O processo de desenvolvimento de uma cidade tem fatores imponderáveis. Muitas vezes o poder público realiza uma intervenção urbana e...


O processo de desenvolvimento de uma cidade tem fatores imponderáveis. Muitas vezes o poder público realiza uma intervenção urbana em determinada área, esperando obter determinado resultado, mas o movimento espontâneo da população a coloca em outra direção. 


"conseguimos realizar uma obra de mais de R$ 60 milhões sem que houvesse qualquer escândalo proveniente de suspeitas de corrupção."


Todo gestor de uma grande cidade aprende que a vontade de seus cidadãos e cidadãs é imperativa para induzir a qualidade de seu crescimento. Cabe à administração municipal orientar procedimentos, gerir interesses, ordenar fluxos de crescimento e atender as demandas sociais.

Trata-se de operação complexa porque as instituições e as leis que regulam uma cidade nem sempre estão de acordo com aquilo que o dinamismo interno da cidade induz e exige. 

O asfaltamento de uma rua residencial, por exemplo, poderá, com o passar dos anos, fazer surgir uma inusitada via comercial, alterando sua finalidade. Ou vice-versa: a implantação de uma grande avenida, às vezes, se transforma em área de lazer para os moradores, que a utilizam para caminhadas e encontros sociais. 

O centro de Campo Grande vivenciou esta experiência ao longo do tempo. Sua aptidão original foi se transformando à medida que a cidade crescia, embora mantivesse, na essência, sua vocação para o comércio. Foi assim que a Rua 14 de julho - e todo seu entorno - ganharam vida própria, definindo a identidade cultural de Mato Grosso do Sul. 

O centro tornou-se o palco do chamado “jeito moreno” de ser, lugar para onde se confluía pessoas de todas as origens, formação e condições sociais. A rua e a história de Campo Grande passaram a integrar o mesmo fenômeno social, interagindo e mesclando nosso povo, dando-lhe perspectiva e rumo.

Neste aspecto, a Rua 14 de julho, ao longo de mais de um século, transformou-se em ponto de encontro, região comercial, local de moradia, tornando-se o espaço urbano vital de toda a cidade. Ali a cidade se revela com todas as suas nuances e peculiaridades.

Mesmo assim, conforme novos bairros foram surgindo e novos traçados foram delineados, a cidade redefiniu-se, impactando de maneira negativa toda a área central. Foi assim que, já na década de 70, projetou-se a primeira reforma do miolo da cidade. Ela não avançou como se desejava, e ficou apenas na  implantação do calçadão da Rua Barão do Rio Branco. 

Com crescente degradação dos imóveis e das malhas viárias, várias administrações deram início aos estudos de modernização do centro, a partir da revitalização da 14 de julho. O projeto teve a fase de maturidade e, finalmente, conseguimos fechar o acordo de financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para executar o tão sonhado projeto. 

Cabe salientar que o Reviva Campo Grande não se trata apenas de uma obra física de reforma. Ela na verdade é um novo conceito de urbanização que certamente vai se irradiar culturalmente por toda a cidade, conforme a passagem do tempo. 

Como afirmamos no início desse artigo, o processo de desenvolvimento de uma cidade é revestido de fatores imponderáveis. Neste sentido, o modelo implantado na 14 de julho poderá servir de referência urbanística para toda cidade. O centro funciona como um espelho do que serão os bairros no futuro.

Esse será o legado que pretendemos deixar para as futuras gerações. Tenho muito orgulho de entregar essa obra para nossa população porque ela impactará positivamente não somente na nossa economia, como principalmente na nossa auto-estima. Trata-se de um trabalho que mostra a ousadia de uma gestão que não teve medo de enfrentar o desafio, com todos os riscos e desgastes políticos imaginados no decorrer do processo de execução. 

Reitero que conseguimos realizar uma obra de mais de R$ 60 milhões sem que houvesse qualquer escândalo proveniente de suspeitas de corrupção. 

Vencemos e estamos orgulhosos de nossa equipe de trabalho que soube atuar com harmonia e paciência para vencer todos os obstáculos advindos da incompreensão de alguns setores da sociedade. O Reviva Campo Grande agora tornou-se um símbolo de esperança que homenageia o passado e projeta nosso futuro. 

*Prefeito de Campo Grande(MS)


Nas últimas horas ouvi de pessoas de todas as tendências de pensamento político uma opinião semelhante, sem grandes modificações semânti...


Nas últimas horas ouvi de pessoas de todas as tendências de pensamento político uma opinião semelhante, sem grandes modificações semânticas: o SFT, por 6 votos a 5, modificou, contra a vontade da sociedade, o entendimento sobre a pena de prisão após o julgamento em segunda instância para mandar um recado ao poder incumbente.  

O Judiciário está contrariado com o Executivo.

De acordo com este parecer, Bolsonaro (e seu entorno) passou muitos meses falando “merda” e agora terá que atuar num quadro politicamente mais complexo, tendo seu principal antagonista (Lula) aos seus ouvidos, a lhe atazanar. 

Ou seja: o presidente provocou demais as instituições democráticas e agora passará pelo supremo teste de ter conviver com o contraditório. 

Não sei se essa avaliação de momento será avalizada no futuro. Aliás, apesar dos adivinhos de plantão, não sabemos como o caldo da polarização que está instaurada lidará com essa realidade. 

A reação do Congresso surpreendeu. Ao colocar a PEC da segunda instância de imediato em discussão parece indicar que o País corre perigo caso essa situação perdure por longo tempo. O brasileiro está cada vez mais raivoso e certamente alguém lá na frente riscará o fósforo fatal que nos transformará num lugar de horror e sedição. 

Por enquanto, não vejo chance de Lula & sua turma conquistar o centro político. Se ele radicalizar e Bozo se mostrar domesticável pelo establishment,  o Lulismo certamente ficará no nicho das esquerdas tradicionais. 

Se o presidente e seus familiares acreditarem na estratégia do silêncio dócil e vitimista, ele poderá ficar do tamanho que está e crescer nas frinchas da melhora gradual da economia. 

Ainda a ver. 

Tudo é incerto, porém. Nas próximas semanas veremos a dissipação de alguma fumaça e, aí sim, mexer com os búzios para adivinhar o que poderá acontecer lá na frente, sobretudo nas eleições municipais. 

Ontem FHC mostrou-se sensato ao declarar que o centro tem que se organizar para se tornar opção de poder. O problema é que cada vez mais menos pessoas ouvem o ex-presidente. FHC tornou-se objeto descartável no ambiente da política institucional, infelizmente. 

De tudo aquilo que aconteceu, uma coisa é certa: O STF tornou-se um partido político. Dividido internamente, mas ainda assim um partido. Havendo renovação de seus quadros, a Constituição será reinterpretada ao sabor da maioria ocasional. Nos próximos dois anos Bolsonaro indicará dois novos ministros. Ficará mais confortável. 

Mas e o Brasil? Ficará melhor? Mais decente? Mais justo? Menos corrupto? 

Essas são as questões, Hamlet.




De repente, o casamento acabou. Fim. Foi tudo muito rápido. Mas os fios viscosos entrelaçados nas veias, nas entranhas, nas mucosas, nos...


De repente, o casamento acabou. Fim. Foi tudo muito rápido. Mas os fios viscosos entrelaçados nas veias, nas entranhas, nas mucosas, nos dramas diários, nas tramas do tempo, tudo estava lá há muito tempo, machucando, intoxicando, incomodando.

Dias antes, havia acontecido aquela discussão dura e resistente. Ela deu um soco na mesa da cozinha e gritou: “fascista!”. Ele devolveu no mesmo tom: “petralha!”. Ela bateu em seguida: “canalha!”. Ele lacrou: “babaca!”. 

Bateu a porta e saiu de casa. Foi dar uma volta no quarteirão. Fumar.

A última imagem ficara na cabeça: mostravam os dentes e salivavam na direção um do outro. A dança das ofensas ultrapassou a troca de rimas pobres, os chavões de sempre, o bater de portas, os chutes nas cadeiras e, finalmente, os palavrões de praxe, ensaiando uma luta corporal que ficou apenas nas ameaças das calistenias agitadas de um casal em fúria. 

Esta foi a cena do fim de tudo. O amor era ódio, as palavras eram feitas de raiva. E assim foi... assim ficou muito tempo... assim o tempo passou...

A memória humana tem sempre uma narrativa conveniente. Os anos de chumbo foram felizes. A gente se encontrava nas passeatas de protesto, ríamos quando era hora de fugir da polícia, falávamos bonito nas reuniões do partido, nos bares, nas festas; era um gozo, era lindo ver a gente gritando as palavras de ordem contra a ditadura, lutando contra o sistema, querendo mudar tudo, mudar o mundo, mudar o mundo...

Lembra da camiseta vermelha? Do pôster do Chê? Do Bob Marley? Do nosso jeito de ser? Lembra? Lembra? A gente se amava, a gente ouvia música, a gente viajava...Lembra?

Lembra do comício das diretas-já? A Praça da Sé lotada, e nós, com aquela bandeira linda do Brasil, abraçados chorando cantando caminhando e cantando... puxa...! era lindo, a gente se amava, tudo era bom, tudo tudo tudo era divino e maravilhoso. 

Lembra da nossa primeira briga? Você achava que era melhor seguir na Frente Ampla do MDB e eu achava que estava na hora de romper com a burguesia porque ela estava rendida, vendida, conciliando como sempre, e era hora da classe trabalhadora assumir o poder e você dizia que isso era porralouquice e eu dizia chega chega você dizia ainda é cedo ainda é cedo e eu dizia que a revolução era um processo e não ruptura
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como eu gosto de lembrar disso...
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como eu gosto de lembrar de tudo isso...
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Lembra da gente? Ficamos mais de um mês sem se conversar
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depois tudo se acomodou; a gente se amava dentro daquele apartamento
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eu como você; eu comia você e você me comia; a gente se amava e a gente voava nas asas da Panair...lembra? 

Lembra de mim? 

Quando foi mesmo que toda essa história começou? Não a NOSSA “história”, que foi uma esbórnia de alegria e juventude, cabelos ao vento e muita gente reunida...
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essa outra HISTÓRIA, a de 2013, tudo por causa de 20 centavos, quando a NOSSA TURMA levou porrada na avenida DE SUA TURMA, porra!, DE SUA TURMA!!!!
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o que foi aquilo, companheiro? quando nós, você e eu, nós e eles, ficamos diferentes, pensando o mundo de outro jeito, gritando um com o outro, querendo ganhar a luta na marra, com argumentos de duas palavras
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quando foi mesmo? 
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Lembra de nós? 
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Tudo foi ficando corrosivo. A raiva chegou devagar. Foi entrando, foi penetrando, foi ficando. As discussões políticas ganharam pouco a pouco todos os espaços em nossos ventres. 

Os corações foram se dividindo, a vida foi se partindo, o amor deixou de ser palavroso e transbordante, largo e aberto, e um silêncio cuidadoso começou a ocupar todos os espaços de nossas vidas.

O som ao redor era sufocante. Bastava um olhar diferente na hora do Jornal Nacional, que, de imediato, um manto de desconfiança mútua abraçava nossas diferenças e a eterna discussão começava. “Fascistinha!”. “Petralha!”

Primeiro, os comentários inocentes, as impressões momentâneas, depois as ironias; em seguida, as piadinhas de mau gosto; depois, gritos e, no final, a batida seca na porta do quarto. No dia seguinte, ao levantarmo-nos tudo era frio e seco. 

Aí veio o golpe. Aí veio impeachment. Aí veio a semântica. Aí veio a narrativa cacofônica. Aí veio aquela coisa na qual a razão desmorona e todos estão certos e errados ao mesmo tempo. 

Nos grupos de watts nós brigamos muito. O pai brigou com a mãe, depois brigou com os irmãos, depois brigou com os primos que brigou com a gente e a gente foi brigando com os amigos e nada sobrou diante de tanta ofensa, de ódio e raiva – sempre raiva – burro louco canalha fascistóide ladrão golpista

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Primeiro, acusaram; depois, prenderam; por último, veio a eleição. Nossas vidas foram invadidas pelas larvas e pelas chamas do ódio; no meio, os insultos, as brigas, os nervos à flor da pele; nosso casamento era esse tumulto dentro da multidão de todas as nossas raivas e loucuras, constituído de disputas, que, às vezes, parecia comédia... e assim o teatro encenado no palco vazio seguia sua marcha na direção das incertezas, dos temores, dos debates inócuos, até descobrirmos que éramos dois monstros habitando o mesmo pântano.

Depois ficamos nus. Descobrimos que dentro do guarda-roupa nada que havia servia, as cores perderam os sentidos, não dava pra tocar fogo no apartamento; não dava pra pensar, a gente só sentia ódio, eu quero ir embora, quero dar o fora e não quero que você vá comigo, fascistinha, comuna, vai pra Cuba e seja feliz na Venezuela sua tonta, seu tonto...
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Depois tudo piorou. Tudo foi quebrando, esfacelando, triturando. Ficamos cada vez mais fragmentados, caquinhos de vidro com as pontas para cima. Todos os filmes começaram a ficar em preto e branco. Pare de zurrar, porra?! Você adotou algum bandido de estimação, caralho?! Vai chupar o cu de sua mãe, corrupto! Porco! Asno! #elenão #elesim. 
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Mensagem: Olha, não fala mais comigo, reacinha. Você é fascistinha! Você é uma merda! Fica com seu pessoal que eu fico com o meu! Nunca mais quero ver você e sua família Adams!
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Lembra de nós? 





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