Muitos jornalistas e acadêmicos de comunicação estão discutindo o fenômeno da pós-verdade. Trata-se de um conceito novo, que vem permean...

Pós verdade: Quando a imprensa distancia-se dos fatos

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Muitos jornalistas e acadêmicos de comunicação estão discutindo o fenômeno da pós-verdade. Trata-se de um conceito novo, que vem permeando discussões que se intensificaram após a eleição de Donald Trump. 

Ontem, lendo um artigo na Folha de São Paulo, de autoria do procurador regional da República, Carlos Fernando dos Santos Lima, encontrei uma boa definição do fenômeno: "deturpações conscientes dos fatos em favor de crenças pessoais".

Desde ontem, a sociedade sul-mato-grossense vem se deparando com um surto de pós-verdade. As redes sociais, a troca de informação pelo WhatsApp, a conversa em bares e padarias, enfim a comunicação livre e informal, está destoando da maior parte do noticiário da imprensa. 

De acordo com o zum, zum, zum das ruas e das redes o Governo do Estado vem atravessando uma hectatombe, com a difusão de que os secretários da Casa Civil, Sérgio de Paula, e o de Receita, Márcio Monteiro, estão sendo defenestrados por práticas anti-republicanas. 

Há uma multiplicidade de informações sobrepostas que não se encontra nos jornais e nos sites. 

Do ponto de vista oficial, tudo se trata de "boatos"; nos bastidores políticos, porém, tudo é confirmado e ambos os secretários estão sob o constrangimento da demissão humilhante, vítimas de atos gravados que não abrilhantam a reputação de ninguém; no mercado de notícias informal, mais ampla e mais forte, há dezenas de versões sobre a queda dos dois personagens. 

Não há benevolência nesse meio. 

A imprensa de superfície ainda não encontrou a melhor maneira de tratar o assunto.

Há uma luta invisível para cravar a melhor "história" sobre a saída de De Paula e de Monteiro. 
Seja qual for a desculpa do Governo, a "verdade" já está consolidada. Seja qual for a desculpa que o governador venha a dar nos próximos dias, está claro que ele perdeu a guerra da comunicação. 

Junto com ele, os meios oficiais da mídia ( não todos, lógico) saem fragilizados do episódio. Por isso, quando começar lá na frente a campanha eleitoral, esses meios influenciarão muito pouco os sentimentos dos eleitores, fazendo com que prevaleça cada vez mais a informação difundida pelas redes.

Sob todos os pontos de vista, mesmo que o governador Reinaldo tente dar uma aparência de normalidade aos últimos acontecimentos, tratando as mudanças substanciais do secretariado como se fosse uma "reforma administrativa em curso", a chamada pós-verdade venceu mais uma vez a parada.


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