O Governador Reinaldo Azambuja e seus capitães do mato vêm fazendo um grande esforço para arrancar uma candidatura à vice que esteja na ...


O Governador Reinaldo Azambuja e seus capitães do mato vêm fazendo um grande esforço para arrancar uma candidatura à vice que esteja na esfera (e na preferência) de influência do prefeito Marquinhos Trad. Isso é natural. Qualquer governante que precisasse desesperadamente ser reeleito faria o mesmo. 

O raciocínio da República de Maracaju é a seguinte: no interior do Estado estamos bem, sabemos como comprar apoio, formar os currais eleitorais, promover os acertos, forçar a barra para tirar uma boa votação. O problema é Campo Grande. Na Capital, a história é outra. O eleitorado é mais crítico, esclarecido, mais sintonizado e menos permeável aos achaques da velhíssima política. 

Portanto, temos que estar aliados a uma liderança que sabe dar o recado para o povão e, com  isso, ajudar na soma dos votos que sejam suficientes para disputar na proa e, sabe-se lá deus, chegar a um segundo turno. 

Essa liderança todo mundo sabe quem é. Assim, conseguindo formalizar esse apoio – mesmo que seja simbólico – a campanha de Azam poderá fluir melhor e ter competitividade à medida que sua campanha entra nos eixos.

Nesse primeiro momento, coloca-se em curso a seguinte estratégia: atrair o prefeito e seu entorno e criar um manto de desconfiança sobre a validade da candidatura de quem pode, de fato, ser um obstáculo eleitoral: André Puccinelli. 

O juiz Odilon vem sendo desprezado – mesmo figurando em primeiro lugar na pesquisa – porque a República acredita que a natureza de seus apoiadores é predatória: não aguentam o cheiro do dinheiro nem do poder. Assim, não titubearão em largar o juiz na beira da estrada, chorando a cantilena do “jogo sujo da política”. 

Três histórias correram a praça nos últimos dias: André não é candidato; vai amarelar, sob ameaça de prisão juntamente com seu filho; André solicitou à Azambuja R$ 20 milhões para desistir; André indicará o vice e uma vaga no senado para Azam, formalizando assim uma aliança invencível no Estado entre PSDB e PMDB. 

Por meio de seus operadores na mídia essas especulações bombaram. Depois, não se sabe bem por qual razão se esvaíram. Pelo que se vê, Puccinelli segue articulando mais do que nunca sua candidatura. 

Agora, vamos à história da indicação do vice. A coisa não rola porque está muito cedo para que isso aconteça. As propostas estão sendo feitas e avaliadas. Mas as pesquisas mostram que Azambuja não engata (ou se engata, só consegue dar marcha à ré). O único discurso convincente do tucanato é o de que Sérgio de Paula (tesoureiro do partido) está indo à feira comprar tudo e todos. Ou seja: o governo terá dinheiro para gastar – e vencer, de acordo com essa avaliação. 

Essa ideia não deu certo nas últimas eleições em Campo Grande, como se viu. Gastou-se o mundo e o fundo com Rose Modesto e todos sabem o resto da história. Azambuja parece ser um sujeito que não consegue aprender com os erros. Ele insiste em degustar o mesmo feno estragado. 

Pra que ele possa viabilizar um vice viável terá que mudar alguns procedimentos. O primeiro é mudar o seu interlocutor político. Não ajuda ter alguém para negociar alianças que precisa ficar escondido no escurinho da sala para não ser revelado ao distinto público. O governador precisa de alguém com reputação e credibilidade parar fazer os arranjos políticos à luz do sol, colocando à frente critérios republicanos. De outro jeito, vai perder. 

Mas vou parar por aqui. Existem outros fatos e fatores que merecem ser citados. Mas acho que textos longos ninguém gosta de ler. Vou deixar todos os temas para um futuro livro: “A República de Maracaju & seus comedores de feno”. Espero que tenha fígado para escrever todos os capítulos.



Outro dia perdi um amigo repentinamente. Tive que ir ao velório porque há mais de 25 anos tínhamos uma boa amizade e senti que devia a...


Outro dia perdi um amigo repentinamente. Tive que ir ao velório porque há mais de 25 anos tínhamos uma boa amizade e senti que devia abraçar a esposa, filhos, irmãos, enfim, fazer um gesto de solidariedade num momento de dor. 

Confesso que não gosto de acontecimentos fúnebres. Provavelmente, deixaria de ir até ao meu próprio velório, caso pudesse intervir a meu favor. 

Mas foi no enterro de meu amigo que tive uma percepção iluminada do  que vem acontecendo à minha volta. Quando cheguei, senti olhares hostis, bocas entortadas, rostos virados de inúmeros conhecidos que não via há muitos anos. Também senti afeto de muitos outros, que me recepcionaram com candura e generosidade. 

(Vou desconsiderar as hipocrisias sociais necessárias desses momentos desconfortáveis).

Logo vi que muitas amigas de longa data se transformaram em senhoras interessantes – muitas egressas dos loucos anos 70 e 80 -, a maioria viúva, divorciada, recasada, enfim, quase todas percorrendo a toada em que se diz que a vida segue e a fila anda. 

Mesmo as mais plastificadas tinham uma vivacidade juvenil reconfortante, o que me fez lembrar como as mulheres são mais sábias e sabem viver muito melhor. 

Os homens estavam mais pesados, carecas, desleixados, exalando rancor, alguns arcados nos ombros como se tivessem sustentando pesos imaginários na consciência. 

Claro, havia aqueles que nunca deixam de ser príncipes, pois a existência lhes reservou uma leveza na alma que os mantêm como seres humanos especiais. 

Mas o que me chamou atenção foram os olhares ressentidos e os cumprimentos formais evasivos. De imediato, um espírito de porco me chamou a um canto e comentou: “com quantos aqui você já brigou pelo facebook?”

Dei uma visada geral e não encontrei ninguém, ou melhor, ninguém ali vinha à minha memória, mesmo porque, como uma vez disse o Eça, o tempo é escultor de ruínas. 

Em seguida, fui obrigado a chamar a atenção de meu interlocutor de que as discussões em redes sociais são uma maneira de relaxamento, algo que não deve ser levado a sério, pois é apenas uma diversão moderna e que, nesse campo, o insulto deve ser encarado como uma homenagem que a aspereza das palavras faz em nome do amor e da solidariedade fraterna entre pessoas que pensam diferente. 

Meu argumento não convenceu. 

Depois disso, passei a ficar mais atento quando eventualmente participo de “acontecimentos” de nossa melhor sociedade. Os lacaios da República de Maracaju não me perdoam (defendem a tese de que cuspi no prato em que comi). 

A direita acha que sou maluco. A esquerda tem “certeza” de que flerto com o fascismo. Os liberais de fachada acreditam que sou estatizante. Os politicamente corretos me acusam de misoginia. Enfim: os distintos membros de nossa comunidade opinativa me enquadram pela lente de seus horrores e temores. 

(Logo me vem à mente o pensamento irônico: todos são inocentes; o inferno são os outros.)

E assim a coisa vai como naquele navio de Fellini. Com isso, perdi amigos e amigas, sou detratado pelas costas por gente que nunca conversou comigo, sou alvo de fake news na rede e, invariavelmente, sou xingado por pessoas mais exaltadas que não conseguem entender uma ironia, uma galhofa ou mesmo uma palavra carinhosa (alguns acham que é sarcasmo). 

Outro dia li uma frase de um filósofo alemão em que ele dizia que vivemos numa época em que muitas pessoas cultas acham que a verdade não merece nenhum respeito especial. 

Posso, por exemplo, tentar explicar para os meus desafetos que aquele cara que escreve é apenas um personagem. Ou melhor dizendo: eu sou outro que você não conhece. Mas de que adiantaria? Eu continuaria chegando aos velórios e às festinhas recebendo os mesmos olhares incômodos de sempre. 

Por isso, procuro ser sempre solene e silencioso quando um amigo morre. O morto será sempre o único que, naquele momento, me ama. Olho para seu rosto, seguro suas mãos, deixando com ele minha amizade e afeto para sempre...

Texto publicado originalmente no jornal O Estado de MS em 2012, mas que continua valendo nos tempos que correm. Já foi o tempo em que...



Texto publicado originalmente no jornal O Estado de MS em 2012, mas que continua valendo nos tempos que correm.

Já foi o tempo em que as artes de modo geral eram difundidas a partir de filtros seletivos. Até o final da década de 80 era possível identificar tendências, acompanhar lançamentos, estudar estilos e participar do debate cultural com relativa facilidade. Não mais. Agora vivemos a era da mixórdia. 

Com a profusão de artistas, de performáticos ocasionais, das celebridades midiáticas, o conceito do que seja arte, não-arte, contra-arte, antiarte, explodiu, criando uma confusão dos diabos. Daí a frase reativa quando surge qualquer figurinha nova na onda: “famoso quem?!”

Diante da perda de referenciais estéticos, ou seja, do que seja de fato arte e não golpe publicitário, a leitura sobre as produções artísticas entraram numa esfera nebulosa, tornando-se espaço de ultra-especialistas, gente antenada, figuras exóticas, pessoas, enfim, que se expressam por meio de uma linguagem quase inaudível. 

Por causa do excesso de produção (de baixa, média e alta qualidade) não se tem muito claro onde está o centro e a periferia, qual a base de apoio teórico, quais as explicações possíveis sobre valores astronômicos de uma “escultura” de animais empalhados dentro de aquários, ou de cachorros vivos amarrados dentro de museus, ou mesmo de um varal com roupas usadas penduradas dentro de uma galeria, como se tudo isso fosse arte porque representa uma rebelião da ideia do que seja (vejam só!) arte. 

Analisemos um caso próximo e trivial: ninguém tem dúvida de que Almir Sater seja autor de “músicas regionais”. É fácil identifica-lo no tempo e no espaço. Quando ouvimos suas canções e quando vemos sua imagem (rapaz pacato, usando chapéu de boiadeiro), tocando viola, fazendo de sua lira ode ao pantanal, por exemplo, fica fácil associá-lo ao lugar onde vive e em que se inspira. Ou seja, com Almir estamos numa zona de conforto de identificações estéticas. 

Agora, tentemos fazer o mesmo raciocínio com Michel Teló e Luan Santana. Eles são artistas sul-mato-grossenses? Eles produzem arte regional? Eles são criadores de cultura? É complicado responder isso porque ambos são “artistas de mercado”. Mais: fazem sucesso imenso no sedicioso plano da cultura de massas, o que provoca uma espécie de descentralização do pensamento. Mas mesmo assim seria curioso saber o que eles pensam sobre a matriz conceitual (ou cultural) de seus respectivos estilos, porque é irresistível a tentação de embalá-los em rótulos, sem desprezar o fato de que produzem algo completamente desterritorializado e fora do contexto “regionalista”.  São bregas? 

Sim, mas quem não é hoje em dia. 

O fato concreto é que a expressão artística cada vez mais sofre deslocamentos. Com a crescente oferta de mão de obra é claro que isso cria excesso diluidor. Assim, tornou-se normal que gente sem talento para se expressar invista pesadamente em autopromoção para ocupar espaços no mercado fluído das (pseudo) celebridades. Isso pode resolver o problema de sobrevivência de muitos personagens, principalmente quando existe um aparato estatal que fornece todo o tipo de boquinha, sem exigir nada em troca que não seja a militância formal em torno de causas que pacificam o status quo. 

Por isso cresce a tendência de se voltar para o que é consagrado pelo mercado, de um lado, e para a tradição canônica, de outro. Vejam o recente caso da exposição das obras de Caravaggio no Brasil. O público invade os museus para ver obras altamente referendadas pela história, numa espécie de celebração do sagrado, graças à beleza e à fortuna crítica obtida ao longo de séculos de apreciação minuciosa e acurada. 

Estamos vivendo um tempo estranho. As narrativas são mais e mais caleidoscópicas. Como perdemos a noção de valores e há uma crescente e aterrorizante incerteza em relação a tudo, apega-se, quando dá, ao passado, às tradições e ao consagrado pelo gosto, digamos, popular. Por isso assistimos a essa profusão de remakes, da cultura cover, das baladas que marcam a passagem das décadas de ouro, tudo isso misturado, numa cacofonia que nos joga de lá para cá, pra cima e pra baixo, sem que possamos refletir com certa calma sobre o que realmente vale a pena e o que é importante no mundo das artes.

Sabemos que a arte existe. Só que ela não significa mais nada. A palavra foi esmagada ao ponto de fusão. Talvez isso, por mais paradoxal que pareça, acabe por criar uma força motriz que a revitalize. Sou otimista. Não há pensamento único e fechado neste campo. 

O conceito de fetiche das mercadorias é amplo demais. Os avanços tecnológicos, de fato, tem o poder de criar embaraços das ideias e fazer fluir nossa inadaptabilidade. Mas a tecnologia também nos salva. Por isso, o que tranquiliza é apenas uma certeza: no futuro vamos continuar falando do futuro, tentando compreender qual a magia que fermenta nossos sentidos a cada instante do presente. Para sempre. 


(Obra de Mark Rothko) O Dia Mundial da Poesia celebra-se todos os anos a 21 de março. A data foi criada na 30ª Conferência Geral ...


(Obra de Mark Rothko)



O Dia Mundial da Poesia celebra-se todos os anos a 21 de março. A data foi criada na 30ª Conferência Geral da UNESCO a 16 de novembro de 1999. Este Dia Mundial da Poesia celebra a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação.


Ave, poema


Todo poema
É uma ressurreição.

Ficamos de joelhos
Perante a palavra 
E a vida.

Solfejo frases
na lavratura das
mãos.

O tempo segue
dentro dos elevadores.

Chove lá fora.

O fio enovela-se 
do espaço denso. 

Nada acontece no círculo
da rosa.

A cor é a mesma.
O branco é único.
Tudo segue...

O sol se levanta
A lua cai
A vida se esvai
O dia passa.
O gato mia
A noite é fria
O vento uiva
E assim passa o dia.

As abelhas zunem
no espaço etéreo 
das linhas tênues
circulando as bétulas
do funeral.

No poema, 
a máquina da palavra
enguiça,
engolimos sílabas
e tudo se finda.
E renasce a vida.

A greve dos juízes é mais um sintoma de que o Judiciário brasileiro está perdido em sua condução. O outro, tão grave quanto, é o cambia...


A greve dos juízes é mais um sintoma de que o Judiciário brasileiro está perdido em sua condução. O outro, tão grave quanto, é o cambiante jeito de julgar do STF, onde cada Ministro arvora-se em Tribunal composto por si mesmo, dando de ombros para a jurisprudência do Colegiado, de modo que a “simples” sorte (ou azar) na distribuição de um recurso pode significar o sacrifício da liberdade.

Ao cabo de quase quarenta anos de lida forense, não me recordo de outra quadra como esta, caracterizada por essas mazelas que revelam um profundo descompromisso da Magistratura com suas funções éticas e constitucionais.

A gravidade do momento é aguçada pela inação ou omissão da Ordem dos Advogados do Brasil, incapaz – há muito – de liderar (ou pelo menos unir) a sociedade civil na luta pelo respeito ao modo de conduzir as instituições pilares do Estado de Direito. O Legislativo faz o que bem quer, desde que não desagrade seu senhor, pois quase sempre, em todas as esferas, comporta-se como dócil bicho de estimação do Executivo; este, por seu turno, dono do cofre, conduz-se com proverbial e vetusto patrimonialismo, chegando ao cúmulo, em muitas paragens, de cooptar o Ministério Público e o Judiciário.

Logo, não era de se esperar que o Judiciário muito tempo resistisse a participar desse por assim dizer voluptuoso convescote, para não dizer outra coisa, mas é lamentável que isso tenha ocorrido, que os discípulos e mandatários de Têmis, a deusa da justiça, da lei e da ordem, protetora dos oprimidos, tenham perdido sua referência, fechando os olhos às suas virtudes e qualidades e abrindo-se às toscas pulsões mundanas.

Obviamente, registro seja feito, sob o manto dos poderes aqui criticados, muitos são os que procedem dignamente com as funções de seus cargos, de modo que a opinião negativa por mim expendida a eles não toca. Mesmo assim, o Poder que exercem resta diminuído, porque um Poder que não cumpre suas atribuições constitucionais ou cujos responsáveis fazem greve não é mais um Poder, nem força mais possui, deslegitimado que está por sua própria confessada fraqueza: Poder que tem poder obtém o que deseja naturalmente, porque sempre deve e só pode desejar o que a lei a ele concede. Oh tempore, oh mores!

*Advogado

Caro amigo Pucci,  eu sei que a vida não está fácil pra você. A vida não está fácil pra ninguém. Você está percorrendo o Estado e faz...


Caro amigo Pucci, 


eu sei que a vida não está fácil pra você. A vida não está fácil pra ninguém. Você está percorrendo o Estado e fazendo seus primeiros ensaios para ser candidato ao governo do Estado. Alguns de seus adversários estão fazendo o mesmo. Na raia, todos enfrentarão percalços. Não será uma luta do santo guerreiro contra o dragão da maldade. 

Sua vantagem é a experiência acumulada nos anos todos que você vivenciou o Estado, conhecendo sua realidade. Na verdade, ninguém conhece o Mato Grosso do Sul profundo como você. Quando você foi prefeito de Campo Grande mudou a cidade para sempre. Escrevi um livro em parceria com a professora Bittar sobre o tema. 

Quando foi governador, executou bons projetos, foi hábil politicamente para contornar as divergências com a turma de Lula e aproveitou a onda da peemedebização do governo federal para fazer o que era possível. Deu certo. Mas depois deu errado.

Veio a Lava Jato e o acerto de contas da Justiça com aqueles anos loucos de locupletação geral. 
Muita gente diz que você errou quando teve a ideia de colocar o projeto do Aquário Pantanal pra a frente. Eu não acho. Acredito que concluída aquela obra a cidade dará uns vinte passos pra frente. Talvez seu erro tenha sido o de colocar o Aquário nas mãos de Osmar Jerônimo & sua camarilha. 

Deu no que deu. 

Muita gente diz que você errou quando se cercou de Girotto & Cia, Ivanildo & Cia, Irmãos Batista & Cia, acreditando que, no próximo século, o sistema eleitoral manteria no poder aqueles que tivessem o caixa mais robustecido. Você deve ter percebido que esse pensamento começou a dar a xabu quando você perdeu a eleição aqui em Campo Grande, abrindo espaço para o maluco do Bernal.

Ali você devia ter sacado que a massa não queria mais comer migalhas e estava a fim de devorar o pudim. Mas essa é a vida.

Nesse meio tempo, estradas se esfarelaram, pontes caíram, muitas coisas não deram certo. Por isso é preciso ir na raiz das causas, mesmo porque Azam deixou tudo como estava pra ver o que acontecia. E aconteceu...

Colocando-o vis a vis em relação aos seus prováveis adversários hoje não há dúvida de que é o melhor porque conhece mais, sabe o caminho das pedras, e sabe garantir o sentido de autoridade. 

Estranhamente, porém, a classe política mantém uma evidente desconfiança em relação à sua candidatura: uns acham que você será preso num jogo de interesses do Ministério Público local e federal, com forte mão do governador Azambuja e do Juiz Justiceiro, e outros acham que você está enganando todo mundo e que, na hora H, fará alguma convergência metafísica, dando aquela famosa amarelada. 

Há uma frase feita na boca dos políticos: você só entra numa campanha com a certeza de que será vencedor. 

Olhando as coisas da platitude de quem está se lixando para quem será eleito (é o meu caso) acho que do ponto de vista administrativo você está a um passo à frente dos demais e, do ponto de vista, moral, está pareando com seus adversários, apesar de o Juiz ser um cara que mantém a fama de Robespierre de shortinho. 

Não sei o que vai acontecer durante a campanha. Parece que o jogo será muito sujo. Todos apostarão na soma zero para chegar ao segundo turno. O problema é que à medida que o eleitor não encontrar aquele que o representa pela diferença e pelos valores idealizados, virará as costas para o processo, negando seu voto. Com isso, corre-se o risco de alguém se eleger com a minoria da sociedade. Pior ainda: o sufrágio deixar de ser democrático e passar a ser a de um grande acerto de cúpula. 

Deixo, portanto, essas divagações para o momento certo.

Nos últimos dias, acompanhando suas manifestações vejo que você está insistindo na tese de que mudou, fez uma autocrítica, aprendeu com os erros, está disposto a “ouvir mais”, deixando de lado aquela pose imperial de professor de Deus. Acho ótimo. Mas as pessoas têm que acreditar que isso é verdadeiro. 

Outra coisa: se eu fosse seu conselheiro, diria que em todo o processo existe algo chamado “dúvida razoável”. Uma vez escrevi que era estranho falarem que você saqueou o Estado, embora todos saibam que mantém um estilo modesto, vivendo no mesmo apartamento, andando com aquele ridículo Uno vermelho, vestindo roupas de terceira, viajando de férias para lugares de quinta. 

Mesmo assim, seus acólitos tiveram uma crise de ciúmes e afirmaram que eu era seu principal adversário na mídia. 

Pra fechar: se você quer mostrar que mudou pra valer, mude seu entorno. Escolha gente de primeira para andar com você. Isso faz a diferença. Afaste os capitães do mato, os ladrões evidentes, os primitivos boquirrotos e os alpinistas sociais. Isso areja uma campanha. Gente jovem e motivada faz a diferença. Os ganhos vêm por osmose. 

Abraços.




Anos atrás, resolvi não assistir mais filmes nacionais. Os motivos pelos quais tomei esta decisão radical estão ligados à torrente de a...


Anos atrás, resolvi não assistir mais filmes nacionais. Os motivos pelos quais tomei esta decisão radical estão ligados à torrente de abobrinhas impregnadas no roteiro de Tropa de Elite e sua mensagem transformadora de que era um farol a iluminar os passos da sociedade contra um Estado corrupto e decadente. 

O filme tem um recado enviesado dos roteiristas, colocando um personagem inspirado no deputado Marcelo Freixo (PSOL) como a única coisa boa da política carioca. O resultado de toda essa sanha cinematográfica e da militância de seus partidários do Leblon pode ser visto no atentado ao cinegrafista Santiago Andrade, morto por um rojão enquanto cobria uma manifestação da parceria PSOL e Black blocs.

Depois disso, fechei os olhos e tapei os ouvidos para qualquer produção nacional. Nada de prestigiar produções brasileiras. Tudo parecia chato, panfletário e tedioso.

Mas, em se tratando do meu gosto particular por cinema, nada faz mais sentido do que a famosa frase do compositor Cartola: “O mundo é um moinho”. Pois é, e assim como num passe de mágica fui surpreendido por um filme nacional, ou melhor, pela atuação do veterano ator Ary Fontoura.

Explico: zapeando os canais Telecine numa dessas madrugadas insones, fiquei curioso quando apareceu na minha tela o festejado “Polícia Federal a Lei é Para Todos”. Para quem tem intenção de assistir, adianto: o filme não é ruim; também não é uma obra prima. É apenas convencional e a atuação de quase todos os atores é discreta.

A película narra o início, os desdobramentos e os bastidores da Operação Lava Jato, com seus principais protagonistas. Como toda produção local, apresenta um problema recorrente: a qualidade do áudio é ruim e se faz necessário o uso da legenda. Mesmo os diálogos curtos são difíceis de entender.

Perto de despertar os primeiros bocejos, eis que aparece na minha tela Ary Fontoura, travestido de Lula. Tchan! A trama sai da lenga-lenga exasperante para prender a atenção daqueles que vivem a expectativa de ver Lula preso em Curitiba. 

A partir daí, o que era para ser uma hagiografia dos protagonistas da PF na Lava-Jato ganha a complementação do veterano ator, minimalista nos detalhes da metamorfose do líder petista como um personagem caricato de si mesmo preso numa selva escura.

Fontoura é convincente até mesmo quando encena a arrogância de Lula (conhecido no meio político por se julgar esperto demais) e consegue prender a atenção do espectador quando imposta o dedo em riste e o olhar sombrio do petista direcionado aos investigadores.

As conversas - fictícias ou não - entre Lula, policiais e promotores são carregadas de dramaticidade e colocam em xeque a verdade imaginária que o ex-presidente propaga para sua legião de seguidores, convertidos nas mentes mais idiotas de todos os tempos.

O desfecho dessa história toda está longe do fim. As cenas dos próximos capítulos ainda não foram escritas. Em se tratando de Lula tudo é possível, mas pelas cenas do filme, dá para se ter uma idéia do que vem por aí.

Jornalista

Vivemos um momento histórico em que todos dizem sentir ojeriza da política. Dou razão. Mesmo assim, em conversas de adultos o assunto é...


Vivemos um momento histórico em que todos dizem sentir ojeriza da política. Dou razão. Mesmo assim, em conversas de adultos o assunto é recorrente. Nos últimos tempos, não há um único dia em que eu não tenha sido interpelado sobre o assunto que mais diverte nesses dias chuvosos: quem serão os candidatos ao governo do Estado neste sagrado ano de 2018? 

Sempre respondo o óbvio: André Puccinelli, Odilon de Oliveira e Reinaldo Azambuja. O resto é periferia. 

E invariavelmente meus interlocutores respondem: Puccinelli não será candidato porque corre o risco de ser preso; Odilon está apenas fazendo uma jogada combinada com a turma do jogo do bicho para viabilizar dinheiro para a campanha ao senado; e Azambuja está com medo de se enrolar mais à frente por causa do escândalo e das delações do JBS. A matriarca da República de Maracaju teria solicitado que ele desistisse em nome do patrimônio da família. 

Essas informações são especulações, delírios e intrigas políticas. Ninguém sabe a verdade. A imprensa não pergunta diretamente aos candidatos sobre essas fofocas circulantes que, no momento, tem mais valor do que informações factuais. 

Só respondo pelo que vejo: no último encontro social que tive com Puccinelli ele me pegou no braço, olhou nos meus olhos, e pediu apoio e voto (dificilmente ele seria tão cínico ao ponto de fazer isso se não desejasse disputar); Odilon nunca vi na vida, nunca nem cheguei perto por razões óbvias (dizem que o homem anda com seguranças armados); e Azambuja, quando me vê, parece tremer de medo, e é imediatamente cercado por assessores, como se eu fosse um homem-bomba islamita. 

Assim, só posso depreender que Pucci percorre verdadeiramente o caminho de sua candidatura, enquanto os outros dois seguem ainda na senda das hipóteses. Claro que todos agem como se estivessem esquentando os motores . Nos bastidores se movimentam, dão sinais aqui e ali, preparam o jogo, mas ninguém sabe direito o que os próximos meses reservam. 

Mas desse relato todo acima, surge outra pergunta: qual a razão para essas dúvidas? Será que tudo não faz parte daquele joguinho de adivinhações e apostas dos donos dos cassinos e dos hipódromos? Será que existe uma banca paralela movimentando dinheiro da jogatina em torno desse tipo de especulação? 

Não sei nem quero saber. Em Mato Grosso do Sul tudo é possível. 




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