Texto publicado na revista Opções (extinta) em outubro de 1999. (Um único ato) Você não acredita mais em nada. Você está decepcion...

Memória: Delírios da Província

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Texto publicado na revista Opções (extinta) em outubro de 1999.

(Um único ato)

Você não acredita mais em nada. Você está decepcionado com a humanidade. Você está se lixando para o rumo dos acontecimentos Você agora estuda metafísica. Você anda pelas ruas contando as bitucas espalhadas pelo chão. Você entra nos bares e não fala com ninguém. Você pensa que deus está morto. Você só crê no impalpável. Você está obcecado pela palavra improvável.

Você acha que pode elocubrar qualquer bobagem e todo mundo vai achar ótimo, tudo bem,  que a vida é assim mesmo...

Você não gosta de religião. Mas crê em buda. Você acha que o Paulo Coelho é picareta. Mas lê horóscopo todos os dias. Você manja bem o jeito desses caras com papo místico. Mas acredita na força dos cristais. Você acha que só dá azar na vida. Mas sempre que pode dá uma olhadinha no Tarot . 

Chegou finalmente à conclusão, no final da tarde, que o I-Ching é melhor do que qualquer psicanalista...

Enfim: você tem uma cabeça confusa. Acha que o capitalismo é inabalável. Mas pensa: "bem que um socialismo revolucionário poderia ajudar a resolver muita coisa". Você acredita em Fernando Henrique Cardoso. Mas tem uma quedinha pelo Antônio Carlos Magalhães. Acha que Lula seria um ótimo Presidente. Mas o que estraga é o Brizola. Votaria no Ciro Gomes não fosse aquele olhar de louco clínico...Sim, é isso mesmo: você gosta de ser politicamente correto.

Você é um sujeito estranho. Quando tem vontade de beber uísque, enche a cara com chope. Quando bebe vodka,  pensa que é tequila. Acredita na força miraculosa de uma boa pinga e, nos últimos tempos, aderiu à moda de beber água mineral ( sem gás). 

Você é meio delirante. Tem uma vaga idéia do que é a realidade. Mas acredita que alguma coisa estranha vai acontecer antes da virada do milênio. Você se esforça para chegar ao final do ano inteiro, mas acredita que terminará com o cheque especial no vermelho. Você não está nem aí. Nem aqui. Nem lá. Você está pra lá de....

(Fecha o pano)







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