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Alexsandro Nogueira: de Underwood, Temer não tem nada

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Terminada a era Temer, ficará a impressão de que mais um capítulo negro da história política brasileira foi escrita na penumbra. 

Houve um breve momento de luz, mas insuficiente para causar empatia entre o governo e a população. 

Não vai deixar saudades. Estamos em trevas.

Nunca imaginei aquele homem astuto, sofisticado e com traquejo para grandes acordos e negociatas com políticos e empresários, caindo em um tipo de arapuca mequetrefe com uma gravação clandestina. 

Por ironia do destino, Temer caiu na mesma cilada que defenestrou Delcídio do Amaral da vida pública.

A prática vem se tornando comum no ambiente político: investigados em apuros,  políticos dispostos a abrir o coração, gravadores disfarçados e pactos com juízes e promotores com pretensões artísticas. Pronto, o resultado é explosivo. Em seguida surge a imprensa, o povo nas ruas e ressurgem as palavras: Impeachment e Fora Temer!

Guardadas as devidas proporções, o que estamos vivendo aqui, neste momento, guarda alguma semelhança em matéria de artimanha, intrigas e sujeira com a série norte-americana da Netflix, “House of Cards”.

Em matéria de atuação, Temer está longe de impactar dramaticamente o público quanto o personagem Frank Underwood, interpretado pelo ator Kevin Spacey, mas em se tratando de jogadas podres e eticamente indefensáveis, ambos se equiparam.  

Fatos abordados na ficção americana, são práticas comuns na vida política brasileira. 

Por aqui, maquinações nos bastidores, chantagens e atitudes nada republicanas são comuns ao cotidiano da maioria dos nossos representantes em Brasília.

Enquanto Underwood enfrenta a desconfiança e o rigor investigativo do senado americano e a ambição política da mulher, Claire, Temer assiste o seu castelo de areia ruir depois de um diálogo promíscuo com um negociante inescrupuloso, dono do frigorífico JBS.

Joesley Batista, o empresário brega com panca de cantor sertanejo dos anos 80 é o artífice de uma trama da qual não sabemos o final. 

A única certeza que temos é que o enredo não terá um final feliz.

*Jornalista






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