terem optado pelo confronto direto com as bases eleitorais do Capitão. 

Os pré-candidatos a governador vivem em MS um dilema: ou mantém uma relação cautelosa com Bolsonaro ( em cima do muro) ou disputam seu apoio explicitamente. A preferência pelo atual presidente é explicada por causa da influência do agronegócio e de uma vasta população conservadora vinculada às igrejas evangélicas. Não adianta colidir com o mundo real. 

Dias atrás, Bolsonaro marcou uma visita ao Estado para consagrar seu apoio ao pré-candidato do PSDB Eduardo Riedel, que se aliou há tempos com a ex-ministra Teresa Cristina, a preferida (pelo presidente e pelas pesquisas) para ocupar uma vaga ao senado a partir do próximo ano. Teresa tornou-se um quadro bolsonarista importante e sua influência junto ao presidente determinou a aproximação ao tucanato local. Ademais, Tereca é amiga antiga de Riedel e eles se gostam.

Mas as franjas do bolsonarismo local estão divididas quanto a esse arranjo. A senadora Soraya Thronicke ingressou no União Brasil e está em campanha para eleger a deputada Rose Modesto ao governo do Estado. Sem espalhafato.

Num outro ponto, o deputado estadual Capitão Contar abriu dissidência e, com apoio do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), vem lutando para que Bolsonaro consagre sua candidatura ao governo, alegando que essa é a exigência dos bolsonaristas raiz que agregam a extrema-direita no Estado. 

Já tentaram de tudo para acomodar Contar, oferecendo-lhe inclusive uma vaga de suplente na chapa de Teresa Cristina. Nada. Bolsonaro afirmou inclusive que, se eleito, convocaria novamente Teresa ao Ministério e ele, Contar, seria senador da República sem gastar dinheiro nem sola de sapato. Não funcionou. 

Contar insiste na candidatura e já colocou sua tropa nas ruas. Ele é temido na imprensa e nos meios políticos porque não tem pruridos em usar as redes sociais para triturar adversários. Sua esposa é uma publicitária conhecida pela forte têmpera e, com a ajuda de uma militância aguerrida, sabe mexer os pauzinhos para destruir reputações. Há inclusive denúncias de uso de robôs em larga escala para massificar memes que infernizam aqueles que ousam contrariar os interesses do casal. 

Contar é um homem que se caracteriza por uma compleição física gigantesca, alto e musculoso, mas não é um parlamentar de destaque numa Assembléia Legislativa dominada inteiramente pelo governador Reinaldo Azambuja. Suas ações na oposição repercutem pouco na imprensa, mas se intensificam nas redes à medida que surgem oportunidades, como certa vez em que o presidente Bolsonaro visitou Corumbá e Contar organizou, à socapa, uma grande vaia a Azambuja.

Muitos políticos comentam ironicamente que Contar é um “dronão voando por aí sob o controle em terra de uma mulher amalucada”.  

Assim, ele tenta ser o candidato de Bolsonaro no Estado, organizando seu grupo para fazer um fuá no próximo dia 20 quando o presidente descer em MS para anunciar seu apoio a Riedel. Politicamente, não agrega nenhum valor, mas quem é que entende essa gente?

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE DEPP

A decisão da justiça americana (diferente da Inglesa) dando um ganho moral e financeiro às ações movidas contra sua ex-esposa Amber Heard, podem provocar alguma conseqüência cultural aos delírios feministas do me tôo e outros que se transformaram no modelo do novo fascismo mundial. Depp é o melhor ator do mundo. Amber é um rostinho bonito, que tentou surfar na onda de celebridades admoestadas por machos tóxicos.  Não deu certo. A causa das mulheres – justa e historicamente importante – não pode almejar transformar uma geração de rapazes em gazelas frágeis e saltitantes para o gozo de mamães reprimidas e frustradas. Acho que movimentos feministas devem ser repensados noutro padrão de debate que não seja o dedo em riste. Está insuportável. Vejo amigos hoje com medo até de olhar o derrière feminino e serem acusados de assédio. Não dá. Homens podem perfeitamente se comportar como machos e tratar mulheres como fêmeas. É moralmente justo pelo bem da humanidade. 

*Artigo publicado originalmente no Jornal O Estado de São Paulo
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