Caiu nas minhas mão inúmeras pesquisas quantitativas e qualitativas sobre o quadro eleitoral de Campo Grande.  Passei dois dias estud...

O voto do campo-grandense contra o mandonismo

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Caiu nas minhas mão inúmeras pesquisas quantitativas e qualitativas sobre o quadro eleitoral de Campo Grande. 

Passei dois dias estudando o assunto. Gosto de compreender certas fenomenologias sociais. 

De acordo com recomendações de dois de meus colaboradores para esse tipo de assunto, precisei voltar a 2012 para reler as tendências da época. 

Naquela ocasião os "especialistas" e experts em política local erraram feio. Eu mesmo precisei escrever vários artigos me penitenciando desse meu erro crasso. Avalei errado o momento.

Eu estava com uma visão contaminada pelos cacoetes da velha política e, mesmo sendo alertado vários vezes, fui arrogante e mantive meus palpites. Dancei.

Todos acreditaram - eu inclusive - numa vitória fácil de Edson Giroto, mesmo porque ele tinha 13 minutos de tempo na TV e as máquinas da Capital e do Governo do Estado estavam a seu favor. 

Bernal tinha algo como 3 minutos, um sentimento difuso nas mãos e uma voz agradável no gogó. Com certeza, seria derrotado. 

O sentimento difuso venceu. 

Esse "sentimento" foi, digamos, detonado quando o governador André Puccinelli foi flagrado num vídeo determinando para um grupo de funcionários públicos qual era a maneira certa de votar. 

Esse material foi divulgado pelo site Midiamax. 

Viralizou na internet. Virou assunto em todas as classes sociais.

Enfim, o mandonismo provocou reações negativas inimagináveis e fez uma inflexão radical na tendência do eleitorado. Isso está configurado nas pesquisas da época. Uma espécie do antes e do depois da campanha, que levou Giroto para a lona. 

O eleitor da Capital é diferente daqueles que habitam as pequenas cidades do interior. Aqui o cidadão aprendeu a gostar de uma certa autonomia, autodeterminação e liberdade de opção. Coisa de cidade com quase 1 milhão de habitantes. Uma espécie de desprovincialização da nossa política.

Não vou perfilar números e dados estatísticos para não tornar esse texto enfadonho. Vou falar sobre as impressões de meus estudos. Certos ou errados, as urnas vão confirmar. Se errar, peço desculpas; se acertar vou celebrar no silêncio da humildade. 

Os números atuais indicam um elevado índice de indecisão, com tendência à elevada abstenção, votos nulos e branco. Isso, certamente, pode mudar. Mas se tal quadro for configurado, chegando a expressivos 15 ou 20% do eleitorado, pode representar 100 mil votos. 

Com um coeficiente de votos válidos baixo, não é tarefa impossível atingir 50% mais um na primeira rodada.  

Para se eleger no primeiro turno serão necessários algo em torno de 200 mil votos. Pelas pesquisas, Marquinhos Trad tem mais do que isso.  

Mas esses dados não são importantes para o objeto de minha análise. 

Qual a fenomenologia dessa onda que prejudica o governismo? 

Mais uma vez o eleitorado  da Capital parece rejeitar o mandonismo, o jogo bruto, o "sangue nos olhos". 

Ele deseja um prefeito "independente", com autonomia de decisão, e não um "pau mandado", alguém que precisa, digamos, de escora para ficar em pé. 

O que atingiu Puccinelli lá atrás está liquidando Azambuja no momento. 

Lógico que é noutra proporção. Agora tudo parece mais sutil. Azambuja é tímido, retraído, deixa que outros mandem no governo; Puccinelli é autoafirmativo, mercurial e centralizador.

Mas aquele "sentimento difuso" que habita o subconsciente da cidade - um fenômeno que favoreceu Bernal, no passado, e beneficia Marquinhos Trad, no presente - tem jeito e gosto que vai derrotar Rose Modesto. 

Azambuja e sua equipe trazem os vícios da política interiorana, aquela coisa atrasada, com certa brutalidade "hegemonista", do uso despudorado da máquina, uma coisa que foi dissipada na eleição de 2014 porque o PSDB era oposição e a sociedade desejava derrotar o PT a qualquer custo. 

No atual processo isso não existe mais.

Azambuja e seus capitães do mato perderam o contato com essa realidade submersa, que vem com força no atual processo, enfrentando um candidato com base popular e que, por injunções políticas decorrentes de modelos arcaicos (a ideia de voto de cabresto, coação pura e simples, poder do dinheiro etc), conquistou parcela expressiva das classes médias centrais. 

Mesmo assim, nossa realidade é muito fluida e o eleitor muda de opinião rapidamente ao sabor dos eventos do momento. 

Mas o elemento emocional da cidade tende a fechar a disputa no dia 2 de outubro. 

Só um fato conceitual de impacto muito forte poderá direcionar os ventos noutra direção.




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