Artigo originalmente publicado no Blog do Noblat Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa Entrevista não foi. Entrevista coletiva, ...

O bisavô fala aos seus

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Artigo originalmente publicado no Blog do Noblat

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Entrevista não foi. Entrevista coletiva, então, vamos falar sério, é que não foi mesmo. Coletiva sem perguntas dos jornalistas é piada, não é, não?

Que nome dar então àquela apresentação de Lula ontem em um hotel em São Paulo?

Pronunciamiento?  É, pode ser, já que foi somente uma declaração pública de como ele é bom, generoso, altruísta, devotado aos pobres e aos menos favorecidos pela sorte.

Quer dizer, foi outra sessão de autobiografia. Tema que sempre comove seus seguidores que já sabem de cor toda a trajetória do líder, mas que adoram ouvi-lo dizer o quanto foi pobre e como subiu na vida. É o tipo de pronunciamiento que faz sucesso entre os petistas. Talvez acreditem que se ele conseguiu, por que outros não conseguiriam?

Mas não quero ser injusta: ao menos uma novidade ele apresentou aos vermelhos que o seguem. É verdade que não foi dita em tom muito entusiasmado, mas o fato concreto, como ele gosta de dizer, é o que foi revelado num tom meio monocórdio: Lurian vai ser avó, o que fará dele um bisavô!
Por que Lula não honra seus sete netos e o bisneto que vai chegar com uma entrevista coletiva para responder às acusações do Ministério Público? Isso seria uma herança muito mais rica que qualquer chácara em Atibaia ou apartamento no Guarujá.

Ele bravateia que se apresentarem uma prova de corrupção contra ele irá a pé depor. Como ele sabe que não há nenhum bilhete dizendo “Recebi a propina. Obrigado XXX” e não acha que provas testemunhais ou indícios fortes sejam prova, fez essa ameaça com o coração à larga! Sim, ameaça, porque Lula a pé, de São Bernardo do Campo a Curitiba, seria um martírio que traria ao Brasil os mais altos nomes da Imprensa Internacional. Seria o mártir dos mártires, já pensaram?

Foi um improviso muito bem estudado. Seus advogados pediram a ele que cuidasse das palavras, talvez que esquecesse a jararaca. Pelo menos a jararaca não apareceu, apareceu foi um crocodilo com muitas lágrimas.

Já votei no Lula, em 2010. A decepção que ele causou foi imensa, mais do que isso, imperdoável. Com o tempo, e com as descobertas de todas as tratantadas do PT, fui ficando cada vez mais indignada com ele.

Ele diz que elevou o nome do Brasil no exterior. Bem, depende em que parte do mundo e diante de quais figuras nosso nome ficou mais elevado. Porque, dependendo de quem são, o que Lula nos fez foi um enorme desfavor.

Foram, enfim, palavras ocas, já que ele não respondeu a nenhuma das acusações que fazem parte da grave denúncia feita pelos ‘meninos’ da PGR.

Por exemplo, custava dizer por que a OAS pagou pela guarda daquela “tralha” (a expressão é dele) que deveria ter ficado em Brasília, como acervo da Nação?

Sabem de uma coisa, melhor fez Marisa Letícia que ficou em casa para almoçar com os filhos. Era o que ele deveria ter feito, já que não ia responder a nada, só chorar e se lastimar e se fazer de vítima.

Nem a jararaca você trouxe, Lula. Foi pena. Quem sabe ela não seria a sua salvação?

*Professora e tradutora



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