Bolsonaro decidiu por Riedel demonstrando uma sensatez inusual Dante filho**** Muita gente que não conhece Mato Grosso do Sul volta e m...

 

   Bolsonaro decidiu por Riedel demonstrando uma sensatez inusual


Dante filho****


Muita gente que não conhece Mato Grosso do Sul volta e meia me pergunta: por que o Bolsonarismo é tão forte no Estado? Sempre respondo que é muito provável que haja, neste caso, uma identificação com o anti-petismo do que propriamente com os aspectos ideológicos que Bolsonaro representa.

É bom lembrar que nunca um candidato do PT à presidência venceu por aqui. Sim, Zeca do PT foi governador por duas vezes, mas isso se deveu a uma questão circunstancial: por causa do rompimento de um pacto das elites oligárquicas entre Wilsismo e Pedrossianismo. Ademais, Zeca governou como um bom tucano, abraçado a FHC, fazendo-lhe o tempo todo juras de amor.

Os tempos mudaram. A extrema- direita cresceu e, em 2018, fechou com Bolsonaro, muito com base no avanço das esquerdas em cima dos conflitos fundiários e no sucesso do agronegócio como fator de crescimento econômico do Estado.

A passagem de Bolsonaro por Campo Grande nesta quinta feira (30/07) veio residualmente atravessado por esse dilema: quem melhor representa o atual momento de MS diante do cenário de crise mundial que se avizinha e dos embates ideológicos que estão postos. 

Havia dois atores em cena buscando extrair do potencial de votos do bolsonarismo sua preferência: Riedel(PSDB) e Capitão Contar (PRTB). 

Contar representa o chamado segmento Bolsonarismo-raiz, predominantemente formado por bolhas da extrema-direita. Ele tem força política localizada, mas não consegue ser abrangente o suficiente apara fazer uma campanha de sucesso para todo Mato Grosso do Sul. 

Riedel, por outro lado, representa a centro-direita mais organizada, sem radicalismos, de perfil conciliador, com amplo apoio do agronegócio, com maior sensibilidade social e, mais importante, não se sente constrangido em dialogar com todas as correntes políticas, sem discriminar ideologicamente partidos ou preferências. 

Obviamente, Bolsonaro, no seu campo ideológico, não pode fazer política excludente, mas deu todos os sinais de que prefere Riedel  em vez do Capitão Contar. 

Se este for esperto, desiste da candidatura e põe em execução o plano B. Ganhará em grandeza e sairá fortalecido. Caso contrário, será um político de nicho, sem conseguir atingir a maioridade.

Depurando todos os sinais e declarações, gestos e simbolismos ficou mais do que evidente que Bolsonaro abraçou a candidatura de Riedel. Talvez essa tenha sido uma das poucas vezes que o presidente decidiu pelo caminho da sensatez.


  Puccinelli, assim como Lula, obteve salvo-conduto da Justiça e disputa legitimamente as eleições; não cabe mais jogadinhas de ultima hora....

 

Puccinelli, assim como Lula, obteve salvo-conduto da Justiça e disputa legitimamente as eleições; não cabe mais jogadinhas de ultima hora.


Dante Filho*****

O ex-governador André Puccinelli é um político controverso, ambíguo, fruto das contradições de nosso tempo, herdeiro da linhagem do MDB de Wilson Barbosa Martins. Com André não existe meio termo: ou ama ou odeia. Mesmo assim, querendo ou não, ele faz parte da história de Mato Grosso do Sul. Não é possível dissociá-lo dos melhores tempos vividos pelo Estado. Os dados comprovam isso.

Querendo ou não, aceitando ou não, o fato é que seu nome ficará para sempre no nosso cotidiano. Aquele enclave arquitetônico nos altos da Avenida Afonso Pena está cravado como marca de outro Mato Grosso do Sul, dando-lhe perspectiva modernizadora. 

Todos sabem que o “Aquário Pantanal” será um monumento duradouro, mesmo que para sua viabilização e conclusão os nomes do governador Reinaldo Azambuja e de seu secretário de Infra-estrutura, Eduardo Riedel, figurem com destaque na placa inauguratória. Felizmente, todos deram demonstração de grandeza nesse processo.

Quando foi prefeito da Capital, André revolucionou a cidade, fazendo dela um centro urbano dinâmico, retraçando suas malhas viárias, implantando programas sociais, educacionais e habitacionais, estabelecendo assim marcos definitivos para que a cidade tivesse perspectiva de futuro. Ninguém tira isso dele. As pesquisas mostram isso.

Claro que existe outro André. Aquele que aprendemos a odiar, envolvido em escândalos, eclodidos num momento histórico do Brasil em que um presidente da república também conheceu a cadeia, além de deputados, senadores, empresários, todos enfileirados em cana dura, num dos momentos cruciais e dramáticos do fortalecimento das instituições de controle, numa espécie de repactuação federativa, no qual se acreditava que era fundamental fazer um corte oblíquo para extirpar de vez a câncer da corrupção. 

A sociedade e a mídia, lá atrás, clamavam por decência.O intenso desvio de finalidade dos recursos públicos encontrou uma barreira sólida, numa tentativa de desnaturalizar a cultura da corrupção estrutural no Brasil. Alguns pagaram o preço e outros buscam remissão. O eleitor dirá quem deve permanecer em punição e quem merece a absolvição. Puccinelli está pedindo que a sociedade o absolva. É legítimo e está dentro dos preceitos do Estado Democrático de Direito.

Ele, no plano estadual, e Lula, no nacional, obtiveram salvo-conduto do judiciário para disputar eleições. Tudo dentro da normalidade democrática.

A vida não é uma linha reta. Ela segue em espiral. Aquele quadro punitivo e persecutório de alguns anos está passando por intenso revisionismo. Exageraram na dose, e os efeitos colaterais tornaram-se piores que os resultados pretendidos. Juízes não são heróis nem santos. 

Não se sabe até hoje qual a origem do processo de polarização afetiva que estamos vivendo. Há teses de sobra por aí. Mas se sabe que sua intensificação deu-se entre a reeleição de Dilma, a Lava Jato (e as centenas de operações semelhantes) e a eleição de Bolsonaro. 

Nesse meio tempo, enfrentamos uma pandemia que produziu mudanças globais. As pessoas passaram a ser mais reflexivas, menos imediatistas, gerando aquilo que, num ensaio recente, descrevi como a “Era da Inadaptabilidade”. 

Paralelamente, começamos a enfrentar uma grave crise econômica (tornada mais aguda com a guerra entre Rússia e Ucrânia), que exigirá conhecimento, preparo administrativo, responsabilidade pública. Tudo aquilo que o populismo não gosta.

É neste contexto que analiso a atual campanha eleitoral de MS. Claro que os elementos da polarização (desinformação, fake news etc) estão aí no dia a dia, com seus grupos organizados, gente com gosto amargo de raiva na boca. 

A atual fase é a da maldade, todos querem destruir o inimigo. O Poder Judiciário é o instrumento punitivo. Existem os ingênuos que não perceberam o perigo que representa a Justiça ter se transformado em partido político. E há os maliciosos que se aproveitam da fumaça para enganar a população, querendo o retrocesso autoritário. 

Nos últimos dias, mais uma vez, o Partido do Judiciário está se movimentando. De repente, um jornal diz que a Justiça Federal fez “ressurgir” (o verbo é este?) a Operação Lama Asfáltica, envolvendo o ex-governador. Tudo pra causar falsas expectativas e mandar aviso cifrado a quem interessar possa.

 Penso que Puccinelli, neste atual contexto, não pode ser vítima de armação. É anti-democrático. Campanhas devem ser transparentes, sem jogadinhas de ocasião.

Acredito que não haja mais tempo para alterações institucionais da regra do jogo. Os eleitores conhecem os defeitos e as qualidades dos principais candidatos. Seus erros e acertos. Não há mais espaço para professores de deus e dedinhos em riste. 

O moralismo udenista está fora de moda. É fundamental que nos concentremos nas propostas de governo. Quais prioridades? Como será feita a alocação de recursos para saúde e educação? Quais projetos serão incentivados? Qual o pensamento macro de cada um para desenvolver o Estado? Quem tem programa a apresentar?

Basta isso para se fazer uma campanha civilizada, sem mentiras, sem dancinhas, sem gracinhas. O resto o eleitor decide.


  André pode reverter o quadro e Riedel seguir rumo ao segundo turno ****** Dante Filho  Saiu esta semana uma nova rodada de pesquisas (IBP ...

 

André pode reverter o quadro e Riedel seguir rumo ao segundo turno



******Dante Filho 


Saiu esta semana uma nova rodada de pesquisas (IBP e Novo Ibrape) sobre as preferências dos eleitores para o governo de Mato Grosso do Sul. Não vou me preocupar com citação de números. Os 4 principais nomes ( André, Marquinhos, Riedel e Rose) estão tecnicamente empatados na casa dos 20% (com variações pontuais, diferenciando-se nas taxas de conhecimento e rejeição).

Esse quadro tem longa duração. Desde os levantamentos feitos em abril passado tanto Puccinelli quanto Marquinhos estão congelados. Não saem do lugar. Parece que estagnaram no teto. Rose e Riedel movimentaram-se. Ela, em leve queda, ele,  em forte elevação. 

Triturando estes números é possível tirar algumas conclusões. A primeira é de que o eleitor ainda não colocou as eleições locais no plano das preocupações primeiras de sua vida. É provável que a polarização afetiva das eleições nacionais venha chamando mais atenção pelo fato de que é mais definidora em relação aos temas de interesse, tais como preço dos combustíveis e da comida na mesa. 

No plano estadual, fica claro que o marketing utilizado até agora por Puccinelli e Marquinhos não funcionam. São ruins, descolados da realidade, fora do tom. Estão gastando dinheiro à toa. 

No caso de Rose pode-se dizer o mesmo. Ela tem batido na tecla de que vivemos num Estado rico, mas pouco ou nada distributivo. Ela defende que a geração de riquezas (agronegócio e serviços) injete grana no bolso da população, via aumento de renda.

Como ela pretende fazer isso, ou seja, atender as demandas sociais da pobreza e promover o incremento da infra-estrutura ao mesmo tempo ela não explica, ou não sabe, sei lá...

Riedel está crescendo porque a gestão tucana está dando certo. Por mais que Azambuja esteja devendo explicações morais à sociedade, em função de escândalos de corrupção que até agora não foram solucionados via judicial, o fato concreto é um só: é palpável que a gestão do Estado entrou no caminho responsável do ajuste fiscal e está colhendo bons resultados. 

A vantagem de Reinaldo é que ele percebeu a tempo que o populismo não funciona e que a sociedade prefere ter uma vida segura, com perspectiva, do que promessas ocas e mentirosas.

Considere-se também que o Governo Bolsonaro aumentou durante a pandemia os fluxos de capital para a federação, recorrendo ao (duvidoso) modelo de incremento de emendas parlamentares e orçamento secreto, resultando num aporte de mais de R$ 40 bilhões nos últimos dois anos para o MS. Ou seja: o governo tucano fez caixa e gastou de forma correta. 

Marquinhos Trad, na prefeitura da Capital, fez o caminho inverso. Não apostou no ajuste fiscal, negligenciou dados elementares das contas públicas, e hostilizou bestialmente a relação receita versus despesa, deixando a prefeitura num momento inadequado para uma vice-prefeita abilolada, completamente despreparada para a função. Resultado: caos.

 Todo esse combo talvez explique a paralisia de Trad nas pesquisas. Seu carro atolou. Vai ser difícil tirá-lo do buraco. 

Puccinelli, por sua vez, precisa repensar seu modelo de apresentação pública. Ele pensa que a mídia e o modelo de campanha são os mesmos dos anos 90. Não adianta fazer brincadeirinha no tik-tok. Ele precisa potencializar aquilo em que ele é o melhor: projetos arrojados, idéias que ressignifiquem o Estado, austeridade executiva. 

A bandeira da gestão e do empreendedorismo ( que foi de André) já está nas mãos de Riedel. Ele não vai soltá-la. André tem que reconstruir seu personagem e renová-lo. Conseguirá? Não sei. O que percebo no momento é que está fácil dar um chega pra lá em Marquinhos  e olhar na direção de uma disputa de alto nível no segundo turno.


  Se a prefeita tiver ainda noção de decência afasta-se da campanha e mergulha na administração Dante Filho***** A semana está sendo complic...

 

Se a prefeita tiver ainda noção de decência afasta-se da campanha e mergulha na administração


Dante Filho*****

A semana está sendo complicada para a prefeita Adriane Lopes. Começou com a ação desastrada da prefeitura derrubando barracos no Jardim Los Angeles, no dia mais frio do ano; em seguida, o transporte coletivo deu sinal que de que está empacando em função de medidas tarifárias amalucadas do ex-prefeito Marquinhos Trad; e, pra completar, desde ontem vem se revelando, pouco a pouco, a crise no setor de comunicação da prefeitura, com  o famoso disse-me-disse, puxações de tapete, traições e ranger de dentes. 

Como trabalhei 4 anos no local, alertei muitas vezes (em vão), que aquilo não tinha sustentabilidade. Mas o que adianta discutir assunto sério com um amador como o ex-prefeito.

A estrutura de marketing de Marquinhos Trad misturava perigosamente o público e o privado (um vício antigo), resvalando para o baixo estrato ético e moral de seus operadores. 

No fim, a jornalista Lidiane Kober foi rifada e substituída por Elizabeth Cristina Oliveira Moreira, cujo apelido, “cascavel silenciosa”, já denota a personalidade da figura.  Segundo jornalistas do setor, Elisinha será apenas uma figurante a representar um papel secundário numa tragédia anunciada. 

O ator principal será um jornalista, Vassil Oliveira, veterano da imprensa goiana, que acumula no momento a função de marqueteiro de Marquinhos Trad, trazendo sua experiência com gestão de crise para ver se reduz os desgastes que a prefeitura e o ex-prefeito passarão a sofrer de agora em diante. 

Vassil parece ser bom profissional, um bom texto, sabe agradar quem está no poder e tem livro publicado sobre bastidores de campanha eleitorais de seu Estado. Não sei se combinará com o estilo de Marquinhos, que detesta assessores que julga mais inteligente que ele, tanto que prefere se aconselhar com o baixo clero da imprensa sul-mato-grossense. Boa sorte, Vassil...

Historicamente, o setor de comunicação da prefeitura sempre foi um lugar problemático.  Marquinhos tem um conceito de comunicação dos anos 50, e aposta tudo no personalismo disforme, numa atuação cada vez mais próxima de personagens que transitam entre os atores canastrões das telenovelas da Record com os velhos filmes populares de Cantinflas. 

Seu método é a mentira sistemática. Seu apelido Pinóquio não pegou por acaso. A comunicação da prefeitura nunca teve diretriz nem comando claros. A compra de jornalistas e veículos era tratada com o chefe de Gabinete Alex Oliveira e Robison Gatti, com participação direta do ex-prefeito. Não havia critérios. Ou melhor, havia. Quem ameaçasse com as melhores chantagens ( quase todas de cunho sexual) levava. 

Lidiane Kober era a boneca de pano de pancadas. Era a vítima preferencial das humilhações do ex-prefeito. Marquinhos é dado a chiliques permanentes. Sua superintendente de comunicação  servia pra isso: ser xingada, ameaçada, espezinhada. Nos momentos mais tensos, ela surtava e transferia essa carga de maluquice para o restante da equipe. Claro, o desgaste intensificou-se durante os anos e ela passou a viver em depressão e crise nervosa. Sou testemunho vivo destes fatos. Pedi o boné no meio da pandemia entre perplexo e horrorizado com o que vi e vivi. 

Foi, contudo, uma experiência válida porque pude acompanhar um psicopata em ação. Para o público, um sujeito manso, cordato, fala suave; para sua equipe próxima, um sujeito perverso, predador e assediador. Fui confidente de Lidiani por vários anos. Nas conversas que mantínhamos sob o trato da confidencialidade pude constatar o perigo que representa Marquinhos ser governador de Mato Grosso do Sul. 

Acho que a prefeita Adriane Lopes terá a chance agora de iniciar o processo de distanciamento de Marquinhos. Se ela for uma mulher decente, que preza pelos valores da feminilidade, que diz adotar para a vida preceitos Cristãos, a vida então lhe abriu uma chance de ouro para alterar os rumos da prefeitura, sanitizando uma administração completamente contaminada pela loucura. 

Hitler às vezes ainda vive e poucos percebem.




  Reinaldo Azambuja e André Puccinelli são alvos preferenciais da esgotosfera da atual campanha Dante Filho* Outro dia, lendo a coluna do jo...

 

Reinaldo Azambuja e André Puccinelli são alvos preferenciais da esgotosfera da atual campanha


Dante Filho*

Outro dia, lendo a coluna do jornalista Manoel Afonso, ele lembrou que os pré-candidatos ao governo, neste momento, estão evitando críticas diretas aos concorrentes por causa de possíveis alianças no segundo turno. “Todos estão corteses”, ironizou. A observação é verdadeira, principalmente porque o quadro político é provisório, e a posição dos atores no palco só ficará demarcada a partir de agosto, com as convenções partidárias. 

Por enquanto, só há militância e marketing. Pesquisas identificam aspectos do cenário, preferências pontuais, embora existam pessoas que insistem desde já cravar o que vai acontecer no futuro. 

Tudo indica que mais de 40% do eleitorado ainda não colocou na conta de sua vida cotidiana as eleições deste ano, preocupado com preço da gasolina e da comida. 

Os pretensos candidatos estão fazendo uma espécie de ensaio, testando aqui e ali o eleitor, tentando descobrir o que vai pegar na campanha. 

Todo mundo chuta, mesmo porque o único instrumento que temos são dados estatísticos, que são invariavelmente combatidos porque contrariam nichos de eleitores engajados que vêem nos resultados manipulações conspiratórias, ora dos bancos, ora das centrais sindicais, ora dos interesses internacionais. 

Passei quase quinzes dias em Campo Grande, conversando com pessoas de todas as origens sociais, em vários bairros, com políticos treinados, com alguns candidatos, com jornalistas e marqueteiros. Sim, trata-se de um microcosmo, embora seja possível ter uma percepção de alguns sentimentos coletivos, que não são identificados por pesquisas, porque foge da ordem numérica e penetra nos elementos subjetivos das sensações. 

Qualquer pessoa comporta-se com maior desenvoltura em conversas desinteressadas do que com um pesquisador profissional com suas listas pré-determinada de questões. 

Uma conversa espontânea rende mais do que um questionário. Mesmo assim, a pesquisa sistematiza e organiza tendências e preferências momentâneas, algo que não acontece numa conversas de bar, dentro de um taxi ou mesmo na fila de um banco. 

Algumas impressões que tive de imediato:  a fama de Puccinelli como grande tocador de obras e administrador arrojado continua intacta; Marquinhos está fragilizado por conta do caos no trânsito, obras inacabadas, excesso de mentiras e supostos escândalos  sexuais;  Rose Modesto tem vasta simpatia em bairros das regiões norte, Tiradentes e Prosa, mas a maioria dos eleitores acha que não é a vez dela; Riedel é pouco conhecido pessoalmente, mas é considerado um candidato forte por causa do apoio da máquina, podendo ser uma opção de renovação; Capitão Contar tem forte preferência no centro, nas regiões da base aérea e de parte da elite tradicional da cidade. 

Estas impressões são generalizantes. Não dá pra ir fundo em cada uma delas por que o eleitor desconfia de muitas perguntas e, quando descobre que está sendo “investigado”, se fecha, muda de assunto. 

Poucos se comprometem verdadeiramente com preferências políticas, porque a opinião geral é de “ninguém presta, todos são bandidos e ladrões”. 

Diante desse quadro, os candidatos têm traçado nessa fase de pré-campanha suas estratégias de contatos, formalização de acordos sociais com grupos de interesse, contratação de equipes de marketing, pessoal de apoio, muitos ocupando cargos em comissão em prefeituras, governos, câmaras municipais etc. 

Conforme divulgado na imprensa, só a prefeitura de Campo Grande tem nas ruas 9 mil servidores comissionados apoiando o ex-prefeito ao custo de R$ 30 milhões mensais. 

Expandindo este modelo para todo o Estado, o eleitor pode imaginar o quanto de gente e dinheiro uma disputa eleitoral utiliza, isso sem contar os recursos do fundo partidário e da iniciativa privada. 

Noutras palavras, o contribuinte paga para que candidatos tenham maior ou menor empuxo na disputa pelo poder. Por isso, os tribunais eleitorais deviam ter um sistema de fiscalização e transparência para saber como o dinheiro tem irrigado campanhas que, aparentemente, não têm nenhuma sustentabilidade visível. É preciso mais cobrança da imprensa.

 Campanha Submersa

Todos os candidatos ao governo têm uma esgotosfera para chamar de sua. Acompanhando cada uma delas, a mais agressiva é a do ex-prefeito Marquinhos Trad. Suas vítimas preferenciais são o ex-governador André Puccinelli e o governador Reinaldo Azambuja. Vídeos, memes, animações e fake news, os tratam como criminosos perigosos. Tem material pesado. Muita coisa amparada em blogs obscuros de origem desconhecida. Fernandinho Beira-Mar deve estar achando engraçado.

 

* Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul

  Dante Filho O chamado jornalismo de qualidade tem insistido no conceito de que pesquisas eleitorais são instrumentos válidos de medição de...




 Dante Filho

O chamado jornalismo de qualidade tem insistido no conceito de que pesquisas eleitorais são instrumentos válidos de medição de tendências de preferência de pré-candidatos, principalmente a cargos majoritários. O raciocínio é correto. Não há outra forma de analisar o quadro político sem os números e estudos estatísticos que se apresentam. 

Se lá na frente eles se mostrarem assertivos e corretos, é outra história. Pesquisa não é uma verdade absoluta. Duvidar dela não é pecado. É um direito de cada cidadão avaliar a disputa como se lhe apresenta a realidade. O que não pode é torturar números e fazer propaganda mentirosa. Mas isso é outro assunto...

A cada divulgação dos índices, grupos coordenadores de campanhas que atuam junto aos partidos, mobilizam esforços para utilizar os dados estatísticos como instrumento de marketing. A ciência, no caso, serve à picaretagem.

Quem pontua acima busca e se coloca na frente deseja inflar a preferência como se essa realidade fosse imutável, fazendo com que o dado momentâneo seja fixado como elemento consistente de vitória. A queda dos índices passa a não ser aceitável e qualquer desvio tem sempre alguém que grita "fraude!". 

Quem se situa abaixo, martela nos meios de difusão disponíveis de que os números mudarão, pois a eleição nem começou e que haverá muita estrada pela frente, com seus solavancos e sinuosidades. 

Ontem, por exemplo, os principais pré-candidatos a governador de Mato Grosso do Sul passaram o dia debruçados sobre os números do instituto Real Time Big Data, patrocinado pela TV Record do Bispo Edir Macedo. 

Marquinhos fez uma festa porque mostrou-se acima de André Puccinelli, que vinha há meses situando-se em primeiro lugar. 

Uma diferença de 1% (não vale rir) para uma pesquisa feita por telefone, com 1,5 mil entrevistados, com margem de erro de 4%, levou o ex-prefeito às redes sociais superdimensionando o feito. Pode parecer caricato, mas tudo isso faz parte do jogo.

Na verdade, Marquinhos poderia ter 18% e André 23% das intenções de voto (tudo dentro da margem de erro), mas como verdade não é o forte de ninguém neste ramo, então trata-se de criar uma realidade alternativa pra ver se turbina a militância a soldo e consolida algum voto no eleitorado desavisado que gosta de votar no "já ganhou". 

Quem tiver o cuidado ( tem gente que se dedica a isso com afinco) de analisar as variadas pesquisas realizadas nos últimos 30 dias (internas e externas) verá que o quadro geral das preferências permanece petrificado, ou seja, há poucas alterações de fundo na cena eleitoral de MS. 

Marquinhos e André permanecem na faixa de 20% desde o início da pré-campanha. A impressão é de que bateram no teto. Rose e Riedel estão entre 12 e 15%, ainda em fase de degustação pelo eleitorado. Capitão Contar teve leve crescimento de 2% (deve estar com, no máximo, 7%) por conta da disposição em ser candidato, coisa que não estava muita clara há 15 dias.Vida que segue...

A classe política suspeita que o instituto Real Time Big Data tenha tentado ajudar o Capitão Contar com o intuito de impressionar Bolsonaro, que estará em Campo Grande no próximo dia 20 para consagrar uma aliança com o candidato do PSDB. Um jogo bobo, mas tudo pode funcionar.

Francamente, achei os dados técnicos dessa pesquisa frágil, com margem de erro elevada, tudo muito superficial, além de 15% de indecisos (que não responderam ou disseram “não saber em quem votar"), o que mostra que há muitos eleitores que ainda não prestaram atenção ao cenário eleitoral. 

(Uma curiosidade: passei uns dias em Campo Grande e notei que a maioria dos taxistas e uberistas ainda pensa que  o prefeito é Marquinhos Trad e não Adriana Lopes, o que revela que a renúncia do ex-prefeito ainda não foi absorvida por muita gente).

Claro que a pesquisa Big Data é um ativo na campanha de Contar porque ele poderá ter algo a apresentar ao presidente e ao Bolsonarismo raiz com alguma consistência, além de blá-blá-blá ideológico. 

A pré-campanha de Riedel deve olhar os números com alguma preocupação, pois não é confortável ficar numa posição de retaguarda quando, tempos atrás, ele mostrou que os prefeitos, vereadores e deputados, majoritariamente, convergiam rumo ao seu projeto. 

O marketing negativo de candidato que “não decola” é péssimo, mesmo observando que sua taxa de conhecimento é baixíssima e sua rejeição é quase inexistente. 

Para Puccinelli o quadro não é confortável também. 

Marquinhos vem tentando colar no cenário de disputa que tudo se resumirá na divergência política entre o ladrão e o homem honesto. Isso só vai funcionar se até o final da campanha André não reagir e mostrar os podres de Marquinho, perguntando, por exemplo, como pode um homem sem profissão ostentar uma vida de alto padrão como a dele. 

Alguém poderá aparecer para responder a essa e a muitas outras perguntas – de resto, naturais , quando a propaganda eleitoral resvala para cobranças morais e ausência de programas de trabalho. 

Vamos ver. 

 


  Dante Filho* Mato Grosso do Sul é um estado politicamente atípico: o bolsonarismo vive aqui um momento de ascensão e prestígio popular. Pe...

 


Dante Filho*

Mato Grosso do Sul é um estado politicamente atípico: o bolsonarismo vive aqui um momento de ascensão e prestígio popular. Pesquisas demonstram que Jair Bolsonaro obtém índices de preferência elevados, quase sempre dez pontos à frente de seu principal adversário, Luiz  Inácio Lula da Silva. 

Parlamentares como Simone Tebet e Fábio Trad correm o risco de serem tragados para o ostracismo na próxima eleição dentro do Estado por terem optado pelo confronto direto com as bases eleitorais do Capitão. 

Os pré-candidatos a governador vivem em MS um dilema: ou mantém uma relação cautelosa com Bolsonaro ( em cima do muro) ou disputam seu apoio explicitamente. A preferência pelo atual presidente é explicada por causa da influência do agronegócio e de uma vasta população conservadora vinculada às igrejas evangélicas. Não adianta colidir com o mundo real. 

Dias atrás, Bolsonaro marcou uma visita ao Estado para consagrar seu apoio ao pré-candidato do PSDB Eduardo Riedel, que se aliou há tempos com a ex-ministra Teresa Cristina, a preferida (pelo presidente e pelas pesquisas) para ocupar uma vaga ao senado a partir do próximo ano. Teresa tornou-se um quadro bolsonarista importante e sua influência junto ao presidente determinou a aproximação ao tucanato local. Ademais, Tereca é amiga antiga de Riedel e eles se gostam.

Mas as franjas do bolsonarismo local estão divididas quanto a esse arranjo. A senadora Soraya Thronicke ingressou no União Brasil e está em campanha para eleger a deputada Rose Modesto ao governo do Estado. Sem espalhafato.

Num outro ponto, o deputado estadual Capitão Contar abriu dissidência e, com apoio do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), vem lutando para que Bolsonaro consagre sua candidatura ao governo, alegando que essa é a exigência dos bolsonaristas raiz que agregam a extrema-direita no Estado. 

Já tentaram de tudo para acomodar Contar, oferecendo-lhe inclusive uma vaga de suplente na chapa de Teresa Cristina. Nada. Bolsonaro afirmou inclusive que, se eleito, convocaria novamente Teresa ao Ministério e ele, Contar, seria senador da República sem gastar dinheiro nem sola de sapato. Não funcionou. 

Contar insiste na candidatura e já colocou sua tropa nas ruas. Ele é temido na imprensa e nos meios políticos porque não tem pruridos em usar as redes sociais para triturar adversários. Sua esposa é uma publicitária conhecida pela forte têmpera e, com a ajuda de uma militância aguerrida, sabe mexer os pauzinhos para destruir reputações. Há inclusive denúncias de uso de robôs em larga escala para massificar memes que infernizam aqueles que ousam contrariar os interesses do casal. 

Contar é um homem que se caracteriza por uma compleição física gigantesca, alto e musculoso, mas não é um parlamentar de destaque numa Assembléia Legislativa dominada inteiramente pelo governador Reinaldo Azambuja. Suas ações na oposição repercutem pouco na imprensa, mas se intensificam nas redes à medida que surgem oportunidades, como certa vez em que o presidente Bolsonaro visitou Corumbá e Contar organizou, à socapa, uma grande vaia a Azambuja.

Muitos políticos comentam ironicamente que Contar é um “dronão voando por aí sob o controle em terra de uma mulher amalucada”.  

Assim, ele tenta ser o candidato de Bolsonaro no Estado, organizando seu grupo para fazer um fuá no próximo dia 20 quando o presidente descer em MS para anunciar seu apoio a Riedel. Politicamente, não agrega nenhum valor, mas quem é que entende essa gente?

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE DEPP

A decisão da justiça americana (diferente da Inglesa) dando um ganho moral e financeiro às ações movidas contra sua ex-esposa Amber Heard, podem provocar alguma conseqüência cultural aos delírios feministas do me tôo e outros que se transformaram no modelo do novo fascismo mundial. Depp é o melhor ator do mundo. Amber é um rostinho bonito, que tentou surfar na onda de celebridades admoestadas por machos tóxicos.  Não deu certo. A causa das mulheres – justa e historicamente importante – não pode almejar transformar uma geração de rapazes em gazelas frágeis e saltitantes para o gozo de mamães reprimidas e frustradas. Acho que movimentos feministas devem ser repensados noutro padrão de debate que não seja o dedo em riste. Está insuportável. Vejo amigos hoje com medo até de olhar o derrière feminino e serem acusados de assédio. Não dá. Homens podem perfeitamente se comportar como machos e tratar mulheres como fêmeas. É moralmente justo pelo bem da humanidade. 

*Artigo publicado originalmente no Jornal O Estado de São Paulo

  Dante Filho***** Vereadores de Campo Grande se comportam como analfabetos em contas públicas. Na semana passada, em reportagens publicadas...

 



Dante Filho*****

Vereadores de Campo Grande se comportam como analfabetos em contas públicas. Na semana passada, em reportagens publicadas pelo jornal O Estado de MS, produzidas pelas  repórteres Andrea Cruz, Beatriz Feldens e Rafaela Alves, ficamos sabendo que os senhores responsáveis pela fiscalização da administração municipal ou estão se fazendo de bobos ou foram $eduzidos  pela medu$a que manipula números financeiros da prefeitura.

Eles se concentraram no boato de que as contas estavam “maquiadas”. O Vereador Tabosa insiste no assunto. Na verdade, se analisassem os números oficiais veriam que “maquiagem” não é o termo adequado. Poderia ter usado “fraudados”. O que o ex-prefeito Marquinhos Trad deixou para dona Adriane Lopes foi simplesmente o caos, a incúria, a irresponsabilidade, tratando o dinheiro do contribuinte com uma negligência jamais vista. 

Posso dizer, por experiência própria, que a culpa não foi do ex-secretário Pedro Pedrossian Neto, pois ele é competente e estudioso o suficiente para ter clareza que as decisões de Marquinhos contrariavam o manual da boa governança, mas ele estava sozinho para segurar a tigrada. 

Quantas vezes o vi pelos corredores contrariado, revoltado, sentindo-se ameaçado, murmurando contra o modelo de gestão, tentando minimizar danos – pois era a única coisa que lhe restava fazer. 

O último relatório quadrimestral das contas municipais levado à Comissão de Finanças da Câmara em audiência pública, realizada em 21 de fevereiro deste ano, comandada pelo Vereador Betinho, mostra o tamanho da bagunça, mas tudo foi tratado com descaso e, lá na frente, o campo-grandense terá que reclamar com o bispo quando sentir que, mais uma vez, foi enganado pelos patetas que comandam a Casa de Leis. 

O correto seria exigir do Tribunal de Contas um parecer técnico, acompanhado por auditorias independentes, para compreender o quão profundo e largo é a cratera, e quanto ele representará, com o tempo, de atraso sistêmico no processo de desenvolvimento social da cidade. Mas quem tá ligando...

Os números estão lá, basta saber fazer operações básicas de matemática para ver o tamanho do buraco. Não é preciso ser técnico, especialista, auditor ou consultor para ver que Marquinhos não é gestor, apenas um populista que, no quesito administração pública, é apenas um amador abilolado.

 A prefeitura arrecadou R$ 4,6 bilhões no ano passado, uma diferença de 8,1% em relação ao ano anterior, ou seja, não houve reposição inflacionária do período que foi de 10,6%. Perdemos dinheiro. A despesa foi de R$ 4,4 bilhões, um crescimento de 14%. Hipoteticamente, sobrariam R$ 200 milhões, certo? 

Mas o que foi feito com essa dinheirama? O relatório não demonstra, não explica. Não há investimento que o justifique (que registra apenas R$ 56 milhões), mesmo porque as demandas e obras paradas são a marca da administração. Por isso, o vereador Tabosa está gritando que “maquiaram” as contas e, fica claramente a impressão, que tem coisa errada por todos os cantos. 

O prefeito Marquinhos faz efusiva propaganda dizendo que deixou em caixa R$ 1,5 bilhão para dona Adriane. Ela não confirmou. Tá de biquinho fechado. A subsecretária de Gestão, Catiana Sabadin, afirmou, por linhas tortas, que esse dinheiro existe, e está previsto no Plano Municipal de Gestão Estratégia, a ser aplicado até 2024. Na verdade, não é dinheiro vivo, são recursos contábeis. Ela sabe disso.

Já a secretária de Finanças, cognominada de “a japonesa”, afirmou noutra reunião com vereadores que o dinheiro provisionado pelo ex-prefeito foi de R$ 300 milhões. Uai! E os R$ 1,5 bilhão?

O demonstrativo apresentado e as informações são confusos. Não há interesse em esclarecer nada. Por exemplo: as transferências de recursos federais caíram de R$ 226 milhões em 2020 para R$ 51,4 milhões no ano passado, uma queda de 77,3%. Não é normal, mesmo porque na pandemia houve bom fluxo de recursos entre entes da federação. Talvez o Cadin esclareça. Mas esse é um tema proibido na Câmara.

Ao mesmo tempo, dados oficiais mostram que entre receita e despesa houve um déficit de 43% entre 2020 e 2021. A dívida pública cresceu 19%, passando de R$ 707 milhões para R$ 770 milhões. 

O mais grave são os gastos com pessoal. A prefeitura gasta 60% do que arrecada com pagamento salarial. A lei de responsabilidade fiscal afirma que o limite de alerta e prudencial é de 48% e 59%. Com isso, caso tal distorção não se resolva ao longo do tempo, a prefeita poderá incorrer em improbidade administrativa. 

Com certeza, Marquinhos Trad saiu da prefeitura em fuga. Tem muito abacaxi para ser descascado. O vereador Tabosa devia insistir na pauta e voltar à tribuna. E esquecer a $edução do poder. 


 


  Dante Filho*** O Brasil é um País sem convicções. Os movimentos sociais por aqui só produzem espuma. Na política, tudo se transforma em pi...

 


Dante Filho***

O Brasil é um País sem convicções. Os movimentos sociais por aqui só produzem espuma. Na política, tudo se transforma em piada. Dias atrás, lançaram na praça que estávamos na iminência de um golpe de Estado. Todo e qualquer boneco de ventríloquo tinha que repetir duas ou três vezes por dia que o golpismo era uma certeza. Qualquer analista de imprensa tinha que enviar uma senha ao politburo escrevendo em algum lugar, mesmo fora de contexto, a palavra “golpe”. 

A ideia é de que Bolsonaro não aceitará ser derrotado por Lula e, por isso, contestando o TSE, mandará um cabo e um soldado resolverem a situação. O roteiro da trama já está escrito, mas seu desfecho terá nuances que nenhuma mente criativa ainda chegou lá. 

Hoje esse enredo enfraqueceu-se. Poucos falam em golpe. Acho que olharam em volta e perceberam que esse tipo de coisa não assusta nem mobiliza o eleitor. O que verdadeiramente preocupa a cidadania é a inflação, a carestia, a permanente desigualdade e a miséria crescente. 

Estamos distante de sermos um País civilizado. A pobreza e a falta de escolaridade da grande maioria jogam o sonho do futuro para um lugar mais distante, incerto e não sabido. 

Haverá quase uma dezena de candidatos à presidência da República. Todos propondo a salvação da Pátria, com peças publicitárias que são fantasiadas de projetos estruturais, embaladas por uma magia para se transformar em realidade. 

Na verdade, o Presidente da República e seus ministros, revestidos da imensa burocracia que lhes cobrem de poder, cada vez mandam menos. O poder real – aquele que faz e acontece – está nas mãos do Congresso Nacional (que opera o orçamento a seu bel prazer, tendo ainda à disposição bilhões de emendas secretas), no qual o presidente terá cada vez mais que ajoelhar e rezar como um pedinte. 

O brasileiro ainda não sabe, mas vai eleger uma “rainha da Inglaterra”, e quem vai gerir o País serão bases parlamentares organizadas, numericamente expressivas, que darão as cartas e decidirão pra onde vai o dinheiro. 

O outro pólo de Poder será o Judiciário. Ali vai se continuar dizendo o que se pode ou não fazer. Com o discurso (falso) de defesa da democracia Ministros do Supremo determinarão cada vez mais qual música irá tocar, como se deve dançar e qual fantasia se deve vestir. Mais: como a imprensa deve se comportar.

O Poder Executivo viverá a tibieza do personagem em busca de um texto. Claro, o presidente (seja qual for) vai reclamar, tentará retomar o controle e o poder imperial da caneta, mas ficará apenas com as narrativas judicantes, algumas aparições nas mídias, alertas ameaçadores, amarrado, de um lado, pelo Centrão, e, de outro, pela máquina judiciária. 

Hoje é Bolsonaro, o ogro do momento, amanhã será outro, mas a essência talvez seja a mesma.

Política & economia

A política e a economia são imponderáveis. No começo do ano passado, quando as vacinas sinalizaram que venceríamos a batalha contra o Covid-19, os economistas, estudiosos, homens do mercado, jornalistas (eu, inclusive), acreditamos que, com a produção reprimida por um fator exógeno, em pouco tempo o mercado seria irrigado de maneira abundante, sustentado por trilhões de dólares emitidos pelos principais bancos centrais do mundo. 

Um novo salto de prosperidade se daria e as coisas voltariam ao normal com grande rapidez. Nada disso aconteceu. A estrutura portuária entrou em pane. A mentalidade das pessoas havia mudado (o ideário do consumismo entrou em baixa), a Rússia entrou em guerra com a Ucránia, dando origem a uma crise energética sem precedentes. 

Com isso, inflação voltou com alimentos mais caros, energia cara, renda reprimida, enfim, o cardápio doloroso que estamos vendo. Tudo isso vai passar? Sim, claro, mas quando isso acontecer o mundo será outro, as sociedades serão outras, a concepção de vida estará mais ativada pela raiva ancestral das ideologias mal construídas. 

Mato Grosso do Sul: a que será que destina?

Onde Mato Grosso do Sul vai se inserir neste contexto?. Com um mundo híbrido, com mais diversidades de conceitos, mais dependente de tecnologia digital, com maior expansionismo do agro, com crescimento urbano desigual (no qual 60% da população se concentram em apenas seis dos 79 municípios), o futuro talvez nos revele um estado intermediário entre produtor de matéria-prima e corredor de passagem da rota bio-oceânica. 

Estou especulando. Infelizmente, são poucos candidatos com olhar macro sobre a nossa realidade. Alguns estão preocupados em contar mentiras para dona Candinha e seu José. Outros querem limpar seu passado. Há quem deseje aprofundar nosso conservadorismo latente. E muitos estão aí fazendo apenas o jogo oportunista do mercado eleitoral, esperando amealhar algum para a próxima temporada. Por enquanto, ninguém está falando sério.




  Dante Filho***** Que as eleições deste ano serão extremamente polarizadas ninguém tem dúvida.  A linha divisória que demarcará as preferên...

 



Dante Filho*****

Que as eleições deste ano serão extremamente polarizadas ninguém tem dúvida.  A linha divisória que demarcará as preferências num ambiente de disputa quase selvagem influenciará na concepção dos eleitores quanto a posição de seus candidatos estaduais. 

Claro, essa influência será relativa, às vezes mitigada pelos acontecimentos locais, valores regionais. Mas a força catalisadora do quadro nacional terá incidência no comportamento dos candidatos, nos seus discursos, na forma de se apresentar ao público, nas mídias etc. 

Ainda não cravo que Lula e Bolsonaro dividirão o jogo até outubro. Se surgirá das cinzas uma “terceira via” (nome inadequado) ainda é um espaço em aberto. O que sei, por experiência no acompanhamento de eleições desde 1989, é que o improvável acontece. Um avião cai, surge uma candidatura inesperada, aparece uma facada...

Os franceses dizem que o dia eleitoral tem o tempo da eternidade. O que se dirá de 5 meses. Os fluxos e contra-fluxos de uma campanha transformam preferências muitas vezes consolidadas em indecisões e alterações conceituais em relação a qualquer dos candidatos que aí estão. A história ensina. 

Sabemos que pesquisas no volume que vêm sendo divulgadas tem o poder de presentificar a realidade eleitoral. O tempo futuro deixa de existir. Mas a estatística não é um elemento mágico.  Os números podem inclusive redirecionar tendências, mesmo porque eles, na maior parte das vezes, sofrem impacto dos fatos e falas dos candidatos. 

A pergunta que sempre faço é se nos próximos meses, conforme as campanhas evoluem, os debates, a propaganda televisiva, a movimentação das militâncias e de cabos eleitorais mudará o rumo das escolhas. 

Uma coisa é certa: quem tem a caneta nas mãos – como são os casos de Bolsonaro, no plano nacional, e de Eduardo Riedel e Marquinhos Trad, no estadual (apesar dos dois usarem canetas terceirizadas) tem uma vantagem natural conforme o tempo passa. Mas o imponderável pode gerar boa sorte a Puccinelli, Rose Modesto, Capitão Contar etc. Quem viver, verá. 

Tenho acompanhado o comentarismo sobre as eleições e verifico as dificuldades de se desenhar um cenário mais ou menos assertivo sobre o que vem pela frente. Por enquanto, todo mundo está chutando. Mas chegará a hora em que as especulações e fake news gerarão mais dúvidas do que certezas, mesmo porque as pulsações das ruas indicarão qual caminho o eleitor está decidido a percorrer.

A impressão prevalecente da eleição presidencial é de que a economia vai influir com muito peso na escolha do eleitor. O Governo Bolsonaro está indo mal, toldado pela insensatez de suas próprias decisões e por um cenário econômico internacional cada vez mais complicado. Conseguirá mudar a pauta (como vem tentando) e criar um drama emocional que leve a massa noutra direção? Reparem: Lula tem evitado mostrar seu programa econômico. É um erro.

Na eleição estadual, está cada vez mais claro que o continuísmo prevalecerá. Digo continuísmo de modelo, de lógica de gestão, focado em obras de infraestrutura e integração micro-regional. Não é hora do chamado “candidato da mudança”, mesmo porque não há demandas expressivas nesse sentido. 

Talvez seja o momento do candidato da estabilidade, do previsível, que dê seguimento ao tucanato. O eleitor de Mato Grosso do Sul (principalmente o de Campo Grande) sabe o custo de escolher gente maluca para administrar seu destino. 

“Milícia Política” – Na semana passada intensificaram-se as denúncias na prefeitura de Campo Grande de que servidores estavam sendo coagidos a adesivarem seus veículos e obrigados a seguir cotas de curtições em postagens nas redes sociais. A prefeita Adriane Lopes não tomou atitudes contra essa prática da República Velha, consentindo que a formalização de cabrestos eleitorais prevaleça em pleno século XXI. Deve rever seus conceitos. 

Simone Tebet – Num Brasil diferente a candidatura à presidência da Senadora Simone Tebet seria uma benfazeja novidade. Percebe-se, contudo, pelas dificuldades interpostas, que não é o momento. No plano nacional, ela vem sendo corroída pela turma de Renan Calheiros. Na esfera estadual, seu ex-padrinho André Puccinelli parece que está dando a maior força para triturá-la. Simone não está vivendo um bom momento. Alguém acredita que João Dória topa ser seu vice? Não vale rir.

Marquinhos versos Riedel – Outro dia, na rádio CBN, em entrevista, Marquinhos Trad afirmou que o eleitor ainda não sabe como pronunciar o nome de Riedel. Se esta for a única critica que ele tem contra o adversário, é melhor encontrar outra piada.



Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul


  Adriane Lopes é acusada da constranger servidores a tomar posição eleitoral Dante Filho*** Vem de duas semanas avolumando-se denúncias en...

 

Adriane Lopes é acusada da constranger servidores a tomar posição eleitoral


Dante Filho***


Vem de duas semanas avolumando-se denúncias entre servidores municipais de Campo Grande de que a prefeita Adriane Lopes criou uma milícia política para obrigar servidores comissionados e concursados (que têm familiares com algum tipo de vínculo profissional com a prefeitura) a manifestar apoio à pré-candidatura de Marquinhos Trad ao governo do Estado. 

Se a reclamação partisse de um ou dois chatos de plantão, juro que nem daria pelota. Mas são dezenas, inclusive pessoas sérias, técnicos com longa data de serviços prestados à administração, que estão simplesmente escandalizados com o exagero da truculência exibida.

O costume não é novo. Desde a República Velha o voto de cabresto e a formação de currais eleitorais  habita nossa realidade eleitoral, com modificações de forma e modo conforme o tempo passa. 

No caso específico das denúncias que vem chegando a este escriba, fica patente a inércia do Ministério Público eleitoral, que não demonstra apetite para ver o que está acontecendo. Está pegando mal.

Nas conversas mantidas com vários servidores, até que tentei minimizar o fato, naturalizando as ocorrência ( na base de que “todos fazem isso”), mas fui advertido que até o momento não houve registro de coisa semelhante por parte do Governo do Estado, prefeituras do interior, nem mesmo da Assembléia Legislativa e Câmara de Vereadores. 

A reclamação básica dos servidores de Campo Grande é o terrorismo que vem sendo colocado em prática, com vigília acirrada sobre aqueles que não adesivam seus veículos nem cumprem uma cota diária de curtições de postagens do ex-prefeito nas redes sociais. 

Há uma tentativa de controle exagerado sobre as manifestações públicas de servidores, com a alegação de que ocupantes de cargos de confiança são obrigados a dar apoio ao ex-prefeito sob pena de sofrerem represálias em qualquer tempo, intempestivamente. 

E o mais grave – ainda conforme as denúncias – é de que a prefeitura colocou na proa desse processo o setor de comunicação social, transformando jornalistas e publicitários em vigias portentosos para dedurar quem não transforma seu carro particular ou perfis sociais em instrumento de propaganda pró-Marquinhos . Depois reclamam do aviltamento da profissão de jornalista, nestes tempos em que a função confunde-se com a de meros cabos eleitorais. 

A grande maioria dos eleitores tende a minimizar a gravidade desse modus operandi. Mas todos sabem que quando um candidato entra em desespero ele se transforma num monstro autoritário, mandando às favas os escrúpulos de consciência, “fazendo o diabo”, como diria Dilma Roussef, atropelando o bom senso e a democracia para mostrar à sociedade que naquele curral (no caso, a prefeitura) quem manda é o coroné da vez. 

Acho estranho que a prefeita Adriane Lopes compactue com esse tipo de coisa. Ela é uma mulher suave, cristã de boa cepa, pastora de bom rebanho, esposa e mãe zelosa, não tendo até hoje apresentado registro de fazer política com sangue nos olhos. 

Se ela está apoiando milícias e patrulhas a adotarem práticas truculentas e repressoras sobre servidores, em atitudes que nem pertencem à velha política e, sim, à anti-política, então  realmente o futuro que vem pela frente é o mais sombrio que se possa imaginar. 

Claro que quem já atuou no serviço público sabe que chega um momento em que a tigrada que vive no entorno do poder sente a necessidade de dar uma demonstração de força, transformando a ética, a moral e a legislação vigente em estrume de vaca, mas não precisa ser desse jeito. 

Lembro que anos atrás um candidato a prefeito viu a centelha de sua derrota quando um vídeo espalhou-se pela cidade mostrando o ex-governador André Puccinelli cabresteando votos em reunião eleitoral com servidores comissionados. 

Seria constrangedor se o mesmo acontecesse com Marquinhos Trad e sua trupe de malucos. O discurso tem que ser instrumento da prática.  

Sobressai claramente a impressão de que Adriane Lopes é a prefeita, mas quem manda e desmanda na prefeitura continua sendo o ex-prefeito. Deplorável isso. Campo Grande está andando para trás em todos os aspectos. 

Ainda dá pra corrigir essa besteira.




Marquinhos sobe no vácuo de Zeca, ultrapassa Rose e empata com Puccinelli:  p or enquanto,  v itória da populismo barato com assistencialism...

Marquinhos sobe no vácuo de Zeca, ultrapassa Rose e empata com Puccinelli: por enquanto, vitória da populismo barato com assistencialismo de ocasião.


Dante Filho*


O Instituto Ranking Brasil divulgou pesquisa com dados atualizados sobre a disputa eleitoral que será travada este ano em Mato Grosso do Sul. Os números deixaram todos felizes. Bolsonaristas e Lulistas gostaram porque mostra que a diferença entre ambos diminuiu. Bolsonaro tem 38.2% e Lula 30,1%, o que sinaliza que até as eleições podemos prever disputa acirrada. Mas o Bolsonarismo está na frente, mesmo com o caos instalado no País. Quem explica o fenômeno?

Os números são provisórios e, na minha concepção, pesquisa e ambiente eleitoral só darão sinais consistentes entre o final de junho e começo de agosto. Até lá tudo é marketing distrativo para alimentar egos e promover pajelanças entre os “gênios” que habitam as casas partidárias.

No que toca à disputa ao governo do Estado, os quatro candidatos que, desde o ano passado, despontam como os preferidos mantêm-se na linha de frente. Haverá mudanças nesse quadro? Não dá pra saber. Acho que com horário na TV e debates tudo muda.

A novidade desta nova rodada da Ranking é que ela registra um crescimento de Marquinhos Trad, que, no levantamento anterior, estava em terceiro lugar, e agora pulou para o segundo, deixando Rose Modesto pra trás e aproximando-se de André Puccinelli. O que as próximas pesquisas dirão é se ambos atingiram o teto ou podem crescer mais.

De acordo com os especialistas, isso se deu em função da saída de Zeca do PT do páreo (que pontuava entre 8 e 10% na amostragem anterior) e a entrada da desconhecida Giselle Marques como pré-candidata do PT. 

Como em política não se suporta vácuo, parte dos eleitores que preferiam Zeca migrou para Marquinhos. A ver lá na frente se Zeca, apoiando Giselle,  faz estes índices retornarem para o lugar de origem ou serão fidelizados pelo ex-prefeito. Tudo ainda é uma incógnita. 

André Puccinelli não se movimentou. Rose está quietinha. Riedel subiu dois pontos, dentro da margem de erro. Olhando pra trás, é interessante notar que o candidato do Governador Azambuja saiu de magros 3% no final do ano passado e pulou para 17%. Não é trivial. 

Começa a despontar no horizonte, na esteira do Bolsonarismo mais pesado, a candidatura do Capitão Contar. Avaliam que Contar está apenas se exercitando para fortalecer ainda mais sua musculatura eleitoral para o legislativo. A ver.

É interessante reparar que essa amostragem da Ranking é boa pra todo mundo. Deixa as militâncias com esperança. Por enquanto, o interior do Estado é o foco. Todos estão semeando pequenos e médios municípios. Riedel tem sido o melhor sucedido porque tem uma máquina poderosa nas mãos e é candidato (pouco conhecido e com rejeição baixa) de excelente performance administrativa. Está faltando cheiro de povo. Ele deve ser mais falado pela dona Maria e pelo seu José. Se conseguir esse feito, dará trabalho.

André recolhe os benefícios dos anos em que foi secretário, prefeito e governador, avivando a memória do eleitor de seus atos e feitos. Na linguagem do marketing ele está estimulando seu recall. Puccinelli conhece todas as camadas de nossa sociedade (a mais profunda e a com maior proeminência), mas está muito cauteloso, temendo o risco de provocar polêmicas, que é o seu forte. 

Rose e Marquinhos trabalham no mesmo espectro político no imaginário social: o populismo barato e o assistencialismo de ocasião. Eles falam de deus, caminham com mansidão, fazem carinho na dona Maria, são grandes fingidores.  As camadas menos esclarecidas e mais pobres são as mais suscetíveis a essas investidas. Mas outra parte da sociedade identifica esses modos como hipocrisia e falsidade. O que pesará mais?

Riedel é o candidato mais ideológico. É um social-democrata que agora está aprendendo a conhecer em profundidade os parâmetros contraditórios de nossa sociedade. Por pragmatismo, ficará em cima de dois palanques presidenciais: Dória e Bolsonaro. Num Estado com nossas características, é o mais sábio a se fazer. Esse é preço pelo fato de ter a ex-ministra da Agricultura Teresa Cristina ao seu lado. 

Cenários eleitorais são circunstâncias. Fatos e escândalos turbinam o dia a dia das campanhas. Agenda positiva é desconstruída com a rapidez fugidia das conversas de botequim. Depois dos telejornais noturnos, a realidade é outra. O eleitor é viciado em novidades. Quanto pior a notícia, mais ele presta a atenção. Esse é o mundo em que vivemos. Os candidatos têm essa percepção? Se tivessem não fariam nem falariam as bobagens que vemos nas redes sociais e que fomentam a terrível falta de credibilidade das instituições.

(Volto ao assunto)

*Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul 

Eduardo Riedel enfrenta ataques. Acusação? Ele não é conhecido e não decola. Deve ser piada   Dante Filho** O tempo das pré-campanhas é o t...


Eduardo Riedel enfrenta ataques. Acusação? Ele não é conhecido e não decola. Deve ser piada


 

Dante Filho**


O tempo das pré-campanhas é o tempo do ensaio, da improvisação, do experimento, em que muito se fala e pouco se faz. 

Políticos acham que trabalhar é andar pra lá e pra cá, dando as mãos aos distraídos, abraçando velhinhas e pegando crianças no colo. 

Pré-campanha é o reino fantasia. É o esquenta, nada é pra valer, os pretensos candidatos estão simulando e coreografando. Quem gosta, pode se divertir.

O espetáculo mesmo começa em agosto, que é quando as candidaturas usarão seus modos e meios para conquistar os eleitores. 

No nosso caso, os pré-candidatos ao Governo podem ser acompanhados pelas redes sociais, nas postagens que invadem  nossos celulares e computadores, concedendo entrevistas às emissoras de rádio, aparecendo na imprensa. 

Trata-se de filtragem de imagem. Nada ali é literalmente verdade. É apenas linguagem de corpo.

Cada candidato tem seu estilo. Como dizia Lacan, o estilo é a forma que fornece o conteúdo.

Marquinhos Trad segue o personagem antigo: a do andarilho solitário. Podemos vê-lo aqui e ali, falando as platitudes de sempre, com seus passinhos  apressados tal qual garça saltitante. 

Ele usa ostensivamente a rede, parecendo às vezes desesperado para aparecer em todas as circunstâncias. É enjoativo. Porque só tem dança e pouquíssimo conteúdo. 

E assim ele segue cumprimentando o seu José e dona Maria, fazendo foto com populares com aquele discurso manjado de que está recolhendo subsídios para formular seu plano de Governo. Tudo lorota.

Já Eduardo Ridel aparece geralmente acompanhando as obras do Governo do estado, fazendo par com o governador, secretários e assessores, comendo churrasco em festas do interior, e, mais recentemente,  sentindo o cheiro do povo, abraçando todo e qualquer popular que encontra pela frente. O banal como modelo de apresentação.

 Ridel  também gosta de falar de gestão. É o carro-chefe. A imagem que transborda é a do homem calmo e sereno, falando um português correto com voz potente, procurando não criar arestas no ambiente político, tentando somar o máximo possível de apoio. 

As maiores “denúncias” que enfrenta é a de ser pouco conhecido e não decolar nas pesquisas. Sem comentários.

Ele encarna o governismo. Acredita que a sociedade deseja o continuísmo, acha que o eleitor está diferente e não deseja mudanças, apenas aprimoramento do que vem sendo feito, escorado no fato de que a administração estadual equacionou sua crise financeira e que o tesouro está bamburrando. 

André Puccinelli vai na mesma linha. Ele é gestor dos bons. Aprovado e comprovado. Ao contrário do que se imaginava sua postura tem sido a da serenidade.  Aquele André mercurial e bocudo está dormindo. Até o momento não falou maluquices. Não teve chiliques autoritários nem contou piadas politicamente incorretas que deixam os seus apoiadores  completamente em pânico. A vida ensina.

 André sabe por experiência própria que tem que tomar muito cuidado para que aquele personagem antigo não retorne das sombras. Se eventualmente aparecer, os adversários aproveitarão para relembrar ao eleitor  fatos com os quais ele não quer ter que lidar. Por isso, o homem está pisando em ovos.

Já Rose Modesto tem se comportado como uma mocinha pueril, com aquele sorriso de Mona lisa, tocando violão pelas estradas da vida, no estilo “ando devagar porque já tive pressa”, embora tenha gente entendida em política que acha que seu caminho será curto, cuja estrada talvez desemboque no processo eleitoral em que ela possa se tornar uma candidata imbatível lá na frente para disputar a prefeitura de Campo Grande.

São jogos eleitorais de hoje que se faz pensando no amanhã. Há também os outsider do tipo Capitão Contar e Giselle Marques, que, à direita e à esquerda, poderão fazer campanhas ideológicas para demarcar posições.  Se eles realmente disputarem serão pontas de lança do Lulismo e do Bolsonarismo, que hoje representam a polarização dos afetos de parcela da sociedade. 

Vamos acompanhar o processo. Espero que, no final, entre mortos e feridos, todos sejam salvos.

(Este artigo foi publicado originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul.)


JESSÉ ORTEGA* Existe um sentimento cada vez mais forte nos círculos sociais das denominações pentecostais e protestantes: Marquinhos Trad nã...


JESSÉ ORTEGA*

Existe um sentimento cada vez mais forte nos círculos sociais das denominações pentecostais e protestantes: Marquinhos Trad não será o rosto dos evangélicos nas próximas eleições ao governo do Estado. 

A disputa pelos votos desse segmento está dividida entre outros dois pré-candidatos: Rose Modesto e Eduardo Riedel. Ambos vem atraindo a atenção de líderes religiosos e fiéis com um discurso convincente, posturas republicanas e sem apelações ao sentimentalismo de ocasião. 

Bastará a Marquinhos outras opções: a primeira delas é submergir e tentar encontrar sentido no que diz. A outra tentativa, seria um terapeuta  e remédios para ajudá- lo a  encontrar um caminho para sua alma confusa.

É constrangedor, mas o ex-prefeito não percebeu ainda - e sua assessoria lá no Carandá Bosque anda comendo barriga - que esse discurso messiânico que ele declama nas suas entrevistas, como enviado dos céus para construir um novo jeito de se fazer política, não cola. 

A grande maioria não vota com base em preceitos religiosos. O tal voto do cajado pode funcionar para cargos parlamentares. Esse lance  de evocar pureza e santidade é uma tática velha, inoportuna e vem derretendo a  reputação de Marquinhos. 

Para que os leitores tenham ideia de como esse tipo de comportamento é primitivo, no século III da era cristã o Imperador Constantino já usava esse artifício para convencer romanos e cristãos de que era um homem do povo e eleito de Cristo para governar Roma. 

Marquinhos não consegue vir a público concatenar ideias e apresentar algo construtivo para o desenvolvimento de MS. Não encontramos, por exemplo, nas suas redes ou em entrevistas, nenhuma proposta sobre como diminuir a desigualdade, reforma do ensino médio ou uma opinião sobre os preocupantes níveis da inflação no País. 

No Instagram do ex-prefeito, só o encontramos em dois momentos: ou ele está sozinho, vagando pelo interior do Estado gravando vídeos proféticos nas rádios ou tentando convencer treinadores das categorias señors ou masters de que leva jeito para o futebol de várzea. 

Ele não entendeu ainda que para governar um Estado com a complexidade de problemas que o dia a dia se impõe é preciso muito mais do que discursos religiosos, é preciso projetos, proposta e coragem para discutir os reais problemas de MS. 

O eleitor quer saber o que o candidato vai fazer para melhorar sua vida. Como se diz, o povo não quer mais o pão sobre à mesa, agora, ele quer também  o pudim.

*Sociólogo e estudante de teologia 


Dante Filho ******* É chato ter que escrever isso: Marquinhos Trad deu a primeira pisada feia na bola de sua campanha eleitoral quando o Cam...




Dante Filho *******

É chato ter que escrever isso: Marquinhos Trad deu a primeira pisada feia na bola de sua campanha eleitoral quando o Campograndews revelou que o transporte aéreo de sua candidatura vinha por conta de uma empresa de fachada pertencente ao famoso Zeca Lopes, personagem sombrio de nebulosas transações de nossa política, amigão do peito de Delcídio do Amaral, preso e acusado de crimes de pedofilia, sonegação de imposto, corrupção etc. 

No primeiro momento, tentou-se empurrar o abacaxi para o juiz aposentado Odilon de Oliveira , candidato ao senado pelo PSD, que, no passado, foi quem autorizou a PF a investigar e depois colocar a ferros José Carlos Lopes . Mas Odilon declarou que apenas  “estava pegando carona com Marquinhos” para viagens ao interior num aviãzinho de 5 lugares.  

Perguntado sobre os motivos de estar na bagagem aérea, o ex-juiz saiu com a prosaica resposta: “como vou adivinhar de quem é o avião? Fiquei sabendo agora!”. O homem deve ser santo.

Certamente, os áulicos do PSD encontrarão melhores respostas durante a semana, tentando criar uma versão mais palatável para o acontecido, mas pegou muito mal para Marquinhos porque seu porta estandarte de campanha é a do “homem com mãos limpas e de passado irretocável”.  Com qualquer ligação com Zeca Lopes, é impossível acreditar nisso.



Se o ex-prefeito da Capital ouvisse conselhos ( e prestasse atenção no que gente decente diz a ele) procuraria ser mais cuidadoso com a escolha de seu entorno, principalmente neste momento em que todos os seus adversários estão concentrados em desconstruí-lo. 

Sua fama de Pinóquio já colou. A cidade em que Marquinhos diz que é a melhor do Brasil vive o caos. As finanças da prefeitura estão com as pernas bambas. Sem contar as maledicências que andam correndo feito rastilho de pólvora em torno da herança que deixou para a atual prefeita Adriane Lopes. 

Ele divulgou que deixou R$ 1,5 bilhão no caixa da prefeitura. Quando se pergunta para os técnicos  da prefeitura se tal fato é verdadeiro, a resposta vem na forma de um retumbante silêncio. Complicado.

Noutras palavras, Marquinhos é um personagem em busca de um texto. Se vai encontrar as palavras certas, não será junto com o ex-juiz Odilon num avião de Zeca Lopes.

Para Marquinhos e os demais candidatos (Puccinelli, Rose e Riedel) o atual momento é delicado demais para se enfrentar escândalos.  No meio de uma campanha pode até ser administrável, mas na largada é um pecado mortal. Estar associado com Zeca Lopes vale ajoelhar em cima do milharal e rezar quinhentas aves marias para ver se deus perdoa. 

O eleitor, certamente, poderá esquecer lá na frente, mas seus adversários, não. 

O esforço de Marquinhos para estar mais presente em várias cidades interioranas em curto espaço de tempo insere-se na lógica política adversativa,  porque no ano passado, por conta do processo de vacinação da pandemia, o ex-prefeito cometeu o erro de impedir que doses únicas da Jansem atendessem 13 municípios da região de fronteira. Ali se fomentou uma briga antiga, que está latente da sociedade sul-mato-grossense, da Capital versus interior. Com esse sentimento não se brinca.

Neste aspecto, para o ex-prefeito tornar-se competitivo ele terá que percorrer dezenas de municípios para conseguir, intuitivamente, formular um discurso que contraponha a máquina operacional do Governo do Estado, que vive um momento excepcional, o que dá margem a se pensar que o eleitorado vai apostar no continuísmo e não na oposição. 

Essa é uma equação complexa. Só que os políticos profissionais sabem disso. Os amadores apostam na sorte. Vamos ver no que vai dar...

Nas primeiras visitas do ex-prefeito ele percebeu que poderá contar parcialmente com Dourados ( segundo maior colégio eleitoral do Estado, com 7% dos eleitores) e outros pequenos lugarejos. Mas enfrenta resistência por conta de não cumprimento de acordos da Família Trad  (no interior ninguém diferencia quem é quem quando se trata de políticos com o mesmo sobrenome), embora Marquinhos confie em seu charme e fala mansa para contornar a situação. 

Enquanto “isso, Puccinelli e Rose seguem com uma campanha “ discreta” (limitando-se a entrevistas leves à imprensa e postagens ruins nas redes sociais), enquanto Riedel corre para capitalizar inaugurações de obras, lançamento de projetos , acordos com prefeitos e vereadores, carregando o governador, a ministra Tereza Cristina e dezenas de prefeitos e lideranças políticas, sem ter ainda uma estratégia para descer às camadas mais profundas da sociedade, lugar onde Marquinhos, André e Rose são personagens conhecidos e ramificados em função de ter exercido cargos com profundos vínculos com a massa bruta de eleitores. 

Mato Grosso do Sul tem quase 2 milhões de eleitores, dentre os quais 33% residem em Campo Grande. Os 67% restantes estão espalhados por 78 municípios, sendo que 20% residem em Dourados , Corumbá, Três Lagoas, Naviraí e Maracaju. 

Analisando pesquisas publicadas e internas tudo indica que Puccinelli disputará o segundo turno com um dos três pré-candidatos. Neste processo, caso as campanhas não reorientem tendências eleitorais, Rose tem chances modestas enquanto Marquinhos e Riedel podem disputar com chance real de vencer.  

Só que Marquinhos está sendo rifado por conta de seus próprios erros e do seu próprio perfil pouco gerencial, sem identidade ideológica e por atribuir a si mesmo dons divinatórios. Credibilidade e consistência de propósito será a matéria dura dessa campanha. 

Se o ex-prefeito não conseguir diminuir o tamanho de seu ego, entrará em julho ( tempo que será decisivo na atual campanha) sem nenhuma chance de chegar lá. 

Vamos aguardar.


 


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