Estrada I Essa estrada é o meu reverso.  É o lugar aonde não vou. É o caminho que não sigo. (são as palavras que me at...

Poema: Estrada

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Estrada


I
Essa estrada é o meu reverso. 
É o lugar aonde não vou.
É o caminho que não sigo.
(são as palavras que me atravessam)

II
Por essa estrada
Passa o meu rio.
Por esse rio
adentro meu mar;
Por esse mar
concluo meu tempo,
E o meu tempo
é nunca mais

III
O caminho que sigo
não tem volta,
não tem lugar,
os lugares são aqui:
ali é o meu ponto fixo.
Uns são;
Outros não

IV
Essa estrada tem o seu final.
Ela encerra o reverso do que sou.
Ela palmilha minhas palavras.
Ela converte minhas orações.
Ela constrói meus retornos.
Sigo o sinal; 
não vejo nada

V
Sigo a estrada
até chegar ao fim;
retorno ao começo
revolvendo ponto e vírgula;
recomeço e sigo
na direção do espaço aberto:
no lugar incerto dos passos que deixei.

VI
Olho ao longe aquela curva
Ela segue a linha reta do poema
 e depois embaraça o sentido turvo
das frases que não escrevo -
Ficam apenas os despojos tênues
do meu estilo,
o sentido de que nada faz sentido

VII
O reverso de minha estrada
conduz-me  ao adro de meu aguardo
Ali ajoelho-me à espera
de coisas que não sei 
e não vi

VIII
Depois da estrada, descortina-se o deserto;
Não há nada além de luz e escuridão:
O reverso do universo
Que existe entre dois mundos -
De um lado, estou eu;
Do outro, permanece o que sou 

IX
Vejo o céu fundido à minha terra.
Não existe nada: só eu e minhas retinas fatigadas,
Com o chão se desintegrando em vermelho
sob os meus pés



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