Artigo originalmente publicada no site Top Mídia News:  Na ditadura militar, a censura à imprensa tinha contorno institucional: o gov...

Fábio Trad: o preço da notícia

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Artigo originalmente publicada no site Top Mídia News: 

Na ditadura militar, a censura à imprensa tinha contorno institucional: o governo mandava calar e a imprensa obedecia. Parte dela, colaborava. Rara, raríssima, a parte que resistia (Herzog resistiu...).

Hoje, a censura ainda existe.

É a censura econômica.

Funciona assim: a grande maioria da imprensa de MS recebe dinheiro mensal do governo estadual, municipal, OAB e outras entidades. Nome do dinheiro: verba publicitária.

Com o passar do tempo, este dinheiro se torna indispensável para a manutenção dos veículos de comunicação. Sem este dinheiro, os órgãos de imprensa passariam por dificuldades e, muitos deles, fechariam as portas.

Para não enfrentar dificuldades financeiras, os órgãos de imprensa em MS, na sua grande maioria, adotam uma linha editorial sintonizada com os interesses daqueles que, mensalmente, lhes repassam o dinheiro denominado verbas publicitárias.

Na hora de decidir qual ou quais as matérias serão publicadas, a grande maioria da imprensa de MS escolhe aquelas que não contrariam interesses dos órgãos repassadores de dinheiro, sem contar aquela outra parte que, visando agradá-los, ataca  aqueles que, circunstancialmente, ameaçam seus objetivos, resultando em destruição de reputações, carreiras, nomes, histórias e a própria vida de suas vítimas. Tudo isso por causa de dinheiro.

Forma-se, então, a cultura do favorecimento que, com o passar do tempo, quase que imperceptivelmente, se transforma em censura à medida em que:

 a) você me paga por mês e eu uso a liberdade de imprensa para publicar matérias de seu interesse;

b) você me paga por mês que, além de não falar mal de você, falarei mal dos que ameaçam seus interesses;

E a liberdade de imprensa? E a liberdade de manifestação e expressão do pensamento?

Bom, amigos, elas são usadas neste caso para legitimar o jogo, conferindo um aspecto de limpeza (verniz constitucional) à relação corrupta existente entre quem paga e quem recebe.

Assim, os consumidores de informação recebem apenas o que foi decidido previamente pelas partes. O objetivo é claro: fazer o leitor acreditar que a realidade é apenas aquilo que é publicado.

Os 105 milhões de publicidade gastos pelo governo Azambuja que o digam...




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