Pré-candidatos ao governo de MS: Fábio Trad,
Eduardo Riedel e J.Henrique Catan
Estou saindo de meu período sabático. Todos os anos, reservo os primeiros meses para observar, refletir e aguçar a percepção sobre o que vem pela frente. Posso afirmar, com alguma margem de certeza, que 2026 não será agradável. Quem olhar à sua volta deve ter percebido isso.
A situação mundial é catastrofica, as disputas culturais são cada vez mais tensas, o ambiente político é assustador e o quadro eleitoral no Brasil começa a entrar na fase do "salve-se quem puder". Qual escândalo você prefere discutir hoje?
Os níveis de incerteza estão muito elevados. Quem se julga profeta, aconselho a calçar as famosas sandalinhas da humildade e manter um silêncio penitente. O mundo não é para amadores.
Tenho acompanhado por alto as movimentações politicas gerais, mas dou atenção especial a Mato Grosso do Sul pelo fato de ser meu campo especial de interesse.
Tem sido divulgada pesquisas aqui e ali e todas sinalizam que, não havendo movimentos bruscos, será uma eleição de um único turno. Se acontecer, será um feito histórico, mostrando que o eleitorado rejeitou o populismo e optou pelo liberalismo de resultados.
Os três principais candidatos - Eduardo Riedel, Fábio Trad (membro de nossa principal dinastia política) e João Henrique Catan (neto do ex-governador Marcelo Miranda) - são moderados e de centro direita. Claro que há diferenças de personalidade, mas essencialmente têm a mesma visão de mundo.
Riedel é o tranquilão racional, Fábio se apresenta como filho da teoria crítica e Catan é o populista que acha que fazer política é lacrar, como todo bom aprendiz do bolsonarismo de hospício.
Se pegarmos todos os levantamentos feitos até agora (quase todos fajutos e turbinados com recursos de origem desconhecida) e macetarmos bem podemos dizer que dentre aqueles eleitores que definiram seus votos (na verdade, ainda algo em torno de 30%) Riedel tem 50%, Trad chega aos 15% e Catan tem 12%.
Não é animador para quem pretende assistir a uma de disputa acirrada.
No momento, Trad e Catan trabalham para desconstruir a imagem de Riedel, tentando dissipar seus principais ativos: o de bom gestor que está colocando o MS no trilho do desenvolvimento sustentável.
É engraçado, dois polos distantes de nossa política trabalham na mesma pauta, o que demonstra que ambos tem o mesmo perfil ideológico, ou seja, a direita que prefere enxergar a realidade do Estado com o mesmo óculos.
No meu tempo de analista político, eu enxergaria isso como um ritual de hipocrisia, mas nos tempos atuais o importante é criar uma narrativa que, por repetição incessante, cria uma impressão que pode ou não se cristalizar no ambiente eleitoral. São tempos de redes sociais. Ali vale tudo, até homem dançar com homem e mulher com mulher...
Outro mote: "o Estado está quebrado". Vejo Fabinho (e outros petistas) insistindo nesta teoria. Catan bate na mesma tecla, apesar de ser uma voz solitária.
Só que há um problema: a "quebra" de Mato Grosso do Sul vem desde seu nascimento. O assunto está naturalizado. Com isso, a sociedade "aprendeu", nessa pedagogia do caos, a considerar a falência do governo quando não se paga salários em dias, atrasa-se os fornecedores e não repassa os duodécimos constitucionais aos Poderes. Não vejo isso acontecendo.
O Petismo tem espalhado que o governo tem praticado apropriação indébita dos descontos feitos na folha de salário do servidor. Estranho. As entidades e bancos não estão vocalizando essas denúncias. Ao contrário.
Agora, sabemos que o Estado tem sofrido quedas na receitas importantes. O ICMS proveniente do gás boliviano teve uma queda assombrosa desde o ano passado, impactando o fluxo de caixa do Estado. Mas no final o governo impôs medidas de cortes de despesa e tem tentado segurar as pontas, sem criar nervosismo..
Os déficts do governo federal (R$ 83 bilhões no ano passado, impactando uma dívida pública de mais de R$ 800 bilhões) mexem com a economia dos Estados de maneira perigosa. Somando agora com a crise do petróleo, certamente a economia vai enfrentar problemas.
O pacto federativo no Brasil é torto. Não adianta tapar o sol com a peneira. O que acontece em Brasília gera impactos em todas as unidades federativas. Se Fábio e Catan estiverem procurando culpados pela agudização da crise devem mirar noutra direção. Pode ser que eles acertem o alvo.