Eduardo Riedel enfrenta ataques. Acusação? Ele não é conhecido e não decola. Deve ser piada   Dante Filho** O tempo das pré-campanhas é o t...

O Homem é o estilo

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Eduardo Riedel enfrenta ataques. Acusação? Ele não é conhecido e não decola. Deve ser piada


 

Dante Filho**


O tempo das pré-campanhas é o tempo do ensaio, da improvisação, do experimento, em que muito se fala e pouco se faz. 

Políticos acham que trabalhar é andar pra lá e pra cá, dando as mãos aos distraídos, abraçando velhinhas e pegando crianças no colo. 

Pré-campanha é o reino fantasia. É o esquenta, nada é pra valer, os pretensos candidatos estão simulando e coreografando. Quem gosta, pode se divertir.

O espetáculo mesmo começa em agosto, que é quando as candidaturas usarão seus modos e meios para conquistar os eleitores. 

No nosso caso, os pré-candidatos ao Governo podem ser acompanhados pelas redes sociais, nas postagens que invadem  nossos celulares e computadores, concedendo entrevistas às emissoras de rádio, aparecendo na imprensa. 

Trata-se de filtragem de imagem. Nada ali é literalmente verdade. É apenas linguagem de corpo.

Cada candidato tem seu estilo. Como dizia Lacan, o estilo é a forma que fornece o conteúdo.

Marquinhos Trad segue o personagem antigo: a do andarilho solitário. Podemos vê-lo aqui e ali, falando as platitudes de sempre, com seus passinhos  apressados tal qual garça saltitante. 

Ele usa ostensivamente a rede, parecendo às vezes desesperado para aparecer em todas as circunstâncias. É enjoativo. Porque só tem dança e pouquíssimo conteúdo. 

E assim ele segue cumprimentando o seu José e dona Maria, fazendo foto com populares com aquele discurso manjado de que está recolhendo subsídios para formular seu plano de Governo. Tudo lorota.

Já Eduardo Ridel aparece geralmente acompanhando as obras do Governo do estado, fazendo par com o governador, secretários e assessores, comendo churrasco em festas do interior, e, mais recentemente,  sentindo o cheiro do povo, abraçando todo e qualquer popular que encontra pela frente. O banal como modelo de apresentação.

 Ridel  também gosta de falar de gestão. É o carro-chefe. A imagem que transborda é a do homem calmo e sereno, falando um português correto com voz potente, procurando não criar arestas no ambiente político, tentando somar o máximo possível de apoio. 

As maiores “denúncias” que enfrenta é a de ser pouco conhecido e não decolar nas pesquisas. Sem comentários.

Ele encarna o governismo. Acredita que a sociedade deseja o continuísmo, acha que o eleitor está diferente e não deseja mudanças, apenas aprimoramento do que vem sendo feito, escorado no fato de que a administração estadual equacionou sua crise financeira e que o tesouro está bamburrando. 

André Puccinelli vai na mesma linha. Ele é gestor dos bons. Aprovado e comprovado. Ao contrário do que se imaginava sua postura tem sido a da serenidade.  Aquele André mercurial e bocudo está dormindo. Até o momento não falou maluquices. Não teve chiliques autoritários nem contou piadas politicamente incorretas que deixam os seus apoiadores  completamente em pânico. A vida ensina.

 André sabe por experiência própria que tem que tomar muito cuidado para que aquele personagem antigo não retorne das sombras. Se eventualmente aparecer, os adversários aproveitarão para relembrar ao eleitor  fatos com os quais ele não quer ter que lidar. Por isso, o homem está pisando em ovos.

Já Rose Modesto tem se comportado como uma mocinha pueril, com aquele sorriso de Mona lisa, tocando violão pelas estradas da vida, no estilo “ando devagar porque já tive pressa”, embora tenha gente entendida em política que acha que seu caminho será curto, cuja estrada talvez desemboque no processo eleitoral em que ela possa se tornar uma candidata imbatível lá na frente para disputar a prefeitura de Campo Grande.

São jogos eleitorais de hoje que se faz pensando no amanhã. Há também os outsider do tipo Capitão Contar e Giselle Marques, que, à direita e à esquerda, poderão fazer campanhas ideológicas para demarcar posições.  Se eles realmente disputarem serão pontas de lança do Lulismo e do Bolsonarismo, que hoje representam a polarização dos afetos de parcela da sociedade. 

Vamos acompanhar o processo. Espero que, no final, entre mortos e feridos, todos sejam salvos.

(Este artigo foi publicado originalmente no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul.)




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