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Dia do jornalista

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Efemérides são aleatórias. Mas são boas oportunidades para lembrar que algumas categorias profissionais ainda existem. Na últimas sexta-feira (07/04) foi comemorada o Dia do Jornalista. Aviso aos colegas que se trata de uma profissão em extinção. O fenômeno das redes sociais pouco a pouco transformará qualquer cidadão ou cidadã num jornalista em potencial. Com uma vantagem: não será preciso saber apurar informações nem escrever. Bastará bufar contra tudo e todos. 

Pergunto: como chegamos a esse ponto?. Não sei. O aviltamento da profissão começa a preocupar. Até 20 anos atrás havia uma aura meio romântica em torno do jornalismo. Na verdade, no meu entendimento, ser jornalista não era uma profissão e sim uma carreira. Só indivíduos vocacionados encaravam uma atividade mal remunerada, hostilizada e que era suportada pelo poder e poderosos com o cinismo e hipocrisia necessária que se dispensa àqueles sujeitos que não foram convidados para a festa, mas que ninguém consegue mandar embora. 

De repente, talvez por causa dos cursos universitários - estou chutando - milhares de garotos e garotas são literalmente jogados no mercado em busca de um lugar ao sol. Eles chegam sem entender direito as regras do jogo, com conceitos esquisitos na cabeça, pouco letrados, avessos a qualquer intelectualismo, mas com um senso de marketing pessoal que termina ludibriando os incautos. 

Vejo políticos contratando exércitos de jornalistas pensando que esse é o caminho de entrada para o mundo das celebridades. Eles não percebem que o jornalismo é uma profissão de longevidade, que é necessário viver, experimentar, conhecer, formar uma rede de relacionamento extenso para só depois estar preparado para exercer com clareza essa profissão de algum glamour e de muita tristeza. 

Acho que todos têm direito de um lugar ao sol, mas é bom que fique claro para muitos que a luz não é para todos. Hoje vejo que muitos jornalistas não gostam de ler, estão poucos interessados em compreender o ambiente social, embora sejam arrogantes o suficiente para acreditar que sua única função é escrever um bom lead mandado pelo chefe – geralmente um sujeito que ocupa mais função operacional do que intelectual. 

Hoje o ambiente profissional é cercado de cuidados porque não é mais possível delimitar o que é a verdade dado o intenso relativismo a que está sendo submetido a sociedade moderna. O bom jornalista está sendo engolfado pelos “fakes news”, pelas pós-verdades, achando que clicks e mais clicks justificam o sucesso dessa ou aquela notícia. 

Estou profundamente desanimado com a minha profissão. Às vezes acho que serei mais feliz escrevendo livros. Às vezes penso em abrir um pequeno negócio no litoral catarinense. Às vezes penso ficar escrevendo nesse blog e esperando chover os processos de meus desafetos. 

Hamlet é a antecipação de todo jornalista: ser ou não ser?. Na dúvida, é melhor escrever um post no facebook.  




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