Dante Filho ***   A história que Ciro Gomes está contando na imprensa e nas redes tem lógica. O impeachment de Dilma foi um acordão que env...

Os fatos de Ciro têm lógica

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Dante Filho ***

 A história que Ciro Gomes está contando na imprensa e nas redes tem lógica. O impeachment de Dilma foi um acordão que envolveu Lula e a cúpula petista, com os requintes de maquiavelismo que têm sido apresentados. 

Se foi um golpe, foi um golpe por dentro e não por fora. Mas o petismo transformou desde o início essa lorota numa conspiração dos agentes sinistros das elites ( Eduardo Cunha, Renan, Eunício de Oliveira, Temer e tantos outros) contra uma "mulher honesta" que só queria o bem do Pais. 

A narrativa - que virou até filme concorrente ao Oscar - agora mostra-se um castelo de cartas porque quem foi testemunha ocular da história sabe do que está falando. Enfim, a narrativa petista era fake news.

Muita gente criticou Ciro por ter contratado o publicitário João Santana, que, nos tempos de Lula/Dilma, funcionava como um ministro informal do governo. Santana agora está mostrando serviço com a faca nos dentes.

Ele está usando a boca de Ciro para contar o que, de fato, aconteceu. Trata-se de uma abordagem que há muito tempo se fala, embora nunca tenha aparecido na embalagem que ora está sendo apresentada ao distinto público. Por isso, está causando tanta irritação em Lula e na cúpula do petismo. 

Nada do que for falado a partir de agora - e que tenha a ver com a vitimização de Dilma - será crível da mesma maneira que era contada antes. 

Além disso, é preciso debitar aos fatos de que se tivesse havido mesmo "golpe" contra Dilma o acontecimento calaria fundo na alma do eleitor que teria concedido a ela uma vaga para o Senado por Minas Gerais. 

Lembrem-se: a ex-presidente foi derrotada, ficando em terceiro lugar na disputa. A ideia do "golpismo" não foi endossada pelo voto. 

Agora, Ciro e João Santana colocam em prática uma estratégia de tudo ou nada, mirando na testa do PT, cravando uma interpretação histórica que, se colar, deixará marcas profundas no partido, além de causar desconfianças de que Lula é capaz de enforcar a própria mãe pelo poder. 

O simpatizante médio do PT imagina que Lula tem uma certa pureza de intenções e de que foi injustiçado pela turma de Moro. Essa aura é cultivada por uma militância que imagina que tudo aquilo que não for Lula tem pacto com as forças do mal. 

A historieta de Ciro tira um pedaço do véu diáfano do abajur lilás que fantasiava o personagem, dando-lhe a luz suave de boas intenções. 

Sabe-se que não é nada disso. O PT é pantagruélico e autofágico. Lula queria disputar a presidência e Dilma bateu o pé e não cedeu. Pagou o preço. Tentou depois corrigir os rumos, nomeando Lula para o cargo de primeiro ministro, mas a carta de "Bessias" chegou tarde. 

Toda essa ambição teve um preço: Dilma foi para o espaço e Lula foi preso. Até hoje ninguém fez a devida autocrítica de toda essa história. Acho que João Santana e Ciro decidiram, finalmente, começar a esclarecer o que, afinal, aconteceu.

Aguarda-se ansiosamente os desdobramentos dos fatos.



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