Enquanto assisto ao cerco de Alepo, vendo criancinhas e mulheres sendo assassinadas, e acompanhando , quase ao mesmo tempo,  o desdobrame...

Tá esquisito, tá desfavorável

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Enquanto assisto ao cerco de Alepo, vendo criancinhas e mulheres sendo assassinadas, e acompanhando, quase ao mesmo tempo, o desdobramento da cobertura do ataque terrorista em Berlin, zapeando em seguida para saber mais um pouco sobre as investigações do maluco que assassinou o embaixador turco em um museu em Ancara, recebo um telefonema de um conhecido querendo saber se tenho notícias sobre o pagamento do 13º da prefeitura de Campo Grande. 

Dou um rápido vislumbre na imprensa e percebo que o ambiente está esquisito e desfavorável. 

Lá fora o tempo está nublado. Tenho preferido ficar trancado em casa nos últimos dias. 

Sair tornou-se um grande aborrecimento: os buracos nas ruas irritam e a degradação da cidade funde-se com as imagens da guerra na Síria, causando uma sensação de que o ano de 2016 ficará marcado como uma espécie de prenúncio do caos que nos devasta por dentro e por fora. 

Tenho lido uns livrinhos, assistindo a filmes natalinos, respondido a mensagens, recebendo notificações de oficiais de justiça por conta de coisas que escrevi (e não agradei), enfim, tentando me encaixar no mundo, mas percebo que estamos vivendo um tempo estranho e nervoso, todo mundo reclamando de falta de dinheiro, dos políticos e dos governantes. 

Outro dia me disseram que festejos de final de ano tem terminado invariavelmente em brigas e discussões, principalmente depois que o pessoal está bem turbinado. 

Dizem que há um ressentimento acumulado no córtex frontal que transborda a qualquer palavra mal posta, um gesto incompreendido, um comentário irônico. 

Leio um ensaio de Nietzsche (sempre ele) no qual sou aconselhado a ficar em silêncio, sem se mexer muito, acumulando energia, sobretudo em momentos como esse, em que o sentido geral parece ser de crise intensa, com sentimentos difusos e incerteza generalizada. 

Para aqueles que inventam em suas respectivas cabecinhas sempre um mundo melhor, lembro-lhes a famosa frase de Ortega Y Gasset de que "toda vez que começo a ficar otimista é porque estou perdendo o contato com a realidade". 

Por isso digo para aqueles que estão assombrados com a matança em Alepo, ou com o terrorismo no mundo e a falta de pagamento do 13º em Campo Grande, não se preocupem: vai ficar pior.






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