O Correio do Estado publicou no dia 23 de setembro reportagem mostrando que o  Diário Oficial havia registrado o desembolso de R$ 300...


O Correio do Estado publicou no dia 23 de setembro reportagem mostrando que o Diário Oficial havia registrado o desembolso de R$ 300 mil para uma ONG criada pelo Deputado Paulo Corrêa.

A instituição tem o prosaico nome de "Onça Pintada"e é presidida por Rodrigo Costa Machado, chefe de gabinete do parlamentar. 

O blog repercutiu a notícia por achar que havia alguma coisa esquisitíssima nessa história. 

O deputado não se manifestou. Muito menos seu chefe de gabinete. 

O assunto morreu. 

Tirando o desgaste momentâneo da imagem de Corrêa  o tema não foi novamente explorado pela imprensa, sucumbindo ao silêncio sepulcral, como é de praxe em nossa terra. 

Agora, o Deputado Paulo volta à mídia com assunto ainda mais nebuloso, denunciado pelo site Midiamax (veja a notícia) e outros órgãos de imprensa, que mostra uma conversa gravada entre ele e o deputado Felipe Orro indicando claramente crime de prevaricação. 

A denúncia é tão grave que até a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MS) entrou no caso. Isso significa que ultrapassaram todos os limites.  

O deputado Paulo Corrêa (PR), nessa história, faz o papel de professor do nobre Felipe Orro (PSDB) ensinando-o como fraudar a folha de ponto de seus funcionários de gabinete. 

O áudio,  levado ao conhecimento geral,  é mais do que pedagógico. Mostra que o curso intensivo de malandragem na Casa Legislativa pode levar muita gente ao doutorado.

Devo dizer em favor de Corrêa que ele sempre foi um deputado bem articulado, pragmático, dedicado à sua carreira, cioso das relações institucionais como representante de várias regiões do Estado. 

Só acho que o acúmulo de denúncias acaba desmerecendo seu trabalho, denegrindo a Assembléia Legislativa e o governo que ele representa com muito afinco. 

A sociedade está mudando. Somar esses pecadilhos ao mandato poderá custar-lhe a eleição em determinado momento. O excesso de esperteza engole o esperto. 

Por isso, o distinto público merece uma resposta bem elaborada. 

Afirmar, como fez o deputado Felipe, de que se trata conversa mantida no ano passado não alivia.

Podia ter acontecido no século passado. 

Isso  não reduziria em nada a gravidade do fato.

Uma hora, deputado Paulo Corrêa, a "onça pintada" poderá voltar a beber água no mesmo lugar. 

Foi por essas e outras que tem muita gente importante dormindo na carceragem de Curitiba. 

Ambos os deputados não deviam confiar tanto na sorte.

Fiquem atentos. 


O PSDB não é um partido de direita. Usando esse critério, o partido tem as multifacetas dos espectros ideológicos da política brasilei...


O PSDB não é um partido de direita. Usando esse critério, o partido tem as multifacetas dos espectros ideológicos da política brasileira; mesmo assim, ainda considero que o tucanato ocupa o espaço concedido à social-democracia brasileira no que tange ao conjunto de seu pensamento teórico. 

Nesse sentido, o PT também é social democrata, assim como o PPS. As diferenças estão nos subgrupos que formam o conjunto da militância e das direções partidárias, que fazem uma mixórdia entre um liberalismo envergonhado e um socialismo de salão. 

No conjunto, o PSDB está cada vez mais destinado ao centro e à direita. 

Mas nos seus núcleos mais intelectualizados - com pessoas formadas pelos ideais libertários de 68 e contrários à ditadura militar, especificamente no caso do Brasil - ainda há a defesa teórica de um modelo de capitalismo com forte presença regulatória do Estado para garantir equilíbrios das demandas sociais, principalmente numa sociedade atrasada como a brasileira. 

Num mundo ideal, partidos como PSDB, PT, PDT, PPS, PSB e parcela do PMDB poderiam formar uma só agremiação, refletindo um conjunto ideológico abrangente que pudesse criar uma agenda consistente de mudança histórica no Brasil. 

Seria um partido de centro-esquerda à brasileira, mas que, em momentos específicos, contemplaria o centro e a direita nos chamados grotões nacionais. 

Sei que é muito complicado pensar ideologicamente a política brasileira, dada a diversidade e desigualdade regional, mas seria útil que existisse algum tipo de programa básico unificador para estabelecer linhas programáticas que pudessem dar outro tipo de eficácia ao Estado brasileiro, nos libertando do populismo e do patrimonialismo. 

Dito tudo isso - ainda é pouco, mas vá lá - o PSDB de Mato Grosso do Sul padece dos problemas gerados pelo macrocosmo de nossa política, e que acrescenta os defeitos do microcosmo, qual seja, a de ter uma direção de direita com fortes pendores do coronelismo do século XIX. 

O núcleo mais à esquerda, ou social-democrata - chamada também de "históricos" - além de ser minoritário dentro do partido, terminou aceitando os erros políticos da chamada "República de Maracaju" porque foram atraídos pela máquina fisiológica do governo, ou porque temem represálias diretas porque perceberam que o comando faz um jogo bruto com quem tem pensamento divergente. 

Ou seja, a RM manietou e obscureceu o senso crítico exercido por aqueles que poderiam ajudar a vitalizar o PSDB com relações democráticas do ponto de vista interno. Quem pia fora do ninho, não somente é perseguido, como passa a ser hostilizado na extensão de suas relações familiares e de amizade dentro do Governo. 

Vozes como de Leonardo Nunes da Cunha, Ruben Figueiró, Marisa Serrano, Eurídio Ben Hur (egresso do PT), Ricardo Senna, Eduardo Riedel etc, etc, encolheram-se diante da brutalidade política dirigida por capitães do mato que hoje dominam o partido. 

Reinaldo e Márcio Monteiro, mesmerizados pelas ilusões do poder, perderam o contato com a realidade e acreditam na política provinciana dos pequenos acertos, das fofoquinhas das rodas de tereré, do desprezo abissal pelas opiniões diferentes, arrastando, assim, quase todo o partido para a prática do atraso, da ignorância presunçosa e da direita primitiva de traços fascistas. 

O resultado é o que se vê: a sociedade está enviando sinais de que não está gostando do que está vendo. 

Será que a "República de Maracaju" - que, esclareço aqui, não se trata de referência a um lugar do nosso mapa geográfico e sim a um aspecto de nossa cartografia mental - não conseguirá revolver as suas próprias entranhas e se reinventar nos próximos dois anos? 

A maioria dos analistas duvida. 

Eu espero pra ver. 

Esse blog, em cinco meses de existência, já completou 1,2 milhão de vizualizações. Nos últimos tempos, temos tido de 30 a 40 mil acesso...


Esse blog, em cinco meses de existência, já completou 1,2 milhão de vizualizações. Nos últimos tempos, temos tido de 30 a 40 mil acessos diários. 

Isso sem propaganda, sofrendo ataques virtuais, apenas com a ajuda de colaboradores espontâneos e amigos do peito, gente corajosa como Pedrinho Mattar, Alexsandro Nogueira, Landes Pereira, Paulo Cabral e outros. 

Como sou jurássico, no Facebook não consigo dimensionar a repercussão do que escrevo. Só sei que com um aparelho celular e um computador mexi com o coração de muita gente, para o bem e para o mal. 

Meu único instrumento de trabalho é a minha cabeça. Carrego com ela minha experiência e meus conhecimentos livrescos (sou autodidata). Tenho sorte: uma boa memória e uma biblioteca bem fornida. 

Aprendi uma coisa importante na vida: ouvir mais do que falar. Cada interlocutor é um universo a ser explorado e desvendado. Não sou dono da verdade, apesar de às vezes parecer o contrário.

Obrigado meus leitores. Vamos continuar navegando. É preciso.


Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo: Tenho uma irmã oito anos mais jovem. Logo que ela se formou, sugeri que tirasse um...


Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo:

Tenho uma irmã oito anos mais jovem. Logo que ela se formou, sugeri que tirasse um tempo para viajar sozinha, de mochila, quem sabe estudar outra língua, trabalhar de garçonete, se virar longe da família, dos amigos, em outro país. Em minha cabeça, o plano era perfeito. Seria ótimo para sua formação, ela vai crescer como pessoa e como mulher. "Sua irmã não é você", disse minha mãe.

É isso. As mulheres não têm os mesmos sonhos, não querem viver da mesma forma, não se encaixam no plano de vida que a gente tem, por mais bem intencionado que ele seja. Lembrei que eu mesma desagradei pais, namorados, amigos, chefes de trabalho por insistir em ser o que eu queria. Ou ao menos tentar da forma que podia ser a mulher que estava ao meu alcance.

Saí de casa cedo, pedi demissão incontáveis vezes, casei, descasei, casei mais tarde do que a maioria, não tenho filhos, mudei de cidade, mudei de novo, pago minhas contas, sou absolutamente dona do meu nariz. O meu diploma de feminista foi conquistado na vida, graças ao caminho aberto por outras mulheres e graças às minhas escolhas. Devo muito ao feminismo. Por causa dele sou a mulher que quero ser e sou feliz com minhas escolhas. Isso não significa que todas deveriam se espelhar em mim. Cada um, cada um.

É com espanto que semana sim, outra também, me deparo com lição de moral em textão que se propõe a exaltar a emancipação da mulher, condenando o tipo bela-recatada-do-lar. No fundo, é só arrogância para defender um único modelo: o que as autoras resolveram eleger como legítimos símbolos da mulher moderna. Quem não se encaixa não serve.

Vamos nos unir para ter mais igualdade? Sim. Vamos nos unir contra a violência? Sim. Vamos nos unir para garantir nossos direitos? Contem comigo. Mas não venham legislar sobre a forma como as mulheres devem viver, usando o cínico verniz da defesa de um bem maior. Estão dispensadas.

Espanta que a decisão de muitas mulheres de não trabalhar, cuidar da casa, dos filhos, vestir-se de camponesa, viver à sombra do marido, torrar o dinheiro em shoppings ou nos consultórios dos dermatologistas, não apenas seja vista como menor, menos nobre, mas seja totalmente condenado. E por quem? Por outras mulheres. É isso que me espanta.

É esse feminismo que queremos? Um feminismo que segrega, que critica, que nos impõe mais regras? O feminismo que prega que o lugar de mulher é onde ela quiser, desde que seja onde esse feminismo determina?

Não, obrigada.

Desde que participei de um bate-papo com uma dessas moças que coloca "feminista" no currículo, no business card, no perfil do Tinder, percebi que parte do movimento tinha tomado um caminho perigoso. Eu e essa moça temos várias opiniões diferentes. Ela, por exemplo, acha que os homens têm de calar a boca quando uma mulher fala. Eu acredito que o feminismo precisa do apoio deles. Ela posa de defensora da liberdade feminina, mas teria me amordaçado, se pudesse.

Não é à toa que tem mulher fugindo do rótulo de feminista, inclusive aquelas que levam suas vidas de acordo com as diretrizes básicas da cartilha.

Espanta que algumas ativistas de hoje joguem o mesmo jogo do patriarcado, de ditar regras e condenar quem não as segue. Não é porque haja por aí dondocas desmioladas, princesas acasteladas, que estamos retrocedendo.

Espanta esse alarmismo de que caminhamos para o passado. Damos importância demais a "escolas de princesa" e todas as bizarrices relacionadas, como a de educar as meninas para o casamento. A educação para o casamento sempre existiu e continua firme e forte em nossas igrejas pentecostais. Mas é só olhar para qualquer estatística do IBGE para saber que as mulheres estão casando cada vez mais tarde ou nem casando.

Me preocupa muito mais a quantidade de adolescentes pobres, grávidas, sem assistência, com o futuro comprometido por falta de políticas públicas do que algumas dezenas de mulheres brincando de boneca, mandando suas filhas (coitadas) para essas escolas de princesas. Essas meninas, bem ou mal, têm mães presentes. Se essa mães acham isso bacana, apenas lamento. Vida que segue.

Espanta nessa ode à defesa dos direitos conquistados que a mesma mão que bate em Marcela não bate em Marisa, tal qual primeira-dama decorativa, mergulhada até o nariz numa mistura mal-ajambrada de botox e preenchimento facial, mulher de político, que vive numa gaiola dourada e, tal qual Marcela, somente isso.

Tivemos uma primeira-dama antropóloga, engajada em causas sociais desde muito antes de ser sombra de presidente, e nem por isso as faculdades de antropologia se encheram de mulheres inspiradas por ela, que é sempre esquecida nesses discursos, que se revelam críticas mais políticas do que sociais.

Marcela não me representa. Angela não me representa. Maria não me representa. Joana não me representa. Eu me represento. Já é bem difícil, nenhuma mulher adulta precisa de outra dizendo o que é certo ou errado.

De que adianta me livrar do patriarcado para ter no meu cangote a patrulha de mulher dizendo o que e como devo ser? Só digo uma coisa: não passarão. 

*Jornalista

Rose Modesto foi derrotada nas urnas protagonizando uma das campanhas mais sórdidas e caras da história da cidade.  Cometeu todos os er...


Rose Modesto foi derrotada nas urnas protagonizando uma das campanhas mais sórdidas e caras da história da cidade. 

Cometeu todos os erros possíveis que uma candidata com poder e máquina podiam ter cometido. 

Foi cínica, cruel, arrogante, mentirosa, cometeu abusos inomináveis, tudo para conquistar o poder, fazendo acordos pouco republicanos com setores empresariais, enfim, fez a luta livre na lama do jogo eleitoral, acreditando que a política era a mesma de tempos atrás, sem imaginar que a sociedade tem uma dinâmica intrínseca de mudança que, certamente, nem ela nem seus marqueteiros captaram. 

Pedir que Rose faça autocrítica seria demais. Sua percepção do mundo é demasiadamente estreita. Quem fala errado pensa errado. Quem diz que se formou historiadora e não consegue na prática compreender a dialética da realidade perdeu tempo na vida e deseducou seus alunos. 

Certamente, ela voltará a ser a mesma vice-governadora de sempre: buscará um carguinho para ter visibilidade, praticando a política miúda que sabe fazer, envolvendo-se com a mesma turminha que lhe fez a ruína, sem conseguir desvencilhar-se de velhos hábitos porque não tem grandeza nem inteligência para isso. 

Certamente, Rose Modesto terá tempo para pensar na vida. Provavelmente, imaginará a que cargo eletivo poderá se lançar em 2018. 

Até poderá eleger-se a alguma coisa (seu curral eleitoral poderá garantir esse espaço), mas sua alma estará vagando por aí, com as marcas deixadas por uma disputa em que ela até poderia perder, mas sair engrandecida, embora ela tenha preferido partir para o jogo bruto e sair moralmente derrotada. 

Triste. Mas esse é o preço que se paga quando o erro mistura-se à arrogância, e a ambição desmedida conjura-se com as ilusões do poder. 

Tchau, querida.

As últimas pesquisas divulgadas pelo IPEMS, Datamax e Valle estavam corretas: Marquinhos Trad venceria com uma diferença entre 17 a 20 ...



As últimas pesquisas divulgadas pelo IPEMS, Datamax e Valle estavam corretas: Marquinhos Trad venceria com uma diferença entre 17 a 20 pontos percentuais de Rose Modesto. Confirmou-se. 

O IBOPE e outras pesquisas fakes erraram. Houve algo esquisito por aí. A história um dia vai contar. 

Os números exatos divulgados pelo TRE-MS foram 58,7% dos votos válidos contra 41,2%. Houve 22% de abstenção e 7,95% de nulos e 3% de brancos. 

A vitória de Marquinhos lhe concedeu uma diferença de mais de 72 mil votos de diferença. 

Por traz da frieza dos índices existe uma realidade a ser analisada. Ao longo dessa semana é que vamos fazer. 

Primeiro, que a derrota de Rose Modesto não foi algo trivial. Junto com ela perdeu a máquina do poder, ou seja, a mídia, os poderes (Assembléia Legislativa, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça e Ministério Público), o Governo do Estado e a força pesada da grana. 

Essa conta precisa escrutinada pela ótica da ciência política e pela sociologia dos fatos.

Olhando por alto, o eleitorado de Campo Grande - como foi inúmeras vezes publicado por esse blog - criou uma rejeição orgânica pelo mandonismo de base coronelista e contra a hegemonia brutalizada do tucanato na versão imposta pelo capitão do mato Sérgio de Paula. 

Em determinado momento da campanha, Rose não lutava mais contra um adversário político e sim contra um sentimento. Deu no que deu. 

A partir de agora, Marquinhos tem que fazer uma transição eficiente e não cometer o mesmo erro que Azambuja, ao montar em 2014 um entorno de quinta categoria. 

Ele tem a chance de fazer diferente. A campanha mostrou que Trad avançou no entendimento do processo político e na diversidade de uma sociedade como a campo-grandense. 

Veremos como consegue fazer isso na prática. A população estará atenta aos seus primeiros movimentos. 

Suas primeiras entrevistas foram satisfatórias. Ele mostrou clareza e espírito desarmado. Não tripudiou sobre os vencidos. Bom sinal.

A primeira impressão é a que fica. Ele não pode errar. A cidade depositou todas as esperanças na sua ficha política, mesmo com todas as denúncias e baixarias de campanha. 

No fundo, o resultado eleitoral de hoje indica qual será o prenúncio de 2018. 

Se Azambuja continuar cometendo os mesmos erros, se continuar fechado em torno de seu pequeno grupo ( a famosa "República de Maracaju") e mantiver a mesma prática autoritária e com as mesmas escorregadas éticas, verá crescer uma oposição fortificada que lhe apeará do poder na próxima rodada eleitoral.

Quem viver, verá.

Recebo de amigos um post feito pelo jornalista Antônio João Hugo Rodrigues em sua página no facebook.  A vida ensina que não devem...


Recebo de amigos um post feito pelo jornalista Antônio João Hugo Rodrigues em sua página no facebook. 

A vida ensina que não devemos nos surpreender com os baixos instintos humanos. Infelizmente, a tecnologia das redes sociais é capaz de transformar pessoas em monstros em momentos de disputas políticas. 

Quem ler a mensagem que A.J publicou em sua página compreenderá a extensão da coisa. 

Tanto ele como eu repudiamos essa tentativa de jogar um contra o outro, mesmo porque divergimos mais do que convergimos em vários assuntos, mas mantemos uma relação respeitosa e civilizada há mais de 20 anos. 

Devo confessar que fiquei surpreso com a capacidade de agentes políticos espargirem suas maldades e rancores nessa hora de definição dos rumos da cidade. 

Acredito - assim como Antonio João - que o momento é de grandeza e não de rebaixamento. 

Lamento por aqueles que creem que a arte de intriga possa funcionar com pessoas perspicazes e experientes.  


( Reparem na legenda da primeira notícia sobre pesquisa Ibope) Há uma onda de informação e contrainformação de pesquisas de opini...


( Reparem na legenda da primeira notícia sobre pesquisa Ibope)


Há uma onda de informação e contrainformação de pesquisas de opinião espalhando-se por Campo Grande desde ontem.

A campanha de Rose Modesto - conforme foi adiantado pelo blog no começo da semana - adotou como estratégia a difusão da ideia de que a disputa estava empatada.

Fora desse universo, as redes sociais encetam a campanha mais suja e controversa de todos os tempos.

Primeiro, difundiram uma pesquisa falsa mostrando que Rose havia passado à frente utilizando o apresentador Tatá Marques. O mercado publicitário e jornalístico da cidade está perguntando até agora quanto isso está custando para o Governo.

Desde ontem, a pesquisa Ibope divulgada pela Rede Globo tem gerado mais confusão do que esclarecimento. No programa Globonews em Pauta o jornalista Gerson Camarotti apresentou os números: Marquinhos 55% e Rose 37%. Uma diferença de 18 pontos. (veja foto).

Minutos depois, em outro programa a jornalista Renata Lo Prete, já mostrava outro resultado. Marquinhos 55% e Rose 45%. Diferença de 10 pontos.




(O que aconteceu com a notícia anterior? A Globonews e o Ibope alteraram os números?)

No site G1 a divulgada a mesma informação, desconsiderando a notícia dada anteriormente. O Ibope não esclareceu a confusão.

Mais tarde, posts no whatsapp, começaram a mostrar gráficos falsos, inclusive mostrando uma pesquida do Datafolha em que havia empate entre Rose e Marquinhos. O Datafolha não realiza pesquisa na Capital de Mato Grosso do Sul.

No final da tarde o site Midiamax divulgou pesquisa mostrando Marquinhos com 58,9% e Rose com 41,1%. Diferença: 17,8 pontos.


A confusão midiática é tanta, com números controversos e especulações infundadas, que o Jornal Correio do Estado decidiu antecipar em seu site há poucos instantes a publicação de pesquisa que, tradicionalmente, publica no dia da eleição.

A do Ipems do segundo turno, indica Marquinhos com 60,17% das intenções dos votos válidos e Rose com  39,83%. A vantagem de Marquinhos seria de 20,34 pontos porcentuais.



Enfim, somando todos os levantamentos relevantes das últimas 48 horas, a hipótese mais provável é a vitoria do candidato do PSD, Marquinhos Trad

Sei que comentar debate televisivos, principalmente numa eleição emocionalmente polarizada, pode-se abrir espaço para a parcialidade, mo...


Sei que comentar debate televisivos, principalmente numa eleição emocionalmente polarizada, pode-se abrir espaço para a parcialidade, motivada sobretudo pela simpatia que se pode ter, eventualmente, por um ou outro candidato. 

Nosso cérebro tende a ver qualidades em quem preferimos e defeitos em quem não gostamos. 

Há sempre uma pergunta final: quem venceu o debate da TV Morena na noite passada?.

Se já decidimos votar num dos candidatos sempre vamos dizer que foi ele quem ganhou. Isso é natural. A neutralidade é derrubada pela escolha prévia ditada pela decisão já tomada. 

O debate, enfim, nesse caso, torna-se instrumento útil para os indecisos ou para aqueles que estão com vontade de abster-se ou indicar voto nulo ou branco. 

Digamos que o candidato de minha preferência cometeu gafes, falou errado, mostrou fragilidade e desconhecimento administrativo, foi agressivo e arrogante, pisou na bola, engasgou e, nos questionamentos mais duros, saiu pela tangente. 

Se eu gosto dele, nada fará mudar meu voto. Desconsidero as falhas e sigo em frente. O córtex cerebral minimiza erros e diz para a minha vontade que nada me fará mudar.

Por isso, devo confessar que me encontro numa posição desconfortável ao analisar esse debate sob a ótica da escolha de um dos candidatos. 

Vou fazer diferente: prefiro compreender como o debate nos ajuda a se posicionar em relação a Rose e Marquinhos. 

Se estivéssemos numa sala de estudo de uma universidade, naqueles famosos laboratórios de estudo de comunicação, e repetíssemos o debate várias vezes para analisá-lo, veríamos Rose Modesto nervosa, meio abatida, incomodada, meneando o corpo a cada resposta, como se vivesse um momento muito ruim em sua vida. 

Se tirássemos o som do vídeo seu corpo falaria mais do que suas palavras. Ela estaria expressando desespero e dor, com o rosto em contração, olheiras fundas, apelando para a nossa complacência diante do peso que o momento lhe exigia. Quem quiser comprovar minha tese, basta ver o replay. 

Rose estava mal vestida , usando um jeans e um salto alto que não combinavam entre si, uma blusa branca e um terninho rosa que expressava certo desleixo. Melhor não falar dos cabelos, pois, decididamente, ela não deve ter um Celso Kamura a lhe auxiliar. Tudo bem, Rose não é vaidosa, mas a ocasião exigia um pouco mais de cuidado com a aparência. 

Marquinhos, ao contrário, mesmo com 54 anos, parecia um menino, jovial, seguro de si, vestindo informalmente, falando coisa com coisa, raciocínio reto, tranquilo e respeitoso, mesmo nos momentos mais duros. 

Sua expressão facial denotava senso de vitória, seus argumentos eram convincentes, suas respostas tinham lógica, mesmo quando os fatos questionados pela adversária indicavam que ele estava nas cordas.

Debates como esses não são feitos para apresentar soluções para a cidade. A vida é mais complexa do que isso. Ninguém sabe como vai encontrar a máquina da prefeitura; por isso, apresentar propostas e fazer promessas são investidas inócuas. Mesmo que sejam importantes. Mas isso é apenas tangencial.

O ideal seria que cada candidato firmasse alguns compromissos com a cidade: rigor contra a corrupção, não gastar mais do que arrecadar e não dar espaço ao patrimonialismo. O resto seria apenas detalhes ou consequência de processos mais amplos.

Quem assistiu ao debate sabe que a pauta concentrou-se na personalidade, história e reputação dos concorrentes. Nos três quesitos, no meu modo específico de ver, ambos se saíram mal ao olhar moralista e moralizador dos telespectadores. 

Só que Rose se saiu pior porque o conjunto de sua obra - hegemonia, tráfico de influência, acordos políticos nebulosos, relacionamentos não confiáveis, abuso de poder, oportunismo etc, etc - não sinaliza na direção dos bons caminhos da chamada "nova política". 

Marquinhos Trad, mesmo com todas as suas contradições e problemas, indica alguma chance de administração republicana e eficiente até porque o debate mostrou que ele fez um aprendizado de campanha que Rose não conseguiu fazer. 

A questão da compra de votos que se espraiou pela cidade é essencial para essa compreensão. 

Marquinhos entrou nesse processo eleitoral espargindo desconfianças imensas sobre seu conservadorismo religioso, sobre sua conduta política (para muitos demagógica), sobre seu temperamento mercurial (o que o remete a comparações com Alcides Bernal), mas está saindo dele com outra imagem: um político maduro, alguém que sabe fazer concessões ideológicas, que sabe endurecer sem perder a ternura, enfim, um candidato muito mais preparado do que sua adversária para administrar Campo Grande. 


A Polícia Federal prendeu hoje no final da tarde (18 horas e 25 minutos) três pessoas no bairro Dom  Antônio Barbosa em Campo Grande.  ...


A Polícia Federal prendeu hoje no final da tarde (18 horas e 25 minutos) três pessoas no bairro Dom  Antônio Barbosa em Campo Grande. 

Elas estavam se preparando para uma reunião na residência de uma líder de bairro. De acordo com informações da PF elas informaram que iam comprar 70 votos a R$ 250 cada um. 

Várias denúncias estão sendo feitas em toda a cidade. Cabos eleitorais de Rose Modesto estão oferecendo dinheiro para eleitores em todos os pontos da cidade. 

Trata-se de algo jamais visto numa eleição da Capital. 

Sempre houve aliciamento e compra de votos. Mas da maneira despudorada e acintosa como se vê nas ruas é a primeira vez. 

O Procurador Federal Eleitoral do Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul,Pedro Paulo Grubits, recebeu ontem várias denúncias a...


O Procurador Federal Eleitoral do Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul,Pedro Paulo Grubits, recebeu ontem várias denúncias apresentadas pela Direção do Partido da República Progressista (PRP) registrando, com gravações e mensagens de whatsap,  coação de eleitores de baixa renda em favor da candidatura de Rose Modesto (PSDB). 

De acordo com o documento, a primeira investida da campanha tucana dá conta de que vários funcionários públicos do governo do Estado, utilizando o nome de Marquinhos Trad, tentaram simular um flagrante de compra de votos, com vistas a criar um fato midiático. Não deu certo. 

Uma gravação de áudio entre funcionários do CEINF Marta Guarani registra uma chamada telefônica de Maria Jesus de Souza (fone 99266-123). 

De acordo com a denúncia "Maria afirma que foi procurada pessoa ligada a Rose Modesto, mas que afirmou falsamente que estava a serviço de Marquinhos para comprar votos de eleitores". Ela confirmou a denúncia junto ao Ministério Público.

Uma outra gravação mostra a ingerência de Thiago de Freitas Santos, Subsecretário estadual de Políticas Públicas e da Juventude (SEDHAST), orientando uma das coordenadoras do programa Vale Renda. Ele explica que o trabalho seria voltado para famílias que recebem o benefício, avisando que estaria entregando o cadastro e os endereços dessas pessoas. 

Thiago, também conhecido como Thiaguinho da Farmácia, orienta a coordenadora a formar um grupo de funcionárias e fazer a seguinte abordagem às famílias de baixa renda: determinando que avise aqueles que não votaram em Rose Modesto no primeiro turno perderão o benefício caso votem no candidato adversário.

De acordo com o documento do PRP (veja fac-símile abaixo) a estratégia eleitoral era de fazer 30 visitas diárias, pegando e anotando os títulos de eleitores dos beneficiários do Vale Renda, afirmando que com isso era possível saber em que eles votariam. 

De acordo com a Direção do Partido da República Progressista, a denúncia está totalmente documentada com provas irrefutáveis. "Essa é uma prática que solapa a democracia e mostra como o Governo aposta na perpetuação da pobreza como forma de se manter no poder". 

Veja documentos da denúncia






Circula pela internet, em um número cada vez mais expressivo de comentários e páginas, a pretensiosa genialidade de Belchior, como uma ...


Circula pela internet, em um número cada vez mais expressivo de comentários e páginas, a pretensiosa genialidade de Belchior, como uma variante da expressão "fundo do poço", que demonstra a que ponto chegamos em se tratando de estágio cultural do brasileiro. 

Desmistificar essa história passou a ser um serviço de utilidade pública, contra aqueles que querem transformar o artista em mito, muito mais pelo seu folclórico sumiço do que pela sua capacidade autoral.

Tudo indica que a construção dessa mitologia ao compositor nasceu na imaginação de algum fã oriundo da imprensa, cujas as intenções talvez fossem apenas humorísticas, antes de ganhar adeptos pelo Brasil. 

A idolatria a Belchior ganhou força a partir de 2009, quando o cantor foi visto pela última vez como um poeta errante vagando pelo hemisfério sul. Naquela época, emissoras de TVs vasculharam o país à procura do artista ou atrás de respostas para explicar o desaparecimento repentino do cantor. Vale lembrar que antes disso, o bigode padecia do esquecimento da mídia, sobrevivendo com meia dúzia de shows mensais.

Desde John Lennon convivemos com essa praga das celebridades que aumentam seu capital de credibilidade quando decidem dar um tempo ou encerram a vida artística. 

Na década de 1970, o ex-Beatle viu a fama aumentar e seus discos dobrarem as vendas depois que deixou os palcos e os holofotes para se dedicar exclusivamente a paternidade do filho Sean.

Belchior não tem o mesmo prestígio de Lennon, nem a mesma capacidade criativa de colocar em uma melodia o sentimento de uma geração carregada de sonhos e frustrações. E para efeito comparativo, ganhou muito mais notoriedade pelo seu desaparecimento do que pelo conjunto da obra.

Na semana em que Belchior completa setenta anos, o caderno de cultura do Estadão faz espuma na internet e ressuscita a lenda da genialidade do cantor, alegando que fluência em idiomas, predileção por física quântica e curiosidade literária são predicados suficientes para alçá-lo da condição de artista mediano para o status de genial. Vá entender esses jornalistas.

De meu lado acho Belchior um personagem simpático. Um maluco beleza. Ou melhor, a versão voz anasalada de Raul Seixas e que cuja maior contribuição para a música brasileira foi emprestar a canção “Como Nossos Pais” para Elis Regina consagra-lá em uma interpretação memorável. Acho que tá de bom tamanho para ficar na história.


*Jornalista. Campo Grande-MS

Jornalista da cúpula da TV Morena entra em contato com o blog e explica que a jornalista Lucimar Lescano "não obedece o que a dire...


Jornalista da cúpula da TV Morena entra em contato com o blog e explica que a jornalista Lucimar Lescano "não obedece o que a direção manda". 

Segundo a nota enviada por whatsapp ele afirmou que "as questões abordadas na entrevista (com os candidatos) são discutidas por um núcleo criado sempre nas eleições".

Mais: "nenhuma decisão é individual e quem participa são somente profissionais do jornalismo. A direção administrativa não participa e nem interfere".

Comento a nota: nesse aspecto, o caso torna-se mais complicado porque os profissionais de imprensa, deliberadamente, fizeram a opção por uma das candidaturas, rompendo com o critério de neutralidade que o momento exige de uma emissora de TV.

Se os coleguinhas estudaram os Meios quentes e Meios Frios de Marshall McLuhan, conceito que foi criado para distinguir as mídias de acordo com o grau de participação que exigem das pessoas que as consomem, sabem que a TV ( Meio Frio) exerce influência poderosa sobre as pessoas, não permitindo, na maioria das vezes, mediação crítica.

A diferença de tom, perguntas, postura cênica de Lucimara Lescano nas duas entrevistas mostrou que o jornalismo da Morena fez uma opção política. 

Na minha opinião, Lescano tem toda a liberdade para fazer isso como cidadã e profissional.

Não crítico. Todos fazemos isso. Mesmo assim, uma coisa é escrever um artigo no jornal ou nas redes sociais apoiando um candidato, outra é comandando entrevistas políticas num canal televisivo sob o manto de uma suposta "neutralidade entre os dois lados".

Insisto: vejam as duas entrevistas e comparem. Se os critérios do jornalismo da TV Morena foram pautados pela isenção e tudo foi disxutido por um núcleo, então não sei o que estou fazendo nesse mundo.

O governador Reinaldo Azambuja está cogitando reduzir, na boca do caixa, o repasse de ICMS para Campo Grande num valor da ordem R$ 3, ...


O governador Reinaldo Azambuja está cogitando reduzir, na boca do caixa, o repasse de ICMS para Campo Grande num valor da ordem R$ 3, 5 milhões até o fim do ano. 

A informação começou a ser veiculada na tarde de ontem na governadoria, mas não foi confirmada por técnicos da secretaria da Fazenda. 

O que se sabe é que Azambuja concluiu de que se não fizer essa pedalada que atingirá vários municípios - com redução de repasse de maior valor para a Capital - terá dificuldades de fechar as contas esse ano, principalmente efetuar o pagamento do 13º salário do funcionalismo. 

Politicamente, a decisão - caso seja confirmada hoje - indica que a eleição de Rose Modesto deixou de ser prioridade. Seria o primeiro sinal de que a República de Maracaju "jogou a toalha". 

O ambiente deverá ficar tenso no Governo nas próximas 48 horas.

O governador pretende concentrar esforços para equilibrar o caixa nos próximos meses, concluindo, com isso, que dispender mais recursos para ganhar as eleições será um esforço inútil, sobretudo depois das últimas pesquisas internas e externas. 

O prefeito Alcides Bernal parece não ter sido comunicado da decisão. Certamente, ele tomará conhecimento da medida no decorrer dessa semana, devendo se manifestar sobre o fato. 

Caso haja a redução de repasse a impressão será a de que o governador, em função de uma questão econômica de fundo político, cometerá uma "vingança" com a população de Campo Grande.  

Ele não pretende correr esse risco e, certamente, tentará negar que tal medida seja tomada. Mesmo assim, agentes políticos estão interpretando que se isso acontecer Azambuja será acusado de "chantagem" e "terrorismo mesquinho". 

Mesmo assim, a informação verdadeira dificilmente será contida até o próximo domingo, mesmo porque não há segredo que se mantenha intacto quando compartilhado com várias pessoas.

A ficha funcional do vereador do PSDB, Lívio Viana Leite, não o credencia para  fazer denúncias contra ninguém.  Seu histórico como...


A ficha funcional do vereador do PSDB, Lívio Viana Leite, não o credencia para fazer denúncias contra ninguém. 

Seu histórico como funcionário público da esfera federal e estadual é um verdadeiro prontuário de negligência, imperícia e imprudência.

Sua vida profissional começa como médico perito do INSS. Em abril de 2015 deixou de comparecer ao emprego e entrou com processo de pedido de cedência com ônus para a origem no Governo do Estado.  

A solicitação foi indeferida pelo Ministério de Previdência Social, mas ele ficou sem comparecer ao trabalho durante quatro meses enquanto o processo corria. Recebeu todos os salários sem trabalhar. 

Depois pediu vacância do cargo. Mas não devolveu o dinheiro recebido. 

Logo em seguida, assumiu o cargo de médico-legisla na Secretaria de Justiça e Segurança pública do Estado, local onde não se registra seu comparecimento, visto que não existem exames ou laudos assinados por ele nessa fase de sua vida funcional. 

Servidores do órgão revelam que Lívio nunca prestou serviço na Sejus-MS. Há revolta contra ele por se tratar de - como dizem por lá - "mais um oportunista a sugar recursos públicos".

Paralelamente, Lívio assumiu o cargo de Secretário-Adjunto da Saúde do Estado, acumulando funções, de acordo com informações obtidas no site transparência. Ele podia expor esses vencimentos para o público pagante. 

Em dezembro de 2015, ele assumiu a vaga de Delei Pinheiro (PSD) e se tornou vereador em mandato-tampão. Num ato demagógico, declarou que ia doar o salário para uma instituição social. Ele nunca mostrou qualquer documento de que efetivou o ato. 

A vida funcional do vereador eleito pelo PSDB Lívio Leite é um mistério. Os registros oficiais dizem uma coisa, sua atividade diária parece ser outra. Com isso, ele vai ganhando polpudos salários fingindo que trabalha. 

Seus ganhos mensais - os valores que podem ser apurado com documentos - ultrapassam R$ 25 mil. 

Integrante da "bancada do Sérgio de Paula", Lívio leite é um dos três porquinhos do triunvirato mais estridente do próximo mandato da Câmara de Campo Grande, juntamente com André Salineiro e João César Mattogrosso. 

A diferença entre eles é que Lívio já chega na Casa assombrando.


No jornalismo da TV Morena, a jornalista Lucimar Lescano faz o papel de dama de ferro. Nessa semana, ela entrevistou os dois candidatos...


No jornalismo da TV Morena, a jornalista Lucimar Lescano faz o papel de dama de ferro. Nessa semana, ela entrevistou os dois candidatos à prefeitura de Campo Grande.

Cada entrevista durou 8 minutos. No site G1 podemos assistir várias vezes as perguntas e respostas dos candidatos Rose Modesto e Marquinhos Trad sob a batuta de madame Lescano.

Estudantes de jornalismo e o público geral deviam assistir ao material e ver o que significa, com todas as letras, o que é e como se apresenta um jornalismo parcial, enviesado, torcido, e como o interesse da empresa se sobrepõe sobre o interesse da imprensa.

As entrevistas fornecem um excelente estudo de caso sobre o que significa "jornalismo chapa branca".

Na terça-feira, dia 25, foi a vez de Rose Modesto.

No bloco de entrevista, Lescano, vestindo uma blusa branca, com rosto sereno, mostrou-se branda e cordata com a candidata tucana. 

Nenhuma pergunta crítica, só pauta positiva.

O questionamento voltou-se na maior parte do tempo para propostas de Rose, que pode repetir à vontade as palavras gestão, eficiência, mudança etc.

Em nenhum momento, Lescano criou possibilidade da tucana ficar incomodada; enfim, ela podia se sentir em casa, com uma jornalista cordial, aderente e simpática.

No dia seguinte, quarta-feira, dia 26, foi a vez de Marquinhos Trad.

Lescano vestia preto. Estava de cenho fechado, sombria, com a faca nos dentes. Abriu a entrevista num tom crítico, perguntando sobre a aliança de Marquinhos com o prefeito Bernal. E tascou a pergunta: "para ganhar a eleição vale tudo?".

A partir daí, abriu as portas do inferno com pauta variada: coffee break, cargos comissionados funcionário fantasma na Assembléia Legislativa, enfim, pauta negativa até o fim.

Marquinhos fingiu-se de morto e respondeu o quis, tentando desvencilhar-se do tiroteio.

Ou seja: duas entrevistas com dois padrões de comportamento totalmente opostos. Uma vergonha. 

Me informam que Lescano não formula perguntas e sim faz aquilo que é determinado pela Direção da empresa, previamente combinada com os editores de jornalismo da TV.

Mais: que ela apenas empresta sua imagem, servindo de boca de aluguel para fazer as perguntas que a emissora deseja.

E menos jornalista e mais apresentadora. Não é o que parece. 

Fico pensado: não seria melhor contratar uma boneca inflável para fazer esse papel?

Lamentável.

Quem vive de jornalismo entende: a boa notícia é a ruim . A Folha de São Paulo publicou hoje reportagem com a seguinte manchete: "L...


Quem vive de jornalismo entende: a boa notícia é a ruim. A Folha de São Paulo publicou hoje reportagem com a seguinte manchete: "Líder em Campo Grande recebia da Assembleia enquanto era vereador".

Na primeira visada, o leitor pensa se tratar de uma denúncia bombástica. Os mais apressados, não querem nem saber: são tomados pela primeira impressão e já partem para o ataque.

É natural: adoramos um "escândalo" em período eleitoral.

Mas o corpo da reportagem da Folha desmente a manchete. O que fazer? Ler todo o material e julgar. Será que os apoiadores de Rose farão isso? 

Duvido.

Mas o leitor deve ler com atenção a notícia e julgar pelos seus próprios critérios. Veja aqui:

A famosa "bancada do Sérgio de Paula" , formada pelos vereadores tucanos Lívio Leite, André Salineiro e João Mattogrosso, i...



A famosa "bancada do Sérgio de Paula", formada pelos vereadores tucanos Lívio Leite, André Salineiro e João Mattogrosso, ingressaram ontem com representação no Ministério Público Federal, Receita Federal e no Tribunal Regional Eleitoral contra o candidato a prefeitura de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), por suposta (essa é a palavra mágica) falsidade ideológica em sua declaração de bens à Justiça eleitoral.

Trata-se de mais uma daquelas denúncias extemporâneas de período eleitoral que servem para alavancar o marketing negativo contra o candidato que tem mais chances de ser eleito. Caso contrário, o sujeito seria esquecido e relegado à sua insignificância.

A denúncia (publicada do site governista Top Mídia) não tem pé nem cabeça por ser baseada, como se diz, em "suposição".

A pergunta que não pode ser calada é a seguinte: por que somente agora, na undécima hora, surgem tantas denúncias? O eleitor deve desconfiar.

A ação dos três porquinhos (apelido dos vereadores na Câmara Municipal) na verdade é teleguiada pelo Chefe da Casa Civil, Sérgio de Paula.

Esses vereadores não tem a mínima autonomia para tomar decisões por conta própria. 

Pateticamente, são zumbis que recebem ordens e as cumprem sem nenhum senso crítico.

Os campo-grandenses poderão acompanhar como esses personagens-fantoches atuarão na Casa de Leis nos próximos anos. 

Os fãs da série Walking Dead não vão se decepcionar.

O governador Reinaldo Azambuja resvala para a mais completa imoralidade quando passa a utilizar - como vem ocorrendo nos últimos dias -...


O governador Reinaldo Azambuja resvala para a mais completa imoralidade quando passa a utilizar - como vem ocorrendo nos últimos dias - os meios de comunicação para veicular campanhas publicitárias oportunistas, usando espaço e tempo generosos para mostrar realizações pontuais com objetivo único e exclusivo de influenciar nas eleições campo-grandenses. 

Nos últimos dias, a administração estadual veicula nos jornais, rádio e TV campanha vultosa mostrando aquisição de equipamentos de segurança, construção de casa populares etc., num flagrante desrespeito à sociedade, porque trata-se de desperdício de recursos públicos feitos para auxiliar indiretamente a candidatura de Rose Modesto, tentando reverter tendências eleitorais. 

Por onde se olha, percebe-se o flagrante abuso. O Ministério Público Estadual, mais uma vez, cala-se diante do abuso de autoridade e do completo desrespeito com os valores da cidadania. 

A mídia que vem celebrando contratos para veicular essa publicidade não criticará esse procedimento governamental porque, obviamente, não rasga dinheiro. 

A estratégia governamental é manietar a imprensa para que não haja veiculação de notícias negativas contra a gestão de Reinaldo Azambuja e, ao mesmo tempo, turbinar a candidata tucana. 

Não é preciso ser um cidadão esperto para saber disso. É domínio do fato. 

Impressiona a desfaçatez com que Azambuja fala uma coisa - prega austeridade, planejamento e gestão correta - e faz outra: desperdiça recursos, compra consciências e comete atos imorais ao usar a máquina pública para dizer a si mesmo que está cometendo o supremo ato de governar e fazer aquilo que nada mais é do que sua obrigação. 

A legislação é clara:  

"A Lei n.º 9.504/97, ao estabelecer regras para o processo eleitoral, proscreve, expressamente, determinadas condutas aos agentes públicos no período do pleito. 

Tais proibições são enunciadas nos artigos 73 e 74, do referido diploma legal, nos quais, dentre a previsão de outras infrações, encontra-se:

Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais: (...)

VI - nos três meses que antecedem o pleito: (...)

 Alínea b) com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado, autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral. (...)
            
Art 74. Configura abuso de autoridade, para os fins do disposto no art. 22 da Lei Complementar n.º 64, de 18 de maio de 1990, a infringência do disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, ficando o responsável, se candidato, sujeito ao cancelamento do registro de sua candidatura".

Sabemos que existem advogados criativos. Numa discussão jurídica, os tribunais podem até ter outro entendimento do que está acontecendo. 

O Governo pode até discutir a legalidade dessa iniciativa, mas a moralidade, nunca.



Veja abaixo decisão sobre assunto da Ministra Laurita Vaz do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro de 2014.

Nas cidades com mais de 200.000 eleitores, se no primeiro turno nenhum dos candidatos obtiver votação superior à metade dos votos válid...


Nas cidades com mais de 200.000 eleitores, se no primeiro turno nenhum dos candidatos obtiver votação superior à metade dos votos válidos, os dois melhores classificados disputam nova eleição, em segundo turno. De nosso Estado, só a Capital se enquadra nessa situação.

Na disputa em curso, a rigor, os dois postulantes, Marquinhos Trad, pelo Partido Social Democrático – PSD - e Rose Modesto, pelo Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB - pouco se diferenciam, a ponto de suas agremiações terem nomes análogos;ambos são evangélicos, situam-se no campo conservador e, por isso, eventual diferença de gênero acaba diluída nessa matriz. 

No tocante a ideologia, princípios, doutrina e programas eles sequer os mencionam, restringindo-se aos roteiros pautados por marqueteiros, a partir da angústia dos cidadãos captada em pesquisas sobre o cotidiano da cidade.   

Fragmentam o universo urbano em setores estanques e nenhuma questão de fundo é abordada, ou análise abrangente é oferecida, ou ideia de planejamento global é proposta. Acenam com promessas pontuais que vão da melhoria da saúde, essa surrada bandeira eleitoreira, ao ajardinamento de praças; de um trânsito melhor à cantilena da eficiência da gestão, e daí por diante. 

As duas campanhas se igualam com essa estratégia e nas ofensas pessoais, ambas na vala comum dos clichês sacados pelo “marketing” para o engodo eleitoral.

Entretanto, se analisadas do ponto de vista político, elas expressam conteúdos distintos. A candidatura da vice-governadora aponta para uma perspectiva hegemônica, já que os executivos estadual e municipal estariam em mãos do mesmo partido, assim como no passado com Puccineli e Nelsinho. 

Além do mais, a própria candidata alardeia como trunfo a robusta bancada que sua coligação emplacou na Câmara Municipal. Isso, longe de ser um fator positivo em si, pode resultar em um Legislativo tíbio, subordinado à Prefeitura. 

Esse filme já vimos!

Quanto ao deputado Marquinhos, sua candidatura, embora contra-hegemônica, carrega o estigma do passado. Conforme o candidato afirma, ele não é o  ex-prefeito;ainda assim, a carga familiar é muito poderosa, para o bem e para o mal. 

E aí é preciso lembrar que nas duas gestões de Nelsinho, assistiu-se ao clã Mandetta-Trad ocupar muito espaço. A secretaria municipal de saúde, na primeira gestão foi destinada ao primo Luis Henrique Mandetta e na segunda ao cunhado Leandro Martins, pai do vereador Otávio Trad. O primo, vereador Paulo Siufi obteve, com apoio do prefeito, trânsito privilegiado na Casa. 

O então concunhado João Amorim abocanhou gordas licitações hoje investigadas pela Operação Lama Asfáltica, sem dizer da nebulosa antecipação do contrato de concessão do transporte público e do contrato para coleta de lixo. Esse passivo é fato.

No caso de Rose Modesto, a perspectiva hegemônica está posta e não há como revertê-la, o máximo que seus gurus poderão fazer é tentar omitir esse dado do cardápio. Já Marquinhos Trad dispõe de maior espaço de manobra. Pode, por exemplo, assumir princípios republicanos com o compromisso de governar sem a parentela, sinalizando critérios impessoais para compor seu secretariado. 

Parece que nos encontramos em um beco sem saída, mas cada eleição é um novo exercício para se consolidar a Democracia, conquista que exigiu muita luta. Não devemos e nem podemos nos omitir.  Façamos valer o nosso voto em prol de Campo Grande, por Uma Cidade Democrática. 

*sociólogo, professor e membro do movimento Por Uma Cidade Democrática


Notícia publicada no site Diário da Mídia revela que o presidente da Juventude Tucana, Anderson Barão, está envolvido em montagem de es...


Notícia publicada no site Diário da Mídia revela que o presidente da Juventude Tucana, Anderson Barão, está envolvido em montagem de esquema de compra de votos em Campo Grande. 

A denuncia é grave, tanto que o candidato Marquinhos registrou Boletim de Ocorrência pedindo investigação do fato. 

Anderson Barão, na verdade, não é jovem; mesmo assim, preside a juventude do PSDB; tornou-se conhecido por fazer imitações em shows humorísticos em Mato Grosso do Sul. Na verdade, um talento mal utilizado para atender causas partidárias. 

Devia mudar de profissão.

Num ato de total irresponsabilidade, foi-lhe dado um microfone na rádio estatal de Mato Grosso do Sul. Um verdadeiro escândalo, pois Barão usa sua boca para fazer proselitismo político, num claro processo de aparelhamento da máquina pública, coisa que o PSDB cansou de fazer contra o PT. 

Tivéssemos deputados independentes e Ministério Público mais ativo e menos manipulado, seu caso há muito seria objeto de denúncias e processos judiciais. 

Mas estamos em Mato Grosso do Sul, sob a égide da República de Maracaju. 

 Vamos à notícia que interessa: 

"Nesta quarta-feira começou a ser distribuído por grupos do Whatsapp dois áudios atribuído ao locutor e diretor da FM 104.7 (Rádio Educativa), Anderson Barão, ex-presidente da JPSDB e atualmente comissionado do governo do estado com lotação na TV e Rádio educativa.

As redes sociais em Campo Grande estão sendo usadas para fazer campanha e principalmente publicar particularidades dos bastidores das duas campanhas e supostas denúncias.

( Veja aqui o link da matéria completa)

Artigo publicado originalmente hoje na Folha de S.Paulo: George Bernard Shaw, o brilhante ícone do generoso socialismo "intelectua...

Artigo publicado originalmente hoje na Folha de S.Paulo:

George Bernard Shaw, o brilhante ícone do generoso socialismo "intelectual" fabiano, chamou a atenção para uma verdade: todo o progresso social depende das pessoas não razoáveis. As razoáveis aceitam o mundo como ele é porque creem que é o natural; os não razoáveis lutam para ajustá-lo ao seus desejos. São os inconformados que obrigam os primeiros a repensarem a "naturalidade" do "status quo".

O problema, como apontou outra mente privilegiada, John Maynard Keynes, é que, em matéria econômica, é difícil convencer o seu opositor de que ele está errado. O máximo que você pode fazer é tentar convencê-lo de que seus argumentos não são nem demonstrativos, nem conclusivos.

Toda essa confusão deriva de duas simples e boas razões logicamente perfeitas, mas de digestão difícil: 1ª) os recursos produtivos da sociedade são finitos, mas seus desejos são infinitos e 2ª) só pode ser consumido o que antes foi produzido. Logo, ela tem de criar instituições capazes de coordenar o processo produtivo (que é técnico) com o processo distributivo (que é determinado por quem tem o poder político).

Sem essa harmonização, o resultado é o caos, como provam as centenas de pequenos experimentos de cooperação de inspiração comunista tentados ao redor do mundo no século 19.

O melhor mecanismo que o homem encontrou, por uma seleção histórica quase natural, para harmonizar o que milhares de consumidores livres desejam com o que milhares de produtores livres devem produzir foi o "mercado" cuja eficiência depende da qualidade de uma instituição inventada por ele, a propriedade privada dos fatores de produção.

A busca da eficiência produtiva foi separando os homens de acordo com os que as compravam (o capitalista), com grandes vantagens produtivas e graves inconvenientes sociais. Com todos os seus problemas e injustiças esse modelo é o único, até agora, que permitiu uma razoável acomodação entre três valores necessários à "sociedade civilizada", mas que não são inteiramente compatíveis: a liberdade individual, a relativa igualdade, complementadas pela eficiência produtiva para que se possa gozar delas.

Esse fato mostra a importância da tolerância e do respeito aos não razoáveis; é do seu inconformismo que vem o incentivo para aumentar a cooperação (que melhora a eficiência produtiva) e a acomodação (que melhora o bem-estar) da sociedade.

Qual é o papel do economista nesse processo? Socorro-me de mais um grande pensador, Milton Friedman: "é criar alternativas às políticas existentes, mantê-las vivas e disponíveis, até que o que parece politicamente impossível torne-se politicamente inevitável". Chegamos a esse momento? 

Ex-ministro da Fazenda (governos Costa e Silva e Médici), é economista e ex-deputado federal. Professor catedrático na Universidade de São Paulo. 
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