Nas últimas horas ouvi de pessoas de todas as tendências de pensamento político uma opinião semelhante, sem grandes modificações semânti...

Dante Flho: O STF virou um partido político

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Nas últimas horas ouvi de pessoas de todas as tendências de pensamento político uma opinião semelhante, sem grandes modificações semânticas: o SFT, por 6 votos a 5, modificou, contra a vontade da sociedade, o entendimento sobre a pena de prisão após o julgamento em segunda instância para mandar um recado ao poder incumbente.  

O Judiciário está contrariado com o Executivo.

De acordo com este parecer, Bolsonaro (e seu entorno) passou muitos meses falando “merda” e agora terá que atuar num quadro politicamente mais complexo, tendo seu principal antagonista (Lula) aos seus ouvidos, a lhe atazanar. 

Ou seja: o presidente provocou demais as instituições democráticas e agora passará pelo supremo teste de ter conviver com o contraditório. 

Não sei se essa avaliação de momento será avalizada no futuro. Aliás, apesar dos adivinhos de plantão, não sabemos como o caldo da polarização que está instaurada lidará com essa realidade. 

A reação do Congresso surpreendeu. Ao colocar a PEC da segunda instância de imediato em discussão parece indicar que o País corre perigo caso essa situação perdure por longo tempo. O brasileiro está cada vez mais raivoso e certamente alguém lá na frente riscará o fósforo fatal que nos transformará num lugar de horror e sedição. 

Por enquanto, não vejo chance de Lula & sua turma conquistar o centro político. Se ele radicalizar e Bozo se mostrar domesticável pelo establishment,  o Lulismo certamente ficará no nicho das esquerdas tradicionais. 

Se o presidente e seus familiares acreditarem na estratégia do silêncio dócil e vitimista, ele poderá ficar do tamanho que está e crescer nas frinchas da melhora gradual da economia. 

Ainda a ver. 

Tudo é incerto, porém. Nas próximas semanas veremos a dissipação de alguma fumaça e, aí sim, mexer com os búzios para adivinhar o que poderá acontecer lá na frente, sobretudo nas eleições municipais. 

Ontem FHC mostrou-se sensato ao declarar que o centro tem que se organizar para se tornar opção de poder. O problema é que cada vez mais menos pessoas ouvem o ex-presidente. FHC tornou-se objeto descartável no ambiente da política institucional, infelizmente. 

De tudo aquilo que aconteceu, uma coisa é certa: O STF tornou-se um partido político. Dividido internamente, mas ainda assim um partido. Havendo renovação de seus quadros, a Constituição será reinterpretada ao sabor da maioria ocasional. Nos próximos dois anos Bolsonaro indicará dois novos ministros. Ficará mais confortável. 

Mas e o Brasil? Ficará melhor? Mais decente? Mais justo? Menos corrupto? 

Essas são as questões, Hamlet.






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