Dante Filho***** Vereadores de Campo Grande se comportam como analfabetos em contas públicas. Na semana passada, em reportagens publicadas...

 



Dante Filho*****

Vereadores de Campo Grande se comportam como analfabetos em contas públicas. Na semana passada, em reportagens publicadas pelo jornal O Estado de MS, produzidas pelas  repórteres Andrea Cruz, Beatriz Feldens e Rafaela Alves, ficamos sabendo que os senhores responsáveis pela fiscalização da administração municipal ou estão se fazendo de bobos ou foram $eduzidos  pela medu$a que manipula números financeiros da prefeitura.

Eles se concentraram no boato de que as contas estavam “maquiadas”. O Vereador Tabosa insiste no assunto. Na verdade, se analisassem os números oficiais veriam que “maquiagem” não é o termo adequado. Poderia ter usado “fraudados”. O que o ex-prefeito Marquinhos Trad deixou para dona Adriane Lopes foi simplesmente o caos, a incúria, a irresponsabilidade, tratando o dinheiro do contribuinte com uma negligência jamais vista. 

Posso dizer, por experiência própria, que a culpa não foi do ex-secretário Pedro Pedrossian Neto, pois ele é competente e estudioso o suficiente para ter clareza que as decisões de Marquinhos contrariavam o manual da boa governança, mas ele estava sozinho para segurar a tigrada. 

Quantas vezes o vi pelos corredores contrariado, revoltado, sentindo-se ameaçado, murmurando contra o modelo de gestão, tentando minimizar danos – pois era a única coisa que lhe restava fazer. 

O último relatório quadrimestral das contas municipais levado à Comissão de Finanças da Câmara em audiência pública, realizada em 21 de fevereiro deste ano, comandada pelo Vereador Betinho, mostra o tamanho da bagunça, mas tudo foi tratado com descaso e, lá na frente, o campo-grandense terá que reclamar com o bispo quando sentir que, mais uma vez, foi enganado pelos patetas que comandam a Casa de Leis. 

O correto seria exigir do Tribunal de Contas um parecer técnico, acompanhado por auditorias independentes, para compreender o quão profundo e largo é a cratera, e quanto ele representará, com o tempo, de atraso sistêmico no processo de desenvolvimento social da cidade. Mas quem tá ligando...

Os números estão lá, basta saber fazer operações básicas de matemática para ver o tamanho do buraco. Não é preciso ser técnico, especialista, auditor ou consultor para ver que Marquinhos não é gestor, apenas um populista que, no quesito administração pública, é apenas um amador abilolado.

 A prefeitura arrecadou R$ 4,6 bilhões no ano passado, uma diferença de 8,1% em relação ao ano anterior, ou seja, não houve reposição inflacionária do período que foi de 10,6%. Perdemos dinheiro. A despesa foi de R$ 4,4 bilhões, um crescimento de 14%. Hipoteticamente, sobrariam R$ 200 milhões, certo? 

Mas o que foi feito com essa dinheirama? O relatório não demonstra, não explica. Não há investimento que o justifique (que registra apenas R$ 56 milhões), mesmo porque as demandas e obras paradas são a marca da administração. Por isso, o vereador Tabosa está gritando que “maquiaram” as contas e, fica claramente a impressão, que tem coisa errada por todos os cantos. 

O prefeito Marquinhos faz efusiva propaganda dizendo que deixou em caixa R$ 1,5 bilhão para dona Adriane. Ela não confirmou. Tá de biquinho fechado. A subsecretária de Gestão, Catiana Sabadin, afirmou, por linhas tortas, que esse dinheiro existe, e está previsto no Plano Municipal de Gestão Estratégia, a ser aplicado até 2024. Na verdade, não é dinheiro vivo, são recursos contábeis. Ela sabe disso.

Já a secretária de Finanças, cognominada de “a japonesa”, afirmou noutra reunião com vereadores que o dinheiro provisionado pelo ex-prefeito foi de R$ 300 milhões. Uai! E os R$ 1,5 bilhão?

O demonstrativo apresentado e as informações são confusos. Não há interesse em esclarecer nada. Por exemplo: as transferências de recursos federais caíram de R$ 226 milhões em 2020 para R$ 51,4 milhões no ano passado, uma queda de 77,3%. Não é normal, mesmo porque na pandemia houve bom fluxo de recursos entre entes da federação. Talvez o Cadin esclareça. Mas esse é um tema proibido na Câmara.

Ao mesmo tempo, dados oficiais mostram que entre receita e despesa houve um déficit de 43% entre 2020 e 2021. A dívida pública cresceu 19%, passando de R$ 707 milhões para R$ 770 milhões. 

O mais grave são os gastos com pessoal. A prefeitura gasta 60% do que arrecada com pagamento salarial. A lei de responsabilidade fiscal afirma que o limite de alerta e prudencial é de 48% e 59%. Com isso, caso tal distorção não se resolva ao longo do tempo, a prefeita poderá incorrer em improbidade administrativa. 

Com certeza, Marquinhos Trad saiu da prefeitura em fuga. Tem muito abacaxi para ser descascado. O vereador Tabosa devia insistir na pauta e voltar à tribuna. E esquecer a $edução do poder. 


 


  Dante Filho*** O Brasil é um País sem convicções. Os movimentos sociais por aqui só produzem espuma. Na política, tudo se transforma em pi...

 


Dante Filho***

O Brasil é um País sem convicções. Os movimentos sociais por aqui só produzem espuma. Na política, tudo se transforma em piada. Dias atrás, lançaram na praça que estávamos na iminência de um golpe de Estado. Todo e qualquer boneco de ventríloquo tinha que repetir duas ou três vezes por dia que o golpismo era uma certeza. Qualquer analista de imprensa tinha que enviar uma senha ao politburo escrevendo em algum lugar, mesmo fora de contexto, a palavra “golpe”. 

A ideia é de que Bolsonaro não aceitará ser derrotado por Lula e, por isso, contestando o TSE, mandará um cabo e um soldado resolverem a situação. O roteiro da trama já está escrito, mas seu desfecho terá nuances que nenhuma mente criativa ainda chegou lá. 

Hoje esse enredo enfraqueceu-se. Poucos falam em golpe. Acho que olharam em volta e perceberam que esse tipo de coisa não assusta nem mobiliza o eleitor. O que verdadeiramente preocupa a cidadania é a inflação, a carestia, a permanente desigualdade e a miséria crescente. 

Estamos distante de sermos um País civilizado. A pobreza e a falta de escolaridade da grande maioria jogam o sonho do futuro para um lugar mais distante, incerto e não sabido. 

Haverá quase uma dezena de candidatos à presidência da República. Todos propondo a salvação da Pátria, com peças publicitárias que são fantasiadas de projetos estruturais, embaladas por uma magia para se transformar em realidade. 

Na verdade, o Presidente da República e seus ministros, revestidos da imensa burocracia que lhes cobrem de poder, cada vez mandam menos. O poder real – aquele que faz e acontece – está nas mãos do Congresso Nacional (que opera o orçamento a seu bel prazer, tendo ainda à disposição bilhões de emendas secretas), no qual o presidente terá cada vez mais que ajoelhar e rezar como um pedinte. 

O brasileiro ainda não sabe, mas vai eleger uma “rainha da Inglaterra”, e quem vai gerir o País serão bases parlamentares organizadas, numericamente expressivas, que darão as cartas e decidirão pra onde vai o dinheiro. 

O outro pólo de Poder será o Judiciário. Ali vai se continuar dizendo o que se pode ou não fazer. Com o discurso (falso) de defesa da democracia Ministros do Supremo determinarão cada vez mais qual música irá tocar, como se deve dançar e qual fantasia se deve vestir. Mais: como a imprensa deve se comportar.

O Poder Executivo viverá a tibieza do personagem em busca de um texto. Claro, o presidente (seja qual for) vai reclamar, tentará retomar o controle e o poder imperial da caneta, mas ficará apenas com as narrativas judicantes, algumas aparições nas mídias, alertas ameaçadores, amarrado, de um lado, pelo Centrão, e, de outro, pela máquina judiciária. 

Hoje é Bolsonaro, o ogro do momento, amanhã será outro, mas a essência talvez seja a mesma.

Política & economia

A política e a economia são imponderáveis. No começo do ano passado, quando as vacinas sinalizaram que venceríamos a batalha contra o Covid-19, os economistas, estudiosos, homens do mercado, jornalistas (eu, inclusive), acreditamos que, com a produção reprimida por um fator exógeno, em pouco tempo o mercado seria irrigado de maneira abundante, sustentado por trilhões de dólares emitidos pelos principais bancos centrais do mundo. 

Um novo salto de prosperidade se daria e as coisas voltariam ao normal com grande rapidez. Nada disso aconteceu. A estrutura portuária entrou em pane. A mentalidade das pessoas havia mudado (o ideário do consumismo entrou em baixa), a Rússia entrou em guerra com a Ucránia, dando origem a uma crise energética sem precedentes. 

Com isso, inflação voltou com alimentos mais caros, energia cara, renda reprimida, enfim, o cardápio doloroso que estamos vendo. Tudo isso vai passar? Sim, claro, mas quando isso acontecer o mundo será outro, as sociedades serão outras, a concepção de vida estará mais ativada pela raiva ancestral das ideologias mal construídas. 

Mato Grosso do Sul: a que será que destina?

Onde Mato Grosso do Sul vai se inserir neste contexto?. Com um mundo híbrido, com mais diversidades de conceitos, mais dependente de tecnologia digital, com maior expansionismo do agro, com crescimento urbano desigual (no qual 60% da população se concentram em apenas seis dos 79 municípios), o futuro talvez nos revele um estado intermediário entre produtor de matéria-prima e corredor de passagem da rota bio-oceânica. 

Estou especulando. Infelizmente, são poucos candidatos com olhar macro sobre a nossa realidade. Alguns estão preocupados em contar mentiras para dona Candinha e seu José. Outros querem limpar seu passado. Há quem deseje aprofundar nosso conservadorismo latente. E muitos estão aí fazendo apenas o jogo oportunista do mercado eleitoral, esperando amealhar algum para a próxima temporada. Por enquanto, ninguém está falando sério.




  Dante Filho***** Que as eleições deste ano serão extremamente polarizadas ninguém tem dúvida.  A linha divisória que demarcará as preferên...

 



Dante Filho*****

Que as eleições deste ano serão extremamente polarizadas ninguém tem dúvida.  A linha divisória que demarcará as preferências num ambiente de disputa quase selvagem influenciará na concepção dos eleitores quanto a posição de seus candidatos estaduais. 

Claro, essa influência será relativa, às vezes mitigada pelos acontecimentos locais, valores regionais. Mas a força catalisadora do quadro nacional terá incidência no comportamento dos candidatos, nos seus discursos, na forma de se apresentar ao público, nas mídias etc. 

Ainda não cravo que Lula e Bolsonaro dividirão o jogo até outubro. Se surgirá das cinzas uma “terceira via” (nome inadequado) ainda é um espaço em aberto. O que sei, por experiência no acompanhamento de eleições desde 1989, é que o improvável acontece. Um avião cai, surge uma candidatura inesperada, aparece uma facada...

Os franceses dizem que o dia eleitoral tem o tempo da eternidade. O que se dirá de 5 meses. Os fluxos e contra-fluxos de uma campanha transformam preferências muitas vezes consolidadas em indecisões e alterações conceituais em relação a qualquer dos candidatos que aí estão. A história ensina. 

Sabemos que pesquisas no volume que vêm sendo divulgadas tem o poder de presentificar a realidade eleitoral. O tempo futuro deixa de existir. Mas a estatística não é um elemento mágico.  Os números podem inclusive redirecionar tendências, mesmo porque eles, na maior parte das vezes, sofrem impacto dos fatos e falas dos candidatos. 

A pergunta que sempre faço é se nos próximos meses, conforme as campanhas evoluem, os debates, a propaganda televisiva, a movimentação das militâncias e de cabos eleitorais mudará o rumo das escolhas. 

Uma coisa é certa: quem tem a caneta nas mãos – como são os casos de Bolsonaro, no plano nacional, e de Eduardo Riedel e Marquinhos Trad, no estadual (apesar dos dois usarem canetas terceirizadas) tem uma vantagem natural conforme o tempo passa. Mas o imponderável pode gerar boa sorte a Puccinelli, Rose Modesto, Capitão Contar etc. Quem viver, verá. 

Tenho acompanhado o comentarismo sobre as eleições e verifico as dificuldades de se desenhar um cenário mais ou menos assertivo sobre o que vem pela frente. Por enquanto, todo mundo está chutando. Mas chegará a hora em que as especulações e fake news gerarão mais dúvidas do que certezas, mesmo porque as pulsações das ruas indicarão qual caminho o eleitor está decidido a percorrer.

A impressão prevalecente da eleição presidencial é de que a economia vai influir com muito peso na escolha do eleitor. O Governo Bolsonaro está indo mal, toldado pela insensatez de suas próprias decisões e por um cenário econômico internacional cada vez mais complicado. Conseguirá mudar a pauta (como vem tentando) e criar um drama emocional que leve a massa noutra direção? Reparem: Lula tem evitado mostrar seu programa econômico. É um erro.

Na eleição estadual, está cada vez mais claro que o continuísmo prevalecerá. Digo continuísmo de modelo, de lógica de gestão, focado em obras de infraestrutura e integração micro-regional. Não é hora do chamado “candidato da mudança”, mesmo porque não há demandas expressivas nesse sentido. 

Talvez seja o momento do candidato da estabilidade, do previsível, que dê seguimento ao tucanato. O eleitor de Mato Grosso do Sul (principalmente o de Campo Grande) sabe o custo de escolher gente maluca para administrar seu destino. 

“Milícia Política” – Na semana passada intensificaram-se as denúncias na prefeitura de Campo Grande de que servidores estavam sendo coagidos a adesivarem seus veículos e obrigados a seguir cotas de curtições em postagens nas redes sociais. A prefeita Adriane Lopes não tomou atitudes contra essa prática da República Velha, consentindo que a formalização de cabrestos eleitorais prevaleça em pleno século XXI. Deve rever seus conceitos. 

Simone Tebet – Num Brasil diferente a candidatura à presidência da Senadora Simone Tebet seria uma benfazeja novidade. Percebe-se, contudo, pelas dificuldades interpostas, que não é o momento. No plano nacional, ela vem sendo corroída pela turma de Renan Calheiros. Na esfera estadual, seu ex-padrinho André Puccinelli parece que está dando a maior força para triturá-la. Simone não está vivendo um bom momento. Alguém acredita que João Dória topa ser seu vice? Não vale rir.

Marquinhos versos Riedel – Outro dia, na rádio CBN, em entrevista, Marquinhos Trad afirmou que o eleitor ainda não sabe como pronunciar o nome de Riedel. Se esta for a única critica que ele tem contra o adversário, é melhor encontrar outra piada.



Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul


  Adriane Lopes é acusada da constranger servidores a tomar posição eleitoral Dante Filho*** Vem de duas semanas avolumando-se denúncias en...

 

Adriane Lopes é acusada da constranger servidores a tomar posição eleitoral


Dante Filho***


Vem de duas semanas avolumando-se denúncias entre servidores municipais de Campo Grande de que a prefeita Adriane Lopes criou uma milícia política para obrigar servidores comissionados e concursados (que têm familiares com algum tipo de vínculo profissional com a prefeitura) a manifestar apoio à pré-candidatura de Marquinhos Trad ao governo do Estado. 

Se a reclamação partisse de um ou dois chatos de plantão, juro que nem daria pelota. Mas são dezenas, inclusive pessoas sérias, técnicos com longa data de serviços prestados à administração, que estão simplesmente escandalizados com o exagero da truculência exibida.

O costume não é novo. Desde a República Velha o voto de cabresto e a formação de currais eleitorais  habita nossa realidade eleitoral, com modificações de forma e modo conforme o tempo passa. 

No caso específico das denúncias que vem chegando a este escriba, fica patente a inércia do Ministério Público eleitoral, que não demonstra apetite para ver o que está acontecendo. Está pegando mal.

Nas conversas mantidas com vários servidores, até que tentei minimizar o fato, naturalizando as ocorrência ( na base de que “todos fazem isso”), mas fui advertido que até o momento não houve registro de coisa semelhante por parte do Governo do Estado, prefeituras do interior, nem mesmo da Assembléia Legislativa e Câmara de Vereadores. 

A reclamação básica dos servidores de Campo Grande é o terrorismo que vem sendo colocado em prática, com vigília acirrada sobre aqueles que não adesivam seus veículos nem cumprem uma cota diária de curtições de postagens do ex-prefeito nas redes sociais. 

Há uma tentativa de controle exagerado sobre as manifestações públicas de servidores, com a alegação de que ocupantes de cargos de confiança são obrigados a dar apoio ao ex-prefeito sob pena de sofrerem represálias em qualquer tempo, intempestivamente. 

E o mais grave – ainda conforme as denúncias – é de que a prefeitura colocou na proa desse processo o setor de comunicação social, transformando jornalistas e publicitários em vigias portentosos para dedurar quem não transforma seu carro particular ou perfis sociais em instrumento de propaganda pró-Marquinhos . Depois reclamam do aviltamento da profissão de jornalista, nestes tempos em que a função confunde-se com a de meros cabos eleitorais. 

A grande maioria dos eleitores tende a minimizar a gravidade desse modus operandi. Mas todos sabem que quando um candidato entra em desespero ele se transforma num monstro autoritário, mandando às favas os escrúpulos de consciência, “fazendo o diabo”, como diria Dilma Roussef, atropelando o bom senso e a democracia para mostrar à sociedade que naquele curral (no caso, a prefeitura) quem manda é o coroné da vez. 

Acho estranho que a prefeita Adriane Lopes compactue com esse tipo de coisa. Ela é uma mulher suave, cristã de boa cepa, pastora de bom rebanho, esposa e mãe zelosa, não tendo até hoje apresentado registro de fazer política com sangue nos olhos. 

Se ela está apoiando milícias e patrulhas a adotarem práticas truculentas e repressoras sobre servidores, em atitudes que nem pertencem à velha política e, sim, à anti-política, então  realmente o futuro que vem pela frente é o mais sombrio que se possa imaginar. 

Claro que quem já atuou no serviço público sabe que chega um momento em que a tigrada que vive no entorno do poder sente a necessidade de dar uma demonstração de força, transformando a ética, a moral e a legislação vigente em estrume de vaca, mas não precisa ser desse jeito. 

Lembro que anos atrás um candidato a prefeito viu a centelha de sua derrota quando um vídeo espalhou-se pela cidade mostrando o ex-governador André Puccinelli cabresteando votos em reunião eleitoral com servidores comissionados. 

Seria constrangedor se o mesmo acontecesse com Marquinhos Trad e sua trupe de malucos. O discurso tem que ser instrumento da prática.  

Sobressai claramente a impressão de que Adriane Lopes é a prefeita, mas quem manda e desmanda na prefeitura continua sendo o ex-prefeito. Deplorável isso. Campo Grande está andando para trás em todos os aspectos. 

Ainda dá pra corrigir essa besteira.




Marquinhos sobe no vácuo de Zeca, ultrapassa Rose e empata com Puccinelli:  p or enquanto,  v itória da populismo barato com assistencialism...

Marquinhos sobe no vácuo de Zeca, ultrapassa Rose e empata com Puccinelli: por enquanto, vitória da populismo barato com assistencialismo de ocasião.


Dante Filho*


O Instituto Ranking Brasil divulgou pesquisa com dados atualizados sobre a disputa eleitoral que será travada este ano em Mato Grosso do Sul. Os números deixaram todos felizes. Bolsonaristas e Lulistas gostaram porque mostra que a diferença entre ambos diminuiu. Bolsonaro tem 38.2% e Lula 30,1%, o que sinaliza que até as eleições podemos prever disputa acirrada. Mas o Bolsonarismo está na frente, mesmo com o caos instalado no País. Quem explica o fenômeno?

Os números são provisórios e, na minha concepção, pesquisa e ambiente eleitoral só darão sinais consistentes entre o final de junho e começo de agosto. Até lá tudo é marketing distrativo para alimentar egos e promover pajelanças entre os “gênios” que habitam as casas partidárias.

No que toca à disputa ao governo do Estado, os quatro candidatos que, desde o ano passado, despontam como os preferidos mantêm-se na linha de frente. Haverá mudanças nesse quadro? Não dá pra saber. Acho que com horário na TV e debates tudo muda.

A novidade desta nova rodada da Ranking é que ela registra um crescimento de Marquinhos Trad, que, no levantamento anterior, estava em terceiro lugar, e agora pulou para o segundo, deixando Rose Modesto pra trás e aproximando-se de André Puccinelli. O que as próximas pesquisas dirão é se ambos atingiram o teto ou podem crescer mais.

De acordo com os especialistas, isso se deu em função da saída de Zeca do PT do páreo (que pontuava entre 8 e 10% na amostragem anterior) e a entrada da desconhecida Giselle Marques como pré-candidata do PT. 

Como em política não se suporta vácuo, parte dos eleitores que preferiam Zeca migrou para Marquinhos. A ver lá na frente se Zeca, apoiando Giselle,  faz estes índices retornarem para o lugar de origem ou serão fidelizados pelo ex-prefeito. Tudo ainda é uma incógnita. 

André Puccinelli não se movimentou. Rose está quietinha. Riedel subiu dois pontos, dentro da margem de erro. Olhando pra trás, é interessante notar que o candidato do Governador Azambuja saiu de magros 3% no final do ano passado e pulou para 17%. Não é trivial. 

Começa a despontar no horizonte, na esteira do Bolsonarismo mais pesado, a candidatura do Capitão Contar. Avaliam que Contar está apenas se exercitando para fortalecer ainda mais sua musculatura eleitoral para o legislativo. A ver.

É interessante reparar que essa amostragem da Ranking é boa pra todo mundo. Deixa as militâncias com esperança. Por enquanto, o interior do Estado é o foco. Todos estão semeando pequenos e médios municípios. Riedel tem sido o melhor sucedido porque tem uma máquina poderosa nas mãos e é candidato (pouco conhecido e com rejeição baixa) de excelente performance administrativa. Está faltando cheiro de povo. Ele deve ser mais falado pela dona Maria e pelo seu José. Se conseguir esse feito, dará trabalho.

André recolhe os benefícios dos anos em que foi secretário, prefeito e governador, avivando a memória do eleitor de seus atos e feitos. Na linguagem do marketing ele está estimulando seu recall. Puccinelli conhece todas as camadas de nossa sociedade (a mais profunda e a com maior proeminência), mas está muito cauteloso, temendo o risco de provocar polêmicas, que é o seu forte. 

Rose e Marquinhos trabalham no mesmo espectro político no imaginário social: o populismo barato e o assistencialismo de ocasião. Eles falam de deus, caminham com mansidão, fazem carinho na dona Maria, são grandes fingidores.  As camadas menos esclarecidas e mais pobres são as mais suscetíveis a essas investidas. Mas outra parte da sociedade identifica esses modos como hipocrisia e falsidade. O que pesará mais?

Riedel é o candidato mais ideológico. É um social-democrata que agora está aprendendo a conhecer em profundidade os parâmetros contraditórios de nossa sociedade. Por pragmatismo, ficará em cima de dois palanques presidenciais: Dória e Bolsonaro. Num Estado com nossas características, é o mais sábio a se fazer. Esse é preço pelo fato de ter a ex-ministra da Agricultura Teresa Cristina ao seu lado. 

Cenários eleitorais são circunstâncias. Fatos e escândalos turbinam o dia a dia das campanhas. Agenda positiva é desconstruída com a rapidez fugidia das conversas de botequim. Depois dos telejornais noturnos, a realidade é outra. O eleitor é viciado em novidades. Quanto pior a notícia, mais ele presta a atenção. Esse é o mundo em que vivemos. Os candidatos têm essa percepção? Se tivessem não fariam nem falariam as bobagens que vemos nas redes sociais e que fomentam a terrível falta de credibilidade das instituições.

(Volto ao assunto)

*Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul 

Eduardo Riedel enfrenta ataques. Acusação? Ele não é conhecido e não decola. Deve ser piada   Dante Filho** O tempo das pré-campanhas é o t...


Eduardo Riedel enfrenta ataques. Acusação? Ele não é conhecido e não decola. Deve ser piada


 

Dante Filho**


O tempo das pré-campanhas é o tempo do ensaio, da improvisação, do experimento, em que muito se fala e pouco se faz. 

Políticos acham que trabalhar é andar pra lá e pra cá, dando as mãos aos distraídos, abraçando velhinhas e pegando crianças no colo. 

Pré-campanha é o reino fantasia. É o esquenta, nada é pra valer, os pretensos candidatos estão simulando e coreografando. Quem gosta, pode se divertir.

O espetáculo mesmo começa em agosto, que é quando as candidaturas usarão seus modos e meios para conquistar os eleitores. 

No nosso caso, os pré-candidatos ao Governo podem ser acompanhados pelas redes sociais, nas postagens que invadem  nossos celulares e computadores, concedendo entrevistas às emissoras de rádio, aparecendo na imprensa. 

Trata-se de filtragem de imagem. Nada ali é literalmente verdade. É apenas linguagem de corpo.

Cada candidato tem seu estilo. Como dizia Lacan, o estilo é a forma que fornece o conteúdo.

Marquinhos Trad segue o personagem antigo: a do andarilho solitário. Podemos vê-lo aqui e ali, falando as platitudes de sempre, com seus passinhos  apressados tal qual garça saltitante. 

Ele usa ostensivamente a rede, parecendo às vezes desesperado para aparecer em todas as circunstâncias. É enjoativo. Porque só tem dança e pouquíssimo conteúdo. 

E assim ele segue cumprimentando o seu José e dona Maria, fazendo foto com populares com aquele discurso manjado de que está recolhendo subsídios para formular seu plano de Governo. Tudo lorota.

Já Eduardo Ridel aparece geralmente acompanhando as obras do Governo do estado, fazendo par com o governador, secretários e assessores, comendo churrasco em festas do interior, e, mais recentemente,  sentindo o cheiro do povo, abraçando todo e qualquer popular que encontra pela frente. O banal como modelo de apresentação.

 Ridel  também gosta de falar de gestão. É o carro-chefe. A imagem que transborda é a do homem calmo e sereno, falando um português correto com voz potente, procurando não criar arestas no ambiente político, tentando somar o máximo possível de apoio. 

As maiores “denúncias” que enfrenta é a de ser pouco conhecido e não decolar nas pesquisas. Sem comentários.

Ele encarna o governismo. Acredita que a sociedade deseja o continuísmo, acha que o eleitor está diferente e não deseja mudanças, apenas aprimoramento do que vem sendo feito, escorado no fato de que a administração estadual equacionou sua crise financeira e que o tesouro está bamburrando. 

André Puccinelli vai na mesma linha. Ele é gestor dos bons. Aprovado e comprovado. Ao contrário do que se imaginava sua postura tem sido a da serenidade.  Aquele André mercurial e bocudo está dormindo. Até o momento não falou maluquices. Não teve chiliques autoritários nem contou piadas politicamente incorretas que deixam os seus apoiadores  completamente em pânico. A vida ensina.

 André sabe por experiência própria que tem que tomar muito cuidado para que aquele personagem antigo não retorne das sombras. Se eventualmente aparecer, os adversários aproveitarão para relembrar ao eleitor  fatos com os quais ele não quer ter que lidar. Por isso, o homem está pisando em ovos.

Já Rose Modesto tem se comportado como uma mocinha pueril, com aquele sorriso de Mona lisa, tocando violão pelas estradas da vida, no estilo “ando devagar porque já tive pressa”, embora tenha gente entendida em política que acha que seu caminho será curto, cuja estrada talvez desemboque no processo eleitoral em que ela possa se tornar uma candidata imbatível lá na frente para disputar a prefeitura de Campo Grande.

São jogos eleitorais de hoje que se faz pensando no amanhã. Há também os outsider do tipo Capitão Contar e Giselle Marques, que, à direita e à esquerda, poderão fazer campanhas ideológicas para demarcar posições.  Se eles realmente disputarem serão pontas de lança do Lulismo e do Bolsonarismo, que hoje representam a polarização dos afetos de parcela da sociedade. 

Vamos acompanhar o processo. Espero que, no final, entre mortos e feridos, todos sejam salvos.

(Este artigo foi publicado originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul.)


Tecnologia do Blogger.