O jogo político segue polarizado no Brasil. Nossa sorte é que a economia aos poucos está se arrumando e que o Congresso Nacional, junto...


O jogo político segue polarizado no Brasil. Nossa sorte é que a economia aos poucos está se arrumando e que o Congresso Nacional, junto com o Ministro da Economia, Paulo Guedes, avança em pautas cruciais para fazer a grande virada. 

Seria bom se Bolsonaro ficasse um pouco mais quietinho e que a esquerda abandonasse a pauta do Lula livre, livrando-se dessa obsessão de fundo libidinal contra o Ministro Sérgio Moro. 

Mas o mundo não é perfeito. A esquerda está pendurada na pauta legalista, acreditando que o hackeamento de autoridades vai salvá-la moralmente. 

O problema é que o assunto galvaniza o debate entre convertidos, mas não sensibiliza o centro político. Esse está preocupado com o cotidiano: custo de vida, emprego, consumo, segurança, saúde, educação etc., ou seja, perspectiva futura. 

Nesse aspecto, vejo que a esquerda está se isolando da mesma forma que as patacoadas de Bolsonaro coloca a direita e seus extremistas num nicho folclórico de picadeiro de circo. 

O problema – e a diferença – é que o Bolsonarismo está no poder. E a esquerda cada vez mais está sendo jogada pra fora do establishment. 

Em qualquer conversa informal com pessoas comuns – todas “alienadas” do frisson dos grandes debates – percebe-se, primeiro, uma grande desconfiança de todas as formas de poder; segundo, uma raiva latente de tudo que representa a esfera política; e, terceiro, um sentimento de desistência de colaborar de maneira, digamos, “patriótica” e desinteressada para encontrar soluções para o País. 

A cada denúncia e revelação sobre o que acontece e aconteceu no escurinho dos gabinetes dos poderosos esse mal-estar se alastra.  

Há um movimento mundial de fortalecimento do pensamento mais à direita. Existem centenas de explicações para esse desencanto com a social-democracia ou com o liberalismo progressista. 

O volume de produção intelectual nessa área é praticamente impossível de acompanhar. Tenho tentado. Vou dormir tarde todas as noites lendo e acompanhando a divulgação dos fatos. Às vezes fico tão ansioso que não consigo dormir. Tenho vontade de desligar tudo, pegar um romanção do Balzac e ficar meses trancado na minha biblioteca. 

Nas redes sociais acompanho as discussões do Brasil polarizado. Gosto de provocar os dois lados para tentar compreender o cerne de suas motivações e de suas estratégias de conquistas de corações e mentes. 

Infelizmente, vejo que a direita tem sido mais eficaz: ela é mais direta e brutal. A esquerda soa falsa, querendo mostrar uma bondade e intencionalidade desmentidas cruamente com os governos Lula/Dilma, pois até onde se sabe ser leniente com a corrupção (ainda mais nas proporções até agora sabidas) impacta no empobrecimento, no atraso e nas desigualdades sociais. 

É difícil perdoar aqueles que na sua imaginação foram seus algozes mesmo que por um breve momento tenham oferecido o paraíso das delícias do consumismo.

Sempre achei que se a esquerda fizer uma profunda autocrítica de seus erros ela perderá no curto prazo, mas ganhará no futuro. Mas o imediatismo é o Zeitgeist  que nos acolhe e ninguém acha correto deixar perdida uma guimba jogada ao chão. 

O grande problema da esquerda é que ela esgotou seus macetes e cacoetes. Seus movimentos ganharam um condicionamento previsível. Todo seu discurso e jogadinhas foram, durante mais de 30 anos, tão repetidos que, como se diz, o repertório cansou. O pessoal tá pedindo outra música, uma nova dança, um rebolado diferente.

Nesse caso das denúncias do site Intercept todos os movimentos feitos seguem o mesmo roteiro que a esquerda pratica há anos. Eu que me formei politicamente dentro dos aparelhos nos anos de chumbo consigo antecipar com semanas de antecedência quais serão os próximos passos, o próximo estratagema, a palavra de ordem a ser lançada, enfim, a programação mental de movimentos políticos que se transformaram em seitas fundamentalistas. 

Uma boa parte da antiga esquerda migrou para a direita e para o centro nos últimos anos. São quadros que se formaram acompanhando e ajudando a fazer a movimentação de massa, politizando segmentos sociais específicos, aparelhando o pensamento correto para que o sonho da revolução libertadora do proletariado fosse uma realidade. 

Esse pessoal – no qual me incluo – adotou a contra-revolução ou o cinismo como método de combate da esquerda que atualmente está totalmente contaminada pela hipocrisia e pela sanha da boquinha pública. 

Por isso, ações como de Greenwald, Gleise Hoffmann, Manoela Dávila, Fernando Haddad etc etc etc contra a cavalaria Bolsonariana não cola e não ilumina. 

Ao contrário: elas aumentam a rejeição à esquerda, e cumprem a função de mantê-la num gueto onde eles apenas conversam consigo mesmos. 

O grande centro – esse espectro difuso, despolitizado, inculto, pouco esclarecido, descontextualizado – está muito mobilizado na esfera do anti-petismo. Se a esquerda ainda pretende ter algum sonho o primeiro passo é superar a polarização e dialogar com o mundo real. Não fazendo isso, a direita penhoradamente vai agradecer.



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