Volta e meia escutamos em conversas sociais a comparação do atual momento político brasileiro com a situação vivida pelos campo-grand...


Volta e meia escutamos em conversas sociais a comparação do atual momento político brasileiro com a situação vivida pelos campo-grandenses anos atrás, na esfera municipal.
Brigas políticas infindáveis, troca de ofensas desnecessárias entre executivo, legislativo e judiciário, futricas improdutivas, conspiratas, enfim, todos se lembram e sabem qual o resultado dessa mixórdia.
Muitas vezes cria-se um ambiente deletério no qual muitos imaginam que o vencedor de uma eleição pirou e deseja construir seu hospício particular.
Todos perdem. A casa fica desarrumada. Os rancores crescem e as fake news prosperam.
Depois do vendaval, para colocar as coisas em ordem leva-se muito tempo. Gasta-se uma energia terrível. Os recursos se escasseiam a longo prazo. Como a memória é curta, todos gritam, esquecendo-se como foi que nasceu o bebê.
Qualquer pessoa de bom senso sabe que a pacificação dos ânimos, a estabilidade institucional e a aposta no diálogo permanente dos contrários só produz ganhos sociais. Pode até demorar, mas produz...
A população de Campo Grande tem clareza sobre o quanto ganhou com a pacificação de nossa política. Isso não significa que não se deva divergir, mas reconhecer que a divergência tem que ter propósito, objetivo, rumo.
Quando o governante tem uma agenda central e uma noção de ponto de equilíbrio entre forças, respeitando-as todas na medida certa, a vida segue dentro da normalidade. Caso contrário...é isso aí que você está vendo...

T enho recebido muitos convites para festas e lançamentos de livros. Evito. Temo encontrar nesses lugares pessoas tóxicas. A simples pre...



Tenho recebido muitos convites para festas e lançamentos de livros. Evito. Temo encontrar nesses lugares pessoas tóxicas. A simples presença desses personagens cria um ambiente aborrecido. Volto pra casa contrariado. Essas figuras estão ali apenas para ver, ouvir, interagir, e depois espalhar boatos que a sua fértil imaginação ditou. O compromisso com a verdade é zero. Penso que reuniões sociais são uma ótima oportunidade de interação humana. Mas com o advento das redes sociais a participação presencial perdeu valor em si. O sujeito participa apenas para fazer selfie, postar e fofocar. Sou uma persona analógica. As coisas físicas ainda exercem sobre mim um imenso poder de atração. Gosto de ler jornais e revistas de papel. Gosto de sentir o peso dos livros. Se aparece textos interessantes na internet imprimo para ler sobre a mesa. Só acompanho o noticiário do dia na tela do computador porque não há como negar que informação instantânea é mais eficiente do que a do dia seguinte. Trabalho com jovens. Aliás, na equipe a que pertenço tenho a idade para ser o pai de todos e todas. É divertido, inclusive do ponto de vista antropológico. Acho a moçada digital mais criativa e solta do que a minha. A ideologia é menos arraigada. O papo é mais direto. É uma outra sensibilidade. Tenho aprendido muito, mesmo porque a minha cultura livresca não compete com a deles, mas juntamos-nos com esforço para vivermos felizes juntos e misturados. Já nas esferas ditas "intelectuais", com forte vezo acadêmico, há o componente da vaidade, uma espécie de pavoneamento artificial que pega o pior dos defeitos burgueses e mistura com uma dança em que a hipocrisia tenta fazer do vício uma virtude. Sinto que o convívio social está mudando. Outro dia entrei em uma pizzaria e me deparei com uma imensa mesa repleta de convivas de um aniversariante que não conhecia. Parecia uma festa da firma. Todos - literalmente - estavam de olho no celular e ninguém conversava com ninguém. Todos isolados em seus mundos particulares, trocando mensagens com pessoas distantes. Tem gente que acha isso absurdo. De minha parte, não acho nada, apenas um fenômeno dos novos tempos. Será sempre assim? Não sei. Nem quero saber... 

E sse ano pensei em desistir da política. Não da política em si, pois essa está intrinsecamente ligada às nossas vidas. O exercício da ...


Esse ano pensei em desistir da política. Não da política em si, pois essa está intrinsecamente ligada às nossas vidas. O exercício da nossa humanidade exige que pensemos e façamos política o tempo todo. A "política" que por ora deixei de lado é essa murunfa que estamos vendo, que ocupa o espaço dos interesses mesquinhos, da hipocrisia abjeta e do pragmatismo necessário para que o crime organizado sobreviva, apesar do combate de pessoas que acreditam num País mais decente. Comecei a ver coisas que, sinceramente, são demasiadamente fortes para meu estômago cada vez mais enfraquecido. Passamos uma fase histórica que indicou que havia uma intenção clara de sanitarizar as relações políticas. Ou seja: gente honesta somaria esforços com gente honesta para garantir um mínimo de condições higiênicas para que esse imenso hospital chamado Brasil ficasse protegido dos ataques das bactérias mais nocivas. Ledo engano. Elas são muitas. Elas infectaram o corpo social de maneira crônica. Bandidos voltam a assumir postos no topo da cadeia alimentar. Eles sorriem e debocham dos órgãos de controle, da polícia, do Judiciário. Na verdade, eles voltaram a assumir o comando dessas instituições numa clara demonstração de que nosso destino será sempre aquele que se situa entre a piada de mau gosto e a celebração da picaretagem. Por isso, quando inventaram o papo de "nova" e "velha" política coloquei essa conversa na conta das novas cepas viróticas que estavam chegando sorrateiramente com o entupimento das latrinas, exalando um odor estranho, esgueirando-se pelos ralos e se instalando nas nossas UTIs. Os mais cínicos haviam me alertado de que uma hora a ficha ia cair e a decepção, como se sabe, não tem outra função biológica na vida do que a de aumentar nosso nível de raiva. Eu sempre gostei de conversar com os cínicos. Eles tem senso de realismo, apesar da total falta de caráter. Mas não foi isso que está me fazendo desistir da política: no atual momento ela está boçalizada. Não só pela direita, mas principalmente pela esquerda. Todos fazem questão de se juntar à nau que se afunda. Como ainda não se sabe o que virá depois do naufrágio (que pode demorar algum tempo, mas vai acabar acontecendo) os ratos se aninham e ficam mordendo uns aos outros pelo melhor lugar na galé. É dessa luta que as novas bactérias estão nascendo e contaminando o ambiente. Os indivíduos mais pútridos parecem que momentaneamente adquiriram uma proteção natural para atuar livremente, fazendo aquilo que sempre fizeram: impedir que a sociedade seja mais saudável e que escrúpulo (palavra importante) seja um item inserido no conjunto de valores benéficos que possa, assim, abrir espaço para políticas - essas sim - saudáveis e culturalmente inclusivas. Sei que todos estão cansados de discursos, sei que análises não engordam as contas bancárias, sei que posts nas redes sociais não alteram um milímetro a ordem geral do universo. A prova está aí: os sicários de nossas almas estão vencendo. Retornam triunfalmente. Deram a volta por cima. Por isso, acho melhor dar um tempo. Estou com os nervos à flor da pele. Vou me distrair com outras coisas. Vou ler livros, ouvir músicas, escrever ficção. Criar forças para a hora certa da batalha. Não me iludo: aconteça o que acontecer as baratas vão sobreviver. Elas estão por aí nos últimos 6 milhões de anos. E não sou eu que vai exterminá-las de uma vez por todas. 
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