Recebi esse texto da artista plástica Ana Ruas depois de publicar um poema no último domingo tendo como referência uma tela que vi em sua...


Recebi esse texto da artista plástica Ana Ruas depois de publicar um poema no último domingo tendo como referência uma tela que vi em sua casa tempos atrás. Ana, generosamente, enviou-me essa carta, que, na verdade, é mais do que isso: trata-se de uma leitura sobre seu processo de criação. Daí, o interesse de torná-la pública, mesmo sabendo, humildemente, que sua obra é muito mais importante que alguns rabiscos que traço. Obrigado Ana, não sei o motivo, mas esse quadro mexeu profundamente comigo. 

“Algumas horas se passaram e a tela continuava branca e imaculada, olhando p mim. Isso era assustador! Entre ela e eu, além dos 40 cm, havia os ponteiros do relógio que insistiam em nos distanciar. Eu estava resistindo em dar a primeira pincelada! Precisava adiar a quarta tela da série Redes, pois novas imagens povoavam meus pensamentos, naqueles dias. 

A água tocando a areia, o volume das ondas e o esforço que eu fazia para ver a linha do horizonte me trouxe lembranças do meu primeiro contato com o mar, aos 15 anos de idade. 

Lembro que, paralisada, olhei fixamente aquela imensidão, tentando disfarçar para que nenhum de meus amigos descobrisse que eu nunca havia tocado meus pés na areia e água salgada do mar, antes disso. 

Mas, isso já faz muito tempo! Neste verão, eu observava minha filha dançando sem parar na areia, chutando a água e ignorando a placa escrito PERIGO. Com minha máquina fotográfica tentei eternizar a sorte dela em conhecer o mar ainda criança. 

Sentia como ela curtia o toque, o vento, o cheiro, sem disfarçar aquelas sensações. Ela estava inserida no cenário, o azul que banhava tudo, criava a atmosfera e eu de pé, sentada ou deitada no chão, clicava para congelar e engarrafar o tempo! Retornando ao ateliê pensava que para ser honesta comigo mesma, não fazia sentido pintar outra coisa, precisava pintar estas memórias. 

Então, respirei fundo e abri todas as bisnagas de azuis, brancos e verdes e me joguei com o coração acelerado no processo de construir, eliminar áreas e de penetrar na pintura . Dentro dos dois metros quadrados, só ficava as sensações e a vontade de mostrar através das cores e formas o que é indivisível para mim através das palavras. 

Pintei também a placa que a câmera fotográfica captou , mas ela não fazia nenhum sentido, e como cada pincelada é uma tomada de inúmeras decisões, decidi substituir a palavra original PERIGO por BE HAPPY.

Combinava mais com a Helena! Dei corpo à tela por alguns dias, depois a deixei pendurada na parede, ainda inacabada. Precisava de mais fôlego para mergulhar nela de novo. Deixei, de propósito, em uma parede exposta aos olhos “dos mais curiosos”. É um exercício que faço para eu ficar envergonhada e comprometida e, finalmente, repensar a pintura. 

Penso em concluir em breve, e, se ainda não o fiz, é porque ainda está em processo visceral e assim, eu consigo sentir mais o cheiro do mar e lacrimejar com o azul do céu. 

Se finalizo, me despeço um pouco, ainda que só um pouco, da oportunidade de lembrar da sombra da menina na areia, da transparência da roupa, do cabelo voando, das gargalhadas e do grito : 'Mãe, olha que lindooo!!!!' 

Passado um tempo, entra você no meu ateliê, observa a pintura e toma a decisão de usar seu precioso tempo escrevendo um poema sobre ela. 

Dante, hoje é domingo! Recebi o poema dei um grito de felicidade, em pleno restaurante, quando abri o post e percebi, nas suas palavras , todas as minhas sensações. Hoje, eu tive a certeza: É o olhar do OUTRO que completa a nossa obra! 

Obrigada 

Carinhosamente Ana Ruas”


R esolvi manifestar minha tristeza com o Corinthians publicando este artigo. O texto é um desabafo sobre a queda do time na tabela faltan...


Resolvi manifestar minha tristeza com o Corinthians publicando este artigo. O texto é um desabafo sobre a queda do time na tabela faltando poucas rodadas para fim do Brasileirão. A equipe desaponta em campo e eu vivo uma espécie de pesadelo diário. 

Meu flagelo começa com manhãs reflexivas e culmina em noites insones. Mas o pior martírio fica nos corredores do serviço. Ali, no prédio onde cumpro expediente e circulo pelas repartições, colegas atrevidos apontam o dedo para mim zoando: “Cadê o Timão campeão?”. 

A pergunta emblemática me deixa cabisbaixo e sem resposta. Até o término da competição, essa será minha rotina. O pior de tudo é que não tenho mais coragem de olhar para aqueles são-paulinos arrogantes e estufar o peito profetizando que o Tricolor será rebaixado. Até isso foi tirado de mim. Os caras estão jogando uma bola redonda e Hernanes vai livrar a equipe da degola.

Com a estima lá no chinelo, percebo grupos de outras agremiações comemorando o fracasso do meu time. Ouço risadas precedendo um tapinha nas costas e logo em seguida a frase: “É só um jogo de futebol, vai passar”. 

Saudosista, por esses dias, evoquei a lembrança do gordinho Ronaldo Fenômeno, que mesmo acima do peso guardava a bola nas redes. Dribles desconcertantes, chapéu no goleiro e gols magistrais. Éramos felizes e não sabíamos.

Infelizmente não temos mais aquele tecido adiposo em campo e sobrou a parca inspiração da dupla Rodriguinho e Jadson (que faz dupla com Jads?). Quanta mediocridade nas quatro linhas.

Na próxima rodada o Corinthians enfrenta seu maior rival: “Parmera”. Será um jogo estratégico, com direito a choro, revertério intestinal e muita emoção. Quem errar menos leva três pontos para casa.

A equipe do Palestra Itália encostou na liderança e está há cinco pontos de alcançar o Timão no topo da tabela. Em se tratando de um clássico regional é difícil prever um resultado.

O favorito é o Verdão que no segundo turno tratora os adversários. Já o Corinthians segue na ponta, mas com dificuldade de respirar na liderança, sobrevive com ajuda de aparelhos. 

Caso o alvinegro consiga a vitória, será o primeiro resultado convincente no segundo turno e praticamente sepulta as pretensões palestrinas, com a equipe do Parque São Jorge abrindo novamente 8 pontos para o Palmeiras.

Santos e Grêmio ainda estão vivos na competição, com chances numéricas de alcançar a liderança. Mas dificilmente isso vai acontecer. O tricolor gaúcho está mais interessado na libertadores e  o Peixe pouco inspirado, não convence.

Domingo o Corinthians terá a chance de se redimir. Joga em casa, os ingressos estão esgotados e uma torcida entusiasmada promete empurrar Jô, Arana e companhia para cima do Palmeiras. Basta saber se a mesma motivação das arquibancadas vai embalar o time em campo. Apostas?

Jornalista*

Esses três poemas compõe o livro que estou dando por encerrado. O título (ainda provisório) será "Cabeça de Chapéu" e reunirá...


Esses três poemas compõe o livro que estou dando por encerrado. O título (ainda provisório) será "Cabeça de Chapéu" e reunirá um trabalho que estou desenvolvendo há cerca de três anos. Não sei ainda se será satisfatório. O poema tem sua perfídia: ele esconde sua natureza estética na ilusão de nossa vaidade. Mesmo assim, chega um momento da vida que temos que correr todos os riscos. Afinal, o que temos a perder?


Pausa IV

No futuro,

Continuaremos a falar do futuro

O tempo circulará ao redor 

de  nossas vidas

Emanando o mesmo tema

E tudo permanecerá igual: 

Tudo se repetirá
Até nas infinitas coisas; 
Em si mesmas
Em círculos constritos
Sobre as mesmas tragédias
De toda a história que foi e será.


Menina na praia
( sobre uma tela de Ana Ruas)

Na margem, 
A menina esvoaça seu vestido
E transforma o azul imenso
No puro vestíbulo do ar.

Na paisagem,
O olor enevoa-se na tênue brisa
Dos passos de quem se lança
Pensando que o amor não tem mistério nem mar.

Suavemente, 
As ondas quebram-se na areia
Nos desdobramentos da cor.

E assim chusmaça o vento inexistente
(De sal e água)
Dando vida à tela branca
Na planura da beleza e da dor.


O dia do homem Drummondiano

- Sou o homem que recebe cartas
Leva o cachorro pra passear
Olha pela janela
Anda pelas ruas
Atravessa na contramão
Vai ao bar
Segue em frente

- Eu sou o homem que olha os pássaros
Que levanta cedo
Que amarra os sapatos
Olha o dia
Dorme à noite
Depois – só depois – 
Bebe uísque e lê poemas de Petrarca.

Tenho lido essa pergunta cada vez mais. As viúvas de Dilma estão revoltadas. Querem saber o que aconteceu com “aquela gente” que batia p...

Tenho lido essa pergunta cada vez mais. As viúvas de Dilma estão revoltadas. Querem saber o que aconteceu com “aquela gente” que batia panelas pelo Brasil afora toda a vez que a “presidenta” aparecia na TV. 

Enfim, trata-se de uma provocação contra a atual letargia da classe média brasileira em relação ao governo Temer. 

Na cabeça dos inconformados com o impeachment do poste de Lula, o mesmo devia estar acontecendo agora, pois o atual mandatário da Nação praticou crimes mais graves do que Dilma. A história ainda vai dizer, por isso devemos esperar o resumo da ópera antes de tirar conclusões.

Claro, essa turma sabe qual é a resposta sobre a falta de panelas nas janelas dos apartamentos. 
O quadro é tão esquisito que acho que Temer talvez possa aparecer fazendo chuvinha com notas de dólares em rede nacional que não se ouvirá nem tilintar de talheres.

Qual o motivo? Primeiro, uma questão de imagem: ninguém agüentava a cara da mulher que arrastou o País para a pior crise financeira de todos os tempos e resistiu – contra todos os argumentos de que seria melhor renunciar para evitar mais desgaste da economia – por vaidade e arrogância. 

Segundo porque Michel Temer, com aquele estilo manequim de funerária, tem tempo certo de validade e tem – gostemos ou não - mantido certa estabilidade na economia. 

Mesmo cercado de uma camarilha de abutres, a massa tem a sensação de que ele representa a total irrelevância da política em nossas vidas, sabendo que logo, logo estará engendrado com longos processos judiciais. 

Temer é tão infame que nem panela merece. Nesse aspecto, aqueles que estão reclamando da ausência do tam-tam-tam deviam ficar felizes com a indiferença das massas silenciosas. 

Ela voltará a ficar barulhenta em 2018. Podem ter certeza.

Há mais de dez anos sou filiado ao PSDB. Ingressei no partido pelas mãos da ex-senadora Marisa Serrano. Até então, pertencia ao PPS. Com...


mais de dez anos sou filiado ao PSDB. Ingressei no partido pelas mãos da ex-senadora Marisa Serrano. Até então, pertencia ao PPS. Como fui assessor de imprensa de Marisa, ela formalizou o convite sob o argumento de que seria importante que eu agregasse a atividade profissional com a militância, ajudando o partido a produzir materiais de divulgação para ganhar espaço no Estado. 

Concordei. Exerci duas funções burocráticas dentro do tucanato. Fui diretor de comunicação do Instituto Teotônio Vilela de MS, sob a presidência do ex-deputado Ben Hur Ferreira (atividade não remunerada) e delegado do diretório municipal do PSDB de Campo Grande. 

Ao longo do tempo, fui servidor do senado federal nos mandatos de Marisa, Antonio Russo e Ruben Figueiró. 

Como militante, ajudei a coordenar em MS as campanhas de Geraldo Alckmin e José Serra. Como teórico e intelectual do partido organizei palestras para difundir nossos programas partidários e ajudei a promover debates sobre a social democracia brasileira. 

Em várias campanhas locais participei da preparação de candidatos a vereadores e a prefeitos para embasar temas de campanha, dando-lhes escopo teórico. 

Escrevi textos programáticos, artigos, programas de governo (inclusive o de Reinaldo Azambuja) e atuei diretamente na divulgação de campanhas em redes sociais. Fazia isso em horas noturnas, madrugada adentro, fora do expediente.

Pra quem não sabe, trabalhei e trabalho mais de 12 horas por dia, escrevendo, acompanhando o noticiário, lendo, pesquisando, preparando relatórios e fazendo anotações de dados que considero importante no dia a dia. Na verdade, trata-se de esforço interno, pouco visível, sem que isso desmereça os trabalhos operacionais de outros profissionais. 

Só que o tipo de trabalho jornalístico que proponho a fazer exige esforço físico e concentração permanentes. 

Toda a minha atividade no PSDB foi voluntária e não remunerada. Nunca pensei em trabalhar para um partido com a perspectiva de obter ganhos financeiros. Minha formação cristã arraigada acabou internalizando no meu pensamento que "dinheiro é coisa suja". Não consigo me libertar dessa herança mental. Alguém me ajuda?

Considerava meu salário no senado bom o suficiente para atuar em amplas atividades, tanto do ponto de vista institucional como político. Esse período me possibilitou ter uma das melhores bibliotecas da cidade.

No fundo, muitos colegas jornalistas vão concordar comigo, o mercado de trabalho local – suas características, suas precariedades, suas fragilidades – não permite muitas opções sem que nos afastemos do setor público. A iniciativa privada ainda é muito dependente dos governos. Essa é a realidade. 

Mesmo assim, meu envolvimento com o PSDB foi pleno: lia o Fernando Henrique, o José Serra, Pérsio Arida e toda essa turma de centro-esquerda do partido, acreditando que havia chance de fortalecer o centro político brasileiro atraindo parcelas da esquerda e direita moderadas para formular um novo projeto de País, que seguisse um caminho oposto ao populismo e ao patrimonialismo. 

Na esfera local, segui o mesmo padrão: participava de um grupo dentro do PSDB que agregava militantes e lideranças que permeavam os espectros políticos ditos acima, sedimentado na luta contra o petismo mafioso que havia assumido o poder. (Ressalto que reconheço que existem alas petistas corretas e coerentes, mas que, com o tempo, tornaram-se minoritárias, deixando de ser opção por inanição). 

Na campanha de Reinaldo Azambuja (2014) vi duas coisas que me chamaram a atenção. Uma de caráter político, que foi sua intensa proximidade com o ex-senador Delcídio do Amaral. 

Outra, pessoal, pois observei que Azambuja sempre andava cercado de seguranças, algo que, convenhamos, para a minha formação democrática, me parecia algo foram de tom. Quem se cerca de gente armada tem um pé na máfia, pensava.

Do ponto de vista histórico, acho que ainda não é o momento de se relatar em detalhes sobre os motivos pelos quais eu decidi abrir dissidência e passei a ser crítico do governo Azambuja. 

Para que eu fosse fazer isso, teria que citar nomes, conversas, fazer confidências impróprias, enfim, ia aborrecer pessoas que gosto e admiro. 

Abri meu blog porque todas as portas do mercado de trabalho se fecharam. Nunca ganhei dinheiro com isso. Mas é uma válvula de escape que acredito ser necessária para o debate Republicano.

Sabia que no momento em que adotasse um tom crítico e contundente contra o tucanato, a resposta seria de que esse “rancor” - como eles dizem - era nutrido pelo fato de não ter conseguido uma “boquinha” no governo, coisa típica de pessoas – como costuma afirmar o J. Serra – que medem os outros pela sua própria régua. 

Pagamos o preço pelos nossos atos; mas é melhor enfrentar dificuldades na vida do que vender sua dignidade. 

Por isso, mesmo recebendo pedidos insistentes do meu grupo político para que ocupasse determinada função no governo, tergiversei. Quando as pressões cresceram e se tornaram insuportáveis, decidi, num gesto radical, escrever um artigo para, como se diz, detonar a ponte para que não houvesse possibilidade de retorno. 

Azambuja ficou aborrecido e começou um processo de perseguição sistemática por parte de sua turma. Não sei se ele (Azam) tem conhecimento dos detalhes desse processo.

De minha parte, queria ficar afastado do núcleo governamental porque achei inadmissível que Azambuja nomeasse Sérgio de Paula ( e outros) como dono do governo, personagem que nunca apreciei, nunca fui próximo, sabendo, por experiência e temperamento, que em poucos meses entraria em rota de colisão com ele e sua tropa de choque. 

Antevi que Azambuja estava construindo seu próprio desastre. Conhecia todo seu entorno. E aprendi com a vida que você é aquilo que suas companhias revelam. A essência do seu ser são sua família e seus amigos. 

Digo com muita tranqüilidade: por prevenção, confusão momentânea, intuição e sentimento persecutório tomei a decisão, por livre e espontânea vontade, de ficar longe do governo Azambuja, colocando a minha massa crítica contra ele. Concluí rápido que seu governo era inservível. 

Não existiu, portanto, em nenhum momento nessa época contrariedade de ordem fisiológica. 

Fui eu que não quis participar da República de Maracaju. 

Fui eu que insisti continuar trabalhando próximo da ex-senadora Marisa Serrado, no TCE, pois imaginei que a nossa afinidade intelectual me protegeria das pressões de natureza política que ela passou a receber depois que fui nomeado para trabalhar na Escola do TCE. 

Claro, ela não suportou e cedeu. Compreendi. Mas ao mesmo tempo fiquei liberado para criticá-la, até em benefício de sua história e sua reputação. 

No próximo ano tem eleição. O tucanato militonto que não conhece meu percurso dentro do PSDB insistirá na tese do “ranço”, da “inveja”, dos “interesses contrariados”, mas o tempo e a vida mostrarão a imarcescível verdade das coisas.

Por enquanto, ficaremos por aqui...

Não posso afirmar se a deputada Tereza Cristina é boa ou má parlamentar. Do ponto de vista institucional, seu mandato me parece insípid...


Não posso afirmar se a deputada Tereza Cristina é boa ou má parlamentar. Do ponto de vista institucional, seu mandato me parece insípido, incolor e inodoro. Do ponto de vista político, é um desastre. 


As informações sobre as ações parlamentares de Tereza não me chegam. Ela é ruim de marketing. 



O noticiário perceptível em torno dela só destaca problemas. 



Há meses a pauta que lhe cerca é a da expulsão do PSB. Se um parlamentar é indesejado em seu partido, alguma coisa está errada. Pelo menos aos olhos de quem não compreende o emaranhado sutil da vida partidária.



Claro, sabemos como ela se meteu em sua própria crise: contrariou a ala esquerda do PSB posicionando-se a favor do presidente Temer, que a fustiga com o desejo de lhe retirar das mãos o cargo de líder do partido na Câmara dos Deputados. 



Enfim, o velho jogo do poder.



O cargo de liderança traz vantagens: cargos, verbas indenizatórias, visibilidade, tempo de tribuna, mordomias e trânsito fácil nos ministérios. 



Mas Tereza tem uma personalidade errática. 



Na verdade, ela cometeu um equívoco de origem. Sempre foi instrumento e nunca uma agente política de verdade. Ingressou no PSB a mando do caciquismo local. Nunca foi de esquerda. 



Sempre teve vinculação com o chamado “conservadorismo fisiológico” da direita patrimonialista. 



Seus interesses empresariais e paroquiais sempre falaram mais alto do que sua postura ideológica. Ou seja, ela sempre esteve no lugar errado por conveniência e cumprimento de ordens. Nunca lhe passou pela cabeça se libertar desses esquemas para fazer um mandato mais consistente. 



Tereza cometeu o erro da ilusão: achou que seria fácil ficar dentro de um campo ideológico que nunca fora o seu,  principalmente no cipoal de contradições que é a grande política. Ela estava destinada ao baixo clero, mas foi catapultada a uma função que nunca devia ser dela, por vocação e habilidade. 



Claro, ela tentou enganar seus pares. Ela estava acostumada e mentir como fez no PSDB local e, depois, tornando-se massa de manobra do PMDB, até chegar ao socialismo de resultados que a terminou caracterizando. 



Agora, a notícia de sua expulsão tornou-se uma referência política de seu mandato. Cabe a qualquer cidadão perguntar quais as razões que levam uma pessoa a ficar num partido que, dia sim dia não, pede sua cabeça.



Pior: leva-se à incômoda posição de ficar ao mesmo tempo se oferecendo no mercado do fisiologismo explícito. 



Coitada. No final, em 2018, caberá à deputada um lugar de destaque na ribalta do anonimato, por mais paradoxal que isso pareça.



C ostumeiramente gestores das mais diversas regiões do nosso País, estados, municípios entregam obras não concluídas aos seus sucessores....


Costumeiramente gestores das mais diversas regiões do nosso País, estados, municípios entregam obras não concluídas aos seus sucessores. Com vaidade à flor da pele, muitos desses (geralmente opositores) carecem do empenho e bom senso para conclusão destas ações. 

O ego inflado não lhes permite concluir obras que estejam iniciadas por outros gestores que não sejam eles próprios. O que é obrigação e dever da função dissolve-se numa atmosfera difusa de cálculo político.

A população perde. O Brasil tem abortado recursos que poderiam estar sendo úteis a outros setores da administração pública como saúde e educação atualmente em coma profundo. 

Épocas passadas hospitais eram setores de recuperação. Hoje perdemos a vida nestes ambientes como estivéssemos diante frigoríficos de pessoas. Sabemos o dia da entrada, mas, desconhecemos o momento da saída.

Gestores precisam se atentar que momentos políticos passam. Os atos de hoje refletirão em seus filhos/netos no amanhã. Nosso País está vivenciando um momento sublime de mudança comportamental extrema.

É nítida a nova concepção de política. Hoje temos um aquário do pantanal paralisado por “N” motivos em nosso estado. Não vem ao caso as razões pelas quais o gestor anterior não terminou a obra ou se o atual não a vê como prioridade. O momento é de concluir tal feito para não descartar ao lixo impostos pagos com o suor honesto do trabalhador, cidadãos sul-mato-grossenses.

No auge de uma crise que o País enfrenta - conseqüência de bandidos do colarinho branco - corrói os nervos assistir uma obra daquele quilate estagnada sem prazo para conclusão. 

A irresponsabilidade destes gestores precisa haver fim. Segue sugestão a Assembléia Legislativa/MS para que elaborem e apreciem projetos de responsabilização de gestores que deixarem obras inacabadas em nosso estado durante respectivo mandato. Dinheiro público é sagrado, advém das mais diversas histórias de sofrimento do nosso povo. 

Que Deus permita discernimentos aos homens públicos para que deixem a fatuidade de lado e façam seu dever de casa. Pouco importa o super-herói da façanha. Importante aos olhos íntegros é que verbas públicas não sejam descartadas como as fétidas “zorbas” destes gestores rechaçadas rotineiramente em suas vivendas.

Obras congeladas em nosso País precisam se tornar títulos de acórdãos em condenações judiciais. Gestores ao assumirem casos práticos como estes devem como obrigação concluí-los rigorosamente antes do encerramento do seu mandato. 

Parafraseando Guimarães Rosa: “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”. 

Sejamos mais sensatos. Menos vaidade, por favor.


Advogado 

                                            Antes da chuva começar, Jobson apareceu de supetão na porta da casa da ex-mulher. Disse qu...

                                           

Antes da chuva começar, Jobson apareceu de supetão na porta da casa da ex-mulher. Disse que percebeu nuvens carregadas no céu e com medo dos trovões, fora apanhar as filhas para levá-las à escola.

Mal sabia, mas suas palavras eram prenúncio da chuvarada que desandou em dilúvio e detonou as ruas do bairro Tiradentes, deixando entulhos, destroços e galhos espalhados pela vizinhança.

Com o mundo desabando lá fora, Katyellen teve tempo de passar um café fresquinho e por o papo em dia com o ex-marido. Antes do início da prosa, foi ao banheiro lavar o rosto para melhorar a aparência.

Havia um clima de ciúmes no ar desde que katy passou a frequentar as salas de cinema do shopping. Jobson não gostou de vê-la solta e circulando entre vitrines e corredores. O cara ficou puto, chegando a afirmar aos amigos que mulher sua ninguém tasca. 

Katy soube da conversa e não gostou de ser tratada como um objeto particular. Pelo contrário, desceu dos tamancos e repreendeu o ex. Por causa disso, passaram algumas semanas em silêncio, sem conversar. 

Ela lembrou do fato enquanto servia o café. Em seguida alertou o ex-marido para não tratá-la mais como propriedade. Jobson ficou quietinho bebericando aquele líquido forte. Fingiu que concordou, mas foi só para não aumentar o atrito e tentar uma reaproximação futura com a ex mulher. 

A tempestade tomava gosto pelo bairro quando a bina do celular dele avisou. Era Bambina, a paraguaia que Jobson arrumou na fronteira. Com cara de assustado, atendeu a ligação sem jeito, prometendo ligar mais tarde, mas Katy estava fora de órbita e nem percebeu a precaução do rapaz.

Jobson, esperto que só, não dava bandeira porque lá no fundo, tinha a pretensão de manter as duas sobre custódia, fazendo  muito bem esse jogo de homem que dava o bote na hora certa. 

Durante o papo com Katy, chegou a tocá-la com os dedos, em uma demonstração teatral de carinho e saudade. O passo seguinte seria envolvê-la em seus braços, mas foi interrompido por uma das filhas pedindo dinheiro para comprar lanche na escola.

Katy, sem jeito, percebeu que estava caindo novamente na lábia do ex e recolheu depressa os braços. Em seguida, foi saindo de mansinho alegando que precisava dar conta da casa, como lavar a louça suja do jantar e arrumar os cômodos. 

Com as filhas por perto, Jobson ficou meio acanhado em continuar as investidas, mas percebeu nos olhos da ex uma clima amistoso para uma possível reconciliação.

Antes de partir com as crianças, eles se olharam com Jobson acariciando seu rosto, dizendo coisas bonitas que só os poetas dizem em momentos de amor. Katy ficou vermelha e ele encerrou o jogo de sedução com uma piscadela malandra. 

Dois dias depois, ele estava de volta. Desta vez apareceu na hora do almoço levando um frango assado. As meninas adoraram e agradeceram ao pai. Katy, surpresa, foi logo colocando mais um prato na mesa e o convidou para sentar. 

Ele recusou a oferta, embora esboçasse uma cara de famigerado por fora. Era para fazer tipo e tomar coragem convidando-se para assistir o jogo por lá, logo mais à noite.

Katy concordou de imediato e o intimou pra ficar com as crianças enquanto ela pegaria o cineminha das oito com um grupo de amigas do serviço. 

A proposta deixou o cara maluco de ciúmes, mas Katy não arredou o pé da decisão. Obstinada, ainda o ameaçou dizendo que se ele não ficasse com as filhas, as meninas passariam à noite na casa dos avós, lá no Aero Rancho. 

Não teve jeito e Jobs, muito a contragosto, topou a proposta. A parada incluía ainda fazer o lanche das crias e ajudá- las nos deveres escolares. 

No horário marcado, ele apareceu  carregando um engradado de cerveja e um casco de refrigerante para as crianças. Com a cara amarrada, esclareceu que zelava pelas virtudes da ex-mulher e até se ofereceu para levá-la ao shopping. Ela recusou alegando ter agendado o encontro com as amigas no ponto de ônibus.

Passavam das onze quando Katy retornou. Apontou o nariz dentro de casa e percebeu aquele clima de felicidade conjugal dos tempos antigos: tudo em silêncio, as crianças na cama e Jobson premeditadamente deitado de cueca no quarto. 

Para não fazer barulho, ela entrou na ponta dos pés só para apanhar a camisola e dormir na sala, mas foi surpreendida com aquele homem decomposto e tenso, efluindo desejo. 

Tomou um susto e pensou em ser possuída por ele. Depois, foi só Jobson estender os braços pra ela cair na cama abduzida por aquelas mãos enormes e envolventes. A junção daqueles corpos ardentes, fez ranger a cama, com Jobson terminando à noite como herói.

Depois da madrugada festiva com a ex -mulher, ele saiu apurado rumo a Ponta Porã. Era sexta-feira, dia em que Jobson atacava em outra freguesia e concentrava seus esforços nas programações paraguaias. Antes de fechar a porta, deixou um bilhetinho carinho para ex. Deu certo, ela gostou.

Jobson chegava na fronteira todo entusiasmado cantarolando um clássico da banda The Doors. A primeira coisa que dizia para namorada paraguaia era o refrão: “Come baby Like my Fire”. Ela não entendia nada, mas respondia recitando uma guarânia: “Una noche tibia nos conocimos, junto al lago azul de Ypacaraí”.

O cara estava perdidamente apaixonado por aquela mulher. Era comum vê-lo postando imagens no Snap tomando tereré, enquanto enaltecia os predicados da paraguaia. Para os amigos, Jobson confessava que vestida ninguém dizia, mas entre quatro paredes aquelas ancas tinham seu valor e seus encantos. 

Com o ex-marido na fronteira, Katy passou todo fim de semana pensando em reatar o casamento. Olhava fotos da família e cheirava uma muda de roupa que Jobson esqueceu por lá. Ela suspeitava das aventuras em Ponta Porã e, por isso, queria tirar tudo a limpo antes de tentar a reconciliação.

Na segunda feira, ela o procurou para conversar. Estava otimista. Ele também. A conversa aconteceu no período em que a casa estava vazia, com as crianças na escola. Era tudo ou nada.

O papo começou com Katy entusiasmada confessando seus sentimentos e enaltecendo as qualidades do ex como pai. Ele agradeceu e retribuiu os elogios. Tudo caminhava para um final feliz e o coração de ambos começou a bater forte.

Mas foi só ela questionar as idas de Jobson para a fronteira que a discórdia apareceu. Ele não concordou alegando compromissos profissionais no Paraguai, onde iria trabalhar nos fins de semana com recorte de adesivos para placas publicitárias.

Ela não aceitou os motivos e a reaproximação melou. A coisa terminou em bate boca com Jobson enfurecido falando toda a verdade. Após o silêncio, um Jobson mais calmo começou a pontuar os motivos, mas ela recusava o diálogo tapando os ouvidos.

Como última tentativa, ele evocou o passado da família alegando que não tinha como ser diferente já que herdara pela corrente sanguínea, o comportamento e mulherengo dos dois avôs.

Sem saída, usou de um engenho genético culpando o DNA familiar e o excesso de testosterona pelas suas estrepulias conjugais. Katy contrapôs com eficiência os argumentos dele, dizendo que Jobs tinha culpa no cartório e com um passado que depunha contra qualquer reputação. 

Com a voz embargada, ela colocou um ponto final na história de ambos, dizendo dessas coisas fortes de cortar o coração. Era o fim de um ciclo e Jobson saia de cena desta relação para cair de vez na gandaia.

A bem da verdade, única coisa que morava naquela cabeça era o desejo por mulheres e farras. Sem Katy, Jobson se arrumou por aqui com uma pirigueti da Vila Pioneiros, qual intercalava as visitas com a paraguaia. A escala incluía encontros sexuais semanais, com dia e hora marcada.

Mas nem tudo era só romance. Com o orgulho ferido pela rejeição de Katy, Jobs passou a segui-la nas baladas. Quem circula pela região dos shoppings, diz que é comum vê-lo encervejado, cabeça baixa e vigiando os passos da ex.

Recentemente, em uma visita ao sobrenatural, saiu da consulta às cartas mais confiante e com a certeza de que a coisa com Katy ainda não terminou. Ele ficou otimista, mas a ex-mulher cética com esse tipo de adivinhação, continua dizendo não.

























O que encontramos por trás de um sorriso nem sempre é a felicidade. Nas lides diárias, tive oportunidade de conhecer pessoas alegres, c...

O que encontramos por trás de um sorriso nem sempre é a felicidade.

Nas lides diárias, tive oportunidade de conhecer pessoas alegres, com humor aguçado, alto astral, porém, muitas delas infelizes. Aquele sorriso habitual, suas gentilezas escondiam personalidades frágeis, outrora, fortes, com bloqueio de transmissão na sua realidade íntima.

Casos freqüentes estão pelas ruas, nos mercados, farmácias, padarias, açougues e outros ambientes.

Dias atrás presenciei um fato que me prendeu atenção. Crianças discutindo sonhos. Uma delas afirmava que o seu maior sonho era conhecer a Disney. 

Alimentando-me do exemplo “Disney” assistimos crianças brincando, com alegrias contagiantes nos parques maravilhosos de Orlando/Flórida/EUA. 

Fazendo um paralelo em raciocínio conseguimos perceber que a alegria está diante falsos movimentos de realização da “tristeza”.

Estão vivos nestes ambientes, personagens infantis alegrando sua platéia com danças, sinais, abanos e cortesias. 

O que não paramos para pensar é que o Mickey, aquela típica figura que marcou nossa infância, bem como, a Minnie, Pato Donald e outros, camuflam em seu interior seres humanos, em sua maioria, tristes.

Dentro do Mickey, da Minnie, Pato Donald entre outros estão almas cansadas, oprimidas, repletas de problemas pessoais. São seres humanos enfrentando a vida como nós; contratados, muitas vezes, com salários incompatíveis aos sofrimentos que se submetem. 

Ali estão pessoas pré-destinadas a transmitir formas diversas de alegrias àqueles que imperceptivelmente não os notam e devido à sua inflexível necessidade, ali permanecem. 

Este é um trabalho desempenhado por pessoas que jamais terão seu mister reconhecido, sequer valorizado, por melhor que tenham sido ou feito. Pessoas invisíveis à realidade. 

O interior da fantasia, aquele meio sombrio, abafado, com pouca visão, vive um corpo suado, cansado, exausto, triste. Triste por estarem a quilômetros de distância da família, dos filhos, longe de suas mães, dos pais. Este é o lugar onde a “criança chora e ninguém ouve”.

Será que estes seres-humanos de alguma forma serão lembrados algum dia? Impossível aos olhos daqueles que desfrutaram do seu abraço e sua dança, mas, não impossível aos olhos de sua história vivida e aos olhos de Deus que presenciaram por centenas de vezes, suas gingas aos prantos de dor e lágrimas escondidas no “subliminar” de uma fantasia, seu ergástulo atual.


Advogado



Esse artigo foi publicado em junho de 2015 no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul. Relendo-o, considero que o tempo ainda não alterou ...



Esse artigo foi publicado em junho de 2015 no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul. Relendo-o, considero que o tempo ainda não alterou sua validade. Por isso, vou publicá-lo no Blog para avaliar mais tarde se ele resistiu ao tempo. 

um debate oco no Brasil sobre o ressurgimento da direita na formação da opinião pública intelectualizada. Compreende-se. A ditadura criou uma intensa polarização de pensamento e posições políticas que deixou como herança, até os dias atuais, modelos consolidados de ranço ideológico. 

Diferentemente de alguns, ainda considero que a díade criada na revolução francesa (esquerda e direita) ainda tem validade como nota explicativa de posições que assumimos perante fatos da vida.

Não que sirva para todas as posições que adotamos em relação a isso ou aquilo, mas reconheço nesta categorização uma forma definidora daquilo que somos quando instados a tomar posições públicas em relação a acontecimentos humanos de repercussão social. Claro que no fundo essa divisão tem uma vacância assombrosa e alguns prefiram dividir os homens e mulheres entre conservadores e progressistas, mas no fundo é tudo uma questão de gosto.

Muitos justificam que essa divisão ideológica não tem mais sentido no mundo moderno. Estes conceitos foram perdidos diante da confusão mental criada após a queda do Muro de Berlim, quando o socialismo dito real sucumbiu com a realidade esmagadora da mercantilização da existência.

Criou-se o truísmo de que a democracia só seria possível com as liberdades proporcionadas pelo capitalismo e que as massas seriam mais felizes com a realização de seus desejos pelo consumismo conspícuo do que com a libertação de seus grilhões patronais. A esquerda brasileira até hoje não compreendeu perfeitamente esse dilema, mas quem sabe um dia...

A partir daí, com a perda referencial de Marx e a ascensão de pensadores como Hayek, as amarras do politicamente correto foram desatadas e, com isso, a esquerda passou a ser maltratada por correntes de pensamento mais ativas no campo do uso da polêmica como força retórica.

Assim, a intelectualidade formada na luta contra a ditadura - e seus rebentos das ciências sociais ligados ao petismo universitário - viu-se atingida no flanco, sem saber o que fazer com vozes dissonantes que davam enfoques diferentes no tratamento de assuntos de amplitude política e social. 

Viu-se de repente que nem tudo era determinismo econômico. Havia mais coisa além de Gramsci e das teorias revolucionárias cubanas.

Por esperteza e oportunismo, diante do argumento de que nesse novo mundo não “existe mais direita e esquerda”, essa turma fez a dobra dialética e começou a afirmar que somente a direita utiliza esse tipo de desqualificação ideológica para se livrar da pecha do conservadorismo. 

No momento vive-se este esforço: como classificar correntes de opinião fortemente amparadas pelo conhecimento histórico, com lastros refinados de cultura clássica, com amplo apuro estético e filosófico, que se dedicam a desmistificar a chamada “esquerda” de boutique de nossos dias?

Daí a tentativa desesperada de rotular esse pessoal de “direitista” quando, na verdade, o que se constata é uma inédita dificuldade de classificação de pessoas que, cada vez com maior influência na mídia, descobriram que podem fazer sucesso de público e de crítica detonando os cacoetes da “velha esquerda”. São os casos de polemistas como Reinaldo Azevedo, Luis Felipe Pondé, Demétrio Magnoli, Olavo de Carvalho dentre outros.

Talvez o que se está querendo mostrar é que a realidade “moderna” está a exigir outro tipo de coerência e outro tipo de compromisso conceitual. Nesta cacofonia geral de pensamentos fora dos modelos tradicionais existem cada vez mais posições estranhas misturando-se ao sabor de fatos e acontecimentos altamente estilhaçados. 

Certamente, os sentimentos à direita e à esquerda estão presentes em todos nós, mas são cada vez mais diluídos, pois está claro que o conceito de liberdade de expressão vem criando uma espécie de domínio – para o bem e para o mal – que faz com que que tudo que é sólido desmanche no ar.




Era 1987 quando Fábio Amadeu apareceu bem vestido e com o tênis da moda: All-Star Converse modelo cano longo. Disse que tinha acabado de...


Era 1987 quando Fábio Amadeu apareceu bem vestido e com o tênis da moda: All-Star Converse modelo cano longo. Disse que tinha acabado de comprar essas e outras coisas em uma loja de gente chic e bacana.

Não dava nem pra acreditar, até bem pouco tempo, repartíamos o lanche, a garrafa de Tubaína e o picolé de groselha. Agora, ele aparecia na nossa frente de camiseta Fiorucci, calça Pierre Cardin e um pisante invocado. E ainda para aguçar mais nossa inveja, levantou a blusa mostrando o cintão da Zoomp, com aquele raio maneiro e a carteira da OP cheia de dinheiro.

O cara tava podendo e fazia questão de nos humilhar. No sábado seguinte, antes do cineminha na rodoviária, pediu nossa presença na barbearia para contemplarmos sua mudança repentina de visual. Ali, a cachopa volumosa e fedorenta deu lugar ao corte new wave, do RPM Paulo Ricardo e seu olhar 43. Causou o maior frisson no bairro, com o cara fazendo sucesso na matinê.

Amadeu era reservado quanto a sua vida íntima, mas confessou que estava vivendo uma nova fase nas relações amorosas, cheia de surpresas, mimos e descobertas sexuais. No papo ainda admitiu desfrutar de conforto e regalias por causa desses encontros secretos.

Ficamos curiosos e ao mesmo tempo preocupados. Amadeu tinha pouco mais de 17 anos e não era o tipo de homem dado a rompantes amorosos ou paixões arrebatadoras. Pelo contrário, nunca fez por onde para preservar um namoro e não gostava de compromissos.

Depois dessa conversa, ele entrou num período introspectivo e não quis mais falar no assunto. Vivia com aquela coisa presa só pra si e toda vez que insistíamos em saber o nome da pessoa, ele desconversava e mudava o rumo da conversa.

Amadeu tinha uma característica marcante: a língua preguiçosa e dificuldades com a pronúncia da letra “L”. Quando o questionamos sobre futebol, dizia logo com convicção: “sou Framengo, craro!”.

Por coincidência, na véspera de um Fra-Fru, algo estranho aconteceu. O Correio entregou uma caixa fechada e muito bem embalada com fitas nas cores do arco-íris. Dentro do pacote, uma surpresa, roupas de grife e a foto de um homem sem camisa. No verso do pôster, uma mensagem de dor e saudade: “Morro sem você e espero que nunca se esqueça de mim. Assinado, Bílu”.

Tomamos um susto e Amadeu vermelho, perdeu a fala. A princípio negou tudo, disse que era engano, mas depois abriu o coração e assumiu o romance. Em seguida, confidenciou sobre a relação atribuindo o caso à quantidade de presentes caros que recebia do "amigo".

Para encerrar de vez aquela conversa constrangedora, disse que tudo chegou ao fim por causa do passado promíscuo de Ale. Naquela época, Amadeu assistiu pelo Fantástico a declaração do cantor Fred Mercury a respeito de uma doença devastadora, transmitida no ato sexual. Preocupado com essa informação, deu um chega pra lá no amante e foi dar um tempo na casa da tia.

Refeito do susto, tempos depois, ele apareceu no pedaço como se nada tivesse acontecido. A primeira coisa que fez questão de frisar foi sobre um namorico com uma telefonista humilde e bondosa para com os namorados.

Amadeu gostava de receber mimos generosos da nova parceira. Dizia que era retribuição aos seus serviços prestados na cama. Como a moça não dispunha de valores expressivos na conta bancária, ela encontrou outra forma de recompensá-lo.

A compensação aparecia na forma de folhas de cheque, qual Amadeu se apossava e fazia valer sua condição de consumista de gosto requintado, distribuindo pré-datados nas lojas do centro.

Quando ela percebeu, já era tarde demais, estava crivada de dívidas por causa dos cheques sem fundos. Ela não aguentou ver o nome sujo na praça e deu o fora no cara. Assim, Amadeu de homem caro, passou a viver de bicos em uma empresa de placas e serigrafia.

Num barracão de zinco envelhecido, ele passava o dia pintando letreiros e camisetas, esperando até o fim do expediente para bater uma bola com a turma do serviço, nas quadras da vila.

Mas algo aconteceu rompendo a monotonia dos últimos meses. Amadeu conheceu Aronildo, um mulato solitário e assanhado acostumado a perambular nas madrugadas em busca de prazer. Aro começou de cochichos e segredinhos com Amadeu e o apresentou a Jéssica, um traveco que circulava pelas bibocas escuras perto da Oshiro, na Costa e Silva.

Por causa disso, Amadeu azucrinava a família barganhando dinheiro para momentos exclusivos com Jéssica. Era comum ver os dois amigos na região da Oshiro com as calças arriadas enquanto Jéssica acocorada satisfazia o desejo de ambos.

A coisa foi saindo do controle, até que Jéssica percebeu algo estranho. Viu-se envolvida perdidamente em um triângulo amoroso. Pior do que isso, o clima entre eles estava pegando fogo, com crises recorrentes de ciúmes.

Com medo de sair chamuscada dessa relação, o traveco sumiu do mapa. Todo mundo supõe que ela foi recomeçar a vida num salão de beleza em Campinas, deixando por aqui Amadeu e Aro desnorteados.

Com a partida da parceira, Aro sucumbiu ao prazer solitário. Já Amadeu ruminava nas fronhas dos travesseiros de tanta saudade. Foram dias difíceis, de febre e delírio. Entregue aos cuidados da família, Amadeu, suava, tremia de frio. Apavorado entre um e outro pesadelo, chamava ora por Jessica, ora por Aronildo. Dava pena.

Perto do serviço, Amadeu disponha da convivência e da generosidade dos tios. Dois deles assumiram o compromisso de ajudá-lo a sair dessa situação. Para consertar o estrago emocional na vida do rapaz, resolveram mandá-lo para um colégio interno em Maringá. Amadeu permaneceu instituição por seis meses, até ser removido da escola por mau comportamento.

De volta à cidade, engatou um romance com uma moça de família. Dizia que era a mulher da sua vida e que por ela tinha tomado jeito, sem chance para a vadiagem dos tempos recentes. A família apostava no namoro e Amadeu começou procurar um trabalho para casar.

Como as coisas andavam difíceis, Amadeu apostou no comércio informal para sobreviver. De começo, arriscou nas vendas de roupas e outras bugigangas trazidas da Bolívia. Como a mercadoria nao teve muita saída, ele resolveu atacar em outra frente.

Desta vez era algo mais arrojada: comandar o setor de circulação de um jornal da família. Para isso, contratou uma equipe de distribuidores e motoqueiros que entregavam os exemplares todas as manhãs.

A coisa ia bem até Amadeu visitar uma loja de bingo. Iludido com a promessa de dinheiro fácil, resolveu apostar todo os rendimentos nas máquinas de caça níqueis. Foi um desastre. Perdeu o salário e o dinheiro dos funcionários.

Com uma dívida gigantesca, deprimido e desacreditado, sumiu do convívio dos amigos e parentes. Foi morar na casa da sogra. Para completar a tragédia, as prestações do carro estavam atrasadas e o banco apareceu de supetão para confiscar o veículo.

Mas Amadeu tinha faro para esse tipo de situação e para evitar surpresas, sempre guardava o possante na casa do vizinho. Quando a turma da busca e apreensão apareceu, Amadeu deu um jeito e inventou uma história : disse ao banco que tinha perdido o carro e mãe em um acidente fatal. Todo mundo chorou.

Sem dinheiro e sem crédito na praça, a coisa apertou financeiramente.  Amadeu deu um jeito de comover os tios. Surgiu de supetão no jornal da família cabisbaixo e com cara de fome vendendo alho. O truque deu certo e Amadeu foi acolhido pela parentela.

Como o jornal vivia mal das pernas, Amadeu mais esperto, fez de tudo para reconquistar a confiança dos tios e se colocou à disposição com eficiência. Isso incluía negociar com os credores e funcionários todas as formas de pagamento da empresa.

A coisa funcionou e Amadeu só saiu de lá quando o veículo baixou as portas. Depois disso, perambulou pelo interior do Brasil e foi parar na goiana Mambaí, onde trabalhou em uma loja de materiais de casa.

Porém algo parecia perturbá-lo. Era falta do convívio com familiares e amigos. Amadeu não resistiu aos anos de saudade e regressou. Por aqui, vive como um bem sucedido empresário do ramo alimentício. Homem sério, fiel religioso, presa hoje pela moral e bons costumes.

Nas horas vagas, gosta de passear pela cidade com a família. Dia desses, tarde da noite, o carro pifou na Costa e Silva e por essas coincidências do destino ele olhou pelo retrovisor e avistou um logotipo imponente piscando. O letreiro dizia: Oshiro Retificadora. Passou um flash na cabeça do cara e da lembrança surgiu uma pergunta: Cadê o Aronildo? Cadê a Jéssica?


*jornalista

O escritor sul-africano JM Coetzee, Nobel de Literatura em 2003, certa vez escreveu um livro que nos apresentava o seguinte dilema: um gr...


O escritor sul-africano JM Coetzee, Nobel de Literatura em 2003, certa vez escreveu um livro que nos apresentava o seguinte dilema: um grupo de crianças que produz um filme caseiro com cenas eróticas pode ser acusado de estar difundindo a pedofilia? 

A questão é complexa. Muitos poderão perguntar em qual contexto Coetzee colocou esse problema meio esquisito. 

Na sua história (pelo que me lembro) ele comenta (é uma mera passagem do romance) a iniciativa surge como se fosse um trabalho escolar. Meninos e meninas púberes elaboram um roteiro, dirigem e atuam numa espécie de filme pornô-infantil. 

O que se diria no momento em que eles apresentassem esse “trabalho” no fim do ano escolar? 

O que você, leitor amigo, diria?

Aqueles que hoje se esfalfam em apontar o dedo para obras de arte criadas por adultos enxergando intenções pedófilas em corpos nus, paus gigantescos, pernas abertas, bundas magníficas deviam perguntar às crianças o que elas estão percebendo nesses objetos. 

Da mesma forma, a pergunta cabe aos adultos. 

Certamente, elas - crianças e adultos - saberão que existe uma enorme diferença entre o mundo real e o mundo mental. Mesmo que se diga que crianças vivem intensamente suas fantasias, acreditando em fadas e duendes, ainda me apego à opinião de que perversidades devem ser evitadas de serem mostradas, pois isso poderia causar distúrbios de valores civilizatórios. 

Só que a vida real não concorda comigo. 

Imaginem o que pode acontecer a uma família vivendo num quarto e sala, num barraco miserável, submersa em sujeira, ignorância e servidão?

Há como existir pureza nesse ambiente?

Talvez a miséria seja a pior forma de promiscuidade.Mas isso é outro assunto. 

Onde, então, entra a exposição de arte do MARCO que assombrou deputados e evangelizadores da moral alheia por causa de uma pintura esteticamente duvidosa semanas atrás? Onde entramos nós, meros expectadores da fúria e da histeria coletiva? Como vamos julgar reações que fogem aos padrões de que a arte ocupa um lugar sagrado da sensibilidade e esclarecimento da alma humana?

Essas vozes – vejo aqui e ali - se levantam em nome da proteção das nossas criancinhas. Essa é a tese conservadora. Mas ela é apenas mais uma entre inúmeras outras. A verdade verdadeira pode estar em muitos lugares. 

Por isso, devem-se refrear os primeiros impulsos e pensar. Pensar.Pensar.

Digamos que esse “objeto” artístico pecaminoso e demoníaco seja um corpo nu de uma pessoa fazendo uma performance dentro de um museu, no qual permite-se que seja tocado. 

Bem, é impossível ficar indiferente a essa camada de problema porque a situação coloca em si mesma tantas questões contraditórias que não há como encontrar um consenso que satisfaça a todos. 

Vem a pergunta: você levaria seu neto de 6 anos de idade para assistir a essa “obra artística”? 

Depende. Penso que o razoável que, em sendo assim, talvez seja melhor que haja uma mediação adulta, mas é impossível afirmar categoricamente que isso possa causar “traumas” irreversíveis nas mentes infantis. 

Em tese, não faria nada. Na prática, pensaria, mediaria prós e contras, discutiria com meus advogados interiores. Tomaria uma decisão madura e esclarecida.

Penso: meninas brincam de bonecas. Meninos brincam de pistola. Simbolicamente, podem ser objetos sexualizados.

Crianças vão à igreja e são submetidas ao horror de um corpo semi-nu,  sangrando e pregado na cruz (leiam Joyce sobre como esse fato marcou sua infância e juventude). 

Elas (as crianças) podem ver galos e galinhas nos quintais fazendo pintinhos, vacas e bois fazendo bezerrinhos e assim por diante. Ninguém condena.

Não há como separar o sexo da vida. Por essa razão imagino que a pedofilia não seja crime tipificado no código penal. Apenas o ato violento, agressivo e sórdido é alcançado pela lei e recebe severa condenação da Justiça e da sociedade. 

Se tal agressão for perpetrada contra um adulto é condenável. Se for contra uma criança é inominável. 

Mesmo assim, uma obra de arte que provoque um debate sobre o assunto deve ser exposta porque a humanidade nunca foi um campo fértil para cordeirinhos inocentes. 

A tentativa de naturalizar a pedofilia pode ser um esforço condenável. Não é aceitável que pessoas doentes consigam chegar a esse ponto, mas transferir para a arte a responsabilidade por isso é no mínimo delírio de tarados enrustidos.. 

Mesmo assim, o fenômeno social que vem levando doentes de outra espécie dar início a uma cruzada pela moral e bons costumes, pedindo a queima dos hereges, me interessa. Quero entender a cabeça desses seres humanos demasiadamente humanos.

Nunca imaginei que tantos malucos estivessem se guardando dentro do armário embutido esperando a hora exata para dar um salto rumo à escuridão de nossa cultura.

Pode ser preocupantes, mas é fascinante! 




Paulista de Regente Feijó, a cirurgiã-dentista Tânia Mara Garib, foi secretária Assistência Social de Campo Grande (Sas) e secretária de...


Paulista de Regente Feijó, a cirurgiã-dentista Tânia Mara Garib, foi secretária Assistência Social de Campo Grande (Sas) e secretária de Trabalho e Assistência Social do Governo de Mato Grosso do Sul (Setas). Posteriormente, assumiu a Secretaria Nacional de Interlocução e Mobilidade Social do Ministério da Agricultura. No próximo dia cinco, ela disputa pela Chapa 2 as eleições para o Conselho Regional de Odontologia (CRO). Abaixo, Dra. Tania fala sobre o processo eleitoral no conselho e também das propostas de mudança para a nova gestão no CRO.


O que é o CRO?

Tania Garib - É uma autarquia federal ligada como os demais conselhos estaduais no Brasil a um conselho federal.  Foram criados mediante legislação federal de 1964, com a finalidade de fiscalizar o exercício da profissão, cabendo trabalhar pelo perfeito desempenho ético da odontologia e pelo bom conceito da profissão e dos que a exercem legalmente. Em Mato Grosso do Sul funcionava o CRO-MT até 1978, quando então se instalou em Campo Grande o CRO-MS.

Como é o processo eleitoral nos Conselhos?

TG - De acordo com a legislação, a cada dois anos são eleitos conselheiros titulares e suplentes e estes escolhem aqueles que comporão a diretoria responsável pela gestão de cada conselho. Em Mato Grosso do Sul, há quase três décadas, as diretorias são compostas pelos mesmos conselheiros apenas alterando os cargos que ocupam no colegiado sendo que neste período apenas em um processo eleitoral apresentou-se mais de uma chapa para concorrer e que sofreu inúmeras dificuldades para isso.

Quais as razões que levaram os cirurgiões dentistas a montarem uma chapa de oposição para concorrer nas eleições de 2016?

TG - São várias as razões: demonstrar à classe e à sociedade que existem muitos profissionais que também querem contribuir com a evolução da profissão e que não concordamos que apenas um grupo se perpetuem no  Conselho. Outro ponto que merece destaque é a vergonha que todos os cirurgiões dentistas do Estado passaram em 2016 com a prisão pela Polícia Federal - na Operação Tiradentes - de membros da diretoria do Conselho Federal de Odontologia, cujo presidente dirigiu nosso conselho tendo como integrantes na sua chapa, colegas que hoje integram a situação e do continuísmo. Mais triste ainda foi analisar os relatórios da Polícia Federal, Processo 0502870-30.2016.4.02.5101, Relatório TCU TC 011.185/2015-5 [Apenso: TC 046.313/2012-5] e os depoimentos dos denunciantes que relataram que causou estranheza ser o Conselho de Mato Grosso do Sul - um dos menores do País - local para onde foi enviando uma quantia significativa de recursos do Conselho Federal.  Triste ver nosso Conselho ser citado em processos na Polícia Federal. Hoje, a classe é composta por um contingente enorme de jovens colegas que querem a representatividade no principal órgão da odontologia brasileira e de diferentes segmentos onde eles atuam. É necessário lutar por legislações modernas uma vez que a profissão evoluiu tanto em nosso País e a lei que nos rege é ainda de 1964. A necessidade de promover a união e solidariedade, com transparência e decisões colegiadas em nossa classe.

Como foi organizada a Chapa 2?

Um grupo de profissionais identificou que os novos conselheiros deveriam representar todos os segmentos onde existe atuação do cirurgião dentista: universidades, clínica privada, hospitais, serviços públicos, cooperativa e gestão. Mais do que isto, os conselheiros deveriam ser da Capital ou do interior e divergirem na faixa etária. Por isso, fomos buscar colegas que preenchem estas características e que fossem reconhecidos pela classe. Assim surgiram os 10 nomes que compõem a Chapa 2 e que por unanimidade escolheram meu nome para representá-los nesse  processo de mudança.

Por qual motivo o  segundo turno só está acontecendo em outubro de 2017 uma vez que pelas  as normas deveria ocorrer 20 dias após o primeiro turno?

Após o primeiro turno, desrespeitando toda a legislação, o CRO/MS proclamou eleita a Chapa 1 inclusive divulgando em seu site este fato.  Foram obrigados posteriormente a retirarem a matéria. Recorremos ao Ministério Público Federal que recomendou o segundo turno e o CRO/MS também não respeitou a recomendação do Ministério Público Federal alegando que a decisão era do Conselho Federal. Entramos na Justiça Federal em Mato Grosso do Sul e tivemos a decisão judicial a nosso favor.  O CRO/MS, o CFO e a chapa da situação recorreram aqui e no Tribunal Regional Federal em São Paulo e perderam. A comissão eleitoral teve então que marcar uma nova eleição que foi 31 de maio de 2017. Para surpresa, no arrepio da lei, a Diretoria do CRO cancelou este processo eleitoral alegando questões banais como falta de tempo e montou um novo edital novamente não respeitando a legislação. Novamente recorremos a Justiça Federal. O CRO não satisfeito com seus Advogados contratou uma banca privada de advogados para defendê-los e novamente perderam na justiça. Sob pena de pagarem multa diária pelo descumprimento da lei. A Comissão eleitoral por ver seus direitos, conforme a legislação, desrespeitados pela Diretoria do CRO/MS renunciou. Enfim, nova eleição foi marcada para o dia 05/10/2017 e para tal conclamamos todos os cirurgiões dentistas a comparecerem para exercerem seu direito ao voto.

Quais são as propostas da Chapa 2.

Respeitar o CRO como uma autarquia pública e que os colegas vejam nele um defensor de nossa classe; exercer fielmente o papel para que o CRO foi criado de fiscalizar o exercício e a ética profissional a começar pelos seus conselheiros; tomar decisões colegiadas após consulta de toda a classe; lutar por áreas de atuação do cirurgião dentista ainda não respeitadas nos serviços, universidades como a odontologia hospitalar, odontologia para pacientes especiais, utilização de toxina botulínica entre outras; manter contato permanente com  MEC e universidades e outras entidades de classe visando o aprimoramento dos colegas; manter canal permanente de comunicação com colegas; contribuir para a modernização de nossa legislação e com processos eleitorais que não permitam fraudes como eleição via internet como conselhos de outros Estados já realizaram;Combater de forma rígida qualquer processo de corrupção; Promover a transparência dos atos dos conselhos conforme estabelece a Lei;Unir-se às demais instituições da classe como associações, sindicatos e outras visando o melhor para a odontologia e para os cirurgiões dentistas; contribuir, nos limites da legislação para o avanço científico e a melhor qualificação dos cirurgiões dentistas.



Hipoteticamente , digamos que a eleição de 2018 termine numa convergência de disputa entre André Puccinelli (PMDB) e Reinaldo Azambuja (P...


Hipoteticamente, digamos que a eleição de 2018 termine numa convergência de disputa entre André Puccinelli (PMDB) e Reinaldo Azambuja (PSDB).  

Colocando as duas biografias lado a lado, quem você escolheria para governador o Mato Grosso do Sul?

Não vale pular no abismo.

Olhando o cenário atual e considerando que ambos estejam aptos a disputar, não será preciso ser um gênio para saber o que vai acontecer. 

Pesquisas de vários calibres e com tendências diversas apontam que Azambuja voltará para a fazenda, na sua velha República de Maracaju. 

Mesmo que Reinaldo reinvente o personagem, ele não tem aquele magnetismo pessoal que inspire as pessoas a acreditar que possa fazer um mandato menos desastroso do que o atual. 

Ele certamente vai fazer um esforço para melhorar a performance. Deve estar tentando superar a timidez, sorrir mais, conversar mais, mas tem sempre algo errado, indicando que ele não se sente à vontade nesse figurino de “homem simpático” que vem tentando forjar. 

Azambuja não tem culpa disso, reconheço. Ninguém fica impune quando é formado na estufa do coronelismo obtuso, que nasceu e cresceu pensando que vender gado e comprar gente é tudo a mesma coisa. 

Seu grupo de entorno está tentando convencer os formadores de opinião de que vai se “soltar muito dinheiro para sua reeleição”. Azambuja está indo ao mercado fazer feira e isso lhe garantirá a vitória, conforme sua turma vem propagando. 

Vamos ver. 

Puccinelli, por outro lado, conta com a memória coletiva de um governo problemático, embora realizador. Pessoalmente, André é mais autêntico, mais democrático do que Azam (dentro dos padrões de democracia que conhecemos), melhor administrador e um articulador mais eficiente. 

O problema de André é o som que vibra ao seu redor. Seu entorno é ciumento, exclusivista, um grupo de hienas ferozes que reluta em renovar quadros e arejar o ambiente. 

Nenhum dos dois é perfeito. Ambos estão fora do tempo. Representam o que se chama “velha política”. Mas vejo que Pucci tem maior capacidade de reatualizar o significado das coisas. 

Colocando ambos lado a lado, André leva ao avanço; Azambuja aprofunda  o retrocesso. ⧪


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