Frase escrita num banheiro de banco "SUA RESERVA MORAL TEM RELAÇÃO DIRETA COM O SEU SALDO BANCÁRIO."



Frase escrita num banheiro de banco


"SUA RESERVA MORAL TEM RELAÇÃO DIRETA COM O SEU SALDO BANCÁRIO."

Artigo publicado originalmente na Folha de S. Paulo: Pensei inicialmente em propor neste artigo um balanço de 2016, ano de que saímos p...


Artigo publicado originalmente na Folha de S. Paulo:

Pensei inicialmente em propor neste artigo um balanço de 2016, ano de que saímos pior do que entramos: aumentou a crise política e só alguns acreditam que a econômica está mais equacionada.

Mas me decidi por um tema específico, porém central, para nosso impasse político: por que nossos dois melhores partidos, PSDB e PT, caíram tão baixo? Por que um deles foi derrotado em quatro eleições presidenciais sucessivas e o outro perdeu o poder num ritmo que, a partir de certo momento, pareceu inexorável?

Isso é mais importante do que especular sobre os nomes da direita e da esquerda para a eleição de 2018.

Penso que a falta de democracia interna em ambos foi uma das causas de seu esvaziamento. O PSDB era chamado de "um partido de muito cacique e pouco índio" desde sua fundação, em 1988. Seus candidatos presidenciais foram indicados em reuniões dos principais líderes, não mais do que quatro.

Quando teve a ética decisão de realizar primárias para escolher seu candidato à Prefeitura de São Paulo, em 2012, o processo foi atropelado na última hora pela entrada do postulante José Serra, acarretando até mesmo o adiamento da votação.

Mesmo em 2016, quando finalmente escolheu João Doria por meio de prévias, resultou em acusações de compra de votos e em racha partidário.

Já o PT teve seus principais candidatos selecionados, desde 2010, por indicação direta do presidente Lula. Naquele ano, quando qualquer nome do partido venceria o pleito, ele escolheu uma candidata sem experiência eleitoral nem habilidade política, Dilma Rousseff.

Em 2012, para a Prefeitura de São Paulo, atropelou a candidatura de Marta Suplicy com o bom argumento de que ela teria um piso alto, mas um teto baixo nas intenções de voto. Ainda assim, substituiu a decisão em prévias ou convenção por uma indicação de cima para baixo, em favor de Fernando Haddad.

Da primeira vez, qualquer petista ganharia; da segunda, só o indicado por Lula. Na terceira, a eleição para o governado paulista em 2014, o nome indicado, Alexandre Padilha, ficou abaixo do piso histórico do partido.

Nenhum dos dois partidos submeteu a seus membros -ou a um colégio mais amplo de simpatizantes, como se faz na França e na Argentina- a escolha do candidato.

Hoje se vive a preocupação, no PSDB, de que Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra possam sair candidatos ao mesmo tempo, um contra o outro, obviamente por siglas diferentes. Esse receio não é o sinal claríssimo de que não existe, nem mesmo entre os nomes de grife do partido, fidelidade partidária genuína?

Alguém pode imaginar Hillary Clinton, derrotada por Barack Obama nas primárias de 2008, concorrendo contra ele por outro partido? Ou, na Alemanha, um rival interno de Angela Merkel saindo por uma sigla independente contra ela? Ou algo assim nas demais democracias consolidadas?

Essa baixa fidelidade dos próprios líderes a seus partidos está ligada, esta é minha tese, à pouca importância que as agremiações dão a seus afiliados.

Um artigo de alguns anos atrás do jornalista Cristian Klein, no joral "Valor Econômico", mostrava que em muitos partidos a maior parte das direções municipais não era eleita localmente, mas nomeada pelas instâncias superiores, estaduais ou mesmo nacional.

O PT e o PMDB eram as grandes exceções, com dirigentes municipais eleitos pelos filiados. Outros eram casos de intervenção a granel.

Ficam, portanto, algumas perguntas. Se um partido não pratica a democracia internamente, como poderá ele fortalecer a democracia no país como um todo?

Para termos um país realmente democrático, não precisaremos democratizar os partidos? Que tal tentar isso? E por que não começar com discussões de baixo para cima, não sobre nomes, mas sobre ideias e programas?

Professor titular de ética e filosofia política da USP. Foi ministro da Educação em 2015 (governo Dilma)

Frase: "Reiteradas vezes afirmei que o Brasil está a se transformar em uma República corporativa, em que o menor interesse contrari...


Frase: "Reiteradas vezes afirmei que o Brasil está a se transformar em uma República corporativa, em que o menor interesse contrariado gera uma reação descabida, de forma que a manutenção e conquista de benesses do Estado por parte de categorias ganham uma centralidade no debate público inimaginável em países civilizados."


Os pensadores que se propuseram a ensaiar explicações abrangentes sobre a formação de nosso país, de um modo ou de outro, afirmaram as características da colonização portuguesa e o ranço patrimonialista que dela herdamos.

Em seu ensaio sobre o segundo escalão do poder no Império, Antonio Candido afirma que uma das formas de ascensão social no Brasil estava na nomeação para cargo público, o que aproximava o funcionário dos donos do poder, dava-lhe amplo acesso à burocracia, propiciando-lhe, assim, proteção institucional de direitos, interesses e privilégios.

Claro que a crítica se centrava na nomeação de apaniguados, muitas vezes não habilitados para o exercício das funções públicas. A nova ordem constitucional procurou, por meio da regra do concurso público, prestigiar o mérito para a investidura no serviço.

Ocorre que isso acabou por alimentar a capacidade organizacional das categorias de servidores, situação institucional facilitadora da conquista de direitos e privilégios, muitas vezes em detrimento da maioria da sociedade civil, a qual não conta com o mesmo nível de organização.

Infelizmente, a Constituição de 1988 não encerrou esse ciclo. Conta-se que Sepúlveda Pertence, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, costumava dizer que o constituinte foi tão generoso com o Ministério Público que o órgão deveria ver o Brasil com os olhos de uma grande nação amiga.

Na prática atual, no entanto, os altos salários, muitas vezes inaceitavelmente acima do teto constitucional, e os excessos corporativistas dos membros do Parquet e do Judiciário nos levam a enxergar a presença de um Estado dentro do Estado, obnubilando, por um lado, a divisão de tarefas entre as instituições, que deveria viabilizar o adequado funcionamento do governo, e escancarando, por outro, o crescente corporativismo que se revela a nova roupa do nosso velho patrimonialismo.

Em contexto de abalo das lideranças políticas e de irresponsabilidade fiscal, esse cenário nos levou a vivenciar fenômenos como liminares judiciais para concessão de aumento de subsídios a juízes -travestido de auxílio-moradia- e também conduziu o Congresso à aprovação de emenda constitucional que estendeu a autonomia financeira à defensoria pública, o que obviamente se fez acompanhar por pressões de diversas outras categorias para obter o mesmo tratamento.

Tais providências trazem grandes prejuízos, tanto por reduzirem drasticamente a capacidade de alocação orçamentária dos Poderes eleitos para tanto como porque sempre são adotadas em detrimento dos que necessitam de políticas públicas corajosas e eficientes.

Reiteradas vezes afirmei que o Brasil está a se transformar em uma República corporativa, em que o menor interesse contrariado gera uma reação descabida, de forma que a manutenção e conquista de benesses do Estado por parte de categorias ganham uma centralidade no debate público inimaginável em países civilizados.

A autonomia financeira que se pretende atribuir aos diversos órgãos e as reações exageradas contra quaisquer projetos que visem a disciplinar seus abusos são a nova face de nosso indigesto patrimonialismo.

Diante da realidade fiscal da nação e dos Estados, é imperioso acabarmos com vantagens e penduricalhos ilegais e indevidos concedidos sob justificativas estapafúrdias e com base nas reivindicadas autonomias financeiras e administrativas que todo e qualquer órgão pretende angariar para si.

Esse tipo de prática alija o Poder Legislativo do processo decisório, tornando, assim, extremamente difícil o exercício de qualquer forma de controle sobre essas medidas.

No momento em que encerramos um dos anos mais difíceis de nossa história recente, devemos pensar no futuro do país e de nossos filhos e netos. É hora de finalmente ousarmos construir uma sociedade civil livre e criadora e colocar freios em nosso crescente corporativismo.

*Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), é presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)

Essa podia ser da lavra intelectual do filósofo Renan Calheiros " POLÍTICO ATÉ PERDE A DIGNIDADE. A OPORTUNIDADE JAMAIS". ...


Essa podia ser da lavra intelectual do filósofo Renan Calheiros


"POLÍTICO ATÉ PERDE A DIGNIDADE. A OPORTUNIDADE JAMAIS".

A vereadora Luiza Ribeiro, convidada para ocupar o cargo de secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, e...


A vereadora Luiza Ribeiro, convidada para ocupar o cargo de secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, enviou carta ao blog na tarde de hoje, comentando texto em que registra a inexistência de divergências pessoais entre ela e o secretário Athayde Nery.  A correspondência é a seguinte:

"Prezado Dante,

Verdadeiramente nunca me referi ao Athayde como "canalha". Não é comum para mim referir-me assim às pessoas. Especialmente aquelas com quem convivo de muito perto.  Tenho profundo respeito e apreço pessoal pelo Athayde. Divergimos politicamente em alguns pontos. Um deles foi a estratégia eleitoral de 2016 em CG. Jamais foi meu "inimigo". 

Sinceramente, não tenho inimigos. Mesmo em muitas disputas que, aparentemente, eram rudes, das quais participei, não com Athayde, mas outros adversários eventuais como colegas de militância social ou parlamentares, nunca conservei inimigos.

Com Athayde temos relações afetivas antigas.  Trabalhei com o pai dele e com os irmãos na advocacia.  Sempre fomos parceiros políticos.  Jamais concebo que seja "canalha" ou outra "coisa". Como já disse tenho por ele respeito e consideração. Embora divirja dele como muitas vezes tive divergências com outros meus companheiros.

Antes de tudo, concebo a liberdade de pensamento e manifestação como mais relevante. E com respeito admito as divergências, imprescindíveis para uma vida melhor.
Luiza Ribeiro".

Comento: a manifestação acima de Luiza Ribeiro é a de uma pessoa decente. Sua manifestação merece respeito, independentemente de seu mérito. Dou crédito a ela. Infelizmente, o pedido de esclarecimento público não tem sido prática usual de parcela de nossas autoridades. Prefiro aceitar seu ponto de vista, evitando polemizar. Deixo isso para outro momento.

Aproveito o ensejo para fazer um esclarecimento.

Recentemente, a República de Maracaju vem se utilizando de um esquema policialesco para intimidar esse blog e esse jornalista. 

Boletins de ocorrência estapafúrdios, ações judiciais por danos morais (com pedidos de indenizações milionárias), ameaças, interceptação ilegal de telefone, oficiais de justiça batendo à minha porta fora da hora de expediente,  enfim, atos incomuns, ilegais, intimidatórios, contra a liberdade de imprensa e o Estado Democrático de Direito, enquanto a verdadeira criminalidade campeia solta em todo o Estado. 

Pergunto: o secretário Athayde Nery compactua com essa política? Pelo visto, sim. Com uma diferença: ele tem medo de mostrar aquilo que realmente é, numa linha oposta de comportamento à de Luiza Ribeiro, que se manifesta abertamente, sem medo. 

Athayde aceita práticas fascistas por causa de uma boquinha. Como o leitor chamaria a uma pessoa que faz esse jogo?


N ão sei das razões que levaram nossa ex-aluna e colega Valquíria a acabar com a própria vida e a do seu filho. E assim também do colega P...

Não sei das razões que levaram nossa ex-aluna e colega Valquíria a acabar com a própria vida e a do seu filho. E assim também do colega Pistoia ao dar um tiro no peito. Isto só para citar essas duas pessoas. 

Sei somente que os recentes casos de suicídio entre nós médicos vêm atingindo níveis desproporcionais. 

Em setembro/2016 essa questão foi debatida no Encontro Nacional de Conselhos de Medicina. Segundo a psiquiatra Alexandrina Meleiro, estudos internacionais indicam que, e entre os médicos há cinco vezes mais suicídios do que entre pessoas da população em geral.

Uma média de um suicídio por mês está sendo registrada entre os médicos pernambucanos em 2016. As mortes ocorrem em todas as regiões. Em geral, são profissionais com mais de 50 anos, carreira sólida e família constituída. Para os outros, uma vida perfeita e uma profissão dos sonhos. Por dentro, o emocional quebrado. 

A nosso ver são vários os fatores, vejamos alguns. 

Muitos pais acreditam que a medicina é o sonho dourado para o futuro de seus filhos. Muitos às vezes não levam em conta o objetivo deles. Influenciam na escolha da vocação, pensando que estão fazendo um grande bem. Ledo engano. 

Estudamos loucamente para passar num vestibular dos mais concorridos. Passamos, ufa! que nada!, o pior ainda está por vir, serão seis anos de muito esforço e dedicação, mais três  a cinco anos de especialização. Somando tudo dez ou mais anos só de estudo.

Entramos no mercado de trabalho, com concursos, plantões, pressão, atualização, provas e mais provas. Inevitável o desgaste físico e emocional. Isso quando não vem um governo incompetente, criando o "programa mais médicos", sem observar o mérito. 

Enfrentamos hoje, na saúde, uma epidemia de desesperança e tristeza. É cruel o médico decidir quem vai para uma única vaga na unidade intensiva e vendo macas com doentes nos corredores. 

Nós médicos ficamos facilmente frustrados por causa da nossa necessidade de realização profissional e como pessoa humana.

Devido a sobrecarga de trabalho, falta de apoio estrutural e compreensão da nossa difícil missão nos isolamos socialmente, desde a faculdade. 

Encontramos em precária situação de emprego. Com remuneração baixa, somos obrigados a atender os pacientes em grande quantidade, sem poder fazê-lo com qualidade devida. 

Para piorar, a situação conjugal fica ruim e nem vemos nossos filhos crescerem. 

Temos conhecimento e facilidade em manipular medicamentos, algo perigoso. Somos  impregnados por essas drogas, aí vem licenças médicas, com isto cai remuneração, já não se percebe se o pior é a doença ou efeitos destes tratamentos, mal conduzido.

Tudo isso é suficiente para produzir a ansiedade, a depressão, a hipocondria, o abuso de álcool e outras substâncias, que, infelizmente, podem culminar no suicídio.

Mas há os colegas que estão longe desta triste realidade, sendo a maioria deles fortes e convictos nesta nossa árdua jornada hipocrática. Devemos estar atento a este alerta dado. 

A vida de nós médicos não anda fácil e sei que está difícil de encontrarmos uma saída, porem devemos expor nossas feridas, para depois acharmos uma cura. 

Medico/Campo Grande 

O Ministro da Cultura Roberto Freire deve ter, de fato, um carinho especial pelo PPS de Mato Grosso do Sul.  Ele há muitos anos frequen...


O Ministro da Cultura Roberto Freire deve ter, de fato, um carinho especial pelo PPS de Mato Grosso do Sul. 

Ele há muitos anos frequenta a cidade e deve ter feito bons amigos por aqui. Caso contrário, olharia para as querelas do PPS da Capital com soberba indiferença, assistindo ao desmoronamento do partido sem dar a mínima pelota. 

Há muito tempo o conflito entre Athayde Nery e Luiza Ribeiro saiu do campo político e passou para o pessoal. 

Athayde costuma chamar Luiza de "maluca"; Luiza diz que Athayde é "um canalha". Ambos aprenderam a se odiar. 

Como toda a cidade sabe, Nery tem um grupo dentro do PPS e Luiza tem outro. São antagônicos. Nesse aspecto, é preciso reconhecer que a vereadora - mesmo com todas as polêmicas que protagonizou nos últimos anos - tem melhor discernimento da nossa realidade. Além do mais, tem coragem, caráter e sabe as lutas que enfrenta. 

Tempos atrás, ela andou gritando "Fora, Temer!", mas percebeu que a bravata por aqui não colava. Recolheu-se para uma reflexão. 

Athayde, ao contrário, é dissimulado, fisiológico, faz a famosa política oportunista de servir ao patrão do momento - tudo por uma boquinha -, o que levaria o PPS/MS, em médio prazo, à sua extinção. 

O Ministro Freire decidiu salvar a banda boa do partido, dando um cargo de relativa relevância para Luiza, ou seja, a secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura. 

A função é uma esparrela. Não tem objeto nem propósito. Mas é um encosto que tem algumas mordomias em Brasília. Viva a República!

O sinal político é claro: Freire está ajudando a salvar o PPS de Mato Grosso do Sul, porque, caso contrário, a parceria Athayde/Azambuja transformaria o partido rapidamente em pó.

Essa é a vida...

Quem precisa conhecer a democracia de Alexis de Tocquevillhe? "REPRESENTAR O POVO É O CAMINHO MAIS CURTO PRA DECIDIR O PRÓPR...


Quem precisa conhecer a democracia de Alexis de Tocquevillhe?



"REPRESENTAR O POVO É O CAMINHO MAIS CURTO PRA DECIDIR O PRÓPRIO FUTURO."

Uma notícia chamou a atenção hoje na mídia Campo-grandense. O Blog do Nélio publicou reportagem que coloca sob suspeita a relação entre ...


Uma notícia chamou a atenção hoje na mídia Campo-grandense. O Blog do Nélio publicou reportagem que coloca sob suspeita a relação entre o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Waldir Neves, e uma empresa de informática de Campo Grande, a Pirâmide Central Informática, cujos proprietários são Anderson Da Silva Campos e José do Patrocínio Filho. 

No meio dessa história, um contrato de R$ 9,4 milhões, válido por 12 meses

O blog do Nélio registra que o edital que selecionou a Pirâmide contraria uma série de recomendações que o próprio TCE/MS faz regularmente a todos os órgãos públicos que fiscaliza, desde a composição do processo de compra até a elaboração do edital em si.

A notícia - meio enrolada do ponto de vista narrativo, mas jornalismo tem dessas coisas - indica que tem algo esquisito nessa história. 

Como se sabe, fim de ano, festejos, férias, distrações mil, ninguém presta muita atenção nesses detalhes. O Ministério Público Estadual, pelo sim ou pelo não, devia abrir processo investigatório para verificar o caso. 

Não somente pela escolha da Pirâmide - nome estranho, dada a sua simbologia -, mas pelos precedentes havidos no passado. 

Em setembro desse ano, por exemplo, o diretor-presidente Gerson Claro Dino do Detran-MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul) dispensou licitação para contratação da mesma pelo valor de R$ 4.944.000,00. Veja reportagem no período publicado no Midiamax. 

A nota publicada no Diário Oficial do Estado (dia 06/09) não explica as razões de dispensa licitatória feita pelo diretor, já que o despacho afirma que Gerson Claro ratifica “a inexigibilidade e/ou dispensa de licitação”, não informando se foram usadas as duas modalidades distintas de licitação ou apenas uma delas para justificar o ato.

O procedimento foi feito para cobrir despesas com contratação emergencial de empresa especializada na prestação de serviço de implantação, manutenção e operacionalização do sistema de registros de documentos do Detran.

Sabemos que o Governo não exala "nem cheiro de corrupção", na famosa frase da vice-governadora Rose Modesto. 

Mas bem que poderiam verificar os estranhos acontecimentos envolvendo esses contratos dos faraós.

O ato de pensar ultrapassa Descartes "PENSE, MAS NÃO ESQUEÇA DE PUXAR A DESCARGA".



O ato de pensar ultrapassa Descartes


"PENSE, MAS NÃO ESQUEÇA DE PUXAR A DESCARGA".

O mercado cultural terá um filão importante a ser explorado no próximo ano: os 100 anos da Revolução Russa de Outubro de 1917. Alguns veí...


Omercado cultural terá um filão importante a ser explorado no próximo ano: os 100 anos da Revolução Russa de Outubro de 1917. Alguns veículos da grande mídia já começaram a dar as primeiras pinceladas analíticas sobre o tema. 

Na edição dessa semana da Revista Veja, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, escreveu um ensaio histórico curioso sobre o ambiente político e social brasileiro em 1917 (em plena I Guerra Mundial), mostrando como o movimento operário nas grandes cidades encontrava-se em ebulição com as "injustiças perpetradas pelo capitalismo selvagem" em sua fase industrial. 

Na onda do revisionismo histórico que vem por aí figuras como Lenin, Trotsky, Stalin, Hitler, Mussolini, Churchill, Gandi, Roosevelt e tantos outros serão esquadrinhados como nunca foram, e, com isso, as ideias de Marx, Engels etc., voltarão a ser discutidas dentro de uma ótica marcada pelos novos tempos, fora dos esquematismos tradicionais da esquerda.  

É inegável que a Revolução Russa mudou a cabeça do mundo. Sem ela, não pensaríamos da mesma forma, a democracia concebida teoricamente seria outra. 

Se 2017 for um ano ruim como promete - pelo menos teremos o consolo de olhar para os últimos 100 anos para encontrar respostas para o próximo período. 

O ensaísmo criativo possivelmente encontrará respostas especulativas de como 1917 produziu líderes com pendores revolucionários, pregando um mundo mais justo, menos desigual, menos politicamente selvagem, colocando em cena a classe operária e seu "heroísmo", e, agora, em 2017, como fez surgir personagens como Trump,  Marie Le Pen, Putin e tantos outros que conhecemos, fazendo uma espécie de guinada na direção do retrocesso. 

Será o momento de perguntar o que aconteceu com a esquerda e a direita, com o liberalismo e a social democracia; com a contracultura e o retorno ao conservadorismo; o multiculturalismo e o islamismo. 

De 1917 até o momento temos um longo caminho a percorrer. A efeméride é a chance que vamos ter para compreender melhor quem somos e o que estamos fazendo aqui. 

Para aqueles que gostam, boa viagem....



" TRANSPARÊNCIA: PROPINAS NÃO PODEM SER EXPELIDAS PELA URINA." Nota de observação: O banheiro é o lugar onde a sa...


"TRANSPARÊNCIA: PROPINAS NÃO PODEM SER EXPELIDAS PELA URINA."





Nota de observação: O banheiro é o lugar onde a sabedoria se expande em direção ao infinito. Em nenhum lugar do mundo a humanidade exerce a dor e a delícia de ser o que é como naquele momento em que se esvai no ato solitário de ter plena consciência de seu significado. Só no banheiro é possível produzir filosofia substanciosa, capaz de transformar a vida naquilo que ela exatamente é: uma grande merda!
Assim, o blog hoje inaugura um novo espaço diário com a titularidade do genial cronista e escritor Pedro Mattar. “Filosofia de Banheiro” começa hoje, Dia de Natal, e esperamos que dure para sempre. (DF)

Esse artigo foi publicado em novembro de 2015. De lá para cá, tirando uma coisinha ou outra, pouca coisa mudou; ou melhor, aconteceram fa...


Esse artigo foi publicado em novembro de 2015. De lá para cá, tirando uma coisinha ou outra, pouca coisa mudou; ou melhor, aconteceram fatos importantes, mas a essência da coisa permaneceu a mesma em 2016. Por isso, faço o registro aqui no blog:


Buraco é a palavra da moda. É um substantivo masculino que tem inúmeros significados. Ele pode ser concreto ou abstrato. 

Para conhecer o primeiro, basta andar nas ruas de Campo Grande. Eles estão aí espalhados aos montes, em lugares inesperados: de todos os tamanhos, profundidade, formato, características; isolados, em conjunto, mais ou menos perigosos – todos aguardando que sejam tapados para garantir trafegabilidade e segurança para a população. 

Há também os buracos metafísicos. Eles tem representações culturais imanentes e transcendentes, sugerindo que abram a esfera exterior para o interior misterioso. 

O buraco é símbolo do desconhecido. Basta que nos aproximemos de uma depressão natural profunda e escura para fiquemos em alerta, experimentando sensações estranhas. Geralmente, ficamos com medo, acreditando que vamos mergulhar num mundo desconhecido - e nunca mais voltar. 

“Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carol, começa a trama quando a personagem cai num buraco. Aquele mundo louco só acontece lá embaixo. 

Na mitologia, é de um buraco aberto por uma machadada de Hefestos na cabeça de Zeus que nasce Atena, a deusa da inteligência. 

Por isso é que tem gente que diz: “abra a sua cabeça e pense!”.

Temos também os buracos negros, que sugam luz e energia das galáxias, levando tudo para planos incertos e não sabidos. No budismo, hinduísmo e nas filosofias orientais o buraco inscrito nos vasos de jade (Pi) simboliza o céu, que significa a existência de outro mundo. 

Existem sociedades indígenas que enxergam no buraco algo semelhante ao órgão genital feminino por onde se dá o fenômeno da passagem do nascimento e da morte. Eles acreditam que esse é o buraco que permite que se entre e saia das esferas das leis terrenas para planos mais elevados.

Enfim, o buraco sempre suscita a ideia de vazio e desconhecido, provoca temor. No caso das pequenas crateras que se espalham no asfalto da cidade, elas provocam raiva e desgaste político para o prefeito. A cada solavanco ou acidente, é a mãe do nosso Bernal que sofre. 

E assim, o buraco transforma-se na metáfora dos nossos dias. Dilma (quando na presidência) não sabe o que fazer com o rombo das contas públicas. Ela cavou fundo e agora deseja nos entregar uma fatura de mais de R$ 100 bilhões para aplainar o déficit que pode nos levar para lugares mais profundos. 

Temos que reconhecer que o buraco é federal, estadual e municipal. Olhando de perto, cada um tem um jeitão próprio, mas não há dúvida de que ele existe. Tem gente que parece que tem um buraco na cabeça e esqueceu o que falou nas últimas campanhas eleitorais: promessas, convicções, intenções e projetos, parece que tudo desapareceu na escuridão e de lá não vai sair mais. 

Estamos vendo nossas autoridades se esforçarem para tapar todas essas cavidades ulcerativas. O governador Reinaldo Azambuja vem sofrendo para convencer a sociedade de que a elevação de carga tributária que está propondo tem o nobre propósito de reduzir os buracos das finanças estaduais. 

Como a crise é braba e o dinheiro está escasso qualquer tentativa de o setor público querer buscar mais do bolso do contribuinte provoca reações adversas. Digamos que depois que o senado derrubou a renovação da CPMF, em 2008, começou haver uma alteração gradual da mentalidade sobre a questão da carga tributária. 

Na cabeça dos eleitores, os governos querem aumentar tributos para que os governantes e seus acólitos possam roubar mais. Não adianta explicações técnicas sobre cumprimento de leis orçamentárias, repasses obrigatórios, cumprimentos de metas de arrecadação etc. Nada disso convence aquele cidadão com exacerbado senso crítico sobre a conduta dos políticos. 

Azambuja diferenciou-se na última campanha batendo bumbo em torno da idéia de que ele “ia conversar com as pessoas”. Ou seja: estaria mais aberto a tomar decisões compartilhadas, descartando o modelo autoritário de seu antecessor. Pelo visto, parece que não compreendeu o buraco em que estava se metendo, tanto que tem gente pedindo a volta daquele que parece que ainda não foi, pois metade do governo pertence a ele. 

Pode ser que o governador acredite que, no íntimo, está tentando dialogar. Mas o sentimento não é esse. Sua comunicação está errada. Há excesso de reclamação de que ele aprofunda uma tendência isolacionista (característico de sua personalidade), enfeixado pela tradicional turminha do tereré. 

Sei que não é fácil lidar com todas essas situações. Mas uma coisa é certa: tapados os buracos, esquece-se que um dia eles existiram. O problema é que eles insistem em aparecer. `As vezes se transforma em fundo do poço, noutras em precipício. É a vida  

Não há como escamotear o fato de que finais de ano o cotidiano parece envolvido por circunstâncias da urgência e emergência.  Na nossa ...


Não há como escamotear o fato de que finais de ano o cotidiano parece envolvido por circunstâncias da urgência e emergência. 

Na nossa cabecinha condicionada pela ideia de que o tempo é uma linha reta que sempre segue em frente (diferente, por exemplo, da idade média em que vigorava o conceito do tempo circular), acreditamos piamente que a mudança de calendário tem a função mágica de mudar o rumo de nossa existência. 

Há uma sensação de que 2016 é um ano maldito. Assim, a esperança é de que 2017 tudo se transforme para melhor. Mas digamos que eu tenha uma suspeita de que número impar - e ainda mais o 7 - não significa bom presságio. 

Não seria mais fácil atravessar o próximo ano falando o tempo todo de 2018, o ano da redenção e da transformação? 

Pois é: tem muita gente fazendo isso na virada do ano. 

Jogando suas pedrinhas de búzios e apostando que ano que termina em par e ainda mais com final 8 (deitado ele é o símbolo do infinito, sugerindo relações místicas de todos os tipos) pode significar que o maná virá depois de longa e sofrida travessia do deserto. 

Os grandes especialistas (e também os grandes picaretas) estão prevendo um 2017 complicado, tenso, agitado. Muitos acreditam que será o período ideal para se construir novas bases conceituais que terão influência pelas próximas décadas. 

A crise machuca, mas ao mesmo tempo estimula a criatividade e tira do armário monstros escondidos há muito habitando o nosso subconsciente. É provável que nacionalismos, fascismos, populismos, histeria coletiva tome conta do noticiário por muitos meses. 

A carga de ressentimento social é muito intensa. A falta de dinheiro e de emprego, principalmente numa sociedade de consumo, cria um ambiente de violência escapista que gera contradições imprevisíveis. 

Sinceramente, se pudesse passaria o ano de 2017 lendo os clássicos, dormindo muito e bebendo os melhores vinhos. Mas esse seria o plano B. 

O plano A (incontornável) é continuar no front, enfrentando o mundo real, combatendo os idiotas, esperando parar de chover.


A reportagem a seguir foi originalmente publicada na Folha de S.Paulo. Lula tornou-se um instrumento a serviço da maior empreiteira do Pa...


A reportagem a seguir foi originalmente publicada na Folha de S.Paulo. Lula tornou-se um instrumento a serviço da maior empreiteira do País. Fico imaginando o que vão pensar os fanáticos religiosos do PT. Certamente, colocarão a culpa em FHC. 

"O ex-presidente e herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, relatou a procuradores da Lava Jato que uma espécie de conta que a empresa mantinha em nome de Luiz Inácio Lula da Silva tinha o objetivo de manter o petista influente depois que saísse da Presidência da República.

Lula deixou o Palácio do Planalto com grande aprovação popular em 2010, após a eleição de Dilma Rousseff, sua escolhida dentro do PT". (continua...)

Artigo publicado originalmente no Topmídianews: Conheço a “peça” há quatro décadas. Um cara complexo, cheio de soluços no humor, difíc...



Artigo publicado originalmente no Topmídianews:

Conheço a “peça” há quatro décadas. Um cara complexo, cheio de soluços no humor, difícil de ler. Instiga e surpreende. 

Fosse um livro, seria um enigmático ensaio sobre a travessia existencial de um místico pragmático, espécie de crédulo em túnica santificada, mas calçado com chuteiras do mundo profano.

Manso e cordato quando não o agridem, é capaz de rever conceitos e impressões diante de um singelo detalhe casual dos adversários (uma palavra, um gesto, enfim) mortificando-se em culpa piedosa para redimir-se dos embates pretéritos.

Tem dificuldade de virar páginas que lhe foram hostis, mas sua perspicácia já o convenceu de que o ressentimento escraviza.

Em quarenta anos de convivência, nunca o vi chorar, mas tenho certeza de que já o fez sozinho trancado em algum aposento da consciência. Raras (não mais que três) as gargalhadas que testemunhei. Duas delas como reação nervosa de pito paterno. Sim, ele ria involuntariamente quando admoestado pelo pai.

Enxaquecoso por represar problemas, exercita-se na sabedoria de um superficialismo defensivo e consciente: não é culto, mas analítico; não é erudito, mas intuitivo; não é homem de ideias, mas um predador de obstáculos. Fosse um jogador, seria volante: destrói ataques e constrói ofensivas.

Sua sanidade se alimenta da vigilância permanente de estados emocionais reativos. Definha até desidratar, mas não se abre para compartilhar preocupações. É daqueles que espera receber o passe, por isso que se coloca sempre acessível no jogo silencioso dos afetos. Seu romantismo não tem açúcar.

Ao formatar o cenário de suas relações, transita com timidez entre os seus como se algo o impulsionasse para uma outra tarefa de agenda. Em casa de mãe, é o mais econômico no verbo, embora seja leve companhia de mesa. Em casa de irmão, olhos no chão e diálogos frugais, conquanto afetuoso em sua discrição. Em casa de amigos, uma simpática presença introvertida.

Eu já o vi enfrentando situações dolorosas. Nunca o vi acovardado. Cresce na adversidade. Sua beleza de alma vem das cicatrizes. Foge do tédio como se fosse um insulto à vida. É um desafeto das coisas fáceis. Pecador bissexto. Sublima-se na fé. Trafega no campeonato da vida como um determinado competidor.

Será difícil vê-lo verbalizar uma situação por mais de três minutos. Sua língua monossilábica contrasta com a profusão de passos, gestos, caminhadas, visitas, decisões, idas, vindas, partidas, chegadas, saques, pênaltis, cultos, encontros, despedidas. É homem de campo, de chão, de rua.

Haverá dias de angústia em que tudo parecerá cinza. Haverá dias de ventura em que o céu de Campo Grande será o seu maior universo. Dias de certeza, dúvidas, surpresas e decepções.

Hoje, ao vê-lo há poucos dias de assumir o desafio da sua vida, rogo e suplico a todas as forças benévolas da transcendência que o imantem de santa energia para resistir às poderosas forças do negativismo.

Do que aprendi, observando e convivendo com ele, posso afirmar com a segurança visual de um testemunho epidérmico: se este irmão que me foi dado por Deus assumisse uma Campo Grande em mar de rosas, ele não seria o grande Prefeito que, certamente, será por receber Campo Grande do jeito em que se encontra.

*Advogado, ex-presidente da OAB/MS e ex-deputado federal

O PT sempre diz que não foi ele quem inventou a corrupção. Lula sempre diz que fez o que porque todo mundo fez. Maluf diz mais ou menos a...


O PT sempre diz que não foi ele quem inventou a corrupção. Lula sempre diz que fez o que porque todo mundo fez. Maluf diz mais ou menos a mesma coisa. Toda a turma da Odebrecht diz que pagamento de propina em governos era a regra do jogo. 

Enfim: todos tem suas razões, a corrupção realmente é uma dama sedutora que enlouquece aqueles que ouvem seu canto mágico singrando os mares tormentosos da vida. 

O ser humano é frágil. A primeira coisa que uma criança aprende na vida é ter noção do que é meu e o que é seu. Voltaire conta que "caso um pequeno selvagem sentir fome e seu pai lhe der de comer um pedaço de outro selvagem, no dia seguinte pedirá o mesmo". 

Locke insistiu na tese de que não temos ideias inatas muito menos princípios inatos. Só uma educação moral em que fique claro que não devemos fazer com os outros aquilo que não gostaria que se fizesse com a gente talvez contivesse alguns ímpetos no sentido de amealhar, desonestamente, aquilo que pertence a todos. 

Tive vários amigos na adolescência (puros e honestíssimos) que se tornaram corruptos na fase adulta. Dois ou três foram presos em escândalos diversos, desviando dinheiro da saúde, educação, obras públicas etc.

Invariavelmente - não sei se isso é coincidência - ele me contaram que tudo começou em campanhas eleitorais 

Eles eram designados (ou se ofereciam) a solicitar dinheiro empresarial para seus candidatos. 

Eram recursos não contabilizados, pouco controlado, tudo feito por debaixo do pano. Era fácil - contam eles - amealhar um troco para si e para a família. 

Daí para gerar vínculos interpessoais, turbinar negócios e criar um tipo de vício pela ilegalidade são passos naturais. 

Um deles me conta que passou pela fase do sentimento de culpa até os primeiros R$ 100 mil. Ele começou no setor de compras de merenda escolar. Um fornecedor lhe deu a dica: compre produtos de quinta que eu lhe emito notas de gêneros primeira categoria. A diferença a gente divide. 

Foi assim que ele começou a ficar rico. 

Depois, anos mais tarde, teve que vender tudo para pagar advogados para lhe tirar da cadeia. 

Em escala maior foi mais ou menos assim que aconteceu com a Petrobras, Eletrobras, etc,etc,etc, envolvendo milhares de pessoas, quase um País. 

 Não se sabe o quanto de dinheiro foi amealhado nesse processo todo durante as últimas décadas. 

Calcula-se que represente alguns PIBs, ou seja, dinheiro que se traduz hoje em desigualdades sociais, miséria, violência urbana, enfim, as iniquidades a que assistimos horrorizados nos perguntando como chegamos a esse ponto. 

Diante de uma mala cheia de dinheiro - não importa a riqueza - o sujeito treme. Muitas vezes, não pelo valor em si, mas pelo poder que isso representa. 

A maioria imagina que está adquirindo, com isso, uma espécie de liberdade, confundindo capacidade de consumo e aquisição de bens, com valores transcendentais que lhe proporcionam prazer e satisfação pessoal. 

Fico imaginando a trajetória pessoal de Marcelo Odebrecht, Palocci, José Dirceu (personagens com formações e personalidades diversas) passando por uma revisão solitária de consciência numa cela de prisão. Será que conseguem? Ou se justificam? Ou mandam às favas os escrúpulos?

Não tenho a mínima ideia se fazem ou não autocrítica, ou se arrependem de algumas coisas que fizeram nas suas relações entre o público e o privado, mas tenho a certeza que quase todos foram seduzidos para sempre pela deusa de canto doce que ainda ecoa uma música irresistível no horizonte: sou foda, sou foda, sou foda!

Para eles, a palavra corrupção não existe. Isso é coisa de udenista recalcado. O que existe é o conceito de poder exercido da maneira mais primitiva e selvagem possível: quem pode mais amealha todos os despojos da guerra permanente em que vivemos. Simples assim. 

Enquanto assisto ao cerco de Alepo, vendo criancinhas e mulheres sendo assassinadas, e acompanhando , quase ao mesmo tempo,  o desdobrame...


Enquanto assisto ao cerco de Alepo, vendo criancinhas e mulheres sendo assassinadas, e acompanhando, quase ao mesmo tempo, o desdobramento da cobertura do ataque terrorista em Berlin, zapeando em seguida para saber mais um pouco sobre as investigações do maluco que assassinou o embaixador turco em um museu em Ancara, recebo um telefonema de um conhecido querendo saber se tenho notícias sobre o pagamento do 13º da prefeitura de Campo Grande. 

Dou um rápido vislumbre na imprensa e percebo que o ambiente está esquisito e desfavorável. 

Lá fora o tempo está nublado. Tenho preferido ficar trancado em casa nos últimos dias. 

Sair tornou-se um grande aborrecimento: os buracos nas ruas irritam e a degradação da cidade funde-se com as imagens da guerra na Síria, causando uma sensação de que o ano de 2016 ficará marcado como uma espécie de prenúncio do caos que nos devasta por dentro e por fora. 

Tenho lido uns livrinhos, assistindo a filmes natalinos, respondido a mensagens, recebendo notificações de oficiais de justiça por conta de coisas que escrevi (e não agradei), enfim, tentando me encaixar no mundo, mas percebo que estamos vivendo um tempo estranho e nervoso, todo mundo reclamando de falta de dinheiro, dos políticos e dos governantes. 

Outro dia me disseram que festejos de final de ano tem terminado invariavelmente em brigas e discussões, principalmente depois que o pessoal está bem turbinado. 

Dizem que há um ressentimento acumulado no córtex frontal que transborda a qualquer palavra mal posta, um gesto incompreendido, um comentário irônico. 

Leio um ensaio de Nietzsche (sempre ele) no qual sou aconselhado a ficar em silêncio, sem se mexer muito, acumulando energia, sobretudo em momentos como esse, em que o sentido geral parece ser de crise intensa, com sentimentos difusos e incerteza generalizada. 

Para aqueles que inventam em suas respectivas cabecinhas sempre um mundo melhor, lembro-lhes a famosa frase de Ortega Y Gasset de que "toda vez que começo a ficar otimista é porque estou perdendo o contato com a realidade". 

Por isso digo para aqueles que estão assombrados com a matança em Alepo, ou com o terrorismo no mundo e a falta de pagamento do 13º em Campo Grande, não se preocupem: vai ficar pior.




P rovavelmente nenhum texto traduz tão bem o espírito das festas natalinas quanto “Um Cântico de Natal” do escritor e romancista inglês C...


Provavelmente nenhum texto traduz tão bem o espírito das festas natalinas quanto “Um Cântico de Natal” do escritor e romancista inglês Charles Dickens.

Mas o fato que precede a obra é tão realista quanto o valor sentimental que o enredo do livro impôs às tradições festivas do Ocidente a partir da segunda metade do século XIX.

Era 1843. Aos 31 anos, Dickens um autor famoso nos países anglófonos, vivia um período inexpressivo e conturbado na vida profissional. 

Longe dos holofotes, deprimido e endividado, viajou para cumprir um compromisso beneficente na cidade de Manchester, pulmão industrial do Reino Unido.

Sabe-se que no interior da Inglaterra, distante da vida intelectual londrina e esquecido pelo público, Dickens percebeu um mundo sem o filtro da fantasia aristocrata inglesa. Naquele momento, uma sociedade miserável despia-se ao olhar sensível do escritor, mostrando uma desigualdade social e uma taxa de mortalidade infantil em que 57% das crianças morriam antes de completar cinco anos.

A experiência em Manchester mexeu com seus sentimentos e o mundo imaginário do autor não seria mais o mesmo. Felizmente, o caminho escolhido pelo escritor não foi a submersão, mas a iniciativa de tocar a vida pra frente com um novo e ambicioso projeto.

De volta a Londres, Dickens anunciou  em 36 dias a novela “Um Cântico de Natal”, uma fábula que narra a crise existencial de um miserável judeu cheio de remorso. E do impacto da miséria em Manchester, o escritor emprestaria sua dor ao enredo. Nascia assim o velho Ebenezer Scrooge, o misantropo que resolve ajudar os pobres na véspera do Natal.

O livro foi um sucesso de público e crítica. Em poucos dias, esgotava os primeiros seis mil exemplares nas livrarias da Grã Bretanha.

Felizmente não é preciso narrar a história toda porque a obra, em prestígio, só perde para as versões heroicas da Bíblia. Exceto para dizer que, ao percebermos a pequenez de Scrooge nos deparamos com nossos sentimentos mais ambivalentes: amor e ódio; vingança e perdão;  bondade e maldade.

Curiosamente, lembrei-me dessa história porque o período que antecede as festas de fim de ano geralmente é marcado por declarações afetuosas, crises existenciais e desejo de mudança.

Nesses dias em que milhões de famílias encontram-se para celebrar o Natal o clima emocional está à flor da pele. Uma coisa  meio surrealista, mas com certa lógica: afinal, ninguém é completamente feliz. Somos seres incomodados pelas nossas ambições e frustrados pela nossa incapacidade em obtê-las.

Mas Divago. Meu assunto aqui é outro. Na verdade, estou mais interessado em celebrar a obra de Dickens e a maneira como ele apresentou o espírito natalino a sociedade moderna: famílias reunidas à mesa, trocas afetuosas de presentes e crianças em volta da árvore.

Mais: o mérito do escritor não esteve em erguer uma novela literariamente perfeita.  Nem precisava. Dickens reinventou o natal. Uma data sem qualquer afirmação bíblica e que, mesmo no calendário religioso, não tinha a mesma importância ritual da Páscoa.

Pelo contrário, apesar de ter sido determinado pelo papa Júlio 1º, no século IV, como a data do nascimento de Jesus, o dia 25 era, muitas vezes, o termo de um período vagamente pagão, marcado pelo excesso e pela libertinagem -- seguindo, aliás, o espírito das festas de Saturnália, o antecedente histórico do natal cristão.

Dickens "secularizou" e "humanizou" o natal. Apresentou a data como o momento em que os homens de boa vontade se reúnem para celebrar a irmandade da espécie e pensar nos menos afortunados.

É o mesmo sentimento de amor e generosidade que o Reino Unido e outros países de maioria protestante redescobriram então no natal, não mais como uma festa católica, mas um evento fraterno.

*jornalista/Campo Grande-MS

Me encontro secretamente com Satyavra Lakshmi, um guru indiano que nunca errou previsões, mas detesta holofotes e aparecer em revistas da...


Me encontro secretamente com Satyavra Lakshmi, um guru indiano que nunca errou previsões, mas detesta holofotes e aparecer em revistas da moda. 

Tornei-me seu amigo em uma viagem que fiz a Portugal há uns vinte anos. 

Estava subindo em um ônibus em Lisboa para ir até Évora e ele me segurou pelo braço e disse: “vamos tomar um chá, e esperar o próximo carro”. 

Não entendi, mas a figura era tão exótica e sua voz tão suave que aceitei o convite. 

Minutos depois ficamos sabendo que houvera um acidente e que o ônibus em que viajaríamos despencou numa ribanceira. Morreram dez pessoas.

Satyavra olhou pra mim e disse: “assim é a vida”.

Guardei essa para sempre.

Em sânscrito seu nome é a junção de dois termos que, traduzidos em português, significa mais ou menos “Tenha Tido Um Voto De Verdade” com “Que Tem Um Sinal”

Ou seja: Satyavra Lakshmi nasceu com a insígnia de saber o que vai acontecer. Segundo ele, isso não é uma dádiva, mas um anátema. Todo final de ano a primeira pergunta que faço quando o encontro é sempre a mesma: quais serão os números da mega da virada? 

Ele responde sempre com a mesma história: “conheci um homem em meu vilarejo que era tão pobre mas tão pobre que quando morreu só tinha dinheiro”. 

Todos os anos conversamos na beira do mar para ele me contar o que virá pela frente. Sempre acertou. Ao mesmo tempo sempre me pediu segredo. 

Fiz um pacto com Lakshmi de nunca contar nada a ninguém sobre a essência de suas previsões. Mas vou romper a promessa. 

Ele não me punirá por isso.

Ele é sempre suavemente enigmático. 

Pergunto: vamos sair do buraco?

Resposta: Todo buraco tem uma saída. Mas primeiro é preciso tapá-lo. 

Pergunto: Temer chegará ao fim do mandato?

Resposta: O homem é infinito em sua sabedoria. Todo fim é o começo. 

Pergunto: Donald Trump vai destruir o planeta?

Resposta: (um leve sorriso) Antes ele destruirá a si mesmo. 

Pergunto: Wladimir Putin destruirá o planeta?

Resposta: (sério) Antes ele destruirá a si mesmo. 

Pergunto: Lula vai ser preso?

Resposta: Vamos tomar um chá. 



Recebo informações do serviço de meteorologia - a fonte pede para preservar o nome - de que a partir do dia 04 de janeiro chuvas intensas...


Recebo informações do serviço de meteorologia - a fonte pede para preservar o nome - de que a partir do dia 04 de janeiro chuvas intensas cairão sobre Campo Grande. "A cidade vai derreter", afirma o especialista. 

De acordo com as previsões, serão três dias de aguaceiro. 

Como nunca se sabe se isso vai ocorrer de fato - ventos, mudanças de temperatura etc podem alterar a previsão - é bom se prevenir, principalmente o pessoal que estará à frente da nova administração da prefeitura.

O tempo vai fechar. 

"A população está cansada de ouvir discursos que celebram uma realidade que não existe." O discurso pronunciado pelo futur...


"A população está cansada de ouvir discursos que celebram uma realidade que não existe."


O discurso pronunciado pelo futuro prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, na última sexta-feira (16/12), no ato de diplomação do Tribunal Regional Eleitoral,  foi um alento. Quem esperava uma seleção de lugares-comuns ficou surpreso. 

O homem mostrou que tem talento e sabe pontuar as coisas certas nos momentos adequados. Finalmente, alguém que pensa e sabe falar coisa com coisa no comando da Capital.

Trad mostrou-se estar a anos luz à frente da média de nossa classe política.

Ele conseguiu, em sua fala, sintetizar o cerne dos problemas estruturais de nossa realidade e apresentar à sociedade organizada uma clareza inédita de seus dilemas. Mais: Trad sabe quais problemas enfrentará de agora em diante e pronuncia-se com coragem frente a eles: "esse é o tempo do mérito e não o tempo do medo".

Marquinhos conseguiu fazer uma abordagem simples e clara dos nossos problemas institucionais, reiterando que não é o momento para conflitos, mostrando que a crise é tão intensa que o mais importante é pensar no conjunto e não deixar prosperar apetites individuais.

Pediu paciência à sociedade.

Até onde a vista alcança seu discurso foi de Estadista, ou melhor, foi de um homem extremamente sintonizado com as demandas da modernidade, de uma pessoa que tem clareza dos compromissos com a responsabilidade fiscal e com as prioridades emergenciais da Capital.

Na minha avaliação, Marquinhos teve um bom começo. Estou achando que o campo-grandense fez uma escolha satisfatória nas últimas eleições. Vamos acompanhar os próximos lances.

Abaixo os principais trechos do discurso:

"A história não é uma linha reta. Como sabemos, será um percurso árduo, difícil, de idas e vindas, repleto de complexidades, que exigirá de cada um de nós uma profunda revisão de conceitos e de atitudes.

Por esse motivo, tenho pregado parcerias, união, diálogo e coexistência fraternal entre todos aqueles que querem construir um Mato Grosso do Sul melhor, uma Campo Grande melhor, um Brasil melhor.

Esse não é o momento de colocar disputas mesquinhas e interesses localizados acima da cidade e do Estado. Esse não é o momento de conflitos. 

Esse não é o momento de divergências e embates.

Esse não é o momento de dissenso. Esse, na verdade, é o momento de consenso, de convergência, de soma e de diálogo.

Esse é o momento para ficarmos com o espírito aberto. É o momento para ouvir e aprender.

É o momento de debater propostas, ideias e ouvir críticas construtivas que emanam da sociedade civil organizada.

A classe política dissociou-se perigosamente das pessoas comuns. As pessoas querem mudanças que o próprio sistema – atrasado e burocratizado – não permite que se faça.E mudar o sistema, meus amigos e amigas, tem demorado mais tempo do que as pessoas estão dispostas a aceitar.

A população está cansada de ouvir discursos que celebram uma realidade que não existe.
Ela perdeu a fé no homem público.Pior: as pessoas perderam a capacidade de acreditar nos homens de bem. Elas colocam em dúvida a governabilidade. Elas não conseguem separar o joio do trigo.

Elas não sabem mais em quem confiar.

Essa será a nossa grande missão: resgatar a crença de que ainda existem homens públicos que perseguem a virtude e lutam pelo bem comum. Que conseguem diferenciar o que é interesse público e o que é interesse privado.

Que conseguem, acima de tudo, ser transparente – não para abrilhantar sua retórica –, mas para se colocar lado a lado da sociedade para defender sua vontade e prioridades.

Nós, A CLASSE POLÍTICA, que representamos a população temos que nos adaptar a isso, não se rendendo aos aspectos negativos dessa onda, mas compreendendo-a de maneira a transformá-la na direção do civismo, da ética da responsabilidade e da construção de um mundo melhor.

O ano de 2017 será extremamente difícil e turbulento para os municípios, para os Estados e para a União. As turbulências de ordem política e judicial marcarão os movimentos sociais em direções as quais ainda não conseguimos imaginar. Não sabemos claramente o que poderá acontecer.
Temos que ter fé em Deus e acreditar que vamos encontrar as melhores saídas que o momento exigir.

Precisamos fazer um esforço imenso para encontrar as melhores respostas para todos os questionamentos que nos fazem. Vamos encontrar os melhores resultados para as demandas apresentadas.

Peço um voto de confiança da sociedade. A economia poderá demorar a reagir diante das medidas que estão sendo tomadas pelo governo federal.

Para que possamos voltar a crescer e vitalizar os investimentos sociais necessários para garantir educação, saúde, segurança pública e qualidade de vida, haverá que se tomar medidas duras, complexas e, para aqueles que defendem velhos privilégios, inaceitáveis.

Todo e qualquer governante terá que ser tolerante com as justas ansiedades e reivindicações da sociedade, sabendo a hora de dizer sim e de dizer não. Infelizmente, não vamos poder dizer SIM a tudo e não vamos poder dizer NÃO ao direito inalienável de todo cidadão de ter bons serviços prestados em troca dos elevados impostos que paga.

Toda eleição se funda no estabelecimento de um contrato social entre aqueles que se elegem e aqueles que foram eleitos.Recebemos dos eleitores um crédito de confiança e credibilidade que deve ser gasto ao longo do mandato.

O conceito de mandato não tem mais a perenidade do julgamento de quatro anos. O mandato é uma construção diária. Ele tem valor efêmero. Todos os dias somos julgados. Por essa razão, senhores e senhoras, não só espero garantir a manutenção desse contrato que fiz com a cidadania como honrá-lo em todas as suas letras.

Por isso, peço mais uma vez a confiança de todos. Tenho certeza que serei o melhor prefeito que essa cidade já teve.

Sei, desde já, que terei que ser paciente e pedir paciência. Terei que ser democrático e, ao mesmo tempo, não ter medo de tomar decisões. Nesse sentido, esse é o tempo do mérito e não o tempo do medo.

Esse é o tempo em que todos nós seremos testados em nossa grandeza e teremos que responder diariamente se somos ou não capazes de enfrentar o desafio.

Vamos assumir a prefeitura de Campo Grande a partir do dia primeiro de janeiro num momento especial de nossa história.

Temos que dar respostas imediatas a inúmeras demandas emergenciais, sem perder a noção do eixo estrutural de nossa principal proposta: priorizar o atendimento à população mais carente em suas necessidades básicas e, ao mesmo tempo, criar um ambiente de prosperidade e modernização dos aspectos urbanos de nossa cidade.

Como sabemos,  a cidade não é uma unidade estática. A cidade é um organismo dinâmico, transformador, dialético.

A cidade é um ente político que faz da cidadania um exercício diário de convivência entre seres humanos que pensam de maneira diferente.

Os problemas de uma cidade são contínuos. Eles nunca acabam.

Eles nunca são solucionados por inteiro.

À medida que encontramos soluções para um,  logo em seguida surge outro.
Muitas vezes soluções pontuais geram novos problemas.
Esse é o dinamismo do processo urbano. Assim tudo funciona.

A função de todo administrador público é criar marcos estruturantes.
Temos que olhar a cidade no seu contexto histórico. Temos que compreender como o passado impacta o presente e como o presente vai criar os cenários do nosso futuro.

Montamos nossa equipe de transição com essa perspectiva.

Esse grupo de trabalho buscou compreender cada detalhe da administração municipal, nos campos da saúde, educação, segurança pública, moradia, urbanismo, trânsito etc., para, dessa maneira, estabelecer ações de curto, médio e longo prazos visando atender aos anseios da cidade nos próximos quatro anos.

O futuro prefeito terá que atuar sob a tutela da urgência e da emergência.
Por isso, a transição se constituiu num ato de racionalidade, equilíbrio e ponderação.
Por isso, a transparência de informações norteará cada passo a ser dado pela Comissão.

No momento da transmissão dos cargos entre os chefes do Executivo municipal, o conjunto informativo disponível deverá ser suficiente para garantir que a máquina pública esteja preparada para se adequar ao novo programa de Governo a ser implantado nos próximos anos, em conformidade com as propostas debatidas no último pleito eleitoral.

É fundamental que fique claro que estamos contando com a colaboração da equipe do prefeito Alcides Bernal, que tem se colocado à disposição para ajudar a fornecer informações e dirimir as dúvidas apresentadas.

Há consciência de que esse é essencialmente um trabalho de responsabilidade funcional e de responsabilidade com a cidadania, não cabendo a ideia de que possa haver deliberada ocultação de elementos que venham, a posteriori, revestir-se em surpresas não previstas na fase transitória.

A transição que estamos preparando para Campo Grande vem sendo realizada com o sentimento colaborativo e democrático, visando a criar saídas consistentes para os problemas apresentados.

Não haverá soluções mágicas.Nossa verdade é o orçamento. As receitas devem ser adequadas às despesas. Para tornar essa realidade possível teremos que fazer um esforço para ajustar as demandas à realidade orçamentária.

Dentro desse contexto, vamos escolher as prioridades: saúde, habitação, mobilidade urbana, educação e segurança pública.

Haverá um período de adequação necessária para garantir a fruição de recursos para os setores prioritários.

O novo secretariado deverá se ajustar à nova realidade que será apresentada.
Temos compromissos inarredáveis com a responsabilidade fiscal e temos clareza das dificuldades que vem pela frente.

Pessoas pessimistas me dizem: Marquinhos,  você se tornou prefeito num dos piores momentos de Campo Grande.

Não considero isso uma má sorte nem uma fatalidade.

Considero isso uma dádiva.

Deus me testará em todos os sentidos.

Tenho certeza que isso vem para me engrandecer, para me tornar um ser humano melhor, mais justo e mais sábio.

Por isso, pedirei à cidade que acompanhe nossa administração com o sentimento positivo de que desejamos acertar, fazer o melhor, atuar corretamente para que tudo ocorra conforme o planejado.
Não vamos esmorecer.

Vamos lutar para tornar Campo Grande o melhor lugar do mundo para se viver.

Muito obrigado"

 (16/12/2016)

Encontro um amigo que sempre me foi extremamente generoso e afetivo que me diz: "dá um tempo para o Azambuja, coitado, você tá baten...


Encontro um amigo que sempre me foi extremamente generoso e afetivo que me diz: "dá um tempo para o Azambuja, coitado, você tá batendo demais! Ele deve estar muito chateado com você!". 

Ele colocou as mãos nos meus ombros, os olhos rutilantes, me fuzilando, meio aflito, parecia uma águia, e continuou: "você está esculhambando o cara todos os dias, isso cansa o leitor; a gente olha o seu blog e sabe que você vai bater, criticar, esmigalhar, pô!, dá um tempo!, estou ficando com pena, o homem está se acabando..."

Eu sorri meio sem graça, e respondi: "tudo bem, a partir de hoje até o ano-novo, 31 de janeiro, em nome da solidariedade natalina, só vou elogiar, vou celebrá-lo como o melhor governador do País, um homem de bem, administrador competente, sujeito que merece todos os louvores do mundo!", brinquei. 

Aí o amigo retrucou: "também não precisa exagerar, mesmo porque ele não merece nenhum elogio, nenhuma consideração, o homem é um pulha, entendeu?, um pulha! Não merece respeito , enganou todo mundo!".

Aí quem não entendeu nada fui eu: "ué! você não está me criticando porque estou batendo demais, cansando os leitores, não dando espaço para o homem respirar!..."

O amigo me interrompeu, esfregando as mãos, ansioso, cheio de mesuras: "...olha, eu sei, você está correto, o cara merece levar muito cacete, o resto da imprensa o protege, mas considere uma coisa - é natal, festas familiares, fraternidade, você sabe como é: até a República de Maracaju merece uma trégua..."

Concordei, reconheci a bondade da alma do cidadão, suas preocupações políticas, enfim, seu pedido inexorável, mas nem bem respirou direito, voltou à carga: "um conselho que vou te dar, preste atenção, não fale nada do Azambuja!, nem bem nem mal, deixe ele seguir em frente, coitado, ele está tropeçando nas próprias pernas, mal assessorado, mais perdido do que a Nau Catarineta, no meio de uma crise nacional tremenda!...deixa ele quieto, o povo já percebeu que ele é um idiota...pra quê massacrar mais? pra quê ficar esfregando todos os dias a merda na cara dele?..deixe ele um pouco em paz..."

Olhei para meu amigo, homem com 30 anos de experiência em assuntos políticos a mais do que eu, tendo sido deputado, secretário de Estado e senador, enfim, uma pessoa que aprendeu a ser boa e generosa com o passar dos anos, e pensei comigo: "ele está sendo sincero ou irônico? Ele está me advertindo ou querendo ver o circo pegar fogo? Está pregando moderação e prudência ou batendo os pinos da alegria em nome de alguma vingança secreta?"

Fiquei em dúvida. Pelo sim e pelo não, considerei: meu amigo está correto. É natal. Que reine a paz entre os homens.

Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo: Enquanto o mundo se engalfinha com "pós-verdade" e suas concorrentes, a t...


Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo:

Enquanto o mundo se engalfinha com "pós-verdade" e suas concorrentes, a tarefa de eleger a palavra do ano no Brasil nos lança num buraco mais fundo. Não que o país seja imune ao novo ambiente digital de descompromisso da versão com os fatos. Acontece que nosso surto mais agudo de pós-verdade ocorreu há dois anos, quando Dilma Rousseff venceu a eleição bloqueando com tapumes a visão do abismo.

Agora que despencamos, debater a pós-verdade soa (quase) como frescura. Questões de sobrevivência material sempre dão um jeito de ganhar prioridade.

Às vezes a palavra que define uma época ou um momento é discreta. Parece um paradoxo, mas não: justamente por ser onipresente é que ela tenta ficar invisível, fundida à paisagem. Enquanto outros termos são gritados alternadamente em megafones, o vocábulo-síntese é o ruído de fundo que nunca cessa.

O escritor americano David Foster Wallace contou certa vez a fábula dos peixinhos jovens que, indagados sobre como está a água, se entreolham confusos: "Água? O que é água?". É por isso que a palavra de 2016 no Brasil é "falência", do latim tardio "fallentia", parente da falha e do falecimento.

Enquanto a falência generalizada, polissêmica, ia roendo as fundações da rotina com o silêncio daqueles cupins parrudos do filme "Aquarius", outras palavras e expressões se candidatavam ao título de mais gritadas do ano: "golpe"/"impeachment", "fora, Dilma"/"fora, Temer", "coxinhas"/"petralhas". Todas com pontos de exclamação embutidos.

Como se vê, elas formam pares. Metade do país gritava uma e ouvia a outra de volta, como um eco distorcido. O problema é que ninguém encontra a palavra do ano de uma língua ou país conversando com metade dos falantes. É preciso ir além, buscar a transcendência. Ou ficar aquém, cavucando o solo comum.

Num caso e no outro, encontramos "falência".

O sentido mais óbvio da palavra é econômico: o de quebra, bancarrota, insolvência. O país faliu. Os Estados faliram. Os municípios estão falindo. Pessoas jurídicas e físicas se deparam em peso com a possibilidade da insolvência –em muitos casos concretizada. Os pedidos de recuperação judicial bateram recorde. O desemprego atingiu 12 milhões de brasileiros. Em todas as regiões, não há galeria ou rua comercial em que o número de lojas fechadas deixe de chamar a atenção de quem, dinheirinho contado, ainda se arrisca por lá.

Ocorre que "falência" tem outros sentidos. A tarefa histórica de fazer frente à derrocada econômica de um Estado morbidamente obeso, perdulário, ineficiente e ladrão coube a um Executivo sem legitimidade, sitiado por acusações graves e secundado por um Legislativo e um Judiciário que são parte do mesmo modelo falido.

É essa falência mais ampla –política, institucional, moral– que tira a razão de todos. Queira-se ou não, condenar a fixação de um teto para os gastos públicos é fazer bilu-bilu no Estado morbidamente obeso, perdulário, ineficiente e ladrão. Já quem aplaude a PEC aprovada terça-feira (13) corre o risco de pôr na cabeça o chapéu cônico de burro por acreditar que, nas mãos das quadrilhas que nos governam, ela será usada para construir um país mais responsável e não para aguçar a perversidade social dos privilégios de sempre.

Mas 2017 está aí mesmo. A falência só é total quando corrói até mesmo a teimosia.

Jornalista e escritor, publicou "Viva a língua brasileira!" (Cia. das Letras), em 2016. 

Pouca gente se lembra. As notícias e os eventos diluem-se como nuvens. Tudo é marketing. Picaretagem governamental não é exclusividade n...


Pouca gente se lembra. As notícias e os eventos diluem-se como nuvens. Tudo é marketing. Picaretagem governamental não é exclusividade nossa, mas a República de Maracaju tem se esmerado. Quem se lembra da celebração dos 100 dias de Governo?


No dia 04 de abril de 2015 o governador Reinaldo Azambuja fez essa tradicional festança, reunindo no Palácio Popular da Cultura os 13 secretários de Estado e seu séquito de baba-ovos. 

Todos assinaram termos de compromissos e metas de cada pasta pelos próximos quatro anos de gestão.



O tucanato estava em festa. 


Depois disso, falou-se pouco sobre o tema. Em fevereiro de 2016 os secretários assinaram o "famoso" contrato de gestão. 



Em junho anunciou-se que 65% das metas haviam sido cumpridas. Em setembro, outra notícia afirmava que era 30%. 



Qual o dado correto? 


Enfim, as informações são lançadas e parece que ninguém se importa com elas. O importante é que sejam publicadas notícias positivas aqui e ali para justificar as verbas publicitárias para manter sob tutela a mídia aderente. 


No último mês de novembro, dia 17,  governador Reinaldo Azambuja reuniu os secretários para "monitorar o desempenho de cada pasta em relação ao seu planejamento anual". 


A Reunião de Gestão Executiva, de acordo com o press release governamental,  foi realizada na "Governadoria e é a segunda deste ano com participação do governador, dentro do cronograma de acompanhamento das ações programadas pelas secretarias e Procuradoria Geral do Estado (PGE) para o exercício de 2016".



Não se permitiu que a imprensa acompanhasse a reunião. Ninguém sabe o que aconteceu depois que fecharam as portas. Alguns secretários falaram no dia seguinte, mas nada concreto e consistente. Tudo ôba-ôba. 


A pergunta que não quer se calar é: alguém sabe o que o Governo está fazendo? 



Para facilitar a vida daqueles que perguntam, publico logo abaixo o que foi prometido na festança de 100 dias Governo. Aqueles leitores mais atentos favor enviar informações se souberem de alguma coisa (nem que seja, assim, por alto...), pois estamos aberto a corrigir distorções de impressões: 


O que o Governo Azambuja disse que ia fazer: 



Secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov), Eduardo Riedel.




Implementar o Fundo Garantidor e a modelagem de PPPs,

Implementar a Governança Estratégica do Estado,
Implementar o orçamento contingencial,
Criar os conselhos e comitês de gestão estratégica,
Captar recursos através de Contratos de Operações de Crédito Externo e de Convênio,
Cumprir o Programa de Ajuste Fiscal (PAF),
Ampliação do bolsa atleta.



Secretário de Estado da Casa Civil, Sérgio de Paula.




Reestruturar a representação de Brasília,

Estruturar o Sistema Estadual de Defesa Civil,
Estruturar a Subsecretaria de Comunicação,
Ampliar a interlocução com vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais e senadores,
Renovação da grade de programação da Rádio Educativa.



Secretário de Estado da Fazenda (Sefaz), Márcio Monteiro.




Implantar o Portal ICMS Transparente,

Implantar a Cientificação Eletrônica do Contribuinte,
Melhorar a satisfação do contribuinte com o atendimento “Fale Conosco”,
Aumentar a eficiência da arrecadação de ICMS,
Concluir o Sistema de Planejamento e Finanças (SPF).



Secretário de Estado de Administração (SAD), Carlos Alberto de Assis.




Melhorar o Planejamento das Compras Governamentais,

Reestruturar a Escola de Governo,
Implantar o Programa de Meritocracia,
Implantar o Programa de Eficiência do Gasto Público,
Implantar Programa Estadual de Desburocratização,
Criar programa de qualificação dos servidores,
Ampliar a capacidade dos Centros de Atendimento ao Cidadão.



Secretária de Estado de Educação (SED), Maria Cecília Amêndola da Motta.




Elaborar a Política de Educação da rede estadual e a nova proposta para escola de tempo integral,

Diminuir o índice de distorção de idade-série,
Implantar a gestão dos indicadores de desempenho das escolas,
Elaborar e implementar uma nova proposta de formação continuada dos profissionais de educação,
Diminuir das taxas de reprovação e abandono do ensino médio, o projeto “Ouvindo as escolas”,
Melhorar o desempenho dos alunos no IDEB.



Secretário de Estado de Saúde (SES), Nelson Tavares.




Ampliar a Caravana da Saúde,

Organizar o Sistema de Gestão de Repasses,
Reestruturar o Sistema de Regulação da Saúde Estadual,
Diminuir o número de óbitos infantis e maternos,
Aumentar o percentual da população atendida pelas equipes de atenção básica,
Aumentar a cobertura do Programa Saúde da Família (PSF)
Aumentar o número de leitos.



Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Silvio Cesar Maluf (substituído).




Implementar o novo Boletim de Ocorrência,

Criar o Plano de Gestão da Frota,
Criar a Delegacia Especializada de Combate à Sonegação,
Ampliar as operações da Estratégia Nacional de Fronteira (ENAFRON),
Aumentar o efetivo policial,
Diminuir o número crimes.



Vice-Governadora e Secretária de Estado de Direitos Humanos (Sedhast), Assistência Social e Trabalho, Rose Modesto (substituída).




Implantar o programa Qualifica-MS,

Inaugurar a Escola de Assistência Social,
Melhorar o Programa Vale Renda,
Ampliar o Programa Vale Universidade,
Reestruturar o Centro de Atendimento à Mulher,
Criar o Centro de Atendimento em Direitos Humanos,
Aumentar o número de famílias indígenas e comunidades quilombolas atendidas.



Secretária de Estado de Habitação (Sehab), Maria do Carmo Avesani.




Concluir as unidades habitacionais,

Contratar novos projetos de unidades habitacionais,
Regularizar contratos com mutuários,
Implantar o cadastramento on-line em todo o Estado.



Secretário de Estado de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei), Athayde Nery de Freitas Junior.




Estimular e apoiar os projetos de pesquisa e inovação em economia criativa,

Implementar o Programa Estado Digital em assentamentos, aldeias indígenas e municípios,
Ampliar o Programa Geoparque Bodoquena / Pantanal,
Criar o Festival das Cidades,
Ampliar, diversificar e qualificar a oferta turística dos roteiros turísticos do Estado,
Ampliar o Festival América do Sul Pantanal e o Festival de Bonito,
Aumentar a taxa de ocupação da rede hoteleira,
Aumentar o número de empresas incubadas no estado.



Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semad), Jaime Verruck.




Criar a Agência Estadual de Fomento,

Aprimorar os procedimentos de licenciamento e fiscalização ambiental,
Criar o Programa Estadual de apoio aos pequenos negócios e ampliar as compras públicas oriundas de micro e pequenas empresas do Estado,
Criar Programa de Apoio à Industrialização,
Criar o Programa Estadual de Desenvolvimento da Região da Faixa da Fronteira,
Lançar o programa de telefonia celular para todos os municípios Estado,
Ampliar a utilização do FCO e FDCO,
Atrais novos investimentos,
Diminuir o tempo para a abertura de empresas e obtenção de licenças ambientais.



Secretário de Estado de Infraestrutura (Seinfra), Ednei Marcelo Miglioli.




Implantar Programa Obra Inacabada Zero,

Concluir o Plano Estadual de Logística e Transporte,
Intensificar as obras de saneamento básico e pavimentação,
Concluir as obras do prédio da UEMS,
Viabilizar os portos de Bataguassu e Porto Murtinho,
Implantar o programa para substituição de pontes de madeira no Estado.



Secretário de Estado de Produção e Agricultura Familiar (Sepaf), Fernando Lamas.




Implementar o Projeto Água e Luz nos assentamentos rurais,

Prover insumos agropecuários para a agricultura familiar – Projeto Terra Boa,
Estimular o desenvolvimento sustentável da pecuária no Pantanal,
Ampliar o Programa Leite Forte,
Expandir o Programa de Vacinação contra Aftosa,
Incrementar a produção leiteira,
Ampliar a recuperação de áreas de pastagens degradadas,
Fortalecer a Suinocultura, Avicultura e Piscicultura no Estado.



Procuradoria Geral do Estado (PGE), Adalberto Neves Miranda




Criar a ouvidoria da PGE,

Estudar a criação de uma câmera de conciliação administrativa no âmbito da PGE,
Incrementar a arrecadação de débitos tributários em dívida ativa,
Ampliar o número de imóveis regularizados.
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