A palavra "SE" tem diversas funções na língua portuguesa. Sem querer entrar nos aspectos das funções técnicas nas orações, sua ...

O horror dos acontecimentos irrealizáveis

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A palavra "SE" tem diversas funções na língua portuguesa. Sem querer entrar nos aspectos das funções técnicas nas orações, sua utilidade semântica pode naturalmente representar os devaneios de nossa imaginação, criando um verdadeiro universo paralelo de possibilidade.

"Se a seleção brasileira tivesse vencido a Bélgica e passado por cima da França, quem enfrentaríamos na final da Copa?"A partir dessa pergunta, faríamos centenas de ilações, estando o espaço aberto para toda a sorte de especulações. 

"Se" isso acontecesse, o País seria outro...

Usando desse estratagema, dou tratos a bola numa outra questão que tanto tem atiçado as paixões políticas nos últimos dias. Vamos imaginar que o desembargador plantonista Rogério Favreto tivesse êxito na sua empreitada e tirasse Lula da cadeia.

"Se"...

Como todos sabemos, a festa estava armada. O palanque estava preparado para que os discursos criassem um ambiente de irreversibilidade dessa situação. Então, vamos lá: "SE" Lula tivesse ganho a liberdade, certamente hoje o Brasil seria outro. Pior ou melhor?

A resposta depende do senso imaginativo de cada um. Uma coisa, porém, é certa: levar o homem de volta para a carceragem seria uma coisa muiiito complicada.

A reversão da decisão judicial do menino maluquinho do TRF-4 arrastaria o  Brasil e o mundo para um debate jurídico sem precedentes.

Depois de muita troca de papelório, pugilato de insultos, opiniões com transcendental saber jurídico, intervenção de órgãos internacionais, fake news sobre a fuga do presidiário e ameaça de guerra civil, finalmente os superiores tribunais tomariam a decisão de mandar Lula de volta à sua suíte na Polícia Federal. Ou não.

Caso a decisão final fosse pelo novo encarceramento, antes disso, primeiro, teríamos que assistir à repetição da cena patética de centenas de militontos formando uma barreira humana para impedir que a polícia o colocasse num camburão. 

Em seguida, Lula faria um grande discurso com o tema recorrente da vítima das elites contra um homem que apenas deseja salvar o País.

Depois gravaria dezenas de entrevistas proclamando sua candidatura à presidência, desancando seus adversários. Com isso, a pauta ficaria no ar por mais de uma semana, período este em que o Datafolha publicaria mais uma pesquisa eleitoral mostrando que o candidato petista era imbatível no primeiro e segundo turnos.

Assim, a estratégia do PT seria vitoriosa e todos estaríamos vivendo a dúvida contingente: ou Lula ou o caos. Ou ao contrário: o caos ou Lula.

Dava tudo no mesmo.



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