Entre outras coisas que povoam minha cabeça com cheiro de confusão, acabo de lembrar: a maioria dos humanos acredita e exige que a vida ...

Pedro Mattar: A vida é só isso. E chega

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Entre outras coisas que povoam minha cabeça com cheiro de confusão, acabo de lembrar: a maioria dos humanos acredita e exige que a vida não seja resumida em apenas nascer, crescer, comer, beber, dormir, sofrer, sofrer, sofrer e morrer. 

Exigem – eles, os humanos - meus semelhantes, que deve haver mais coisas depois da vida aqui na terra, mistérios insondáveis, céu, inferno, purgatório, reencarnação e o raio, uma outra etapa depois da morte.

Só de imaginar essa possibilidade, meu saco enche automaticamente, feito air bag em trombada. Espero ser devolvido ao meu anonimato, sem complicações, filas de espera ou congestionamentos. Não tenho saco de voltar em outra vida, seja qual for o novo personagem e com perspectiva de me tornar repetitivo.

 Exijo o simplismo do morreu acabou, é meu direito.

 Aos defensores da reencarnação, os espíritas, católicos, evangélicos e seguidores de uma porrada de versões e subversões, deixo claro o seguinte: fiquem tranquilos com a crença de vocês, o problema é exclusivamente meu. 

Se a minha posição está errada e ofende a de vocês, me ignorem, eu não sou ninguém e minha opinião vale uma merdinha, não tem efeito nenhum. Tem mais, eu não sou confiável, sou apenas um ser humano cansado de viver e que desfruta de algumas horas extras.

Nenhum de nós escolheu nascer, somos o orgasmo casuístico circunstancial.  Sob esse tipo de produção precária, todo ser humano é um acidente natural e relativo. Na minha obtusa visão esse estilo de produção não demanda supervisão divina e nem exige maquinações superiores: é porra no útero e foda-se.

Me irrita – e isso é problema meu – o excesso de teoria que se cria em torno de tudo. Pior ainda é o excesso de gente que acredita nessas teorias. Pessoas revoltantes como eu, ficam esperneando porque esses excessos criam divisões e subdivisões e o tamanho da merda fica cada vez mais pesado. 

Há uma curiosidade mórbida que alimenta qualquer tipo de tese e faz com que cresçam. Reparem que a cada dia surge um revelador novo que ganha exposição e um troco porque descobriu um viés diferente de enxerga coisas velhas.

Amigos leitores, meu único problema – embora não pareça – é saco cheio.  Há mais de dois mil anos a humanidade vem criando versões pra explicar a si mesma e a confusão só aumenta.

 Já que a humanidade não tem como se convencer, ela confunde-se. 


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