Sula Miranda, cantora Soube pelo jornal “O Globo” da benevolente atitude da rainha dos caminhoneiros, Sula Miranda, que levou quentin...

Sula Miranda, cantora


Soube pelo jornal “O Globo” da benevolente atitude da rainha dos caminhoneiros, Sula Miranda, que levou quentinhas aos motoristas em greve. Já de  Roberto Carlos, autor das canções que embalaram os frenesis românticos nas estradas, nada. Esperei, esperei, mas o rei não abriu a boca e se posicionou sobre o fato. 

Vai ver faz parte do script do cara.


Coloco os nomes dos artistas em ordem de importância na boléia. A cantora foi musa da classe lá nos idos dos anos 80, com sua cafoninha “Caminhoneiro do Amor”. Já RC, sempre foi trilha sonora dos inferninhos das estradas e consagrou-se com os homens do volante depois de pilotar um Mercedão e cantarolar o hit “Caminhoneiro”. Bastou para a canção causar frisson e infestar as AMs e FMs da vida.

Ambas as músicas (de um mau gosto extremo) são culpadas pelos meus traumas melódicos que carrego desde infância. Até hoje, 34 anos depois, não ligo o rádio nos fins de semana com medo de ser surpreendido com aqueles vibratos e as frases: “E vai e vem não tem parada, traz uma carga de saudade na chegada...” ou “Mas eu ando com cuidado, não me arrisco na banguela...”. 


Arrisco a dizer que se não fosse a influência musical que meus amigos exerceram sobre mim no fim dos anos 80, teria sucumbido ao estilo brega. Obrigado moçada que freqüentava a Travessa Italva e também a galera daquela banda de rock formada na Rua Praia de Maranduba.


Mas vamos pular no tempo porque o texto acima é só uma recordação da minha adolescência e contorna minha memória afetiva. Falar de caminhoneiro, diesel, estradas não tem nada de engraçado e nos remete a um presente temeroso: um país em processo de deterioração.


Puxo pela memória para tentar lembrar onde essa lambança começou. Antes de regressar à história e à tripulação do Santa Maria, Pinta e Nina, busco respostas num passado mais recente. 


O mais comum seria culpar o presidente Temer e sua turma pela crise. É mais conveniente, o cara tá numa maré braba, não aponta caminhos para recuperar o País e convive com uma oposição em processo de expansão. 


Mas, em se tratando de crise e preços de combustíveis, arrisco a dizer que o buraco é mais embaixo. Vem de administrações contínuas e mal sucedidas no comando País. Para ser mais direto, tem o dedo podre da gestão petista no meio de tudo isso.



É impossível falar dessa bagunça toda sem mencionar a dupla Lula e Dilma, uma espécie de Batman e Robin da corrupção que transformou a Petrobras num reduto de criminosos direcionados a realizar saques em benefício dos seus aliados.


Olhando por esse espectro, a equação fecha: PT, desfalque na Petrobrás, empreiteiras e o resultado desse rombo todo chegou nas bombas de combustíveis e no bolso do consumidor.


Ninguém é obrigado a concordar comigo, mas não consigo dissociar o que está acontecendo no Brasil com os 13 anos de gestão do petista no Planalto. A crise, a greve, o conflito indígena, o câmbio, o enfraquecimento das instituições são a comprovação prática dos males do PT no comando da nação.


Infelizmente, a baderna, a corrupção e a ingerência criaram intimidade com os moradores do Planalto. São anos de abuso e agora a conta apareceu na ponta do lápis para o povo. Mas essa zona toda tem um símbolo: Lula, o personagem político que representa o fracasso humano para governar o Brasil.


O cara não veio ao mundo a passeio. Se eu tivesse as mesmas convicções religiosas dos calvinistas a respeito da teoria da predestinação, diria que Luiz Inácio foi parido carregando uma insígnia desde o ventre materno: de que seria o cara “serto” para ferrar o Brasil.



Jornalista e escritor


A classe produtora é e sempre foi a grande mantenedora do Brasil ao longo de todas as crises da história. É por isso que necessitamos rea...

A classe produtora é e sempre foi a grande mantenedora do Brasil ao longo de todas as crises da história. É por isso que necessitamos realmente do sistema sindical eficaz, que promova diálogo altivo e propositivo com o governo e a sociedade. 

O País está conturbado pela greve de caminhoneiros. E, estranhamente, os governantes não sabem direito com quem falar, não conhecem seus interlocutores, não entendeu como o “Sindicato do WhatsApp” tornou-se a liderança mais influente da categoria. 

O mesmo pode acontecer com os produtores rurais, principalmente quando seus representantes são fracos e atrelados aos interesses oficiais. Tem sido dessa maneira que as chamadas lideranças verticalizadas se fortalecem.  

Estamos mais uma vez nos aproximando do momento em que os representantes dos produtores serão escolhidos. Mas essa escolha tem que vislumbrar o futuro e não ficar atrelada ao passado. 

Somos 69 sindicatos rurais de Mato Grosso do Sul. Nossa estrutura é precária. E essa realidade nos leva à pergunta: para quê, ou, a quem serve a entidade que deveria representar os produtores do Estado, ou seja, a FAMASUL? 

Sinto dizer que o nosso “Sindicato do WhatsApp” está ganhando força. Com lideranças oficiais enfraquecidas e acomodadas, as mudanças se impõem de novas maneiras.

Os questionamentos surgem no bojo da insatisfação do produtor rural. Nos últimos anos, políticas econômicas federais e estaduais danosas à classe produtiva foram impostas e, estranhamente, nossos representantes sequer se posicionaram.

Entre as principais razões do descontentamento, estariam a conivência e a inércia. Dou exemplos: o exagerado índice de ICMS do diesel em Mato Grosso do Sul e a omissão nas discussões acerca da cobrança retroativa do Funrural. 

Não para por aí. Tem a questão do  Fundersul - Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul -, instituído em 1999 para manter as estradas do Estado, cujos recursos – mais uma vez – são assegurados pelos produtores rurais do Estado.

Estamos falando de uma arrecadação líquida estimada até o final de 2018 de aproximadamente R$ 658 milhões.

O problema é que as estradas continuam em péssimas condições, enquanto a classe produtora, massacrada, custeia iniciativas políticas de governos nas cidades, fazendo um desvio de finalidades de recursos que, obrigatoriamente, teriam que atende o campo. E o que diz a entidade maior dos produtores? Nada. Ou melhor: apenas “sim, senhor”. 

Não bastasse todos esses impostos, ainda tem o chamado ITR (Imposto Territorial Rural. Em 2015 um convênio entre as prefeituras e a Receita Federal levou a reajustes estratosféricos em MS, chegando a 500% em algumas localidades. A majoração decorreu da ausência de uma referência para informar o valor de terra nua (VTN), base de cálculo do imposto, que é fiscalizado e cobrado pelos municípios. 

Enquanto isso – mais uma vez – a entidade maior dos produtores assumiu posicionamento “chapa branca”, ou seja, se omitindo das discussões.

E como se muda isso? Primeiro passo: mudando o sistema de representação.

O processo de escolha dos dirigentes da FAMASUL reduz-se a um sistema hermeticamente fechado, onde os próprios produtores, ainda que sindicalizados, não tem sequer direito a voto nominal. 

Por isso, necessitamos de um sistema representativo verdadeiramente democrático. O modelo tem que dar voz aos produtores, ultrapassando essa forma de representação formal e possibilitando que a participação seja orgânica e que expresse a vontade da base e não os interesses da cúpula.

Precisamos nos comprometer com as mudanças e é por isso que me manifesto. Se somos nós que mantemos essas entidades então que elas, de fato, seja representada pelos homens e mulheres que produzem a verdadeira riqueza desse País.


*Italivio Coelho Neto é produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Porto Murtinho - MS


Temer e Lula se transformaram nos dois maiores cachorros mortos da temporada política brasileira. O primeiro está liquidado e, certament...


Temer e Lula se transformaram nos dois maiores cachorros mortos da temporada política brasileira. O primeiro está liquidado e, certamente, não vai se mexer mais até o fim do ano porque não haverá espaço de manobra neste cenário nebuloso que foi criado pelo movimento dos caminhoneiros. 

O segundo será mantido preso por um bom tempo e, mesmo estertorando, não conseguirá muita coisa além da espuma que está sendo criada pela senadora Gleisi Hoffmann. Esqueçam o cara.

Querer a renúncia de Temer e pedir a soltura de Lula só demonstra que parte da sociedade entrou naquela fase de acreditar que toda estrada é boa desde que nos leve direto ao abismo. 

Só mesmo um jerico pode atribuir a fantasias delirantes como essas saídas para a crise que está instaurada no País, imaginando que logo à frente encontraremos o paraíso com as famosas seiscentas virgens à disposição de nossos desejos. 

A coisa mais grave que pode acontecer em momentos como o atual é que qualquer maluquice serve, desde que faça canalizar nossa raiva para o lugar mais fácil: governos, autoridades, instituições. 

Nessa hora ninguém olha pra si mesmo; só para o lado de fora. É mais fácil e conveniente. 

Odiar Temer, amar Lula, sonhar com a volta do regime militar são coisas que apenas refletem nosso fracasso como Nação. O resto é realidade. 

Uma crise como a atual produz monstros todas as horas. Superada a fase da reivindicação econômica (atendida mais do que integralmente),...


Uma crise como a atual produz monstros todas as horas. Superada a fase da reivindicação econômica (atendida mais do que integralmente), parcela dos caminhoneiros decidiu agora engrossar a pauta política. 

Existem três palavras de ordens distintas: a volta do regime militar, a renúncia de Temer e “Lula fora da prisão”.

Sim, concordo, tudo é meio surrealista, mas quem ousará segurar a ala psiquiátrica desses movimentos nesse momento tão difuso da realidade brasileira, em que demagogos, populistas e oportunistas fazem coro junto com uma mídia maluca que pratica um jornalismo podre, acreditando que noticiar a exceção revela a regra geral?

Tenho a minha tese: segurar por uns dias o abastecimento de combustível nos postos criou o famoso efeito manada, que terminou realizando a profecia de que ia acabar a gasolina. Deu certo. A turminha das redação vibrou com essa desgraça.

A imprensa foi – talvez ingenuamente - muito eficiente em criar esse ambiente nervoso, irrealista e esquizofrênico. 

Depois percebeu que isso era uma esparrela, mas aí já era tarde: o fato estava dando audiência, sem contar que esse tipo de jornalismo de entrevistar revoltadinhos e criar um climão com gente histérica é barato e não exige inteligência de repórteres iniciantes na profissão.

É complicado mostrar a complexidade da vida fora da TV. Numa visada geral, é preciso dizer que a vida seguiu normal na maioria das cidades. Norte e nordeste a vida seguiu normal. O efeito “dramático da crise” foi mitigado. No sul, sudeste e centro oeste, a coisa foi mais complicada porque a base do consumo é maior. Mas quem saber disso?

Mas os consumidores ficaram assustados e correram aos postos como medida de prevenção. Ninguém foi entrevistado alertando para o erro dessa corrida, visto que acelerava o desabastecimento e cria um mercado negro dos produtos. A mídia parece que estava a-do-ran-do tudo isso, sem se dar conta que era parte significativa no fortalecimento da “crise”.

Fiquei com vergonha de minha profissão. A cobertura não tinha planejamento (a reportagem noticiava desabastecimento em supermercado com imagens ao fundo de gôndola abarrotadas), não dava respostas sobre as verdadeiras motivações da paralisação dos caminhoneiros e nem investigou o fato de que o sindicato mais poderoso do Brasil na atualidade é o “Sindicato do WhatsApp”.

O que salvou o jornalista foram os comentaristas. Eles conseguiram mostrar o que, de fato, estava acontecendo: os homens do volante eram 30% do tamanho da frota; o grosso dos “caminhoneiros” era formado por motoristas assalariados de algumas dezenas de empresas. A maior delas tinha uma frota de 15 mil caminhões (ou seja, um simples telefonema, o patrão mandava parar o País).

Enfim, a melhor forma de produzir malandragens é produzindo uma grande crise. Isso existe desde quando inventaram a civilização. Com a merdança feita, o grave mesmo vem a partir de agora: os efeitos residuais de todos os erros, que terminarão resultando num círculo de equívocos autofágicos, turbinados por todo tipo de idiotice mostrado ao vivo pelas TVs.



Terezinha Cândido, candidata à presidência da FAMASUL Publiquei no meu blog um texto que revela que a candidatura de Terezinha Cândido...

Terezinha Cândido, candidata à presidência da FAMASUL

Publiquei no meu blog um texto que revela que a candidatura de Terezinha Cândido para a presidência da Famasul é um fato novo e que sua iniciativa deve interessar à sociedade, para além de seus associados, ganhando ou perdendo as eleições. 

A razão é simples: a entidade tem um peso político que transcende a produção rural. Trata-se de um setor que representa uma parte expressiva de nosso PIB e garante a circulação de nossas riquezas no País e no mundo.

O público gosta de saber o que se passa na FAMASUL.

Imaginar que uma simples notícia (veja aqui) causasse frisson entre produtores que militam em entidades representativas causa-me espanto. Mas foi o que aconteceu. Segundo informações que tenho recebido os opositores de Terezinha ligaram a chave do moedor de carne para destruí-la. Tudo por causa do texto que escrevi. Fiquei aborrecido.

Não conheço pessoalmente a candidata, nunca falei com ela e, provavelmente, não farei isso no decorrer do processo eleitoral da entidade . Por dever de ofício, não me aproximo de candidatos para os quais não trabalho. Não misturo estações. 

Mas nessas horas não vejo pessoas. Só enxergo causas. 

Não estou a serviço de dona Terezinha. Certamente, devo ter zilhões de divergências com ela. Mas estou gostando de sua entrada no jogo do poder.  

A causa de Terezinha me parece boa. Ela é mulher corajosa num reduto sempre ocupado por homens. É jovem. Fala o que pensa (veja seu comentário abaixo). E me parece que deseja espanar a poeira da velha política. Gosto disso.

Também não conheço o atual presidente Maurício Saito. Jamais conversei com ele. Deve ser uma boa alma. Mas ele, infelizmente, está no comando da entidade e representa o status quo, com o ônus e bônus que isso representa. 

Isso, por si só, não é demérito, mas tenho acompanhado os métodos de seus apoiadores e, sinceramente, acho que ele está no caminho errado. 

Saito devia entrar o no debate com o coração aberto. Falar e escrever o que pensa. Responder perguntas. Enfim, fazer o contraponto necessário para mostrar-se ao mundo. 

Essa é minha opinião. Como jornalista e cidadão. 

Ninguém é obrigado a aceitar ou concordar. Esse é o problema da liberdade de imprensa e de expressão. 


Abaixo, recebi esse comentário veiculado num grupo do Whatsapp postado por Terezinha Cândido, respondendo aos seus opositores que afirmavam que a publicação que fiz desqualificava a categoria. Gostei de sua intervenção. Veja: 

“Não tenho qualquer relação com a matéria veiculada em um blog. Até o momento só expus propostas de um plano de gestão que, de fato, represente a classe produtora.  Se os senhores tem questionamentos a fazer, que os façam a quem assina  referida matéria.

Até o presente momento me mantive alheias às diversas agressões feitas a minha honra, dignidade e história. Agora chega! Primeiro, quero esclarecer que não cheguei à Famasul por vias políticas. Tenho serviços prestados ao longo de 22 anos para essa instituição, por meio do Senar/MS. 

Não caí de paraquedas na Federação, não conquistei posição de destaque sendo cupincha de ninguém. 

Vejo uma sucessão de ataques ilegítimos, de pessoas que estão defendendo o próprio quinhão, quando o que a classe produtora necessita – mais do que nunca – é de representatividade. 

Se não tem a grandeza de lutar por uma causa comum – o interesse da classe produtora, há muito negligenciado - perante os interesses governistas – que pelo menos tenham a grandeza de respeitar quem pensa de outra forma e sonha com isso. Exijo respeito, quero um processo democrático, quero que o produtor tenha voz sim, que tenha direito de votar e até de ser votado, pois é ele quem paga a conta de tantos desmandos, enquanto a Federação que deveria os representar faz vista grossa perante as políticas nocivas que este governo tem implementado para a classe produtora. 

Não vou tolerar qualquer tipo de ataque e de antemão aviso: ou levamos esse debate para o âmbito das propostas, ou vou expor as entranhas dessa relação promíscua que a Famasul mantém com o governo em detrimento de seus sindicatos. 

Sou até o momento diretora-secretária dessa gestão, sucessora natural à presidência como todos sabem, mas decidi romper com esse sistema vicioso e esse é o principal ponto a meu favor. 

Contra isso não há argumentos. 

André Cardinal, Marcelo Bertoni e demais senhores do próprio destino... vocês não tem coragem para fazer o que fiz, não tem coragem para defender o interesse de toda uma classe que é massacrada todos os dias, estão muito ocupados olhando para seus próprios umbigos, então pelo menos – se lhes resta alguma dignidade – recolham a mesquinharia de vocês e deixem que o processo democrático ocorra. Isso é muito mais importante que os interesses pessoais de vocês”.

Terezinha Cândido, candidata à presidência da FAMASUL O atual presidente da Famasul   Maurício Koji Saito estava tranqüilo quando im...

Terezinha Cândido, candidata à presidência da FAMASUL


O atual presidente da Famasul  Maurício Koji Saito estava tranqüilo quando imaginava que sua reeleição este ano seria um passeio. Não havia nada que atrapalhasse seus planos. 

Mesmo tendo uma gestão questionada por inação, erros e alguns casos de “desvio de função”, ele estava tranqüilo porque era candidato único, favorecido por um sistema eleitoral que garante a permanência no poder. 

Como se sabe, a Famasul é uma instituição fundamental para a base política do atual governador e, em sendo assim, perder uma eleição aí significa ficar sem uma perna no decorrer de uma campanha que, por si só, será extremamente complicada. 

O que a atual diretoria da entidade não imaginava é que de dentro da própria casa surgiria uma candidatura com outra visão de mundo e outros valores que devem nortear os caminhos de uma entidade cuja representação influencia de maneira determinante a economia e toda a sociedade sul-mato-grossense: Terezinha Cândido, uma mulher determinada, que gosta de falar o que pensa e que acredita que se o País e  mundo estão mudando a Famasul tem que acompanhar essas transformações. 

De cara, vivenciando o dia a dia da entidade, ela percebeu que o sistema de escolha dos dirigentes é anacrônico, um sistema de eleição indireta que remete aos piores tempos do coronelismo. 

Na Famasul, o associado não escolhe diretamente a diretoria. São 69 sindicatos rurais que indicam representantes para formar um colégio eleitoral exclusivíssimo que termina elegendo o presidente juntamente com sua diretoria. 

Sempre funcionou assim. Em vários setores. Esse sistema pereniza vícios e torna as entidades politicamente atreladas aos governos de plantão. Pior: garante manipulação de verbas e cargos, privilégios e até mesmo, em casos extremos, corrupção. 

Existem casos em que o presidente da entidade foi reeleito mesmo tendo falecido.

Terezinha decidiu mexer com essa ferida – e outras. Viu-se a partir disso vivendo um torvelinho de pressões inimagináveis, tendo que engolir sapos, vendo sindicatos rurais transformando-se em balcão de negócios, presenciando um jogo sórdido que ultrapassa as regras da civilidade. 

Com isso, tudo indica que as eleições da Famasul serão judicializadas, visto que o presidente Maurício Saito age como se em campanha valesse tudo e que só não vale perder o poder. 

Como a imprensa de um modo geral fechou as portas para a cobertura das eleições da entidade, pois, segundo denúncias, o governo não tem admitido que notícias sobre a campanha possam circular livremente, Terezinha Cândido está sendo submetida a um jejum forçado sobre a divulgação de suas idéias. 

Sites tem tirado notícias do ar, jornais tem se negado divulgar matérias a respeito da disputa, enfim, a eleição de uma das maiores entidades do Estado está no limbo.

O fechamento do processo eleitoral da Famasul encerra-se, supostamente, no dia 16 de junho, mas até a forma de apuração de votos e sua divulgação é uma caixa preta. 

Muitos sindicatos do interior estão votando pelo sistema de envelope fechado. Esses votos são remetidos para a Capital. Aqui chegando, não se tem certeza se são ou não invioláveis. 

O fato é que o calendário eleitoral é confuso e a margem de manipulação é imensa. Saíto conta com isso para permanecer à frente da entidade, mesmo sofrendo críticas de que só faz aquilo que lhe é mandado pelo oficialismo reinante. 

Temas caros aos produtores como redução de ICMS do diesel, cobrança retroativa do Funrural – contribuição destinada ao custeio da Previdência Social rural -, mau uso do Fundersul - Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul-, cuja arrecadação líquida estimada até o final de 2018 é de aproximadamente R$ 658 milhões – e ausência de posicionamento sobre a questão de terras indígenas, tudo isso tem incomodado sindicatos e produtores, mas tem mantido Saito em posição de estátua de bronze. 

Existem assuntos menos prosaicos e estranhos à classe. A Famasul tem sob seus auspícios o  Senar/MS,  entidade de direito privado, vinculada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA-, que tem orçamento de mais de R$ 100 milhões (executado em 2017), composto em sua maioria por contribuições, cuja aplicação é obscura . 

A proposta orçamentária para este ano, conforme o portal da transparência do Senar/MS,  é de R$ 57, 7 milhões, valor próximo ao aprovado em outubro de 2016 para execução em 2017 (R$ 53.3 milhões), não fossem outros R$ 49 milhões  aprovados a título de “reformulação orçamentária”, em agosto daquele ano, totalizando mais de R$ 100 milhões.

Em relação a esse tema, o que tem chamado a atenção de muitos produtores – e causado certa perplexidade – foram as nomeação de dois representantes das comunidade indígena no Senar/MS conhecidos pela militância em invasão de terras. Comentam que os salários são de nababos.

O primeiro deles – conhecido por Joãozinho da Silva – foi demitido tempos atrás por improbidade na Funai, mas mantém-se aguerrido no estímulo às invasões de terras. E a outra é sua filha, Tainara Terena, personagem que se tornou conhecida pela sua intocabilidade,  pois mantém relações íntimas com um figurão da Famasul. 

Enfim, a eleição da Famasul tem ingredientes de sobra para mobilizar atenções. Mas o manto do silêncio permanece, sob os olhares perplexos e indiferentes da chamada classe produtora.


Philip Roth morreu . Triste. Vai fazer falta. Mesmo tendo se aposentado da literatura há algum tempo, sempre havia uma nesga de esperanç...


Philip Roth morreu. Triste. Vai fazer falta. Mesmo tendo se aposentado da literatura há algum tempo, sempre havia uma nesga de esperança de que pudesse publicar alguma coisa nova e, mais uma vez, nos surpreendesse. É muito provável que tenha deixado coisas na gaveta. Logo, logo, vamos saber. 

Mas os livros de Roth que estão por aí talvez nos bastem. Mesmo que tenha sido injustiçado por terem lhe negado o Nobel, isso nunca prejudicou o reconhecimento internacional de seu público e da crítica de que ele estava no panteão dos melhores romancistas de todos os tempos. 

Roth era um escritor profícuo. Suas histórias eram deliciosas, seu texto era denso e simples, seu tema era o homem com suas estranhas facetas fesceninas no percurso da existência. 

Li quase todos os seus romances e, certamente, quase todas as entrevistas que concedeu. Com o tempo, criei uma espécie de intimidade com sua linguagem, suas histórias, suas dúvidas sobre o fracasso humano, principalmente quando nos deparamos com a finitude física e mental como destino inexorável. 

Muitos aludem à condição judaica do escritor como força motriz de sua criação. Bobagem. Quem percorre sua obra com seriedade pode compreender que essa questão torna-se incidental porque a essência de sua obra é a provocação satírica dos cânones culturais da sociedade contemporânea. 

Meu romance preferido durante muito tempo foi “Teatro de Sabath”. Ali existe o conforto trágico e cômico de que a única esperança que nos resta é a possibilidade de que possa haver sexo furioso na velhice (intensificação existencial) e que, no fim de tudo, no percurso insondável de nossas escolhas, podemos deixar como legado a marca de nossa canalhice. 

Roth nos liberta – pelo menos na literatura – de nossas prisões morais e nos faz acreditar que o hedonismo é a única filosofia possível diante do inevitável. 

Viver é uma aventura. Morrer, uma certeza. Roth vai deixar saudades porque preencheu esse hiato de dúvida com graça e sabedoria. Mas sua poderosa obra permanecerá para sempre porque ela é o espelho da condição humana – suas aflições, misérias, prazeres e tragédias. 

Evoé.

Nos quatro primeiros meses deste fatídico ano de 2018 ouvi centenas de oráculos de nossa política - gente muito mais inteligente e infor...


Nos quatro primeiros meses deste fatídico ano de 2018 ouvi centenas de oráculos de nossa política - gente muito mais inteligente e informada do que eu -  afirmar que o ex-governador André Puccinelli não seria candidato.

A opinião era unânime: o homem estava blefando, jogando pôquer com seus adversários, pois "ele jamais correria esse risco porque Azambuja reagiria e orientaria seus ajudantes no Ministério Público e Tribunal de Justiça a colocá-lo na cadeia". Esse era o palpite certo.

Ouvi teorias conspiratórias de todos os tipos. Só achava que todos estavam errados. Qual o motivo? Simples: no ano passado Puccinelli entrou num frenesi articulador que nunca tinha visto em toda a minha vida de repórter em Mato Grosso do Sul. 

Tratava-se uma movimentação tão determinada que somente um grande ator poderia encenar uma farsa desproporcional à sua vontade manifesta.

Um dia, no final de novembro, num encontro casual com Puccinelli, perguntei se ele enfrentaria o processo eleitoral como candidato a governador: "você tem dúvida?", sorriu marotamente. 

Ali, minha intuição ficou cristalizada: ele seria candidato, enfrentando as adversidades da desconfiança generalizada. O resto era boato.

Agora, vamos pular no tempo. Vejam a ironia: aquele que "jamais seria", tornou-se, paradoxalmente, no único candidato real de 2018. Seus possíveis adversários - Azam e o Juiz - experimentam cada vez mais a dúvida de serem chamados do que eles realmente poderão vir a ser: "candidatos"

Deu-se, enfim, uma inversão de expectativas. Quem jamais seria, é. Quem sempre foi, não se sabe... 

Os grandes "analistas" de nossa política doméstica erraram feio. Acho que a futurologia das certezas proclamadas virou fumaça. Mais uma vez. 

Como a seleção de Tite ficará na memória coletiva das gerações de brasileiros? Essa é uma pergunta cuja resposta fica para o fim de julh...


Como a seleção de Tite ficará na memória coletiva das gerações de brasileiros? Essa é uma pergunta cuja resposta fica para o fim de julho. 

Ontem, o treinador deu pistas de que pretende habitar a lembrança dos torcedores com boas recordações. E o primeiro passo para isso acontecer foi a convocação de 23 atletas que representam a vontade da maioria dos brasileiros. 

Tudo bem que ele errou ao não levar Luan e Arthur do Grêmio, mas o cara tem crédito e histórico para comandar o Brasil na Copa da Rússia.

Os números de Tite como técnico da nossa seleção impressionam. Não sei falar de planilhas, me atropelo com contas decimais e estatísticas, mas a prancheta do comandante da amarelinha vem funcionando na conquista de resultados. 

Pelos relatórios apresentados, há muito tempo não assistíamos um elenco tão eficiente em marcar gols e disciplinado taticamente. Uma equipe aplicada dentro das quatro linhas e que sabe jogar com e sem a bola nos pés. 

 É claro que os jogadores têm uma grande parcela de contribuição nesses resultados. Não discuto isso, mas o mérito mesmo dessa campanha tem nome e sobrenome: Adenor Leonardo Bachi, ou melhor, Tite. 

E quando o assunto é motivação de atletas e planejamento de resultados, ele mostra que sabe do riscado. Pelo menos no Brasil. Só pelo Corinthians conquistou dois Brasileiros, uma Libertadores, um Mundial e um Paulistão.

Depois dos 7x1 para Alemanha, o brasileiro viu sua estima definhar nos gramados. Primeiro pelo resultado avassalador no Mineirão, depois quando a diretoria da CBF resolveu ressuscitar a confusa ‘Era Dunga’ no comando técnico. Foi um vexame.

O que já não tava bom passou a ser motivo de desgosto e a seleção virou chacota na imprensa internacional com sucessivos resultados negativos em jogos no exterior.

Com a seleção também andava mal das pernas nas eliminatórias para a Copa, a CBF não  teve outro jeito a não ser defenestrar Dunga e render-se à eficiência de Tite. Era isso ou ficaríamos fora do Mundial de 2018. A aposta deu certo e de lá pra cá assistimos um namoro entre torcedores e a seleção. 

Perto de completar dois anos à frente da Seleção, Tite tem um retrospecto positivo com 83,3% de aproveitamento no comando da equipe brasileira e diminuiu o abismo de talento que separa o treinador brasileiro do europeu. Mais do que isso, desde Telê Santanna não tínhamos um técnico com tamanho prestígio com os torcedores, que ao invés de nominarem nossa equipe como o time de Neymar e companhia, preferem mencioná-la como a Seleção de Tite.

*jornalista e escritor

"No momento atual, assistimos, com freqüência, os Tribunais de Contas suspendendo, sob os mais variados argumentos, licitações, co...


"No momento atual, assistimos, com freqüência, os Tribunais de Contas suspendendo, sob os mais variados argumentos, licitações, contratos, aplicando multas e atingindo a esfera jurídica dos particulares; o Ministério Púbico expedindo recomendações e substituindo-se aos próprios administradores públicos; ameaças aos gestores com as famosas, temidas e vultosas ações de improbidade e sem qualquer pudor ou responsabilidade, haja vista que se consideram acima do bem e do mal."


A recentíssima Lei nº 13.655, de 25-4-2018, alterando a “Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro”, denominação dada pela Lei nº 12.376, de 30-12-2010, que, por seu turno, alterou o Decreto-Lei nº 4.657, de 4-9-42, que a designara “Lei de Introdução ao Código Civil”, além de inovar o ordenamento jurídico pátrio, trouxe, embora com vetos ao projeto aprovado pelo Congresso Nacional, sensíveis e profundas alterações nas relações sociais, portanto à toda sociedade brasileira que, por reclamos da doutrina e jurisprudência, atualmente pouca distinção vem fazendo entre o público e o privado, bastando, para exemplificar, o acolhimento dos direitos fundamentais do cidadão no âmbito privado, dando origem, assim, ao que vem sendo chamado de “publicização do direito privado”. 

O momento, todavia, não é de crise no mundo do Direito, como proclamam alguns, mas de evolução do direito brasileiro, posto que as normas e a sua interpretação atualmente não atendem mais as questões que eclodem no estamento social e novas normas se impõe como forma de tentar resgatar, principalmente, a secular e clara noção da imputação de responsabilidade, quer no campo público como no privado, notadamente daqueles que tratam da coisa pública, cujos atos vêm sendo questionados, muitas vezes, desarrazoadamente pelos órgãos de controle externo e interno da Administração pública, pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, que, a cada dia, têm atuação mais intensa e nos mais variados campos.

Assim, no momento atual, assistimos, com freqüência, os Tribunais de Contas suspendendo, sob os mais variados argumentos, licitações, contratos, aplicando multas e atingindo a esfera jurídica dos particulares; o Ministério Púbico expedindo recomendações e substituindo-se aos próprios administradores públicos; ameaças aos gestores com as famosas, temidas e vultosas ações de improbidade e sem qualquer pudor ou responsabilidade, haja vista que se consideram acima do bem e do mal, porquanto, quando vencidos judicialmente, se consideram imunes ao pagamento dos honorários advocatícios devidos aos vencedores.

Contudo, a partir do novo diploma legal os “valores jurídicos abstratos”, costumeiramente invocados, tais como interesse público, bem comum, legitimidade, moralidade, impessoalidade, etc., não poderão mais ser impunemente invocados sem que sejam “consideradas as conseqüências práticas da decisão”, quer seja na esfera administrativa, quer seja na judicial (art.20).

Outrossim, diante da novel normatividade, a decisão administrativa ou judicial “deverá indicar de modo expresso” as consequências jurídicas e administrativas do ato (art. 21). O § único do art. 20 da nova lei repete, de forma expressa e inquestionável na legislação infraconstitucional, o muitas vezes desconsiderado “dever de fundamentação” imposto a todo ato administrativo ou judicial.

Por fim, o agente público só responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões no caso em que for demonstrada a existência de dolo ou erro grosseiro (art. 28), afastando, assim, a noção da responsabilidade objetiva.

As alterações introduzidas na “Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro” entram em vigor na data de sua publicação, ou seja, em 26-04-2018, salvo o art. 29, introduzido pelo art. 1º, que passará a vigorar dentro de 180 (cento e oitenta) dias contados da data de sua publicação oficial.

EVANDRO FERREIRA DE VIANA BANDEIRA
Advogado – Secretário da Controladoria-Geral do Município

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