Anos atrás, resolvi não assistir mais filmes nacionais. Os motivos pelos quais tomei esta decisão radical estão ligados à torrente de a...

Alexsandro Nogueira: Ary Fontoura à imagem e semelhança de Lula

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Anos atrás, resolvi não assistir mais filmes nacionais. Os motivos pelos quais tomei esta decisão radical estão ligados à torrente de abobrinhas impregnadas no roteiro de Tropa de Elite e sua mensagem transformadora de que era um farol a iluminar os passos da sociedade contra um Estado corrupto e decadente. 

O filme tem um recado enviesado dos roteiristas, colocando um personagem inspirado no deputado Marcelo Freixo (PSOL) como a única coisa boa da política carioca. O resultado de toda essa sanha cinematográfica e da militância de seus partidários do Leblon pode ser visto no atentado ao cinegrafista Santiago Andrade, morto por um rojão enquanto cobria uma manifestação da parceria PSOL e Black blocs.

Depois disso, fechei os olhos e tapei os ouvidos para qualquer produção nacional. Nada de prestigiar produções brasileiras. Tudo parecia chato, panfletário e tedioso.

Mas, em se tratando do meu gosto particular por cinema, nada faz mais sentido do que a famosa frase do compositor Cartola: “O mundo é um moinho”. Pois é, e assim como num passe de mágica fui surpreendido por um filme nacional, ou melhor, pela atuação do veterano ator Ary Fontoura.

Explico: zapeando os canais Telecine numa dessas madrugadas insones, fiquei curioso quando apareceu na minha tela o festejado “Polícia Federal a Lei é Para Todos”. Para quem tem intenção de assistir, adianto: o filme não é ruim; também não é uma obra prima. É apenas convencional e a atuação de quase todos os atores é discreta.

A película narra o início, os desdobramentos e os bastidores da Operação Lava Jato, com seus principais protagonistas. Como toda produção local, apresenta um problema recorrente: a qualidade do áudio é ruim e se faz necessário o uso da legenda. Mesmo os diálogos curtos são difíceis de entender.

Perto de despertar os primeiros bocejos, eis que aparece na minha tela Ary Fontoura, travestido de Lula. Tchan! A trama sai da lenga-lenga exasperante para prender a atenção daqueles que vivem a expectativa de ver Lula preso em Curitiba. 

A partir daí, o que era para ser uma hagiografia dos protagonistas da PF na Lava-Jato ganha a complementação do veterano ator, minimalista nos detalhes da metamorfose do líder petista como um personagem caricato de si mesmo preso numa selva escura.

Fontoura é convincente até mesmo quando encena a arrogância de Lula (conhecido no meio político por se julgar esperto demais) e consegue prender a atenção do espectador quando imposta o dedo em riste e o olhar sombrio do petista direcionado aos investigadores.

As conversas - fictícias ou não - entre Lula, policiais e promotores são carregadas de dramaticidade e colocam em xeque a verdade imaginária que o ex-presidente propaga para sua legião de seguidores, convertidos nas mentes mais idiotas de todos os tempos.

O desfecho dessa história toda está longe do fim. As cenas dos próximos capítulos ainda não foram escritas. Em se tratando de Lula tudo é possível, mas pelas cenas do filme, dá para se ter uma idéia do que vem por aí.

Jornalista



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