Escrevo o que penso. Faz tempo. Pago um preço caro por isso. Ataco e defendo quem eu bem entendo. Ninguém tem nada a ver com minha vida. ...

Vamos começar de novo?

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Escrevo o que penso. Faz tempo. Pago um preço caro por isso. Ataco e defendo quem eu bem entendo. Ninguém tem nada a ver com minha vida. Não obrigo ninguém a me ler . Se me amam ou odeiam não dou a mínima. 

Sou jornalista há quase quarenta anos e sempre fui assim: liberto das amarras dos caga-regras de ocasião. Na juventude li muito Marx e Trotsky: eles me ensinaram que a única coisa que nos prende são nossos grilhões mentais. 

Depois mergulhei em outros mundos: Cioram, Nietzsche ,Gramsci,  Spinoza,Tolstoi, Machado de Assis, Drummond e tantos outros, entrando num fluxo de tantos pensamentos diversos que quase me perdi sem saber direito o que era meu pensar e o que era o pensar dos outros.

Filtrei e depurei. Tirei a essência disso e fiz nascer meu ser. Descobri que somos um indivíduo novo todos os dias. 

O sol nasce, sou um. A lua desce, sou outro. Assim  é a vida. Se eu morrer amanhã, não farei falta. 

Por isso, sempre digo: eu morro de fome mas não vivo com medo. Já passei por tudo que um ser humano pode passar: enfrentei fome, desespero, raiva, revolta, embora, ao mesmo tempo, tive alegrias, epifanias maravilhosas e risadas escancaradas batendo na porta de meus enganos.

Já desisti das pessoas, mas retornei à senda da esperança quando tive a solidariedade de amigos, o apoio dos filhos e da mulher amada, a mão que me afagava na hora certa, a palavra correta no momento inusitado. 

Hoje tenho muitos amores. Por isso, escrevo sem o travo do temor, porque sei que se todas as portas se fecharem terei o abraço solene de minhas crianças, acreditando que, para elas, serei um herói eterno diante de tantas heresias do pensamento. 

Quero avisar ao meus amigos e amigas, aos meus detratores e desafetos, aos que me conhecem pouco e desconhecem tudo: olha, o tempo é o escultor de ruínas ( na frase lapidar de Eça de Queiroz), a vida é breve, somos feitos do mesmo barro e, no final, seremos grãos infinitesimais na poeira do universo. 

De pouco adiantarão as ilusões do prazer, as demonstrações de poder, as demonstrações do saber, a coreografia de ganhos banais, os dentes lustrados e a pele lisa. Tudo se resumirá ao mesmo: carne, vísceras, excrementos e excrecências. 

A única possibilidade do eterno é a arte.

Só que essa está ao alcance de poucos. Felizmente.


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