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Boulos: o burguês revoltado e sua melancolia

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Não comemoro nem lamento a prisão do líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, em São Paulo ontem. 

O que me chama a atenção no personagem são suas características mais marcantes: rico, mimado, pertencente a uma família proprietária de centenas de imóveis na Capital paulista, um meninão que resite em ser adulto, gerando sempre a seguinte pergunta: qual a razão que ele tem  para fundar um movimento político para ocupar terrenos, depredar patrimônio, pregar a derrocada da classe a que pertence? 

Enfim: o que um riquinho como esse está fazendo com essa "gente diferenciada", miserável, pregando uma ideologia que reivindica a destruição do capital que lhe deu papinha a vida inteira? 

Solidariedade com os fracos e oprimidos? Me poupem. Seu Movimento transformou-se na linha de frente do crime organizado. Afinal, Boulos é um oportunista ou um idiota?

Freud explica. Mas não somente ele. Quem leu "História e Consciência de Classe", de Georg Lukács, terá a justificativa e explicação para figuras como ele. 

Lukács mergulha funda nas teorias de alienação de Marx e nos faz compreender que o burguês emancipado é o responsável ideal para "ajudar" o proletariado a se libertar de seus grilhões. 

Na teoria é lindo, mas na dura realidade vemos personagens patéticos como esse ocupando a cena política, fazendo as maluquices de praxe.

As redes sociais estão cheia de gente assim. Se eles não cansassem até que seria divertido. Mas a "esquerda" advinda da burguesia torna-se chata porque, no fundo, tudo se trata de pose e sentimento de culpa. São atores frustrados com suas próprias pantomimas. 

Walter Benjamin, um marxista importante e insuspeito, certa vez escreveu um ensaio ("Melancolia de esquerda") que devia ser lido e relido pelo líder do MTST nesses dias de cadeia. 

Na verdade, é uma análise crítica de um livro do poeta alemão Erich Kästner, tido como um dos principais panfletários alemães nos anos de 1930.

Vou citar um trecho do ensaio e perguntar se esse texto escrito no começo do século XX não se encaixa com Boulos e seus associados espirituais: "A grotesca subestimação do adversário {político}, que está na raiz das suas provocações, mostra até que ponto a posição ocupada por essa inteligência radical de esquerda está de antemão perdida. Essa inteligência tem pouco a ver com movimento operário. Como sintoma de desagregação burguesa, ela é a contrapartida da mímica feudal, que o império [Austro-Húngaro} admirou no tenente de reserva. Os publicistas radicais de esquerda, do gênero de um Kästner, Mehring ou Tucholsky (intelectuais de esquerda) são a mímica proletária da burguesia decadente. Sua função política é gerar cliques, e não partidos, sua função literária é gerar modas, e não escolas, sua função econômica é gerar intermediários, e não produtores".

É preciso dizer mais alguma coisa?


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