O jornalismo esportivo narra a paixão conflituosa do torcedor com a Seleção Brasileira: morreu em uma tarde de inverno, em pleno Mineir...


O jornalismo esportivo narra a paixão conflituosa do torcedor com a Seleção Brasileira: morreu em uma tarde de inverno, em pleno Mineirão - com os 7X1 para a Alemanha - e renasceu confiante com o trabalho de Tite, em 2016. 

Entre as duas datas, existe um intervalo. Ou melhor, uma lacuna:  “A Era Dunga”, um período grotesco para o futebol brasileiro, renegado em um curto espaço de tempo à condição de coadjuvante no cenário esportivo internacional.

Na opinião dos analistas de arquibancada, há caracteristicas determinantes que acompanham certos treinadores: Zagalo era rabugento; Felipão, paternalista; Wanderley Luxemburgo, egocêntrico e  Dunga, teimoso e burro. 

À exceção de Tite, os últimos treinadores do Brasil construíram reputações em cima da arrogância de suas ideias desordenadas e por isso comprometeram o trabalho da equipe brasileira dentro de campo.

Mas Tite é diferente. O cara é carismático, competente, pegou uma equipe humilhada pelos sucessivos resultados negativos e a transformou em um grupo determinado, vencedor e com a estima lá nas alturas.

Os resultados comprovam minha teoria. Oito jogos oficiais pelas eliminatórias para a Copa, oito vitórias e um seleção classificada com quatro rodadas de antecedência para o torneio mundial da Rússia, em 2018. 

Naquele espaço onde só o sonhador habita, e dá forma aos sonhos, Tite já aparece com a mão na taça e com a sexta estrela bordada no peito. Antes, revivemos a nostalgia do futebol Telê Santana, que devolve ao torcedor brasileiro a vontade de calçar chuteiras, pela alegria do futebol bonito. Olé!

*Jornalista

E stou tentando escrever um livreto de poesias. Estou sofrendo demais (risos). Trata-se do feito literário mais difícil, complexo e exte...


Estou tentando escrever um livreto de poesias. Estou sofrendo demais (risos). Trata-se do feito literário mais difícil, complexo e extenuante que já tentei colocar em prática. A prosa extensa (crônicas e contos) é mais fácil (eufemismo: é difícil porque a concisão e a economia de palavras exasperam). Mas o texto em prosa permite algumas facilidades porque são episódios perdoáveis.

O romance (estou escrevendo um há vários anos) é um pouco diferente: exige planejamento e arquitetura, algo que tem me levado a reescrever ao exagero, o que demonstra que estou psicologicamente inseguro para concluir o trabalho. 

Por isso, tenho protelado e abandonado o texto, voltando a ele, mexendo e remexendo num catatau de trezentas páginas, reconhecendo, enfim, minha falta de disposição física e mental para a empreitada. 

Mas sigo adiante. Vou deixar a “coisa” para o desespero dos herdeiros.

Textos jornalísticos são mais fáceis porque imediatistas, mesmo quando usamos certos recursos literários. 

Mesmo assim não existe sofrimento maior do que a luta pelas melhores palavras, a adjetivação certa, o advérbio adequado, pontos e vírgulas precisos, esses recursos que dão a cadência rítmica ao texto, num jogo em que sempre perdemos e nunca ficamos satisfeitos. 

O poema é diferente. É preciso um inimaginável senso de coesão e síntese, ritmo e sonoridade, movimento e precisão, o que faz dessa arte uma coisa para poucos, mesmo sabendo que muita gente “comete” seus versinhos aqui e ali, num volume assombroso, pelo que tenho visto.

Tem gente que acredita que desabafos íntimos, filosofices baratas, lavação de roupa suja em público, pode ser vertido para a poética. Por isso, existe tanta gente publicando “poesia” na mídia, lançando livros “inspirados”, achando-se um verdadeiro vate no meio da plebe ignara. 

Mesmo sabendo que tudo serve à poesia (desabafos, sofrimentos, elucubrações mentais etc), o problema permanece: como fazer disso uma arte? Como depurar, escovar, lapidar e talhar algo que possa ser ao mesmo tempo tudo e nada, dizer muito com pouco, desenhar estrelas com a imaginação, imaginar um tempo e um espaço que não existem, a não ser nas próprias palavras que redimem e edificam o verso? 

Não sei. Talvez sendo santo ou louco, mas insisto na tese de que poesia é para um número reduzido de pessoas, dentre as quais, sinceramente, cada vez mais mais acho que não faço parte. 

Mesmo assim, insisto, vou escrevendo no espanto, anotando insights, achando que uma hora a máquina de fazer palavras engrene e tudo comece a funcionar.

Por isso, dentre os escritores os poetas são os mais valorizados entre os próprios escritores, porque sabemos que esses conseguiram atingir o cume da lavratura da palavra no verso cavo das sensações estéticas. 

Claro: há poetas e poetas. A maioria – repito - não consegue chegar lá. Mas os grandes mestres, ah, esses transformam a cultura naquilo que possui de mais essencial: a revelação do espírito universal, o manejo da língua nos pontos cruciais que dão a fundamentação àquilo somos e o que estamos fazendo aqui. 

Dizem que poesia é uma arte intraduzível porque é a mais cara expressão de uma língua nacional, mas mesmo assim sempre acho que há traduções que nos indicam a existência de outras noções de mundo que não seja aquela exclusivamente nossa.

A poesia forma suas famílias e suas patotas. Há quem prefira um e outro; goste mais de um e de outro; defenda esse ou aquele. Mas é nesse processo de formação de gosto, de preferências, de identificação e similitude que nos definimos como indivíduos estéticos e culturais.

Vou em frente...

Publicado originalmente no site Topmídianews. Não diria cruel, porque minha visão do Poder foi descolorida há muito tempo. O Poder é e ...


Publicado originalmente no site Topmídianews.

Não diria cruel, porque minha visão do Poder foi descolorida há muito tempo. O Poder é e ponto final: sem adjetivo, vazio de atributos, apenas um ente.

Há momentos, porém, que a sua “ontologia” resvala para o cômico, quando não tangencia o ridículo. Tudo porque, embora camaleônico nas suas manifestações, o Poder é absolutamente previsível.

Qual é o odor do Poder? Depende do dia em que ele se manifesta, pois há segundas-feiras perfumadas e domingos fedorentos que se alternam na atração e repulsão daquilo que oferece ou deixa de oferecer.

Já viram o Poder quando ele é uma singela expectativa? Sedutor, convidativo, atraente, adrenalínico, agregador, simpático e animado. 

Já viram o Poder quando ele é presente realidade? Forte, arrogante, pleno, sisudo, solene, amnésico e encapsulado.

Já viram o Poder quando ele está moribundo? Ansioso, angustiado, ressentido, amargo, deprimido, cinzento e frágil.

Ah, o Poder! Cheio de escaramuças e dissimulações em busca da sobrevivência. Quanto mais se alimenta de vaidade, mais faminto fica de vontade. 
Até quando?

Sem ilusões, caros leitores, o Poder é e ponto final. Independe de quem o ocupa, de quem o exerce, de quem foi, é e será. O Poder é.

Observem os velórios...

Os velórios são a radiografia do Poder. Minto: pet scan do Poder. Fotografa as células do Poder e detecta todas as suas anomalias.

A tristeza do Poder é a sua mais absoluta certeza. Além da solidão, é claro.

Uma vida autenticamente justificada pelo sentido da verdade nos valores da amizade e do amor. É o que procura? Então, fuja do Poder enquanto é tempo.

Quantos amigos o atual governador têm? Hoje, milhares. 

Quantos amigos visitam Pedro Pedrossian e Wilson Barbosa Martins? Hoje, menos que o número de dedos da mão.

Ah, o Poder!

No dia em que eu morrer, quero ser velado como o Dr. João Pereira, que quando foi presidente da Câmara Municipal por 4 anos, vereador e secretário de justiça era cortejado, visitado e adulado por dezenas de milhares de “amigos”, mas no seu descanso, estava rodeado pelos verdadeiros... não eram muitos, mas verdadeiros! 

 * Advogado, ex-deputado federal, ex-presidente da OAB/MS e advogado

Os governos, na maioria dos casos, são óbvios. No caso da República de Maracaju, nem é preciso explicar em detalhes qualquer fenomenolog...


Os governos, na maioria dos casos, são óbvios. No caso da República de Maracaju, nem é preciso explicar em detalhes qualquer fenomenologia que atualmente faz muita gente dizer "Oh!, eu jamais imaginei que pudesse ser assim...".

Em junho de 2015 consultei meus oráculos no alto da serra da Bodoquena e exortei: "Que a natureza me dê o vislumbre sobre o nosso futuro!". Senti uma brisa leve e depois os trovões da risada.

Dito e feito: escrevi em seguida um artigo explicando o que ia acontecer com a administração tucana.

Em respeito aos meus amigos e leitores, reproduzo-o aqui para a avaliação geral. É fácil ser profeta de fatos consumador. Mas só a experiência e o conhecimento da alma humana possibilitam adivinhar o desastre com algum tempo de antecedência. Vamos a ele:

"Meu amigo e mestre Flávio Teixeira, um dos jornalistas que melhor conhece o funcionamento da máquina pública de Mato Grosso do Sul, contou-me certa vez uma historieta emblemática sobre a chegada de um novo governo ( qualquer um) ao Poder.

Segundo ele, há quatro fases que são seguidas à risca na inauguração da chamada “nova fase administrativa”. 

A primeira é a da euforia, dos planos mirabolantes em torno de reformas estruturais, dos projetos sensacionais, das metas e dos sonhos a serem vendidos à população como verdadeiros apanágios do sucesso redentor. Tudo é festa: novos secretários, nomeações à larga, disputas internas para ver quem é mais preparado e competente. 

Nessas horas há motivação de sobra, entusiasmo, o famoso “tamo junto”, “vamos fazer e acontecer”. Frases de efeito como “valorização do servidor”, “meritocracia acima de tudo”, “construção de novo futuro” etc etc etc ganham ares de verdade bíblica. 

A mídia registra tudo, sem qualquer objeção crítica, seguindo a onda de otimismo porque, afinal, nessas horas pessimismo é coisa de perdedor. 

Na segunda fase, coisa de 12 meses depois, o discurso eufórico cede espaço para a moderação e o realismo. Você já encontra secretários e assessores reclamando pelos cantos: “puxa, a coisa não era bem o que pensávamos”; “se não fosse a herança maldita tudo daria certo”, “sonhamos alto demais”, enfim, muxoxos de quem começa a colocar os pés no mundo real e perceber que a máquina pública é um complexo orgânico ensimesmado, completamente dominado pelo corporativismo, imune a qualquer motivação com quem ocupa momentaneamente o poder. 

Vem em seguida a terceira fase, lá pelo final do terceiro ano de governo: a do derrotismo evidente. E, com isso, pouco a pouco, o ambiente vai ficando tenso, e os mais raivosos começam, então, a reclamar dos males da burocracia excessiva, da centralização dos poderes na União, das dificuldades de articulação com o Legislativo e Judiciário; da falta de colaboração e desinteresse dos chamados “funcionários concursados”(imunes à pressão das demissões políticas); das mumunhas e do extenso jogo de interesse capilarizado por todas as esferas funcionais. 

Os nervos ficam à flor da pele. Nessa fase, muitos se perderam pelo meio do caminho porque pisaram na bola, não apresentaram resultados, jogaram a toalha, foram engolidos “pelo sistema”, ou decidiram simplesmente “fazer oposição”. Ou seja: a história vai se repetindo, ora como farsa, ora como comédia, às vezes como tragédia.

Daí vem a quarta e última fase: a da apuração das culpas e responsabilidades. Quem foram os traidores, quem sacaneou quem, quem boicotou as grandes idéias de gestão, quem foi responsável por esse ou aquele escândalo, “a imprensa é golpista”, “as indicações políticas foram um desastre”, enfim, reclamações furiosas, desespero total. 

Em meio a esse frenesi, depois de muito burburinho, reuniões cansativas, levantamentos exaustivos, relatórios volumosos, planilhas de custeio, consultorias delirantes, surge, enfim, a solução luminosa para todos os males. O governador dá um soco na mesa e ordena: “vamos fazer uma reforma administrativa e punir os inocentes!”. "

PS- Esse artigo foi publicado originalmente em junho de 2015 no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul.

Vou escrever na primeira pessoa porque não tem outra forma de explicar o assunto: ontem estive perante o delegado Roberto Gurgel de Oliv...


Vou escrever na primeira pessoa porque não tem outra forma de explicar o assunto: ontem estive perante o delegado Roberto Gurgel de Oliveira Filho, do Garras, numa audiência de conciliação no Centro Integrado de Justiça, em Campo Grande. 

Estávamos acompanhados de nossos advogados.

Na primeira audiência, no mês passado, o delegado faltou, enviando seu representante. Ele estava numa viagem de férias no México. O encontro foi remarcado. Ou melhor: a audiência foi redesignada.

Não houve acordo. A audiência de julgamento foi marcada para o dia 03 de maio.

Gurgel ingressou com medida judicial de reparação de danos morais contra o Blog por causa de uma postagem feita em 21 de novembro do ano passado (veja aqui). 

Mesmo sendo citado tangencialmente, ele pediu uma indenização de R$ 10 mil como maneira de salvaguardar sua “honra”. 

O Blog negou e ofereceu, em contrapartida, o direito de resposta, no mesmo tamanho e proporção ao texto, visto que a citação feita na matéria jornalística consta de processo legal que tramitou na justiça, além de fazer referências a fatos que foram amplamente divulgados na mídia local (Bonito) e estadual, por conta das disputas eleitorais no ano passado.

Acho que o delegado tem todo direito de fazer a reclamação judicial, bem como pode avaliar pecuniariamente o valor de sua “honra”. 

O dinheiro, no caso, entra apenas para “sujar” o processo, na minha opinião.

Como estamos no campo da subjetividade, considero os valores humanos intangíveis, portanto responder ao que foi publicado não só repara o dano como recoloca a versão do delegado na ordem do dia. 

O assunto já ensejou diversas teses; não vou cansar o leitor citando coisas que qualquer ser humano medianamente informado sabe.

A democracia tem fundamentos dialogais no processo de conflito de interesses, principalmente quando está em voga variadas versões de fatos. 

Mas suspeito que o delegado Roberto Gurgel não age com foco nos seus interesses individuais, mas ao que parece atua diligentemente para atender demandas políticas, oferecendo a cabeça desse jornalista como troféu ao governador do Estado. 

Coisa muito feia. 

O pleito do delegado Gurgel – repito – tem legitimidade. A justiça, de maneira isenta, arbitrará seu pedido, colocando na balança todos os argumentos. 

Mas fora do direito positivo, existem as relações humanas. As verdadeiras motivações sobre tais e quais atos cada um visa perpetrar contra o outro, essas sempre ficarão ocultas, nas tratativas de gabinetes ou no escurinho do cinema. 

Coletando as informações que tenho desde quando lancei esse blog e vendo como as ações repressoras do governo estão sendo capilarizadas por todos os órgãos públicos – em atitudes contrárias à liberdade de imprensa e de pensamento – não posso concluir outra coisa que não essa: a melhor forma para calar o jornalismo é impor punição financeira, visto essa ser uma linguagem universal. 

Certamente, penso diferente. Como disse uma vez Dom Pedro II, “contra a liberdade de imprensa, mais liberdade de imprensa”. 

Vamos aos tribunais. 

A melhor proposta de previdência social é a minha.  Se eu fosse presidente da República baixaria o seguinte decreto:  Artigo 1º - Fi...


A melhor proposta de previdência social é a minha. 

Se eu fosse presidente da República baixaria o seguinte decreto: 

Artigo 1º - Fica estabelecida a partir dessa data a nova previdência social do Brasil, revogando todas as disposições em contrário.

Artigo 2º - Todos os brasileiros terão direito ao gozo de aposentadoria, independentemente do período e valor de contribuição, a partir de 10 (dez) salários mínimos, depois dos 40 anos de idade.

I – No caso de pensões por morte, doença ou invalidez o valor será de 20 (vinte) salários mínimos;

II- Para aqueles que ganham acima de 10 (dez) salários mínimos, a aposentadoria será de 90% do último salário do período de atividade; transferível para os descendentes diretos, independentemente da idade ou cumulação de gozo de benefício anterior e posterior;

III – A União, os Estados e municípios reservarão 99% de suas dotações orçamentárias para o pagamento dos proventos previstos nesse decreto. 

Artigo 3º - Não havendo fundos suficientes para o pagamento dos beneficiários, sejam eles quais forem, fica a Casa Moeda autorizada a imprimir valores equivalentes que possam cobrir a despesa previdenciária. 

Presidência da República,    março de 2017.

Na porcelana branca Que resplandece  a luz insípida Fica a ideia p álida de  que nada ultrapassa Barulhos da janela A cidad...


Na porcelana branca
Que resplandece 
a luz insípida
Fica a ideia pálida
de que nada ultrapassa
Barulhos da janela

A cidade freme 
Lá fora

Mas aqui dentro
O mundo destrói
A si mesmo

Artigo da ombusman da Folha de S.Paulo publicada hoje comenta tema de interesse geral, devendo ser avaliada por jornalistas e autoridade...


Artigo da ombusman da Folha de S.Paulo publicada hoje comenta tema de interesse geral, devendo ser avaliada por jornalistas e autoridades, como ponto de partida para uma discussão sobre a complexidade de um assunto que mobiliza atenções:

" 'Notícia ruim é notícia boa' é uma daquelas máximas repetidas à exaustão no meio jornalístico para justificar o domínio de notícias negativas na imprensa e na mídia, em geral. Abundam nas primeiras páginas casos de corrupção, escândalos, desemprego, crimes, violência, desastres, terrorismo.

A mídia cria esse viés de notícias negativas ou responde à preferência da audiência por más notícias em vez de buscar as boas notícias? Pergunta difícil.

Duas pesquisas que parecem contraditórias, mas não o são, dimensionam a dificuldade que os jornalistas encontram em satisfazer o leitor.

Estudo do Pew Research Center reuniu 165 pesquisas nacionais sobre as preferências por notícias nos últimos 20 anos nos EUA. Relatos de guerra e reportagens sobre terrorismo estão no topo do interesse desde 1986, quando o estudo começa.

Cada vez mais frequentes, histórias sobre desastres naturais causados pelo homem perderam interesse nesse intervalo. Notícias envolvendo dinheiro foram as que se tornaram mais atraentes com o tempo.

A segunda pesquisa demonstrou que leitores compartilham mais notícias positivas do que notícias negativas. O estudo liderado pelo psicólogo Jonah Berger, autor do livro "Contágio: Por Que as Coisas Pegam" (Leya, 2014), mostrou que histórias que despertaram emoções –especialmente positivas– eram mais propensas a serem compartilhadas pelos leitores.

Jornal com marca crítica que muitos leitores confundem com ranzinzice, a Folha sempre se manteve atenta à necessidade de valorizar notícias positivas.

Em 14 de julho de 1991, o jornal lançou a seção "Boa Notícia", que permaneceu na primeira página até 19 de janeiro de 2006. Em 14 de junho de 2010, a seção voltou a ser publicada por período mais curto, tendo sido novamente interrompida.

No início deste ano, o jornal rebatizou a seção, agora chamada "Dias Melhores", e anunciou tem o intuito de "oferecer informações positivas e inspiradoras". O editor-executivo da Folha, Sérgio Dávila, diz que a demanda do leitor por boas notícias é forte. "Jornalismo também é apontar com exatidão e profundidade as notícias que indicam progresso, melhoria, superação."

O cardápio de quarenta reportagens incluiu textos ligados a temáticas sociais, pesquisas de saúde e ciência, projetos comunitários, iniciativas de solidariedade e narrativas de superação pessoal ligadas à pobreza, educação e saúde.

A primeira reportagem descrevia projeto de oficinas em Portugal que ensinam idosos a grafitar. O leitor Gabriel de Oliveira Santos contestou: "É uma modalidade polêmica de arte, que interfere na propriedade terceiros e se impõe autoritariamente aos outros sem consulta, por isso não está sendo bem vista por grande parte da sociedade."

A reação explicita como não é tão simples nem óbvio eleger o que é bom exemplo. Esse é apenas um dos desafios. É preciso ter coragem e método ao fazer escolhas.

Acho a iniciativa louvável, mas incomoda que a saída encontrada para esta demanda dos leitores tenha ares de experiência requentada, em vez de inovadora.

Já existem no Brasil e no exterior vários sites, páginas e jornais que publicam apenas notícias positivas.

O mundo mudou, o leitor mudou, e o jornal tem de mudar. Repetir uma fórmula do passado, apenas com nova roupagem, funciona?

Serviu para obrigar o jornal a publicar notícias boas, mas não mudou a forma de fazer e pensar o jornal. Reportagens positivas devem sair do nicho e passar a ser discutidas ao lado da investigação que poderá vir a derrubar um ministro.

Políticas públicas de sucesso, por exemplo, são quase sempre ignoradas pelo jornal. Em geral, porque são mais difíceis de avaliar técnica e desapaixonadamente. São, entretanto, mais importantes em termos de penetração social e relevância histórica do que temas episódicos de superação -que também merecem ser editados com destaque.

A Folha não abandonará jamais sua vocação principal de investigar e fiscalizar os poderes estabelecidos –o que já faz com grau de excelência frequente. Não pode, entretanto, ser tomada pelo espírito de "fracassomaníacos", como se queixou um ex-presidente.

Precisa ter a ambição de alcançar uma nova maneira de apresentar notícias inspiradoras que também sejam relevantes. Esta preocupação deve estar refletida na pauta do jornal, na execução precisa da reportagem e na edição atraente do tema. Notícia é notícia, seja boa ou não. Independe de dias melhores". 

Artigo publicado originalmente na Folha de S. Paulo : "Abaixo a canaille! Fora todos." No mundo sem nuances da política sectá...


Artigo publicado originalmente na Folha de S. Paulo :

"Abaixo a canaille! Fora todos." No mundo sem nuances da política sectária, a delação da Odebrecht e a nova lista de Janot servem tanto a Jair Bolsonaro quanto a Lula.

Os "salvadores da pátria" simétricos erguem suas candidaturas sobre os escombros do sistema representativo. O primeiro almeja ser visto como um líder puro, ilhado pelo oceano da corrupção. O segundo aposta na normalização da corrupção: ele quer ser visto como tão impuro quanto todos os demais.

Celso de Barros não está só quando classifica como "picaretagem" o "discurso de que havia algo de excepcional na corrupção petista" (Folha, 6/3). Mas está errado.

Em busca de tons de cinza, Alckmin pede que se separe "o joio do trigo". Sua distinção –entre os "que enriqueceram" e "outros casos"– é uma tentativa pouco sutil de caiar a parede do caixa 2.

De fato, caixa 2, em si, não é crime. Contudo, sinaliza uma série de crimes subjacentes: as doações "por fora" quase sempre derivam de fraudes em licitações e superfaturamento de obras públicas. Aprendemos que as quadrilhas de políticos e empresários inovaram, usando o caixa 1 (e, portanto, os tribunais eleitorais) para lavar dinheiro de propina. Mesmo assim, o caixa 2 continua a ser um indício clamoroso de desvio de dinheiro público.

Tudo é "joio" nos campos arados pela corrupção. Política ou juridicamente, não faz sentido separar o político que se apropriou de dinheiro público para construir patrimônio (os "que enriqueceram") do que preferiu usá-lo para financiar sua carreira (os "outros casos"). As duas práticas costumam andar juntas.

E, sobretudo, "o hospital que não foi feito com o dinheiro roubado é o mesmo nos dois casos", como registra Barros. Contudo, há "algo de excepcional" na corrupção 2.0 inaugurada nos governos petistas: neles, adicionou-se o crime contra a democracia ao crime contra a administração pública.

O "Estado-Odebrecht" é a aliança, montada pelo lulopetismo, entre empresas estatais, empreiteiras e bancos públicos para financiar um bloco de poder. As sentenças judiciais do mensalão descreveram, em minúcias, os mecanismos de formação e consolidação da maioria parlamentar governista.

Os processos da Lava Jato revelam a extensão e amplitude do fenômeno. As coalizões políticas articuladas em torno de Lula e Dilma apoiaram-se na redistribuição de dinheiro público para os partidos da base governista.

Os US$ 3,39 bilhões movimentados pelo tal Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht ultrapassam, largamente, os limites da corrupção tradicional. Nas incontáveis reuniões de Marcelo Odebrecht com os dois presidentes, fazia-se planejamento político. Perde-se, além do hospital, a crença nas instituições democráticas.

Há "algo de excepcional" na internacionalização da corrupção. O "Estado Odebrecht" criou redes de corrupção na América Latina e na África, muitas vezes conectadas às ações de marketing político e lavagem de dinheiro de João Santana junto a governos amigos do lulopetismo. Nesse cenário, operando com recursos do Tesouro, o BNDES ajudou a converter o Brasil em agente corruptor.

Será uma vergonha e uma desgraça reinserir a Odebrecht na ordem jurídica, por meio de acordos de leniência.

O PT, apesar de tudo, não é uma quadrilha, pois não deve ser confundido com sua direção eventual. Mas a Odebrecht, sim, é uma quadrilha. Não há solução senão desmantelá-la, em nome da ordem pública e da segurança nacional.

A corrupção 2.0, que ameaça a democracia, nasce da convicção antidemocrática de que um partido é detentor da "verdade histórica". A crença de que os outros são "inimigos do povo", repetida à exaustão por 13 anos, funciona como sua chancela ideológica.

Mas, depois de inventada, a corrupção 2.0 torna-se um artigo disponível para qualquer governo. O maior dos erros seria banalizá-la, como quer Barros. 

*Doutor em geografia humana, é especialista em política internacional

71 anos após o fim da Segunda Guerra, o assunto ainda gera perplexidade. São centenas de livros, vídeos e debates decifrando os horrores ...


71 anos após o fim da Segunda Guerra, o assunto ainda gera perplexidade. São centenas de livros, vídeos e debates decifrando os horrores daquele conflito global. De temas conspiratórios a crises diplomáticas, não é fácil compreender um dos períodos mais sombrios da história humana, sem questionar um assunto emblemático: o ser humano atingiu a plenitude do ódio.

A frase acima é uma paradoxo da ideia original expressa por Mahatma Gandhi. Na lógica do ativista indiano, “se um único homem conquistar a plenitude do amor, neutralizará o ódio de milhões”. Em outras palavras, só o amor em estado pleno funcionaria como um antídoto eficaz para neutralizar as tensões sociais permanentes.

A tese surrealista de Gandhi ganhou a simpatia dos pacifistas, mas não foi capaz de conter o sentimento de repulsa entre as nações. A vida seguiu seu curso e encontrou homens dispostos a mandarem o mundo para o inferno. Era 1939, a Alemanha nazista invade a vizinha Polônia e o resto é história.

As razões para as atrocidades tem inúmeras explicações. A mais convincente está expressa na polêmica obra “Banalidade do Mal”, de Hannah Arendt. Na opinião da escritora, os soldados não eram monstros sanguinários, apenas burocratas que cumpriam seus deveres com zelo e eficiência para proteger suas nações e ganhar prestígio dentro dos quartéis. Simples assim, sem questionar ordens ou apelar para a consciência.

Durante a Segunda Guerra, a luta entre amor e ódio foi desigual, mas encontrou em um soldado americano um importante aliado. Desmond Doss, o recruta Adventista que atravessou um front no Japão desarmado é a narrativa paralela do ator e cineasta Mel Gibson para falar de bondade, fé e convicção religiosa sem apelar para  chavões e ingenuidade.

Em uma era onde predominam intolerância religiosa e preconceito contra cristãos, qualquer diretor cult usaria a biografia de Doss para ridicularizá-lo perante a uma sociedade cada vez mais materialista e distante de dogmas religiosos.

Mas Gibson foi diferente. O diretor equaciona as cenas de escárnio dos colegas -  durante o período de treinamento - com o apogeu do fervoroso soldado, que aparece em cenas gloriosas, salvando sozinho boa parte de sua tropa.

Entre tanta coisa lastimável nos cinemas “Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)”,  é o percurso de regresso de Mel Gibson ao Oscar (concorreu em seis categorias, mas não levou nenhuma estatueta para casa). Há dez anos o diretor não aparecia de forma positiva na mídia, depois de sucumbir a doses etílicas, apelar para a violência conjugal e criar polêmica sobre antissemitismo.

No resta saber se o julgamento público sobre suas transgressões arrefeceu. Mas uma coisa é certa: levar a história de Desmond Doss para as telas merece perdão.

* Jornalista/MS


Toda imagem transgressora esconde um conservadorismo essencial. Ontem à tarde estava tomando café numa padaria e, de repente, entra uma ...


Toda imagem transgressora esconde um conservadorismo essencial. Ontem à tarde estava tomando café numa padaria e, de repente, entra uma moça com cabelos vermelhos, imensos dragões tatuados nos braços e um ideograma chinês escrito cóccix, dois piercings no nariz e pelo menos cinco argolas em cada orelha. 

À primeira vista imaginei mais uma modernosa de boutique, recém-chegada de Londres, mostrando para a província ignara o último grito da moda européia. 

Pelo visual, parecia uma personagem transgressora, com ideias avançadas, exalando feminismo e revolta contra o globalismo do “capitalismo financeiro selvagem e irracional”. 

Enfim, a moça era a materialização do politicamente correto, uma espécie de antecipação apocalíptica do que vem pela frente em termos de onda comportamental. 

De repente, ela atende ao telefone do meu lado e começa a conversar com uma amiga. Sua conversa me lembrou os anos 30. 

Os mesmos valores retrógrados, o mesmo mimimi sobre seu longo noivado, a religiosidade expressa a cada final de frase (“amém, amiga; amém amiga...”), enfim, era uma moça que queria casar, ter filhos e cuidar da casa.

Ontem, no dia internacional da mulher, o presidente Temer revelou ao País qual o modelo que ele imagina mais adequado ao feminismo. Lembrei-me mais uma vez dos anos 30. 

A figura do presidente diz exatamente quem ele é: um homem do passado, com valores e cultura dos tempos senhoriais, muito apropriado para figuras retratadas por Gilberto Freire em “Casa Grande & Senzala”, cuja visão de mundo ficou congelada enquanto a banda passava. 

Sua mulher, Marcela, bela, recatada e do lar, enquadra-se nesse modelito programável de “boa dona de casa”, que Temer acha o mais adequado para as mulheres. 

A frase presidencial – que provocou tanta polêmica – apenas revela o tempo (nesse quesito) do famoso homem cordial, provedor e protetor. 

No fundo, talvez a maioria das mulheres sonhe em ter para si um cara assim, mas que por injunções das transformações históricas não é mais possível, não só pela extrema “caretice” que representa, mas porque , como se sabe, a irrefreável marcha do progresso não permite. 

Perscrutando a alma de jovens mulheres e de rapazes descolados, muitos acreditam que se as relações humanas pudessem ser menos conflituosas e houvesse um novo contrato social em que os papéis masculinos e femininos pudessem ser redefinidos é provável que muitos Temers e Marcelas aparecessem de surpresa abrindo-se ao mundo. 

Outro dia li que na Noruega essa onda de mulheres em casa e homens na rua (ou vice-versa) está se espraiando. Mas, reparem, isso pode até estar acontecendo num País tedioso, sem diferenças sociais, com uma população extremamente educada, que pode curtir “diferenças numa boa”. 

O comentário de Temer – seguido por outro, pior ainda, de Renan Calheiros, feito na tribuna do senado – revela os valores de um homem formado numa outra sociedade, num outro planeta que, certamente, não mais existe no plano da cultura e do senso comum. 

Fico pensando: e se o presidente fosse um sujeito menos formal, usasse jeans, rabo de cavalo, brincos de brilhante e tatuagem no braço, será que se falasse a mesma coisa sobre o papel das mulheres como “cuidadoras” de casa as pessoas se escandalizariam da mesma maneira? 

Fica a dúvida para a posteridade.



Artigo publicado ontem na Folha de S.Paulo: Comemora-se nesta terça-feira (7) o Dia Nacional da Advocacia Pública. A data remete ao ano...


Artigo publicado ontem na Folha de S.Paulo:

Comemora-se nesta terça-feira (7) o Dia Nacional da Advocacia Pública. A data remete ao ano de 1609, quando a Corte portuguesa criou o cargo de procurador dos Feitos da Coroa, da Fazenda e do Fisco.

Desde então, muita coisa mudou. Advogados em carreiras de Estado deixaram de defender os interesses privados dos governantes e passaram a atuar em função da sociedade.

A Constituição de 1988 situou a advocacia pública entre os elementos fundamentais de realização da Justiça, da representatividade popular e do fortalecimento da Federação. Quase 30 anos após a promulgação da Carta, é preciso refletir sobre o significado e o objetivo dessa mudança de perspectiva.

Cabe aos advogados públicos viabilizar políticas compromissadas com a realização da ordem jurídica e dos valores democráticos, como probidade e transparência. Para isso, eles são incumbidos das atividades de consultoria e assessoramento jurídico e da representação judicial nos três níveis da Federação.

A estrutura das carreiras públicas precisa acompanhar a evolução do arcabouço constitucional. No caso da advocacia, ainda é preciso criar as condições necessárias para sua atuação efetiva na prevenção da corrupção e no descongestionamento do Judiciário.

São parcos, hoje, os valores efetivamente recuperados da corrupção. Na Operação Lava Jato, por exemplo, comemorava-se, no fim de 2016, a repatriação de R$ 568 milhões do universo de dezenas de bilhões desviados.

A corrupção no Brasil gira em torno de R$ 200 bilhões anuais. Outros muitos bilhões são desperdiçados, mal alocados ou sonegados. O prejuízo real é ainda maior, uma vez que os desvios não comprometem apenas a qualidade dos serviços públicos essenciais mas também distorcem o mercado, inibem a competição e negam oportunidades.

A resposta não está apenas em medidas repressivas, normalmente tardias e incapazes de solucionar e punir todos os ilícitos. As polícias e o Ministério Público trabalham duro e merecem reconhecimento.

No entanto, como no resto do mundo, são raros os casos de corrupção efetivamente punidos -aqui no Brasil, apenas 3 em cada 100, segundo artigo dos procuradores Hélio Telho e Deltan Dallagnol.

É preciso efetivar a função preventiva das procuradorias-gerais dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios e da Advocacia-Geral da União. Ou seja: deve-se dotar esses órgãos e seus membros de prerrogativas e estruturas capazes de interagir com o desenvolvimento das políticas públicas desde sua concepção, passando pela minuciosa análise jurídica dos editais de licitação até a efetiva execução das contratações.

Isso desafogaria ainda os órgãos de controle externo, que atuam, naturalmente, no fim dos processos, quando as contratações já estão feitas e os potenciais danos já lesaram os contribuintes.

Precisa-se também mudar a mentalidade de parte dos gestores e esclarecê-los a respeito de avanços legislativos, como o Novo Código de Processo Civil e a Lei de Autocomposição na Administração Pública, que determinam a criação das câmaras de conciliação dentro dos órgãos da advocacia pública e têm objetivo de reduzir a quantidade de litígios judiciais, resolvendo-os na esfera administrativa -também conhecida como extrajudicial.

O Brasil registra o recorde de 102 milhões de processos tramitando no Judiciário. Precisa-se, então, dotar os órgãos administrativos de condições materiais para desafogar a Justiça -não se deve retirar essas ações sem que elas possam ser satisfatoriamente resolvidas extrajudicialmente.

Neste Dia da Advocacia Pública, é preciso lembrar que a repartição de Poderes é mais complexa hoje do que em 1609.

*Presidente da Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape) e presidente da Comissão Nacional de Advocacia Pública da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) nacional.

Um amigo me liga e pergunta: você “acertou” com o Governo Azambuja? A palavra “acertou” pode ter várias conotações, mas eu sabia do que ...


Um amigo me liga e pergunta: você “acertou” com o Governo Azambuja? A palavra “acertou” pode ter várias conotações, mas eu sabia do que se tratava. Tive vontade de rir. Respondi como jornalista: por que você está fazendo essa pergunta? 

Veio a preleção: a fofoca surgiu no mercado porque não estou criticando mais Azambuja de maneira contundente como vinha fazendo, “você está quieto demais”, “mansinho de passar a mão” e por aí foi...

Daí, o raciocínio é simples: houve um acordo pecuniário que garante o seu silêncio.

Devo esclarecer: o Governo Azambuja não é uma questão de obsessão; apenas achei que como cidadão e jornalista ( detentor de informações privilegiadas) tinha a obrigação moral de mostrar o que era a República de Maracaju em sua essência. Uma fraude. 

No começo, a tropa de choque do partido difundiu que eu estava ressentido porque não tinha conseguido uma boca dentro do aparato do Estado. Depois, alegaram que eu estava tentando chantagear o governador para ganhar uma baba com acordos submersos vis a vis com agências de publicidade. 

Essa turma esqueceu que Azambuja usou (ainda usa) o aparato repressor do Estado (Casa Civil, secretaria de Segurança e influência no judiciário) para me intimidar. Coisa de gente fascista, que não elabora minimamente o que é viver de maneira republicana numa democracia. 

(Um dia ainda conto essa história com detalhes). 

São essas atitudes que criam em mim uma métrica moral para avaliar governos. Dizem que Puccinelli era autoritário. Durante mais de 6 anos escrevi pesado contra ele. Nunca houve uma ameaça, uma reclamação, uma contrariedade. No máximo, conversas para esclarecimento e troca de pontos de vista. 

Estou deixando Azambuja um pouco pra lá por outras razões. Senti que caiu a ficha da sociedade em relação a ele. As minhas críticas foram incorporadas pelo senso político. 

Todas as coisas que escrevi nos últimos dois anos revelaram-se acertadas. Claro, eu conhecia a alma da besta, portanto não foi esperteza nem inteligência minha mostrar a cloaca do esquema que se assenhoreou do poder em Mato Grosso do Sul. 

Atualmente, parece que há um consenso sobre a ruindade de Azambuja & Cia. Seu governo vai se esfarelar por causa da multiplicidade de oportunistas querendo usar a máquina do Estado para turbinar candidaturas em 2018.

Tem muito afobadinho “construindo” caixa de campanha. Uma hora, a coisa escapa pelo desvão dos dedos e, pronto, tá armado o escândalo que dificilmente será controlado. 

Tenho visto pesquisas internas sobre avaliação da República de Maracaju em Campo Grande (maior colégio eleitoral do Estado) e posso dizer, com alguma margem de certeza, que, continuando do jeito que vai, o eleitorado vai mandar Reinaldo de volta para seus afazeres no campo. 

De fato, seu mundo é numa hacienda do século XIX.

Reitero que Azambuja continua a fazer um governo com sabor de sorvete de capim brachiária. Pessoas não sabem o gosto que tem; só os bovinos podem dizer, mas esses não falam. Portanto...

Seu grande problema é que ele é um homem com cabeça mediana  do mundo do agronegócios. Ele não tem uma política de comunicação (não por culpa dos profissionais da área, que são bons) que faça conexões sociais que permitam que se elaborem conceitos assertivos sobre sua gestão. Mas não vou ensinar a missa para o vigário.

No seu entorno, falta inteligência. Ou alguém imagina que possa haver qualquer laivo de raciocínio sofisticado entre Sérgio de Paula, Carlos Assis, Riedel e Márcio Monteiro?. Piada. 

Azambuja estará liquidado em 2018. Pior: será o melhor cabo eleitoral que qualquer adversário um dia imaginou ter numa eleição.


As ruas agora são outras Pertencem a novas paisagens Percorro suas curvas  Sobrevôo suas ladeiras Sigo em frente As vielas...


As ruas agora são outras

Pertencem a novas paisagens
Percorro suas curvas 
Sobrevôo suas ladeiras
Sigo em frente

As vielas me enovelam 
Jogando-me numa avenida nua
Que se emaranha à minha frente
Cruzando a si mesma na luta dos sinais 
- seguindo em todas as direções

Não vou à lugar nenhum
Subo no meu carro e corro 
Na direção do sol que nasce
As ruas da cidade estão vazias

Elas pertencem às cores baças que as penetram
E lhes matam no dia ausente

Subo no meu carro e corro

Giro o corpo
Vejo as pessoas caminhando pelas tramas
Que cortam os dias e noites

As nossas ruas agora são outras





3 de maio. Marquem essa data. Dois dias depois do Dia Internacional do Trabalho. Uma quarta-feira.  Nessa data o juiz federal Sérgio Mo...


3 de maio. Marquem essa data. Dois dias depois do Dia Internacional do Trabalho. Uma quarta-feira. 

Nessa data o juiz federal Sérgio Moro interrogará do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo em que o petista é acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

Esta será a primeira vez que o petista e o magistrado símbolo da Operação Lava Jato ficarão frente a frente na sala de audiência do 2º andar do prédio da Justiça Federal, em Curitiba.

Para aqueles que imaginam que Lula sairá preso, um aviso: o mundo real não funciona assim. Ainda bem. No Estado Democrático de Direito cada dia tem seu ritmo, cada passo tem seu jeito. A ânsia política tem seu espaço. E as leis tem seu enquadro. 




Artigo publicado originalmente no Correio do Estado: Pesarosos, estamos vivenciando momentos difíceis na economia de nosso Mato Grosso...


Artigo publicado originalmente no Correio do Estado:

Pesarosos, estamos vivenciando momentos difíceis na economia de nosso Mato Grosso do Sul. Parte se deve pelo que vem extravasado da calamitosa avalanche das desbaratadas finanças federais; e outra, decorrente de uma estrábica decisão político-econômica por parte da diretoria da Petrobras – a nossa intocável Petrobras e que já foi um orgulho pátrio. Esta empresa desnucou a verticalidade de nossas finanças domésticas, levando preocupações fundadas aos nossos dirigentes estaduais.

Todos estão empenhados por encontrar um caminho que possibilite a recuperação do terreno perdido: O governador do Estado, a bancada federal e nós, cidadãos, a distância próxima, torcendo fervorosamente para que uma solução permita a volta à normalidade das finanças estaduais.

A propósito, me recordo que no exercício – extremamente honroso – do mandato de senador da República advoguei com entusiasmo pelo aproveitamento do gás boliviano que corria volumoso pelo Gasoduto Bolívia/Brasil – por 600 km pelo território sul-mato-grossense – para a instalação de uma usina de beneficiamento, ou duas, do gás natural, talvez em Campo Grande, essa para extração de dois tipos de seus subprodutos, o butano e o propano, e outra em Três Lagoas para o beneficiamento da Ureia. 

O butano e o propano para engarrafamento do GLP, o tão utilizado gás de cozinha. A ureia para a produção de fertilizantes que seria produzido pela pretensa fábrica da Petrobras em Três Lagoas – hoje um “elefante branco”.

Me recordo que a Petrobras, reafirmo sua diretoria de então, tudo fez para botar água fria na minha proposta. É longa a estória e não cabe no espaço deste artigo. Registre-se, porém, que a Copagaz que acompanhou todas as diligências tanto na Comissão de Assuntos Regionais do Senado como em audiência com o ministro de estado de minas e energia, sempre sob a liderança vanguardeira do senhor Ueze Zahran, se dispôs a responsabilizar-se pela implantação da usina. 

Sabe-se hoje da verdade, a Petrobras com a exploração litorânea da costa marítima brasileira não pode, como antes, queimar o gás extraído com o óleo negro. Isto para atender compromissos internacionais do governo brasileiro para a preservação do meio ambiente. É obrigado encanar o gás e comercializá-lo, daí seu desinteresse pelo gás boliviano. Sobra “bucha” para Mato Grosso do Sul.

Imagino que a Petrobras dificilmente modificará a sua atual política de restrição ao gás boliviano. Talvez seria conveniente o governo do estado direcionar-se para a iniciativa privada, nacional ou mesmo estrangeira, para que assuma os compromissos de exploração do gás boliviano.

A produção de mais de cem subprodutos do gás natural pode como se presenciou do interesse da Copagaz com relação à usina de beneficiamento se estender para a implantação de ramais que de Campo Grande se dirija para a Grande Dourados e Fronteira com o Paraguai; também daqui um grande ramal de gasoduto para Mato Grosso e até mesmo Goiás e Brasília. Isso inclusive foi discutido durante os debates no senado. Creio na iniciativa privada para obras de tal vulto como creio no horizonte atilado de nosso governador.

* Ex-deputado Federal e ex-senador da República.

Nota do presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, a respeito dos depoimentos de ex-dirigentes da Odebrecht à Justiça Eleit...



Nota do presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, a respeito dos depoimentos de ex-dirigentes da Odebrecht à Justiça Eleitoral

“Lamento a estratégia usada por adversários do PSDB que difundem “noticias alternativas” para confundir a opinião pública.

A imprensa é instrumento fundamental da democracia. Usada por quem não é criterioso, presta um mau serviço ao país.

Parte do noticiário de hoje sobre os depoimentos da Odebrecht serve de sinal de alerta. Ao invés de dar ênfase à afirmação feita por Marcelo Odebrecht de que as doações à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014, foram feitas oficialmente, publicou-se, a partir de outro depoimento, que o senador teria pedido doações de caixa dois para aliados.

O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE.

É preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o país atravessa.

Ademais, independentemente do noticiário de hoje tratar como iguais situações diferentes, não é o caminho para se conhecer a realidade e poder mudá-la.

Visto de longe, tem-se a impressão de que todos são iguais no universo da política e praticaram os mesmos atos.

No importante debate travado pelo país, distinções precisam ser feitas. Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção.

Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais.

A palavra de um delator não é prova em si, apenas um indício que requer comprovação. É preciso que a Justiça continue a fazer seu trabalho, que o país possa crer na eficácia da lei e que continue funcionando.

A desmoralização de pessoas a partir de “verdades alternativas” é injusta e não serve ao país. Confunde tudo e todos.

É hora de continuar a dar apoio ao esforço moralizador das instituições de Estado e deixar que elas, criteriosamente, façam Justiça.”

Fernando Henrique Cardoso, Presidente de honra do PSDB.

Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo: Ganhei o prêmio Bertha Lutz do Senado Federal e dividi a opinião de amigos. Alguns ...


Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo:

Ganhei o prêmio Bertha Lutz do Senado Federal e dividi a opinião de amigos. Alguns disseram "vai lá buscar, claro, Senado é do povo" e muitos outros me alertaram "nem pintada de vermelho, são todos uns golpistas, recuse o prêmio". Fui salva por uma reunião da Globo, emissora na qual trabalho, na exata data e horário da cerimônia.

Sim, a Globo. Outra questão sempre muito tensa nas mesas de bar (não que eu vá a muitas mesas de bar, na real não vou a nenhuma, mas me refiro à galera mais festiva-opinativa-intelectual que me cerca). Para eles eu jamais deveria trabalhar para uma empresa golpista cheia de golpistas que só disseminam pelo mundo o ódio a todos que não são golpistas.

Mas escrever sobre isso aqui neste jornal, considerado golpista por tantos amigos, não é um desabafo digno de um escritor sério. E escrever de um Macintosh novo, com tanto PC velho precisando de uma família, deveria encerrar de uma vez por todas a minha carreira. Sim, tenho ar-condicionado: julguem-me.

Moro num bairro que, pela quantidade de gente batendo panela na época que ainda se batia panela, pode ser considerado golpista. Olho da minha janela a faculdade PUC, povoada de garotos golpistas, filhos de pais e mães que trabalham em bancos golpistas, firmas golpistas, hospitais golpistas, escolas golpistas, multinacionais pra lá de golpistas, e me pergunto se hoje vai ter barulho infernal de batuque carnavalesco. Mas pensar isso é ser golpista, querer sossego individualista em um ambiente público chamado cidade é ser golpista.

Enfim, aceitei o prêmio, mas não estarei presente. Muitos amigos acharam que eu não deveria nem aceitar, uma vez que apenas feministas são agraciadas e eu sou apenas uma garota formada em marketing (aff, golpista!), que escreve filmes de grande bilheteria (virge, golpista!), livros falando de si mesma (nuuussa, golpista!) e vendeu sua alma a toda uma mídia diabólica. Mas eu me recusei a recusar.

Primeiro eu pergunto a vocês, pessoas tão maravilhosamente isentas de qualquer contato com golpistas: como pagam as contas? Onde guardam dinheiro? Leem notícias? Nunca se divertem com a TV ou um filme comercial? Respiram? Ou estão nuas em uma praia deserta no Uruguai vivendo de ideais? Depois, desafio você, tão pleno de certezas protegidas pela discrição, a aturar todo santo dia a opinião do amigo internauta te xingando de velha, histérica, vaca, "alguém engravida essa mulher que ela para de falar" e mesmo assim continuar escrevendo todo santo dia. Eu só acredito em militante que trabalha.

Eu admiro você, jamais vendido, jamais golpista, concentrado em seu quinto mestrado em pau-brasil e há 11 anos escrevendo um roteiro sem nenhuma verba ou incentivo ou produtor ou distribuidor ou emissora ou patrocínio (ou história). Roteiro esse que vai viajar o mundo, mas também as comunidades ribeirinhas e vai arrebatar as únicas 47 pessoas que vão tomar conhecimento da sua existência. Me empresta esse avô rico aí e seremos melhores amigos. 

*Escritora e roteirista.

Artigo publicado originalmente no jornal Correio do Estado: É  de responsabilidade do gestor executivo zelar pela saúde e segurança da ...


Artigo publicado originalmente no jornal Correio do Estado:

É  de responsabilidade do gestor executivo zelar pela saúde e segurança da população. O serviço de transporte Uber atinge diretamente esses dois pontos cruciais da vida em sociedade. 
Como confiar em um cadastro via aplicativo que sequer testou a habilidade do motorista, seu tempo de reflexo, sua saúde?

O gestor fica entre a cruz e a espada. De um lado, pessoas ansiosas para complementar sua renda e para economizar no transporte, do outro motoristas que dedicaram e adequaram  sua vida a esta profissão e a sua missão de segurança pública.  

Deve haver sim este meio alternativo de transporte que gera benefícios, como a concorrência, porém regulamentado, pois como vivemos em sociedade, não só o A ou B deve ganhar, mas sim o alfabeto inteiro.

A necessidade de regulamentar o Uber decorre da própria natureza do primado da livre iniciativa em uma economia capitalista. 

Regulamentar uma atividade econômica não implica em restringir o seu exercício, mas em conter os eventuais abusos decorrentes da ausência de normas disciplinadoras.
Além disso, o fundamento maior da competição no sistema capitalista reside na garantia de um certo equilíbrio entre os concorrentes.

Sendo assim, não seria justo regulamentar os serviços de táxi, mototáxi e ônibus, e,  nada fazer em relação ao Uber. Isso seria desigualar os iguais, promovendo a desigualdade.

Portanto, parabéns a atual gestão pela iniciativa. Se o Município não regulamentar o Uber, eles se tornarão uma casta privilegiada e poderão praticar o preço que quiserem, tornando-se um monopólio. 

A melhor saída é regulamentar para que haja uma competição sadia no mercado e que vença os que oferecerem melhores condições ao usuário.

Muito estranho essa gritaria toda a favor de uma empresa americana que fatura cinquenta bilhões de dólares ao ano em todo mundo e que é proibida em países sérios como Bélgica, Holanda e Coreia do Sul. E não proíbem por causa de preço não, mas porque a empresa se recusa a pagar tributos mesmo usando toda a estrutura viária das cidades e os seus serviços. 

Chega a ser estranho também que o Uber cobre dos motoristas um valor pra explorar seu negócio, mas fica emburrada quando o poder público debate a questão tributária inicidente sobre seus bilionários lucros. 

Desconfio até que haja uma tecnologia padrão da empresa para mobilizar robôs na rede social a fim de impressionar gestores com uma falsa reação da população. Sim, tem gente de verdade, mas muitos são levados a protestar com a ajuda artificiosa desta logística de reação já padronizada que é aplicada em vários países do mundo. 

Enfim, regulamentar não é restringir, mas garantir equilíbrio na competição. Que vença o melhor para a população!

* Advogado

Não riam, por favor, mas nunca usei Uber. Faz uns dois anos que não ando de táxi. Criei um sistema de vida espartano. Minhas andanças pe...


Não riam, por favor, mas nunca usei Uber. Faz uns dois anos que não ando de táxi. Criei um sistema de vida espartano. Minhas andanças pela cidade sempre são próximas do lugar onde moro. Minha mobilidade dificilmente ultrapassa um raio de um quilômetro do centro. Uso carro próprio ou ando a pé. 

Sou recluso. Tenho viajado muito com meus livros e assistindo o canal Netflix.

Entrei nesse debate sobre a regulamentação dos aplicativos de carona remunerada por conta de minha atividade profissional na assessoria do prefeito Marquinhos Trad. 

Em três dias pesquisando, conversando e ouvindo o cacarejar das redes sociais aprendi muita coisa. 

Descobri que a maioria das diaristas que trabalham no meu condomínio usam Uber. Mais: a chamada "uberização" é fenômeno que perpassa classes sociais porque o Brasil, na era PT, ultrapassou os limites da intervenção do Estado na economia, gerando um sentimento de nojo contra qualquer tentativa de regulação de atividades econômicas que fogem ao controle por causa da inovação tecnológica.

Entrei nessa viagem como um navegador do século XV pelos novos mundos inexplorados

No primeiro momento, não gostei da emissão do decreto da prefeitura; achei que seria mais apropriado um projeto de lei, com ampla discussão na Câmara Municipal. 

Mas lendo sobre o que aconteceu em outras Capitais percebi que os vereadores sofrem muita pressão dos lobies e protelam a decisão da regulamentação para as calendas. 

Em São Paulo, o ex-prefeito Haddad fez várias tentativas para aprovar a legalização dos aplicativos e, depois, vendo inúmeros conflitos nas ruas entre taxistas, usuários e Uberistas, decidiu baixar um decreto. Deu certo. Mas a tarifa dos aplicativos elevou-se um pouquinho, coisa de R$ 1,00 por corrida. 

Em Campo Grande há outra realidade estabelecida. O mercado de moto-táxi, táxi e aplicativos envolve cerca de 25 mil pessoas. O transporte coletivo, só para efeito de comparação, envolve cerca de 300 mil usuários. 

Muitos números desse sistema não são precisos. Tem muito chutômetro. Mas o fato é que se moto-táxi, táxi e aplicativos ficarem mais baratos o número de usuários, por exemplo, poderá chegar a coisa de 50 mil. 

Pelos cálculos que fiz será algo de 200 mil viagens por dia. Faz girar uma graninha razoável.

É o que os entendidos imaginam. 

Se esse artigo estiver errado cartas à redação, por favor.

Quando o prefeito exarou o decreto na sexta-feira passada criou-se uma polêmica: aqueles que concordam com algum tipo de regulamentação foi colocado no campo do "contra o Uber"; e aqueles que não desejam regulamentação nenhuma ficou como "a favor". 

Uma divisão equivocada. Mas ninguém pode fazer nada contra oportunistas que aparecem nesses momentos querendo tirar suas lasquinhas com proselitismo de quinta.

A questão tornou-se política, criando-se uma onda na rede contendo muita histeria e situações caricatas.

Gente que nunca usou Uber passou a defendê-lo por achar isso chic, fazendo pose de pessoa engajada,  de gente inteligentinha, alternativos de boutique. 

Parcela da esquerda - que nunca aceitou o mercadismo e a livre-iniciativa - engrossou a tropa de choque dos neo-liberais.

A direita insistiu na tese anti-regulação com um furor ideológico jamais visto, como se o Brasil não fosse um País tradicionalmente cartorial.

 Na verdade, a regulação, no caso, era uma tentativa de legalização de uma atividade para que  possa contribuir com erário, já que usa a estrutura urbana da cidade como seu mercado de trabalho. 

Centenas de países, inclusive nos Estados Unidos, estão fazendo o mesmo. Esse é o mundo. Ele não muda tão rápido quanto queremos nem da forma que sonhamos.

No meio do tiroteio descobri que existem vários aplicativos em Campo Grande, vários deles com  preços mais baratos que o Uber. 

Concorrentes do setor dentro da concorrência de um mercado escasso. 

Dá pra antever que os moto-táxis dentro em breve vão para o espaço e os cartéis de táxi terão que rever seus costumes, apesar do poder político que adquiriram nas últimas décadas.

Ou seja: o decreto criou uma nova realidade que, para o bem ou para o mal, terá que ser resolvida nos próximos meses. De meu ângulo de visão os usuários vão ganhar com o debate. 

Outro ponto interessante: os recursos arrecadados com os aplicativos numa faixa entre 25 a 28% são transferidos on line para os Estados Unidos, e uma outra parte vão para Minas Gerais porque 40% da frota dos aplicativos são de carros alugados com placa de Belo Horizonte. 

A economia local é pouco beneficiada, apesar de atender a necessidade da população. Essa é a polêmica de fundo.

O que fica para os motoristas locais é pouco, mas ajuda a reforçar a renda de muita gente. 

Apropriado ou inapropriado, o decreto da prefeitura levantou o véu diáfano de uma realidade clandestina que precisava ser discutida à luz do sol. 

Estou convencido de que nos próximos seis meses, quando esse debate for menos emocional, a sociedade vai perceber que a regulamentação foi benéfica não pelo conteúdo que propôs mas pela discussão que suscitou. 

Alguém questiona sobre as vantagens de tirar um tema das sombras e discutir tudo às claras?


Não há virtudes na miséria. Não sei se foi Churchill ou Balzac quem deu autoria a essa frase. Como escrevo de enfiada não vou pesquisa...


Não há virtudes na miséria. Não sei se foi Churchill ou Balzac quem deu autoria a essa frase. Como escrevo de enfiada não vou pesquisa no Google porque, como se diz, o tempo urge (também não me lembro o autor desse jargão) e é preciso jorrar algumas palavras nessa quarta-feira de cinzas, que é, de fato, a data inaugural do começo do ano no Brasil. 

A partir de agora a vida será de sangue, suor e lágrimas (essa é de Churchill), o que indica o fato de que o País vai pegar fogo nos próximos meses, trazendo pra fora sua cloaca e seus ressentimentos mais baixos. 

Com mais de 12 milhões de desempregados nas ruas, uma economia claudicante, uma política doidivanas, com os poderes da República vivendo cada vez mais uma realidade paralela, certamente não haverá respostas para tantas dúvidas que os brasileiros levantam para si e para outros nesse momento formidável em que a única vontade que dá é a de mandar parar o mundo porque queremos descer (também não sei quem inventou essa piada). 

Desconfio que a partir da semana que vem a Operação Lava Jato vai mandar prender gente nova, delações premiadas assombrarão o congresso e o executivo, o escândalo em torno da família Lula voltará à baila, e, por aqui, nesse nosso mundinho de Mato Grosso do Sul, temas incômodos ( prefiro não entrar em detalhes) fustigarão os corações e mentes dos grandes democratas que formam a base intelectual (ironia, ironia...) da República de Maracaju. 

Sim, meus amigos, março e abril serão meses cruéis.A sociedade está com raiva e, a qualquer sinal de coisa mal explicada, as teorias da pós-verdade entram em funcionamento para mostrar o quanto estamos podres nesses verão de 2017. 

Será preciso (parafraseando Kiko Cangussu) ter fígado de tungstênio para suportar a onda de maluquices que vem por aí. 

Não adianta tentar esclarecer as coisas conforme a lógica empírica. A maioria se julga esperta demais para explicações simples (tipo uma rosa é uma rosa é uma rosa, como lembrou Gertrude Stein) e sempre inventará uma conspiração mirabolante para chamar de sua. 

De meu ladinho - nos altos do Bairro São Francisco- , vou torcer para que possamos ter um final de ano melhor do que nos dois anos anteriores. 

Gostaria de entrar em 2018 com a espinha ereta e o coração tranqüilo (essa é do Walter Franco) para ajudar a fazer uma mudança na estrutura de poder de nosso Estado e do País. 

Não posso confiar em gente que, em quatro frases, consegue cometer seis erros de concordância verbal e nominal. Simples assim. Quem fala mal, pensa mal, não me representa, ainda mais se for rico a vida inteira e teve preguiça de estudar.

Volto ao começo. Se a crise se tornar mais profunda, os moralistas de fachada ganharão espaço. A mentira se transformará no fator emocional dos movimentos populares. A cena final daquele filme “Mad Max: a estrada da fúria” poderá ser uma metáfora perfeita de nossa vida. Ou seja: a virtude e a miséria serão apenas uma revelação de que, realmente, Jesus não tem dentes no País dos banguelas ( essa não vou dizer de quem é).  

Estou acompanhando essa questão ( ainda, ufa! ) sobre Uber X Taxi... Tenho aprendido muito. Já li sobre taxas, impostos, alvarás, cont...


Estou acompanhando essa questão ( ainda, ufa! ) sobre Uber X Taxi...

Tenho aprendido muito. Já li sobre taxas, impostos, alvarás, contratos, quilometragens e até - pasmem- acusação a ex -Presidente ( que perdeu meu voto, minha fé, minha admiração) de ser o proprietário da empresa Uber .

Mas o que mais tenho aprendido é que , inegavelmente, ainda é grande o número de pessoas de pensamentos formatados, enquadrados, sem conseguir extrapolar os entendimentos.

Uma das últimas escreveu que: "Sem dúvida, mudança de posição é de grande valia para a evolução do ser humano. Mas o que nos preocupa é o fato de um um gestor publicar um decreto sem avaliar antes suas consequências"...

Essa declaração, feita por um facebookeano, é , no mínimo estranha... Sempre pensei que todo gestor público ou privado é, antes de tudo, um ser humano, não é não?

E mais digo: em casos assim, o valor de mudar de posicionamento se ressalta muito mais, haja vista que sua atitude será avaliada por uma população inteira, diferentemente de um simples mortal.

É isso. Falei. Bom dia, gente bonita. Hoje é o último dia de Carnaval nesse meu Brasil varonil. Aqui em Campo Grande, tudo bonito, tudo lindo. Valu, Capivara Blasé e outros botando pra quebrar. Sigamos. Ano que vem, tem mais.        

*Pedagoga

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