Deputado Zeca do PT performando no estilo Nikolas Ferreira
para criticar o reajuste salarial do Governo do Estado (foto modificada com recursos de IA)
Ontem recebi um vídeo postado pela plataforma TikTok no qual o deputado Zeca do PT ocupa o palco do plenário da Assembléia Legislativa de MS empurrando um carrinho de supermercado com produtos que, segundo ele, representavam compra feita com o reajuste salarial concedido pelo Governo do estado e aprovado pela maioria dos deputados.
De acordo com o deputado, aplicar o índice de 3,8% para os servidores de todos os poderes estaduais (incluído aposentados e pensionistas) é um escárnio.
O Governo estadual baseou-se no índice inflacionário de MS dos últimos 12 meses (IPCA), prevendo um impacto de R$ 353, 5 milhoes nas despesas, alegando que segue os parâmetros legais estabelecidos em lei, o que garantirá a manutenção de sua política de equilíbrio fiscal.
Zeca e a bancada do PT, juntamente com o deputado bolsonarista João Henrique Miranda Soares Catan, estão batendo bumbo eleitoral com o assunto, alegando que o Governo Lula concedeu um reajuste de 5%, ou seja, uma diferença de 1,2% a mais. Prefiro nem comentar os discursos do deputado Pedro Kemp porque esse perdeu o bonde da história e cacareja um discurso dos anos 80.
Mas Zeca não se conforma. Assim, ele fez uma conta de padaria com a média dos valores do salários dos 86 mil servidores (R$ 5 mil) chegando a um valor de R$ 150 (não aplicando a mesma regra sobre o impacto semelhante no Governo Lula, mas isso é melhor esconder) e transformou o valor em aquisição de itens de uma cesta de produtos básicos.
Foi disso que o deputado petista criou seu picadeiro populista. A inspiração é evidente: o deputado federal mineiro Nikolas Ferreira, figura que ganhou logo de cara da turma antibolsonarista o apelido de "Chupetinha", por conta de uma famosa aparição na Tribuna da Câmara dos deputados vestindo uma peruca loura, numa suposta chacota à deputada Érika Hilton.
O problema (só no Brasil mesmo!) é que Nikolas ganhou o mundo com essa bobagem, transformando-se num fenômeno das redes sociais.
Assim, é possível depreender que o sonho de Zeca é ser o "Chupetinha" de Mato Grosso do Sul. Com aparições esdrúxulas como essa ele acredita que vai longe.
Tudo bem, cada um com o seu cada qual. Mas, na minha modesta opinião, Zeca devia dar-se mais respeito, segurando seus ímpetos transgressores advindas da juventude transviada, já que ocupou um dia o cargo de governador do estado por duas vezes. Senso de grandeza e autoridade é importante nessa hora.
Zeca esqueceu que em momentos de crise teve que pagar o funcionalismo com empréstimos bancários (uma jabuticaba de péssima lembrança) e o governador Marcelo Miranda (avô de Catan) levou o estado à bancarrota por conceder reajuste salariais irrealistas, num processo que deixou na mão milhares de servidores, a maioria tendo que viver da mão para a boca durante meses.
Essas histórias merecem ser lembradas, pois elas tramautizaram a máquina pública de MS, refletindo talvez na cautela que hoje os governadores têm quando o assunto é concessão de reajustes de salário.
Qualquer pessoa com senso sabe que adequações de salário e renda devem ser robustos para garantir qualidade de vida aos servidores, esperando que isso reflita em bons serviços à sociedade.
Zeca deveria saber mais do que qualquer outro político que esse é um asunto sensível que guarda conexão direta com o desempenho econômico do governo federal.
Lula não zela pelo controle fiscal. Gasta mais do que arrecada. Tem um déficit anual monumental e uma dívida que logo chegará a R$ 1 trilhão, o que impactará as taxas de juros e a permanente carestia dos alimentos e serviços, empobrecendo a população e enriquecendo os rentistas.
Os governos do Estado não têm os mesmos mecanismos financeiros da União. E se suas folhas salariais descumprirem as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF) o estado perde o direito de levantar empréstimos e fechar contratos internacionais para investimentos, única maneira de criar um ambiente de desenvolvimento econômico conforme a população cresce e as demandas sociais aumentam.
O circo de Zeca não ajuda a ele nem a ninguém. Mas ele anda nervoso, desesperado, performando como se fosse um adolescente contrariado. Controle-se, Zeca, assim você encurta o caminho na direção da lata de lixo da história.