Quando Alcides Bernal foi eleito prefeito de Campo Grande fui o primeiro jornalista que escrevi que ele seria um fracasso total.  Duran...

Bernal e Marquinhos: até aqui, tudo bem, apesar de tudo

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Quando Alcides Bernal foi eleito prefeito de Campo Grande fui o primeiro jornalista que escrevi que ele seria um fracasso total. 

Durante seu período de transição entre a saída de Nelsinho Trad e a entrada triunfal do "homem da voz" fui um de seus críticos mais furiosos. 

A mídia aderente - como sempre - moitou. Num dos encontros que tive com o dr. Alcides em seu gabinete - estavam presentes Rosiane Modesto, Deputado Rinaldo e o ex-Senador Ruben Figueiró - ele avançou sobre mim. Precisou ser contido. Era ódio puro. 

Quando Reinaldo Azambuja ganhou as eleições e formou sua "equipe de transição" escrevi um artigo forte e polêmico vaticinando que seu governo seria um dos piores que já passaram pelo Estado. Olhem o monumento que eles estão criando...

O governador e seus capitães do mato passaram a me perseguir, não permitindo que eu tivesse acesso ao mercado de trabalho - nem público nem privado - durante os dois últimos anos. 

Graças a alguns personagens corajosos e altruístas consigo viver escrevendo e publicando esse blog. Por mais que tentem fechar todas as minhas portas existem pessoas que gostam de mim. Sou uma boa alma.

Agora, é a vez de Marquinhos Trad. Estamos ainda em fase de transição. Bernal se prepara para sair e Trad para entrar. Não existe clima festivo. O ambiente é levemente tenso.

Tudo o que tinha que falar de Bernal já falei. Acho uma chatice o noticiário sobre o que ele não está fazendo, deixou de fazer, pagou ou deixou de pagar. 

Bernal é passado. Bater no homem é chover no molhado. Se ele está cometendo algum crime isso é coisa para o Ministério Público. Não vejo o dito se mexer. 

Bernal está sob o manto da proteção do abandono de si mesmo. Ele pode estar fazendo barbaridades no fundinho do cinema nessa fase intermediária de entrega do poder, mas caberá ao futuro prefeito apurar e, caso haja alguma irregularidade, ir às barras dos tribunais para cobrar a bandalha. 

O Brasil está mudando. Bobeou, vai preso, mais cedo ou mais tarde. Se a dona Maria já sabe disso, certamente os maganos do poder sabem muito mais.

Nossa imprensa é burra. Só vai no factóide e na chamada pós verdade. Não investiga nada. Não questiona nada. Tudo é na base do Ctrl C versus Ctrl V. Assim é fácil. Até eu que sou um completo néscio.

Por isso, as notícias contra Bernal não colam. Tudo é publicado como se fosse um "elogio" e não um escândalo. É o vício do press release, do menor esforço, do olhar "estranho" do patrão, tudo gerado pela cultura da República de Maracaju. 

Vejo alguns posts de amigos no Facebook e não sei se choro ou rio.

Fico pensando como será o day after de Marquinhos. 

Certamente, vão tentar debitar o caos dos últimos 50 anos nas suas costas. Já vejo algumas unhas sendo afiadas.

Sua diferença - e sua vantagem - é a intuição. Marquinhos talvez seja um dos políticos mais intuitivos da história de nosso Estado. Está fazendo uma transição correta. Ou seja: não faz borbulha, não se percebe a sofreguidão dos arrivistas, não há disputas claras por espaço, não há intrigas de salão. Pode haver uma ou outra preocupação. Mas só isso. 

Qual o motivo? A situação geral do País, do Estado e do município é tão ruim que qualquer ser humano de bom senso pensa duas vezes antes de ingressar nas arcas do poder público para mostrar serviço. A máquina emperrou de vez. Está difícil até roubar. 

O primeiro ano de Trad será de sangue, suor e lágrimas. Ele terá que ter sangue frio para enfrentar o desgaste político, mas tem a vantagem de que a antecipação do quadro caotizado vai lhe criar salvaguardas para enfrentar a tempestade. É a famosa história: crise é oportunidade. 

No fundo, quanto mais se falar da herança maldita de Bernal melhor para Marquinhos. Ambos sabem disso. 

Mais grave: em seis meses Bernal virará fumaça. Talvez só apareça dando palpites aqui e ali e, quem sabe, nas eleições de 2018. Ele sonha em ser candidato a governador.

Se o campo-grandense quiser ver uma cidade um pouco melhor terá que ter imensa paciência com Marquinhos. Falar mal dele será inútil, a não ser que ele cometa uma bobagem asinina. Não tem esse perfil. Depois de Alcides Jesus Peralta Bernal o mínimo que se faça parecerá ser coisa grandiosa. 

O único adversário de Marquinhos nesse processo - se existir - só será ele mesmo.


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