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O Ministro Gilmar Mendes quer que o hackeamento das informações supostamente verdadeiras que estão sendo divulgadas a conta-gotas pelo si...

Dante Filho: A vida como ela é....


O Ministro Gilmar Mendes quer que o hackeamento das informações supostamente verdadeiras que estão sendo divulgadas a conta-gotas pelo site Intercept possam ser usadas como prova contra o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o Procurador Deltan Dallagnol, com o fito de anular inúmeras sentenças da Lava Jato.

É uma tese e tanto. Minha tendência é concordar com Mendes no atacado. Ele enxerga relevância naquelas conversas esquisitas e coloca em dúvida a imparcialidade de Moro quando juiz da causa. Caso tudo seja verdade, é irrefutável considerá-las como documentos válidos para julgamento.

O problema é convencer a maioria da Corte Suprema e parcelas ponderáveis da sociedade de que ele está correto.

O tempo dirá. Penso que Mendes vai perder. Porque o precedente poderá abrir as portas do inferno.

Minha opinião é de que não vivemos num mundo de santos e que o voluntarismo da turma da Lava Jato pode ter exacerbado o ânimo punitivo da pessoas (os procuradores de Curitiba e a PF) e as tenham levado a agir como uma matilha selvagem em busca de presas graúdas.

(Não vou estender aqui comentários sobre a grande picaretagem de Verdevaldo e do Intercept, deixando para outro momento as devidas considerações que hei de fazer).

Agora, vejam como são as coisas, hoje (dia 07 de outubro) ficamos sabendo que o auditor fiscal Marco Aurélio Canal, preso por estar envolvido com a prática de suborno dentro da própria operação Lava Jato, gravou documentos sigilosos da Receita Federal em vários HDs, dentre os quais envolvendo Gilmar Mendes, e repassou para várias pessoas com a recomendação de vazá-los caso algo aconteça com sua vida.

Digamos que esse papelório secreto venha à tona, repassado por uma fonte "anônima", e mostre para o Brasil e o mundo nebulosas transações que supostamente envolvam Mendes e amigos.

Será que valerá como prova nos tribunais? Será que o Ministro resistiria?

Aguardemos...

Antes não havia medo Antes havia o abraço das ruas  Antes éramos amantes dos Ventos Antes éramos os donos das palavras Antes os ...

Dante Filho: Nosso eterno tempo


Antes não havia medo
Antes havia o abraço das ruas 
Antes éramos amantes dos Ventos
Antes éramos os donos das palavras
Antes os nossos nomes voavam no tempo
Antes nossos corpos  lavravam o amor
Antes era outro mundo
Antes a superfície era o fundo
O raso era profuso
O plano era  espesso
Nós éramos de gesso
No espaço pleno
No desenho fino
Um esboço do rosto
No próprio espelho

O jogo político segue polarizado no Brasil. Nossa sorte é que a economia aos poucos está se arrumando e que o Congresso Nacional, junto...

Dante Filho: Porque a esquerda perde com a polarização


O jogo político segue polarizado no Brasil. Nossa sorte é que a economia aos poucos está se arrumando e que o Congresso Nacional, junto com o Ministro da Economia, Paulo Guedes, avança em pautas cruciais para fazer a grande virada. 

Seria bom se Bolsonaro ficasse um pouco mais quietinho e que a esquerda abandonasse a pauta do Lula livre, livrando-se dessa obsessão de fundo libidinal contra o Ministro Sérgio Moro. 

Mas o mundo não é perfeito. A esquerda está pendurada na pauta legalista, acreditando que o hackeamento de autoridades vai salvá-la moralmente. 

O problema é que o assunto galvaniza o debate entre convertidos, mas não sensibiliza o centro político. Esse está preocupado com o cotidiano: custo de vida, emprego, consumo, segurança, saúde, educação etc., ou seja, perspectiva futura. 

Nesse aspecto, vejo que a esquerda está se isolando da mesma forma que as patacoadas de Bolsonaro coloca a direita e seus extremistas num nicho folclórico de picadeiro de circo. 

O problema – e a diferença – é que o Bolsonarismo está no poder. E a esquerda cada vez mais está sendo jogada pra fora do establishment. 

Em qualquer conversa informal com pessoas comuns – todas “alienadas” do frisson dos grandes debates – percebe-se, primeiro, uma grande desconfiança de todas as formas de poder; segundo, uma raiva latente de tudo que representa a esfera política; e, terceiro, um sentimento de desistência de colaborar de maneira, digamos, “patriótica” e desinteressada para encontrar soluções para o País. 

A cada denúncia e revelação sobre o que acontece e aconteceu no escurinho dos gabinetes dos poderosos esse mal-estar se alastra.  

Há um movimento mundial de fortalecimento do pensamento mais à direita. Existem centenas de explicações para esse desencanto com a social-democracia ou com o liberalismo progressista. 

O volume de produção intelectual nessa área é praticamente impossível de acompanhar. Tenho tentado. Vou dormir tarde todas as noites lendo e acompanhando a divulgação dos fatos. Às vezes fico tão ansioso que não consigo dormir. Tenho vontade de desligar tudo, pegar um romanção do Balzac e ficar meses trancado na minha biblioteca. 

Nas redes sociais acompanho as discussões do Brasil polarizado. Gosto de provocar os dois lados para tentar compreender o cerne de suas motivações e de suas estratégias de conquistas de corações e mentes. 

Infelizmente, vejo que a direita tem sido mais eficaz: ela é mais direta e brutal. A esquerda soa falsa, querendo mostrar uma bondade e intencionalidade desmentidas cruamente com os governos Lula/Dilma, pois até onde se sabe ser leniente com a corrupção (ainda mais nas proporções até agora sabidas) impacta no empobrecimento, no atraso e nas desigualdades sociais. 

É difícil perdoar aqueles que na sua imaginação foram seus algozes mesmo que por um breve momento tenham oferecido o paraíso das delícias do consumismo.

Sempre achei que se a esquerda fizer uma profunda autocrítica de seus erros ela perderá no curto prazo, mas ganhará no futuro. Mas o imediatismo é o Zeitgeist  que nos acolhe e ninguém acha correto deixar perdida uma guimba jogada ao chão. 

O grande problema da esquerda é que ela esgotou seus macetes e cacoetes. Seus movimentos ganharam um condicionamento previsível. Todo seu discurso e jogadinhas foram, durante mais de 30 anos, tão repetidos que, como se diz, o repertório cansou. O pessoal tá pedindo outra música, uma nova dança, um rebolado diferente.

Nesse caso das denúncias do site Intercept todos os movimentos feitos seguem o mesmo roteiro que a esquerda pratica há anos. Eu que me formei politicamente dentro dos aparelhos nos anos de chumbo consigo antecipar com semanas de antecedência quais serão os próximos passos, o próximo estratagema, a palavra de ordem a ser lançada, enfim, a programação mental de movimentos políticos que se transformaram em seitas fundamentalistas. 

Uma boa parte da antiga esquerda migrou para a direita e para o centro nos últimos anos. São quadros que se formaram acompanhando e ajudando a fazer a movimentação de massa, politizando segmentos sociais específicos, aparelhando o pensamento correto para que o sonho da revolução libertadora do proletariado fosse uma realidade. 

Esse pessoal – no qual me incluo – adotou a contra-revolução ou o cinismo como método de combate da esquerda que atualmente está totalmente contaminada pela hipocrisia e pela sanha da boquinha pública. 

Por isso, ações como de Greenwald, Gleise Hoffmann, Manoela Dávila, Fernando Haddad etc etc etc contra a cavalaria Bolsonariana não cola e não ilumina. 

Ao contrário: elas aumentam a rejeição à esquerda, e cumprem a função de mantê-la num gueto onde eles apenas conversam consigo mesmos. 

O grande centro – esse espectro difuso, despolitizado, inculto, pouco esclarecido, descontextualizado – está muito mobilizado na esfera do anti-petismo. Se a esquerda ainda pretende ter algum sonho o primeiro passo é superar a polarização e dialogar com o mundo real. Não fazendo isso, a direita penhoradamente vai agradecer.



Não existe mais jornalismo diário. A pauta agora muda a cada 30 minutos. A leitura de notícias nos jornais parece cada vez mais algo inú...

Dante Filho: Notícia velha


Não existe mais jornalismo diário. A pauta agora muda a cada 30 minutos. A leitura de notícias nos jornais parece cada vez mais algo inútil e enfadonho. Fatos se tornam desimportantes com rapidez alarmante. Ler jornais pela manhã ou à noite, antes de deitar, parece um exercício arqueológico de exumação de múmias. 

Certamente, a internet, a TV e o rádio generalizam os assuntos e se concentram na matéria bruta. Aos jornais e revistas cabem entrar nas frinchas e nos detalhes dos fatos, fornecendo informações importantes que escapam das notícias veiculadas a cada minuto nos outros meios.

Só que, mesmo assim, o jornalismo impresso parece não estar conseguindo manter aquele espanto necessário para prender a atenção do leitor. Quando folheamos as páginas temos a impressão de que estamos acompanhando material velho. Só as lemos porque temos uma mania de reiterar concretamente informações que pertencem ao mundo etéreo e dar mais crédito àquilo que estamos segurando nas mãos. 

Teóricos do jornalismo afirmam que a saída para os jornais impressos é combinar com certa maestria fatos, interpretação e opinião no mesmo texto. Com isso será possível diferenciar-se das mídias virtuais e manter a fidelidade dos leitores. Aqui e ali, temos visto essa experiência funcionar – mais na imprensa estrangeira do que na nossa -, mas desconfio que isso só está agregando públicos de determinadas faixas etárias ( acima de 45 anos). 

Muita gente boa do mercado jornalístico imagina que em menos de dez anos o modelo atual de imprensa não exista mais. Com as redes sociais e outros instrumentos a comunicação talvez seja mais tribal. Não sei. Acho que os grandes conglomerados de mídia vão continuar se fortalecendo porque tem maior capacidade de ocupar espaço, sem contar que conseguem contratar equipes profissionais mais equipadas intelectualmente. 

Por mais que se mudem os formatos, a criatividade e o poder de influência dos profissionais de mídia são os elementos diferenciadores que garantirão a permanência do jornalismo nas nossas vidas. O consumidor de notícias é apenas isso: ele deseja consumir fatos que lhe pareçam novidades. O produtor de notícias é alguém que olha o tempo todo para a vida depurando e perguntando-se a si mesmo se as coisas podem ou não gerar boas pautas para os leitores. 

Neste aspecto, não podemos esquecer que os poderes, o cotidiano, os países e as sociedades são geradores de acontecimentos surpreendentes que, a todo segundo, faz germinar notícias que ajudam a formar uma ideia tênue sobre o mundo em que vivemos. Assim seguimos, pegando estilhaços do cotidiano, juntando-os, conectando-os, até formar um conjunto de experiências e conhecimentos que se transforme em elementos históricos. 

Fico imaginando a riqueza de detalhes que os estudiosos dos próximos séculos terão nas mãos para contar para seus contemporâneos como foi o início do século XXI e como o material jornalístico os auxiliará para desvendar coisas que hoje não conseguimos porque estamos por demais dentro dos fatos. Sim, nada areja mais do que olhar para os acontecimentos com certo distanciamento crítico, buscando extrair deles o que foi essencial e descartando aquilo que foi simplesmente acessório. 

Por mais abrangente que seja a busca por notícias, sempre alguma coisa escapa, passa batida, ou simplesmente é ignorada. Uma descoberta científica, uma tese surpreendente, um acontecimento mantido em segredo, um crime não investigado, uma jogada política desprezada, um movimento econômico não diagnosticado, enfim, fatos que crescem dentro de si mesmos e acabam se desdobrando como fatores determinantes para que a vida seja transformada. 

Somos pequenos demais para controlar os acontecimentos. É aquela história: uma borboleta bate as asas numa ilha do Pacífico e provoca furações no Atlântico norte. O jornalismo tem essa fragilidade. Ele não sabe que forças está libertando, mas segue perscrutando e investigando fatos de maneira atabalhoada. Quem poderia imaginar que um esqueminha tolo de lavagem de dinheiro num posto de gasolina de Brasília poderia se transformar na Operação Lava Jato? Quem poderia imaginar que uma entrevista idiota de três ministros do Governo pedindo a cabeça do relator das pedaladas fiscais do TCU pudesse ser o fato determinante para mudanças estruturais do País? 

É complicado. Uma coisa puxa a outra e ninguém sabe o que virá a ser. Onde, afinal, esconderam os ossos de Dana de Tefé? 

(artigo publicado em 2015 originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul)



Vendo minha casa. Vendo meu carro. Vendo minha moto. Vendo minha loja. Vendo meus quadros e meus livros. Vendo meus tapetes. Vendo meus...

Dante Filho: Vende-se: memórias da crise


Vendo minha casa. Vendo meu carro. Vendo minha moto. Vendo minha loja. Vendo meus quadros e meus livros. Vendo meus tapetes. Vendo meus discos e meus CDs. Meu computador (nesse mesmo que estou escrevendo agora) está à venda. Vendo meus móveis; alguns imóveis ( na lua e na terra).
Vendo minha bicicleta. Vendo minha máquina de lavar roupa. Vendo meu forno microondas. Vendo meu fogão, vendo minha esteira, os vasos da sala, o espelho do banheiro. 

Vendo meu cartão de crédito junto com o plano de saúde. Vendo meu cachorro e meu gato. Pensei bastante, mas vendo também meus passarinhos. Meus peixinhos de aquário, esses (triste, né?) podem levar. Uma bagatela. Vendo algumas garrafas de vinho fajuto. Vendo meia garrafa de uísque e aguardentes mexicanos. 

Vendo meus cadernos de anotações. Vendo alguns contos e poemas não publicados. Vendo meus lápis coloridos. Vendo as fotografias de minhas tias dos anos 50. Vendo jornais velhos. Vendo dois abajures que não funcionam. Vendo um aparelho de DVD queimado. Vendo uma TV dos anos 70 (ainda funciona). Vendo minha aparelhagem de som. Vendo meu faqueiro. 

Vendo algumas roupas velhas, ternos usados de linho, calças boca de sino, camisas floridas, sapatos de couro de crocodilo, meias de seda furadas, tênis sujos e apodrecidos, camisetas de algodão descoloridas, bermudas com 12 bolsos, cuecas americanas, calcinhas de antigas namoradas, lencinhos de alguns amigos bibas, cabides, além de alguns apetrechos como gravatas, coletes de couro e abotoaduras acrílicas douradas. 

Estou vendendo xícaras de porcelana barata, copos e taças, cortadores de papel, lanternas sem pilha, panelas de aço, placas de homenagens, álbuns de figurinhas, cubo mágico de madeira, caixas de papelão para presente, óculos quebrados, capas de celulares que penduram na aba das calça, sabonetes jamaicanos e perfumes de putas.

Para quem interessar possa, estou entregando a preço vil duas caixas de ferramentas de carpintaria, uma lata de bolacha (vazia) fabricada na Suíça, um jogo de velas perfumadas, dois pares de chinelos havaianas, um guarda-sol de praia meia boca, três conjuntos de flores de plástico (nas cores azul, vermelho e amarelo) e um tapetinho de gel fabricado na Alemanha para ser usado durante o banho, e não escorregar.

Depois de muito pensar, decidi vender (quanta dor no coração!) alguns carnês em atraso das Casas Bahias (tudo com deságio), além de várias cartas de cobrança da Secretaria da Receita Federal. De lambuja, passo para frente IPTUs, IPVAs, contas de luz e água, e toda a sopa de letrinhas que pagamos para o Governo dizer que está tudo bem e que o sofrimento durará até 2056. 

Aproveito para comunicar que vendo meu emprego, meu salário, minha sala e minha mesa. Vendo minha rua esburacada, os semáforos quebrados e os canteiros centrais das avenidas. Se for possível, vendo a cidade com toda a sujeira que tem dentro dela. 

Vendo o tempo de trabalho e de descanso. Vendo meu choro e minha risada. Fiz as contas, vendo minha aposentadoria futura. Vendo o sol e a lua. Vendo o que não tenho e nunca vou ter. Vendo meus sonhos e meus pesadelos. Vendo minha raiva e minha indignação. Vendo a desesperança de minha geração. Vendo o ar que me rodeia, o meu respirar e o suspirar. Minhas medalhas e as velhas cartas de amor.

Vendo tudo por qualquer preço. Vendo o gesto da oferta e as mãos que calculam. Vendo minha memória e meu dom de mentir. Vendo tudo sem medo. Vendo até meu corpo. Se você achar que está muito caro, tudo bem, entrego junto minha alma.


*  texto publicado no final do Governo Dilma

Sérgio Moro nasceu em 1 de agosto. Logo, logo, entrará em seu inferno astral. Agosto é o mês do desgosto. Sua vida atualmente não está ...

Moro e o seu inferno astral


Sérgio Moro nasceu em 1 de agosto. Logo, logo, entrará em seu inferno astral. Agosto é o mês do desgosto. Sua vida atualmente não está fácil. Talvez fique pior. Bem, ele devia imaginar que um dia teria que enfrentar problemas por conta da Operação Lava Jato. Mexeu com alguns fundamentos do poder econômico e político mundial. Colocou Lula na cadeia e isso não foi uma coisa trivial: o cara se autodenominava o "grande mascate" dos interesses do capitalismo internacional. 

Moro e sua turma foram longe demais. Avançaram como nunca antes na história do País no desmonte de uma máquina monumental de corrupção e geradora de desigualdades sociais. Claro, não se faz omeletes sem quebrar os ovos. Contra uma estrutura complexa de crime organizado, que usa e abusa dos poderes do Estado para enriquecer milhares de militantes e oportunistas de partidos sem cor ideológica não dá para seguir regras postas sem ser às vezes pragmático e ardiloso. 

Alguém veria chance de jogo honesto numa disputa entre o time das irmãs carmelitas contra o time do Fernandinho Beira-Mar?

Cada brasileiro virou agora um jurisconsulto e todos opinam sobre hipóteses havidas quando o quadro era tenso, as decisões eram urgentes e a torcida urrava querendo ver alguns maganos na cadeia. Falar agora, depois do acontecido, é fácil; mas no torvelinho dos acontecimentos, coisas escabrosas aconteciam de todos os lados e, francamente, ninguém estava muito preocupado em seguir o estrito ordenamento jurídico de uma constituição sempre distorcida em função das conveniências do momento. 

Alguém se lembra do que Renan Calheiros e Ricardo Lewandowisk fizeram com a Carta Magna na famosa sessão do impeachment de dona Dilma no Senado Federal?

Se fossemos citar aqui todas "interpretações criativas do STF" dos últimos 36 meses veríamos que os nobres advogados, agora tão ciosos com o fluxo de informação informal mantido entre Juízes e Promotores – infelizmente, uma tradição deletéria no Brasil -, perceberíamos o quanto de hipocrisia e o quanto de bravata de quinta categoria nos invade a cada minuto pelas redes sociais. 

Ademais, o tema da insegurança jurídica é cada vez mais plangente, principalmente depois que a administração pública foi criminalizada de ponta a ponta. Todos vivemos com medo do judiciário. Juízes viraram semi-deuses. Promotores estalam os dedos e, pronto, uma mídia ávida por escândalos compra seus biscoitos sem se importar se eles foram feitos de veneno.

Mas voltemos a Moro e as "denúncias" publicadas pelo militante Glenn Edward Greenwald, que também é escritor, jornalista, advogado e especialista em direito constitucional, e que nos últimos dias vem pingando suas “reportagens” contra a República de Curitiba no site The Intercept Brasil, com base em informações anônimas de hackers.

(Engraçado, o famoso jornalista não disse se checou as informações publicadas até o momento, provando que elas são verazes e não frutos de fraude cibernética). 

A cada postagem o Lulismo é levado a um estado de euforia jamais visto nos últimos anos. No limite, parece estar havendo uma torcida a favor da corrupção e ao saque sistemático dos recursos públicos, com alguns membros do STF esfregando as mãos como se estivessem salivando de incontida alegria. 

Sim, essa é apenas uma impressão. Mas que estão postas nas entrelinhas das manifestações “comentadas” de maneira generalizada por figuras com notável saber jurídico e miopia voluntária de leitura de contextos. 

Claro, claro, estão defendendo a Constituição e a lisura dos procedimentos processuais (no fundo, dão gritinhos de “Lula Livre”, mesmo porque ninguém é de ferro), mas esquecem que quando Márcio Thomaz Bastos foi Ministro da Justiça ultrapassou todos os limites razoáveis para defender o Governo e nem por isso sofreu uma campanha tão pesada quanto vem enfrentando Moro. 

Claro, Bastos especializou-se na defesa de criminosos e isso o beatificava diante dos garantistas de ocasião. Acho que nem a vale a pena mencionar o fato de advogados frequentarem o Supremo vestidos esportivamente de bermudas num fim de semana para conversas amistosas com membros da egrégia Corte. 

A história da república é notabilizada por fatos esquisitos, de “nebulosas transações” como dizia aquele compositor engajado. Se juristas formarem um grupo de estudo para fazer uma mineração profunda naquilo que muitos consideram uma “mera distração” na interpretação das leis e como elas influíram nas decisões em suas várias instâncias encontrarão as razões pelas quais chegamos a esse ponto, com o trânsito de bilhões de dólares em malas, cuecas, contêineres, abastecendo contas secretas em paraísos fiscais. 

Talvez Moro e a República de Curitiba tenham descoberto um jeito de dar um cavalo de pau nessa situação, inspirados num quadro de combate à corrupção que vem se estruturando desde os anos 80, depois que os Estados Unidos enfrentaram o escândalo de Watergate, e o Congresso foi obrigado a criar leis mais rígidas para impedir a farra nos negócios públicos e privados mundo afora. A história é longa. 

O fato é que atualmente o crime organizado quer zerar o jogo. Está contando com a ajuda de vasta militância que sonha criar um ambiente de condenação pública, jurídica e institucional dos protagonistas das operações para anular os processos, as delações e as prisões de bandidos confessos. Vão conseguir? 

É provável que não. Mas todos estão apostando suas fichas nas denúncias de Glenn Edward, que, conforme comemoram, explodirá a base do Governo Bolsonaro, atingindo sua figura mais emblemática. Trata-se de aposta perigosa. 

Os precedentes abertos de todos os lados indicam que atores políticos de vários matizes – inclusive no Supremo – estão mandando às favas os recatos e os escrúpulos, indicando que o jogo pesado do subterrâneo não poupará ninguém. 

Será que todos vão ficar sentadinhos educadamente esperando que a The Intercept Brasil publique todos os diálogos hackeados no telegram de centenas de autoridades sem mover um fiozinho de cabelo?

Fico imaginando as movimentações de bastidores e o frenesi das investigações para trazer o caso por completo à tona. Depois disso é provável que seja possível fazer um julgamento. Ele poderá condenar Moro e sua turma. Mas também jogará as reputações de muitos na vala comum dos apodrecidos da vida republicana. 

Segue o jogo... 

By Edmilson Pontes* Deu no jornal Nacional: deputados do Estado de Tocantins pedirão o impeachment do governador Reinaldo Azambuj...

Furo! Azambuja poderá sofrer impeachment em Tocantins!



By Edmilson Pontes*

Deu no jornal Nacional: deputados do Estado de Tocantins pedirão o impeachment do governador Reinaldo Azambuja, de Mato Grosso do Sul. Assim que William Bonner noticiou que Azam era Governador do Tocantins, na semana passada, criou-se um movimento popular em Palmas para pedir sua cabeça por "usurpação territorial". 

O próprio Presidente da República, Jair Bolsotário, deixou seus intensos afazeres no Twitter para declarar que "temos que ver isso aí", convocando o professor Olavo de Carvalho para opinar a respeito de tão importante assunto: "vai dar merda!", declarou o filósofo nas redes sociais. 

Nesse meio tempo, enquanto Bonner apurava onde ficava o Tocantins e o Mato Grosso do Sul no mapa do Brasil, manifestações ocorriam nos dois Estados, ameaçando inclusive o desencadeamento de uma intervenção militar e a convocação de observadores da ONU para mediar a crise. 

Até o momento, contudo, há silêncio entre as autoridades dos dois Estados, apesar do Jornal Nacional ter esclarecido com exclusividade que uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Mas os seguidores do Presidente da República acreditam que há uma conspiração da Globo querendo fazer a troca de governador para desestabilizar a reforma da previdência. 

Estamos cavucando os bastidores para informar nossos leitores sobre a verdadeira natureza dessa notícia, na qual, por alguns instantes, Tocantis virou o Mato Grosso do Sul. Os bastidores estão fervendo. 



*Edmilson Pontes (idade indefinida, passado misterioso e endereço incerto e não sabido) é o único correspondente do blog autorizado escrever reportagens exclusivas no Jornal A Verdade Imaginária, mostrando ao público leitor como o nosso jornalismo é um farol a iluminar as mentiras mais delirantes, elaboradas pelas mentes mais idiotas de todos os tempos.


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