O  cão continua a latir. (o eco do eco...) O som martela quebrando  a noite em pedaços. Longe, Uma sirene revel...




O cão continua a latir.
(o eco do eco...)
O som martela quebrando 
a noite em pedaços.
Longe,
Uma sirene revela que a vida 
e a morte seguem infrene.
Não existe silêncio na cidade.
Uma mulher chora
Um louco conversa com o poste
Um homem caminha só. 
O infinito segue seu curso
No mistério de suas histórias.
Nada para
Nada cessa
Nos quartos há gemidos. 
O amor e o ódio não dormem.
Nas camas perduram os 
Restos diurnos.
O tempo inerte nos abraça. 
Tudo fica imerso na sua própria sombra.
Esperando amanhecer para fazer 
fumegar a terrível máquina que nos tritura. 

O Congresso Brasileiro tem se mostrado uma instituição cada vez mais capenga. A cada mandato legislativo ficamos nos perguntando: será ...


O Congresso Brasileiro tem se mostrado uma instituição cada vez mais capenga. A cada mandato legislativo ficamos nos perguntando: será que vai ficar pior do que tá ? A realidade diz que sim, mas não necessariamente. 

A piora tem sido tanta que hoje a Câmara dos Deputados, por exemplo, é avaliado como um dos mais impopulares  e improdutivos dos poderes da República.

Nos últimos anos, a sociologia política inventou um termo que define com certa clareza o papel de deputados e senadores no processo de desenvolvimento histórico do Brasil: “presidencialismo de coalizão”. O assunto é longo e complexo. 

"Indico o Fábio porque conheço de perto sua excepcionalidade. Trata-se de um ser humano cuja grandeza o talha para ser uma voz e uma liderança nacional que, não só representará a população de Mato Grosso do Sul, como poderá se tornar uma referência de milhares de brasileiros sem chão e sem esperança."


Mas resumindo a opereta isso quer dizer o seguinte: seja quem for o presidente da república, sem o Congresso ele não governa. 

Ao futuro presidente caberá compor maiorias partidárias, fazer acordos, costurar agendas, elaborar leis tecnicamente viáveis, enfim, formar boas bancadas – independentemente de partidos ou correntes ideológicas – para que, assim, possamos ter um bom (ou mau) governo, e, com isso, criar um ambiente de crescimento econômico e de pacificação política, ou, caso nada dê certo, mergulharmos no caos. 

Para se ter boas bancadas ou maiorias legislativas não necessariamente precisa se formar rebanhos de cordeirinhos da situação, de um lado, contra kamikazes da oposição, de outro. Não é preciso comprar apoios com dinheiro e cargos, como tem sido. Basta ter uma agenda que reunifique a sociedade com propostas conversíveis em mudanças profundas de nossa maneira de governar.

Bons políticos se revelam nesses momentos, tanto de um lado como de outro, porque na democracia é preciso que o bom senso e o equilíbrio dêem o tom da sinfonia democrática. 
Muitas vezes uma boa oposição ajuda a se fazer grandes governos.

Como sabemos existem políticos de todos os tipos: honestos e desonestos, oportunistas e populistas. Fisiológicos e clientelistas. Se eles forem constrangidos a serem minorias, o País melhora. O problema é que a degradação do sistema eleitoral terminou abrindo mais oportunidade para a turminha sinistra, em detrimento de grupos mais virtuosos para a missão pública.

É preciso reforçar as boas bancadas, com parlamentares de bom nível técnico, estudiosos, sensíveis aos reclamos da sociedade e com profunda vocação democrática. Gente que tem boa cabeça e sabe do que o povo precisa: honestidade, clareza de propósitos e profundo saber jurídico. 

Posso dizer que em Mato Grosso do Sul temos bons candidatos em todos os partidos que preenchem esses requisitos. Infelizmente, não podemos afirmar que esses formam a maioria dos candidatos que se apresentam nesse momento.

A força do dinheiro e o jogo bruto da coerção dos poderosos de plantão ainda contam muito, sobretudo porque o ser humano fraqueja diante das necessidades, principalmente quando o ambiente social é extremamente marcado pelas desigualdades econômicas e de oportunidades.

Mesmo assim, o nome de Fábio Trad se destaca – dentre muitos outros, com a mesma linha de consciência, coerência e boa-fé. 

Indico o Fábio porque conheço de perto sua excepcionalidade. Trata-se de um ser humano cuja grandeza o talha para ser uma voz e uma liderança nacional que, não só representará a população de Mato Grosso do Sul, como poderá se tornar uma referência de milhares de brasileiros sem chão e sem esperança. 

Fábio é um intelectual com um padrão de pensamento acima da média. Ele não só compreende as mais elaboradas correntes de pensamento como tem a percepção exata do quão tem sido danoso os efeitos do processo de exclusão social que tem infelicitado milhares de cidadãos que padecem na pobreza, no desemprego e nas filas de desassistência dos serviços públicos brasileiros. 

Nesse aspecto, trata-se de rara combinação de homem de conhecimento com lastro de solidariedade humana inigualável. 

Nas minhas andanças pela Estado conheci bons políticos. Não lembrarei aqui dos maus porque esses todos sabem quem são estes personagens. 

Mas dentre os grandes, os especiais, os inspiradores, aqueles tocados pela graça de cumprir uma missão histórica, encontra-se o Fábio.

Tenho orgulho em tê-lo como opção eleitoral nesse momento tão complicado. Na verdade é um luxo um Estado como o nosso ter Fábio como candidato ao parlamento. Elegê-lo é uma missão patriótica.

Como já vem fazendo nos últimos meses, Fabinho vai encher nossos corações de orgulho, não somente pela postura ética e pelo denodo com que trabalha, mas principalmente pelas incansáveis demonstrações de amor pelo nosso Estado. 

Você me representa, Fábio.



(Cezanne) Não será a bala Nem será a faca Será apenas como a fruta que cai Sem que ninguém a toque. (19/09/2005)

(Cezanne)


Não será a bala
Nem será a faca
Será apenas como a fruta que cai
Sem que ninguém a toque.

(19/09/2005)

Giorgio De Chirico A poesia é uma arte difícil. Muitos escrevem seus versos, mas poucos encontram sua música, sua lírica,  sua do...


Giorgio De Chirico


A poesia é uma arte difícil.

Muitos escrevem seus versos, mas poucos encontram sua música, sua lírica, 

sua dor e seu riso.

A máquina da poesia guarda em si intrincadas peças.

Seus pontos de sílica encadeiam os relógios de silabas

Que movimentam os lábios e as frases

Que adicionam as horas e as palavras

Que sinalizam o tempo de espera - 

E o momento do aguardo

Toda poesia deve ser bruta na sua eterna delicadeza.

As flores amarelas das sibipirunas caem no asfalto em chamas. As pétalas dos ipês roxos e amarelos esparramam nas calçadas calcinad...


As flores amarelas das sibipirunas caem no asfalto em chamas.

As pétalas dos ipês roxos e amarelos esparramam nas calçadas calcinadas de olor e medo.

Tudo está seco e duro.

Olhamos para o céu e pedimos chuva.

O sapo coaxa no brejo.

Vai morrer de barriga pra cima.

A tarde caía com aquele “calar mais informativo que toda a grave confissão”, como dizia Drummond, e eu entrava na padaria para comprar u...


A tarde caía com aquele “calar mais informativo que toda a grave confissão”, como dizia Drummond, e eu entrava na padaria para comprar um pãozinho quente - e eis que encontro meu velho amigo de esquerda com seu famoso olhar rútilo e ansioso.

- Você viu? Você viu?

Olhei à nossa volta e não vi nada. 

Ele não se fez de rogado:

- Vai dar Bolsonaro!!! Se a gente não fizer nada vai dar Bolsonaro!

Ele se dobrava todo, aumentando o tom de voz, quase num esgar de filme de terror.

Mais uma vez fico em silêncio. Mas ele me puxa pelo braço querendo uma palavra que possa tranquilizá-lo, aplacar seu desespero, iluminar suas dúvidas, mostrar que o fim do mundo ainda não está chegando. 

Estaco. Dou um sorriso amarelo e espero ele desabafar até o fim de suas entranhas.

- Não tem jeito! O homem fala as maiores loucuras no jornal Nacional e tudo mundo gosta. Dizem que ele é verdadeiro, sincero, autêntico. Nunca! Não percebem que ele não fala nada, não responde nada, parece um troglodita abanando um leque de seda espanhol!

Olho pra ele e me compadeço. Tento consolá-lo com um jogar de ombros, tipo “o que se há de?”. Mas não tem jeito. O amigo precisa de uma palavra de esperança.

E continua: “olha, temos que fazer alguma coisa, ir pra rua, escrever manifestos, pedir até a volta do Lula e a derrubada do TSE, mas não podemos deixar esse homem chegar lá. O povo enlouqueceu! 

Dou um suspiro profundo e espectral. 

- Se esse cara ganhar vamos afundar! Vamos apanhar nas ruas, vai ter tiroteio, vizinhos vão se matar...E os jovens? Os jovens? 

Diante de meu silêncio, da falta de reação, ele finalmente parou e fulminou:

- Não me digar que você mitou? Não acredito! Você não pode fazer isso comigo...todos, menos você! 

Começou a tremer, parecendo estar entrando em convulsão. 

Finalmente, com voz baixa, pausada, tranquilizadora, disse que não, não havia “mitado”, mas que estava esperando. 

- Esperando o quê?! Me diga homem de deus o que você está esperando?

Fiz um suspense. Comprei os pãezinhos, agradeci à balconista, e ele ficou grudado em mim, implorando por minha resposta, como se eu fosse o Prem Baba de seus anseios e esperanças.

Fui para a calçada e ele me seguiu aflito com a pergunta: o que você está esperando?

- Estou esperando sair o laudo psiquiátrico atestando a sanidade mental dos candidatos. Você não acha que querer ser presidente do Brasil não é sinal de que o sujeito tem um parafuso solto?

Meu amigo parou, pensou, deu aquele sorriso, puxando só um lado do cantinho da boca, balançou a cabeça e, finalmente, disse: “ihhh!, você também virou niilista!”. 

E saiu em busca de outro militonto.


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