Ariovaldo e o horário eleitoral gratuito Meu cachorro Ariovaldo pode ser tudo, chato, pentelho, irritante, teimoso, lamuriento e c...

Pedro Mattar: humanos diversos

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 Ariovaldo e o horário eleitoral gratuito


Meu cachorro Ariovaldo pode ser tudo, chato, pentelho, irritante, teimoso, lamuriento e chantagista. 

Menos burro, isso ele não é. 

Assistimos, juntos, o primeiro programa eleitoral das eleições deste ano. 

Ele na parte do sofá que se apropriou e, eu, no canto que sobrou. 

Logo depois do prefixo que as emissoras colocam: “Encerra-se aqui o programa eleitoral gratuito”, ele me olha, querendo entender o que eu tinha achado. 

Fez um muxoxo e se debruçou na almofada que eu não dei a ele, mas que é só dele. Como sei ler o seu olhar, entendi que ele, como eu, estava decepcionado com os programas daquela noite. 

Os programas não traziam nenhuma nova linguagem, nenhuma estrutura ousada ou abordagem minimamente autêntica. Tudo muito cosmético e essencialmente produzido. Pura conversa de marqueteiro. 

Porra, vimos programas com vários minutos de duração e a única inspiração que notamos, o Ariovaldo e eu, foi a repetição de fórmulas utilizadas em campanhas anteriores. 

Depois das movimentações nas ruas, ano passado e começo deste ano, que mostraram a indignação popular e mais alguns excessos, achei que os candidatos iriam adotar uma nova postura, mudar o discurso, sair um pouco daquela coisa chocha e manjada. 

Afinal, os eleitores haviam se posicionado contra o status da política atual e exigiam uma atitude mais convincente que os velhos discursos. 

Talvez, uma linguagem menos convencional, mais autêntica, reflexões, propostas concretas e a exposição mais honesta de cada candidato. 

Quero o candidato se comunicando com a gente aqui embaixo, e não lá no alto da pirâmide. É preciso que o papo dele inclua questões “pé no chão”, que ele mostre saber o preço do pão, do leite e tenha consciência de que o valor do quilo de arroz e do feijão podem fazer muita diferença. 

O Ariovaldo e eu queríamos ver candidatos falarem na TV, sem teleprompter, sem ler o discurso feito por alguém competente e bom de frases de efeito. 

Queríamos candidatos que falassem o que viesse do coração e mostrasse sua competência para liderar um país, um estado ou um município, ou seja lá o que for. 

Alguém capaz de nos representar com sentimento autêntico. 

Tanto o Ariovaldo como eu preferimos candidatos que não sejam profissionais em busca de emprego público. 

Sabemos que isso é humanamente impossível. 

A política virou uma profissão bem remunerada. E é onde se decide sobre o próprio salário. A expressão do Ariovaldo, com suas mandíbulas acomodadas na almofada da nossa casa (bem-assombrada) da Floriano Peixoto. 

Nos Programas políticos na tevê, o Ariovaldo e eu queríamos dizer: “que merda, hein, patrão?”. Comentei com ele que todo marqueteiro tem medo de mudança radical. 

Eles são humanos, afinal o sistema padrão proporciona uma boa renda e mudar é sempre um risco. A mudança de estilo, de linguagem e estética tornaria o resultado muito duvidoso. 

Sob a desculpa de que é assim que povo está acostumado, mantêm-se a estética do passeio nas ruas, do abraço nos moradores, do beijinho na criança e a musiquinha rolando por trás. 

Quem for mais simples e autêntico, ganha. 

Quem compuser a música mais bonita, ganha. O telespectador tem acesso a todas as informações subjetivas e emocionais, menos à real competência do candidato. 

Continuei minha conversa com o Ariovaldo. Pela inspiração, criatividade e pelos textos sedutores, elegeria de uma vez os marqueteiros. 

Se são eles que criam a imagem do candidato, se são eles que os dirigem, que dão substância aos discursos, que adotam a melhor estratégia e dirigem os rumos dos programas de governo para seus mandatos, o certo é votar neles de uma vez.

Afinal, são eles que somam as principais características de um bom representante público. Chega de intermediários. O Ariovaldo, fez que sim, babando na almofada. 

Meu apelo e do Ariovaldo é que os candidatos não se escondam atrás de ninguém, sob o risco de obscurecerem sua capacidade ao cargo que pretendem. 

É o lado autêntico deles que gostaríamos de assistir e não o que perfil de seus expertos assessores reproduzirão.



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