O que encontramos por trás de um sorriso nem sempre é a felicidade. Nas lides diárias, tive oportunidade de conhecer pessoas alegres, c...

Flávio de Britto: O subliminar de uma fantasia

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O que encontramos por trás de um sorriso nem sempre é a felicidade.

Nas lides diárias, tive oportunidade de conhecer pessoas alegres, com humor aguçado, alto astral, porém, muitas delas infelizes. Aquele sorriso habitual, suas gentilezas escondiam personalidades frágeis, outrora, fortes, com bloqueio de transmissão na sua realidade íntima.

Casos freqüentes estão pelas ruas, nos mercados, farmácias, padarias, açougues e outros ambientes.

Dias atrás presenciei um fato que me prendeu atenção. Crianças discutindo sonhos. Uma delas afirmava que o seu maior sonho era conhecer a Disney. 

Alimentando-me do exemplo “Disney” assistimos crianças brincando, com alegrias contagiantes nos parques maravilhosos de Orlando/Flórida/EUA. 

Fazendo um paralelo em raciocínio conseguimos perceber que a alegria está diante falsos movimentos de realização da “tristeza”.

Estão vivos nestes ambientes, personagens infantis alegrando sua platéia com danças, sinais, abanos e cortesias. 

O que não paramos para pensar é que o Mickey, aquela típica figura que marcou nossa infância, bem como, a Minnie, Pato Donald e outros, camuflam em seu interior seres humanos, em sua maioria, tristes.

Dentro do Mickey, da Minnie, Pato Donald entre outros estão almas cansadas, oprimidas, repletas de problemas pessoais. São seres humanos enfrentando a vida como nós; contratados, muitas vezes, com salários incompatíveis aos sofrimentos que se submetem. 

Ali estão pessoas pré-destinadas a transmitir formas diversas de alegrias àqueles que imperceptivelmente não os notam e devido à sua inflexível necessidade, ali permanecem. 

Este é um trabalho desempenhado por pessoas que jamais terão seu mister reconhecido, sequer valorizado, por melhor que tenham sido ou feito. Pessoas invisíveis à realidade. 

O interior da fantasia, aquele meio sombrio, abafado, com pouca visão, vive um corpo suado, cansado, exausto, triste. Triste por estarem a quilômetros de distância da família, dos filhos, longe de suas mães, dos pais. Este é o lugar onde a “criança chora e ninguém ouve”.

Será que estes seres-humanos de alguma forma serão lembrados algum dia? Impossível aos olhos daqueles que desfrutaram do seu abraço e sua dança, mas, não impossível aos olhos de sua história vivida e aos olhos de Deus que presenciaram por centenas de vezes, suas gingas aos prantos de dor e lágrimas escondidas no “subliminar” de uma fantasia, seu ergástulo atual.


Advogado





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