Durante uns três ou quatro anos participei de um grupo especial para estudar filosofia. Uma coisa legal e agradável, porque nossos debate...

Filosofices: Hegel para amadores

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Durante uns três ou quatro anos participei de um grupo especial para estudar filosofia. Uma coisa legal e agradável, porque nossos debates eram regados a boa comida e bom vinho. 

Fazíamos como em “O Banquete”, de Platão, transformando conversa fiada com certa sistematização teórica para discutir obras filosóficas de vários períodos. Todos nós eramos amadores e curiosos. 

Afinal, essa é a base da filosofia moderna: conversar sobre idéias com base em grandes pensamentos.

Encontrei por acaso em meus arquivos um resumo sobre uma exposição de Hegel que ia fazer numa dessas reuniões. Uma coisa superficial, mas que poderá ser interessante para iniciantes. Sem querer ofender Hegelianos profundos, aqui vai minha modesta colaboração: 

Hegel. Resumo para discussão em grupo.

“Todas as coisas são contraditórias em si”. Essa frase de Hegel resume seu pensamento.  

Pensamento monumental, contraditório, complexo, enfim, uma maquinaria teórica fundamental para nosso tempo.  

Isso não é pouco para um homem que nasceu no século XVIII e viveu até meados do século XIX. 

Hegel nos ajuda a pensar sobre o que é o pensamento. Melhor: o pensar é o objeto, o ser cognoscente e cognoscível, que  se imbrica  no ato reflexivo. Estamos condenados ao pensamento.

Há o Hegel de Direita e o de Esquerda. Sua filosofia – tão ampla e profunda – chega aos nossos dias de várias formas.

Seu sistema – o idealismo hegeliano - se esforça por reunir o espírito e a natureza, o universal e o particular, o ideal e o real. 

O hegealianista de direita expressa-se nos ideais liberais e os de esquerda apóia-se na teoria da religião e da sociedade, convertem-se em defensores ardorosos da transformação revolucionária.

Marx é filho dileto de Hegel. Lenin dizia: para se compreender Marx é preciso compreender primeiramente Hegel. 

Uma frase importante de Hegel, inscrita na sua obra “Fenomenologia do Espírito”: “o movimento dialético exercita a si mesmo, tanto em seu saber como em seu objeto, enquanto dele surge o novo objeto verdadeiro para a consciência, daí originando a experiência”. 

Pensar é uma experiência. 

A obra de Hegel não é para iniciantes. Seus textos são complexos e muitas vezes impenetráveis. 

Ele pensa difícil e escreve difícil. Sua fenomenologia não se esgota em uma única leitura. É preciso ler e pensar. Pensar e ler. Reler, reler. Repetir e estudar. É pedreira total. É uma filosofia que exige concentração especial. 

Nesse aspecto, na minha opinião, ler Hegel tem aproximação com a leitura de mantras budistas, que exige repetição, repetição, até suas idéias penetrarem no nosso subconsciente e começar a iluminar nosso entendimento, facilitando a compreensão do mundo e as suas coisas tangíveis e intangíveis. 

Somos também os enganos dos nossos pensamentos. A realidade é ardilosa.

Ele diz: “à medida que o objeto é o verdadeiro e o universal, igual a si mesmo, enquanto a consciência para si é o mutável e o inessencial, é possível que lhe suceda perceber incorretamente o objeto e iludir-se”. 

Mais: em torno da verdade do objeto ele diz que “há o risco de alcançar as nuvens do erro em lugar do céu da verdade”. 

O céu da verdade não se encontra facilmente. 

Por isso, a ciência é tão importante para Hegel.

“Com freqüência se toma a filosofia por um saber formal e vazio de conteúdo. Não se percebe que tudo quanto é verdade conforme o conteúdo – em qualquer conhecimento ou ciência – só pode merecer o nome de verdade se for produzido pela filosofia”. 



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