Ontem foi o dia do procurador da República, Deltan Dallagnol. Ele brilhou na ribalta. Usando um tom professoral, explicou, na sua longa a...

A política como espetáculo

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Ontem foi o dia do procurador da República, Deltan Dallagnol. Ele brilhou na ribalta. Usando um tom professoral, explicou, na sua longa aula de "propinocracia", os fundamentos da maior organização criminosa da história do País.

Hoje foi o dia de Lula. Num longo depoimento, carregado de emoções, lágrimas e imagens narrativas mirabolantes, ele fez do seu drama pessoal um exemplo pronto e acabado de nossa melhor mexicanização do discurso político brasileiro.

A consequência imediata desses dois acontecimentos midiáticos é que, mais uma vez, coloca em segundo plano as eleições municipais.

Se o quadro local - em qualquer lugar - está confuso, imagine o que vem pela frente com essa mistura de pautas meio amalucadas no imaginário popular.

O chamado mundo jurídico não gosta da maneira que Dallagnol espetaculariza a apresentação de suas denúncias.

Esse pessoal prefere a coisa mais sóbria, burocrática, recatada, técnica, bem menos desassombrada. Acham que o Ministério Público Federal dá um tiro no pé.

No fundo, penso igual.

Vivemos num tempo em que se está criando padrões. E esse não é o ideal. Mas, no dinamismo desse processo, a partida só acaba quando acaba. Noutras palavras: nas mãos do Juiz Sérgio Moro. Mesmo assim, tenho a sensação de que o MPF exagerou um pouco.

Pior: fornece munição para o petismo fazer o combate no terreno em que é especialista. Tudo bem, esse é o jogo. Quem não gostar, fácil, fácil: desliga a televisão, muda de canal, vai dar uma volta no shopping.

Todas essas emoções talvez durem, no máximo, 48 horas.

Dallagnol fez o seu serviço, ouviu as críticas, os apupos, as celebrações.

Lula cumpriu seu papel; forneceu um bom discurso para os companheiros, emocionou a platéia, cravou sua epifania, agora resta esperar o resultado, ou seja, a ressonância nas massas.

No embate das opiniões, sinto que hoje no Brasil a questão política transformou-se num imenso reality show. Queremos saber quem vai ganhar as medalhas de ouro, prata ou bronze.

Cada cabeça que cai é um troféu. Primeiro foi Dilma; depois, Eduardo Cunha; agora, todas as atenções se voltam para Lula ( notem: acho que vão dar um tempo para Temer).

Quem gosta de torcida, façam suas apostas.

Por enquanto, julgo que não tenho capacidade para imaginar onde tudo isso vai parar.

Só sei que o espetáculo vai continuar.



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