Marquinhos sobe no vácuo de Zeca, ultrapassa Rose e empata com Puccinelli:  p or enquanto,  v itória da populismo barato com assistencialism...

Todos os candidatos estão felizes

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Marquinhos sobe no vácuo de Zeca, ultrapassa Rose e empata com Puccinelli: por enquanto, vitória da populismo barato com assistencialismo de ocasião.


Dante Filho*


O Instituto Ranking Brasil divulgou pesquisa com dados atualizados sobre a disputa eleitoral que será travada este ano em Mato Grosso do Sul. Os números deixaram todos felizes. Bolsonaristas e Lulistas gostaram porque mostra que a diferença entre ambos diminuiu. Bolsonaro tem 38.2% e Lula 30,1%, o que sinaliza que até as eleições podemos prever disputa acirrada. Mas o Bolsonarismo está na frente, mesmo com o caos instalado no País. Quem explica o fenômeno?

Os números são provisórios e, na minha concepção, pesquisa e ambiente eleitoral só darão sinais consistentes entre o final de junho e começo de agosto. Até lá tudo é marketing distrativo para alimentar egos e promover pajelanças entre os “gênios” que habitam as casas partidárias.

No que toca à disputa ao governo do Estado, os quatro candidatos que, desde o ano passado, despontam como os preferidos mantêm-se na linha de frente. Haverá mudanças nesse quadro? Não dá pra saber. Acho que com horário na TV e debates tudo muda.

A novidade desta nova rodada da Ranking é que ela registra um crescimento de Marquinhos Trad, que, no levantamento anterior, estava em terceiro lugar, e agora pulou para o segundo, deixando Rose Modesto pra trás e aproximando-se de André Puccinelli. O que as próximas pesquisas dirão é se ambos atingiram o teto ou podem crescer mais.

De acordo com os especialistas, isso se deu em função da saída de Zeca do PT do páreo (que pontuava entre 8 e 10% na amostragem anterior) e a entrada da desconhecida Giselle Marques como pré-candidata do PT. 

Como em política não se suporta vácuo, parte dos eleitores que preferiam Zeca migrou para Marquinhos. A ver lá na frente se Zeca, apoiando Giselle,  faz estes índices retornarem para o lugar de origem ou serão fidelizados pelo ex-prefeito. Tudo ainda é uma incógnita. 

André Puccinelli não se movimentou. Rose está quietinha. Riedel subiu dois pontos, dentro da margem de erro. Olhando pra trás, é interessante notar que o candidato do Governador Azambuja saiu de magros 3% no final do ano passado e pulou para 17%. Não é trivial. 

Começa a despontar no horizonte, na esteira do Bolsonarismo mais pesado, a candidatura do Capitão Contar. Avaliam que Contar está apenas se exercitando para fortalecer ainda mais sua musculatura eleitoral para o legislativo. A ver.

É interessante reparar que essa amostragem da Ranking é boa pra todo mundo. Deixa as militâncias com esperança. Por enquanto, o interior do Estado é o foco. Todos estão semeando pequenos e médios municípios. Riedel tem sido o melhor sucedido porque tem uma máquina poderosa nas mãos e é candidato (pouco conhecido e com rejeição baixa) de excelente performance administrativa. Está faltando cheiro de povo. Ele deve ser mais falado pela dona Maria e pelo seu José. Se conseguir esse feito, dará trabalho.

André recolhe os benefícios dos anos em que foi secretário, prefeito e governador, avivando a memória do eleitor de seus atos e feitos. Na linguagem do marketing ele está estimulando seu recall. Puccinelli conhece todas as camadas de nossa sociedade (a mais profunda e a com maior proeminência), mas está muito cauteloso, temendo o risco de provocar polêmicas, que é o seu forte. 

Rose e Marquinhos trabalham no mesmo espectro político no imaginário social: o populismo barato e o assistencialismo de ocasião. Eles falam de deus, caminham com mansidão, fazem carinho na dona Maria, são grandes fingidores.  As camadas menos esclarecidas e mais pobres são as mais suscetíveis a essas investidas. Mas outra parte da sociedade identifica esses modos como hipocrisia e falsidade. O que pesará mais?

Riedel é o candidato mais ideológico. É um social-democrata que agora está aprendendo a conhecer em profundidade os parâmetros contraditórios de nossa sociedade. Por pragmatismo, ficará em cima de dois palanques presidenciais: Dória e Bolsonaro. Num Estado com nossas características, é o mais sábio a se fazer. Esse é preço pelo fato de ter a ex-ministra da Agricultura Teresa Cristina ao seu lado. 

Cenários eleitorais são circunstâncias. Fatos e escândalos turbinam o dia a dia das campanhas. Agenda positiva é desconstruída com a rapidez fugidia das conversas de botequim. Depois dos telejornais noturnos, a realidade é outra. O eleitor é viciado em novidades. Quanto pior a notícia, mais ele presta a atenção. Esse é o mundo em que vivemos. Os candidatos têm essa percepção? Se tivessem não fariam nem falariam as bobagens que vemos nas redes sociais e que fomentam a terrível falta de credibilidade das instituições.

(Volto ao assunto)

*Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul 



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