Sempre que me deparo com a infantilização do debate político - fenômeno que todos nos tornamos vítimas em período eleitoral - volto a l...

Pensando a política como adulto

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Sempre que me deparo com a infantilização do debate político - fenômeno que todos nos tornamos vítimas em período eleitoral - volto a ler Montesquieu, principalmente o "Espírito das Leis" e seu famoso capítulo XI, que contém a famosa teoria da separação dos poderes. 

Faço isso porque o fla-flu no qual nos envolvemos no dia a dia tem o poder de nos rebaixar mentalmente ao notável período de quando os seres humanos urravam no bosque. 

Fico aborrecido comigo mesmo quando me dou conta de que estou entrando naquele joguinho comparativo típico de programa de auditório. "Quem é o melhor? O homem ou a mulher?"

Por isso, cesso um pouco minhas atividades jornalísticas para ler coisa séria. 

Faz dois dias que não consigo sair do meu quarto por causa da canícula que instalou do lado de fora, em toda a cidade, dando a impressão que as ruas se transformaram na sucursal do inferno. 

Tive queda de pressão, náusea, melancolia, enfado, amolecimento. 

Mas a leitura de Montesquieu abrandou um pouco as coisas. 

Ele escreveu uma coisa que até hoje me faz pensar. 

É quando  separa o estudo de história das formas de governo dividindo-a em República (na se incluem tanto a democracia quanto a aristocracia), que se baseia no princípio da virtude, Monarquia (que se baseia no princípio da honra) e Despotismo (que se baseia no princípio do medo). 

Assim, fico a imaginar em que situação vivo atualmente.

Estou levemente propenso a acreditar que o Governo Azambuja é despótico. O que o rege é o princípio do medo. 

Converse com funcionários públicos, empresários, políticos, jornalistas etc, etc. Todos temem. Todos me alertam no sentido de que se deve ajoelhar para a "República de Maracaju". O Estado de exceção impera. 

Há o medo de perder o emprego público. Há o medo de perder contratos. Há o medo de perder sinecuras. Há o medo de perder vantagens. Há o medo de perder contatos e amizades. 

A maioria está tremendo, negando o valoroso atributo da liberdade de imprensa e da crítica qualificada. Não percebem que ceder ao medo é abrir espaço para a própria ruína.

Nesse aspecto, o PSDB de Mato Grosso do Sul transformou-se na vanguarda do atraso.




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