Vivemos um momento histórico em que todos dizem sentir ojeriza da política. Dou razão. Mesmo assim, em conversas de adultos o assunto é...

Candidaturas esquisitas

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Vivemos um momento histórico em que todos dizem sentir ojeriza da política. Dou razão. Mesmo assim, em conversas de adultos o assunto é recorrente. Nos últimos tempos, não há um único dia em que eu não tenha sido interpelado sobre o assunto que mais diverte nesses dias chuvosos: quem serão os candidatos ao governo do Estado neste sagrado ano de 2018? 

Sempre respondo o óbvio: André Puccinelli, Odilon de Oliveira e Reinaldo Azambuja. O resto é periferia. 

E invariavelmente meus interlocutores respondem: Puccinelli não será candidato porque corre o risco de ser preso; Odilon está apenas fazendo uma jogada combinada com a turma do jogo do bicho para viabilizar dinheiro para a campanha ao senado; e Azambuja está com medo de se enrolar mais à frente por causa do escândalo e das delações do JBS. A matriarca da República de Maracaju teria solicitado que ele desistisse em nome do patrimônio da família. 

Essas informações são especulações, delírios e intrigas políticas. Ninguém sabe a verdade. A imprensa não pergunta diretamente aos candidatos sobre essas fofocas circulantes que, no momento, tem mais valor do que informações factuais. 

Só respondo pelo que vejo: no último encontro social que tive com Puccinelli ele me pegou no braço, olhou nos meus olhos, e pediu apoio e voto (dificilmente ele seria tão cínico ao ponto de fazer isso se não desejasse disputar); Odilon nunca vi na vida, nunca nem cheguei perto por razões óbvias (dizem que o homem anda com seguranças armados); e Azambuja, quando me vê, parece tremer de medo, e é imediatamente cercado por assessores, como se eu fosse um homem-bomba islamita. 

Assim, só posso depreender que Pucci percorre verdadeiramente o caminho de sua candidatura, enquanto os outros dois seguem ainda na senda das hipóteses. Claro que todos agem como se estivessem esquentando os motores. Nos bastidores se movimentam, dão sinais aqui e ali, preparam o jogo, mas ninguém sabe direito o que os próximos meses reservam. 

Mas desse relato todo acima, surge outra pergunta: qual a razão para essas dúvidas? Será que tudo não faz parte daquele joguinho de adivinhações e apostas dos donos dos cassinos e dos hipódromos? Será que existe uma banca paralela movimentando dinheiro da jogatina em torno desse tipo de especulação? 

Não sei nem quero saber. Em Mato Grosso do Sul tudo é possível. 






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