Há mais de dez anos sou filiado ao PSDB. Ingressei no partido pelas mãos da ex-senadora Marisa Serrano. Até então, pertencia ao PPS. Com...

Eu e o PSDB de Mato Grosso do Sul

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mais de dez anos sou filiado ao PSDB. Ingressei no partido pelas mãos da ex-senadora Marisa Serrano. Até então, pertencia ao PPS. Como fui assessor de imprensa de Marisa, ela formalizou o convite sob o argumento de que seria importante que eu agregasse a atividade profissional com a militância, ajudando o partido a produzir materiais de divulgação para ganhar espaço no Estado. 

Concordei. Exerci duas funções burocráticas dentro do tucanato. Fui diretor de comunicação do Instituto Teotônio Vilela de MS, sob a presidência do ex-deputado Ben Hur Ferreira (atividade não remunerada) e delegado do diretório municipal do PSDB de Campo Grande. 

Ao longo do tempo, fui servidor do senado federal nos mandatos de Marisa, Antonio Russo e Ruben Figueiró. 

Como militante, ajudei a coordenar em MS as campanhas de Geraldo Alckmin e José Serra. Como teórico e intelectual do partido organizei palestras para difundir nossos programas partidários e ajudei a promover debates sobre a social democracia brasileira. 

Em várias campanhas locais participei da preparação de candidatos a vereadores e a prefeitos para embasar temas de campanha, dando-lhes escopo teórico. 

Escrevi textos programáticos, artigos, programas de governo (inclusive o de Reinaldo Azambuja) e atuei diretamente na divulgação de campanhas em redes sociais. Fazia isso em horas noturnas, madrugada adentro, fora do expediente.

Pra quem não sabe, trabalhei e trabalho mais de 12 horas por dia, escrevendo, acompanhando o noticiário, lendo, pesquisando, preparando relatórios e fazendo anotações de dados que considero importante no dia a dia. Na verdade, trata-se de esforço interno, pouco visível, sem que isso desmereça os trabalhos operacionais de outros profissionais. 

Só que o tipo de trabalho jornalístico que proponho a fazer exige esforço físico e concentração permanentes. 

Toda a minha atividade no PSDB foi voluntária e não remunerada. Nunca pensei em trabalhar para um partido com a perspectiva de obter ganhos financeiros. Minha formação cristã arraigada acabou internalizando no meu pensamento que "dinheiro é coisa suja". Não consigo me libertar dessa herança mental. Alguém me ajuda?

Considerava meu salário no senado bom o suficiente para atuar em amplas atividades, tanto do ponto de vista institucional como político. Esse período me possibilitou ter uma das melhores bibliotecas da cidade.

No fundo, muitos colegas jornalistas vão concordar comigo, o mercado de trabalho local – suas características, suas precariedades, suas fragilidades – não permite muitas opções sem que nos afastemos do setor público. A iniciativa privada ainda é muito dependente dos governos. Essa é a realidade. 

Mesmo assim, meu envolvimento com o PSDB foi pleno: lia o Fernando Henrique, o José Serra, Pérsio Arida e toda essa turma de centro-esquerda do partido, acreditando que havia chance de fortalecer o centro político brasileiro atraindo parcelas da esquerda e direita moderadas para formular um novo projeto de País, que seguisse um caminho oposto ao populismo e ao patrimonialismo. 

Na esfera local, segui o mesmo padrão: participava de um grupo dentro do PSDB que agregava militantes e lideranças que permeavam os espectros políticos ditos acima, sedimentado na luta contra o petismo mafioso que havia assumido o poder. (Ressalto que reconheço que existem alas petistas corretas e coerentes, mas que, com o tempo, tornaram-se minoritárias, deixando de ser opção por inanição). 

Na campanha de Reinaldo Azambuja (2014) vi duas coisas que me chamaram a atenção. Uma de caráter político, que foi sua intensa proximidade com o ex-senador Delcídio do Amaral. 

Outra, pessoal, pois observei que Azambuja sempre andava cercado de seguranças, algo que, convenhamos, para a minha formação democrática, me parecia algo foram de tom. Quem se cerca de gente armada tem um pé na máfia, pensava.

Do ponto de vista histórico, acho que ainda não é o momento de se relatar em detalhes sobre os motivos pelos quais eu decidi abrir dissidência e passei a ser crítico do governo Azambuja. 

Para que eu fosse fazer isso, teria que citar nomes, conversas, fazer confidências impróprias, enfim, ia aborrecer pessoas que gosto e admiro. 

Abri meu blog porque todas as portas do mercado de trabalho se fecharam. Nunca ganhei dinheiro com isso. Mas é uma válvula de escape que acredito ser necessária para o debate Republicano.

Sabia que no momento em que adotasse um tom crítico e contundente contra o tucanato, a resposta seria de que esse “rancor” - como eles dizem - era nutrido pelo fato de não ter conseguido uma “boquinha” no governo, coisa típica de pessoas – como costuma afirmar o J. Serra – que medem os outros pela sua própria régua. 

Pagamos o preço pelos nossos atos; mas é melhor enfrentar dificuldades na vida do que vender sua dignidade. 

Por isso, mesmo recebendo pedidos insistentes do meu grupo político para que ocupasse determinada função no governo, tergiversei. Quando as pressões cresceram e se tornaram insuportáveis, decidi, num gesto radical, escrever um artigo para, como se diz, detonar a ponte para que não houvesse possibilidade de retorno. 

Azambuja ficou aborrecido e começou um processo de perseguição sistemática por parte de sua turma. Não sei se ele (Azam) tem conhecimento dos detalhes desse processo.

De minha parte, queria ficar afastado do núcleo governamental porque achei inadmissível que Azambuja nomeasse Sérgio de Paula ( e outros) como dono do governo, personagem que nunca apreciei, nunca fui próximo, sabendo, por experiência e temperamento, que em poucos meses entraria em rota de colisão com ele e sua tropa de choque. 

Antevi que Azambuja estava construindo seu próprio desastre. Conhecia todo seu entorno. E aprendi com a vida que você é aquilo que suas companhias revelam. A essência do seu ser são sua família e seus amigos. 

Digo com muita tranqüilidade: por prevenção, confusão momentânea, intuição e sentimento persecutório tomei a decisão, por livre e espontânea vontade, de ficar longe do governo Azambuja, colocando a minha massa crítica contra ele. Concluí rápido que seu governo era inservível. 

Não existiu, portanto, em nenhum momento nessa época contrariedade de ordem fisiológica. 

Fui eu que não quis participar da República de Maracaju. 

Fui eu que insisti continuar trabalhando próximo da ex-senadora Marisa Serrado, no TCE, pois imaginei que a nossa afinidade intelectual me protegeria das pressões de natureza política que ela passou a receber depois que fui nomeado para trabalhar na Escola do TCE. 

Claro, ela não suportou e cedeu. Compreendi. Mas ao mesmo tempo fiquei liberado para criticá-la, até em benefício de sua história e sua reputação. 

No próximo ano tem eleição. O tucanato militonto que não conhece meu percurso dentro do PSDB insistirá na tese do “ranço”, da “inveja”, dos “interesses contrariados”, mas o tempo e a vida mostrarão a imarcescível verdade das coisas.

Por enquanto, ficaremos por aqui...



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