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Tucanato de MS merece uma autoreflexão


Como conheço bem o tucanato de Mato Grosso do Sul ninguém dará um pio em torno de uma autocrítica sincera e aberta sobre os erros da campanha de Rose Modesto nas eleições de Campo Grande. 

A turma vai fazer um discurso positivo para dentro, enaltecendo os ganhos em cidades do interior, mesmo sabendo que em metade delas o vitorioso era apenas filiado de última hora. 

Em Corumbá, como se sabe, o neo-tucano Ruiter Cunha está pendurado na justiça, com diplomação suspensa, acusado de ter comprado votos de bolivianos. Mesmo que leve a prefeitura, moralmente o tucanato de Corumbá está ferido de morte. Não seria conveniente cantar vitória num terreno tão pantanoso. 

Em Três Lagoas, bem, melhor nem falar...

Voltando a Campo Grande, os tucanos locais certamente vão esperar pelo "parecer abalizado" dos coronéis e seus capitães do mato. O que ele falarem, será tido como verdade e fim de papo. Não haverá reparos. 

Os tucanos históricos, aquele pessoal forjado na luta contra a ditadura e que conheceu de perto o autoritarismo, esses ficarão quietos pela simples razão de que, se falarem, serão perseguidos e acusados de traidores. 

Além do mais, há cargos e empregos a preservarem no Governo.

Essa prática é um sinal de que Reinaldo Azambuja terá vida curta no poder. Um partido só se vitaliza e se fortalece quando conhece seus erros e tem a coragem de falar abertamente sobre eles.

Quando a cúpula partidária obscurece o debate e aposta na fantasia ela está decretando a médio prazo o ocaso da agremiação. 

A campanha de Rose errou estrategicamente por não conseguiu compreender a dinâmica do processo político da Capital. 

Seus dirigentes ficaram atrasados na leitura do momento histórico, não conseguindo compreender que a vitória de Azambuja em 2014 foi uma excepcionalidade dada pela imensa fragilização do petismo e os escândalos da Petrobras, que atingiram frontalmente o seu candidato, o ex-senador Delcídio do Amaral. 

O tucanato empombou pelas razões errada. Acreditou que a máquina bastava para vencer. Esqueceu que é preciso ter substrato conceitual para ganhar corações e mentes. 

Esqueceram que Marquinhos Trad - o andarilho incansável - vinha batendo nas portas de cada morador da cidade há dezenas de anos, dando forma e conteúdo ao seu discurso. 

Assim, tentaram repetir a fórmula da "nova" contra a "velha" política. Não funcionou por razões óbvias: a máscara de Azambuja e de Rose haviam caído. 

A conversa mole de 2014 não tinha valor de face porque ficou evidenciado que a "República de Maracaju" é a quintessência do retrocesso político em nosso Estado. Ninguém com o mínimo de inteligência pode aceitar a hegemonia desse esquema de poder.

O mais grave - pelo que estou acompanhando - é que o tucanato local irá incorrer nos mesmos erros, nos mesmos equívocos e na mesma arrogância dos últimos dois anos. 

Quando chegar em 2018 os mesmos militontos de armas em punho perguntarão a si mesmos o que está acontecendo, por que não entendem nossa mensagem, o que fizemos de errado?

Acredito que não será necessário explicar - nem desenhar.