Caro amigo Pucci,  eu sei que a vida não está fácil pra você. A vida não está fácil pra ninguém. Você está percorrendo o Estado e faz...

Dante Filho: Um recado para Puccinelli

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Caro amigo Pucci, 


eu sei que a vida não está fácil pra você. A vida não está fácil pra ninguém. Você está percorrendo o Estado e fazendo seus primeiros ensaios para ser candidato ao governo do Estado. Alguns de seus adversários estão fazendo o mesmo. Na raia, todos enfrentarão percalços. Não será uma luta do santo guerreiro contra o dragão da maldade. 

Sua vantagem é a experiência acumulada nos anos todos que você vivenciou o Estado, conhecendo sua realidade. Na verdade, ninguém conhece o Mato Grosso do Sul profundo como você. Quando você foi prefeito de Campo Grande mudou a cidade para sempre. Escrevi um livro em parceria com a professora Bittar sobre o tema. 

Quando foi governador, executou bons projetos, foi hábil politicamente para contornar as divergências com a turma de Lula e aproveitou a onda da peemedebização do governo federal para fazer o que era possível. Deu certo. Mas depois deu errado.

Veio a Lava Jato e o acerto de contas da Justiça com aqueles anos loucos de locupletação geral. 
Muita gente diz que você errou quando teve a ideia de colocar o projeto do Aquário Pantanal pra a frente. Eu não acho. Acredito que concluída aquela obra a cidade dará uns vinte passos pra frente. Talvez seu erro tenha sido o de colocar o Aquário nas mãos de Osmar Jerônimo & sua camarilha. 

Deu no que deu. 

Muita gente diz que você errou quando se cercou de Girotto & Cia, Ivanildo & Cia, Irmãos Batista & Cia, acreditando que, no próximo século, o sistema eleitoral manteria no poder aqueles que tivessem o maior caixa. Você deve ter percebido que esse pensamento começou a dar a xabu quando você perdeu a eleição aqui em Campo Grande, abrindo espaço para o maluco do Bernal.

Ali você devia ter sacado que a massa não queria mais comer migalhas e estava a fim de devorar o pudim. Mas essa é a vida.

Nesse meio tempo, estradas se esfarelaram, pontes caíram, muitas coisas não deram certo. Por isso é preciso ir na raiz das causas, mesmo porque Azam deixou tudo como estava pra ver o que acontecia. E aconteceu...

Colocando-o vis a vis em relação aos seus prováveis adversários hoje não há dúvida de que é o melhor porque conhece mais, sabe o caminho das pedras, e sabe garantir o sentido de autoridade. 

Estranhamente, porém, a classe política mantém uma evidente desconfiança em relação à sua candidatura: uns acham que você será preso num jogo de interesses do Ministério Público local e federal, com forte mão do governador Azambuja e do Juiz Justiceiro, e outros acham que você está enganando todo mundo e que, na hora H, fará alguma convergência metafísica, dando aquela famosa amarelada. 

Há uma frase feita na boca dos políticos: você só entra numa campanha com a certeza de que será vencedor. 

Olhando as coisas da platitude de quem está se lixando para quem será eleito (é o meu caso) acho que do ponto de vista administrativo você está a um passo à frente dos demais e, do ponto de vista, moral, está pareando com seus adversários, apesar de o Juiz ser um cara que mantém a fama de Robespierre de shortinho. 

Não sei o que vai acontecer durante a campanha. Parece que o jogo será muito sujo. Todos apostarão na soma zero para chegar ao segundo turno. O problema é que à medida que o eleitor não encontrar aquele que o representa pela diferença e pelos valores idealizados, virará as costas para o processo, negando seu voto. Com isso, corre-se o risco de alguém se eleger com a minoria da sociedade. Pior ainda: o sufrágio deixar de ser democrático e passar a ser a de um grande acerto de cúpula. 

Deixo, portanto, essas divagações para o momento certo.

Nos últimos dias, acompanhando suas manifestações vejo que você está insistindo na tese de que mudou, fez uma autocrítica, aprendeu com os erros, está disposto a “ouvir mais”, deixando de lado aquela pose imperial de professor de Deus. Acho ótimo. Mas as pessoas têm que acreditar que isso é verdadeiro. 

Outra coisa: se eu fosse seu conselheiro, diria que em todo o processo existe algo chamado “dúvida razoável”. Uma vez escrevi que era estranho falarem que você saqueou o Estado, embora todos saibam que mantém um estilo modesto, vivendo no mesmo apartamento, andando com aquele ridículo Uno vermelho, vestindo roupas de terceira, viajando de férias para lugares de quinta. Mesmo assim, seus acólitos tiveram uma crise de ciúmes e afirmaram que eu era seu principal adversário na mídia. 

Pra fechar: se você quer mostrar que mudou pra valer, mude seu entorno. Escolha gente de primeira para andar com você. Isso faz a diferença. Afaste os capitães do mato, os ladrões evidentes, os primitivos boquirrotos e os alpinistas sociais. Isso areja uma campanha. Gente jovem e motivada faz a diferença. Os ganhos vêm por osmose. 

Abraços.






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