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Dante Filho: Três candidatos a deputado federal que o eleitor deve prestar atenção

 


Candidatos a deputado federal (Luiz Orcírio, Viviane Luiza e Jaime Verruck)
que podem fazer a diferença na história política de MS

O Brasil tornou-se um País semi-parlamentarista. A força e a influência do Senado e da Câmara Federal tornaram-se mais relevantes nos últimos anos. O sistema de emendas impositivas  e as transformações do arcabouço orçamentário relativizaram a antiga política do "pires na mão", que dava ao Executivo a primazia no manejo da pauta de trocas de interesses entre os parlamentares e a presidência, garantindo maiorias ao Governo na votação de temas de interesse, tornando-se uma estrutura arraigada no modus operandi do poder. Tudo mudou e as consequências refletem as distorções e vantagens do modelo em vigor.

Agora, tanto o parlamento como o judiciário vivem uma fase de empoderamento inédita. O cerne da crise do Judiciário com o Banco Master, por exemplo, envolvendo a quase totalidade dos agentes políticos, vem dessa fragmentação de poder, no qual a presidência, o STF e o Congresso ensimesmeram seus podres poderes, cada um achando-se proprietário privado de um naco da República. 

Aquela idéia de interdependência e harmonia foi para o espaço. Como se vê há luta de todos contra todos, o que exige que o eleitor selecione com maior rigor nomes para o próximo mandato, pessoas que não tenham ligação com o famoso patrimonialismo e compadrio à brasileira. 

É difícil, o ambiente cultural não fornece muita esperança, a descrença é generalizada, mas há que haver um esforço para mudar e alterar o signifcado dessa realidade. 

O Brasil entrou numa rota de implosão das instituições que favorecer espaço para o autoritarismo, a corrupçao e a falência gradual de boas políticas públicas. 

O começo da solução para os problemas que vêm pela frente será escolher candidatos mais qualificados e comprometidos com a arrumação geral do País. Sei que é um pouco de ingenuidade acreditar nisso, mas a democracia tem instrumentos corretivos que demoram a chegar, mas chegam. É um jogo de acerto e erro que demora para se consolidar.

O contexto político hoje é alarmante. Indispensável dizer que, com raras exceções, o Brasil está sendo gerido por delinquentes e criminosos profissionais. A sociedade não enxerga horizonte de saída. A polarização se retroalimenta. A desinformação se alastra. Os conflitos interpessoais se intensificam e a tensão aumenta a cada divulgação de uma nova pesquisa. 

Não é um quadro agradável para se fazer qualquer prognóstico e saber o que poderá acontecer a cada 24 horas. Entramos cada vez mais num buraco escuro, cuja idéia de futuro obnobila nossas esperanças, só restando previsões de catástrofe.

Mato Grosso do Sul tem na disputa para a câmara federal 122 candidatos. Dificilmente, o eleitor tem a chance de conhecer todos. Eles estão espalhados por várias regiões e dispuram nichos paroquiais, cultivados há anos, com dinheiro público, assistencialismo e amizades. 

Neste caso, levam vantangem, em termos de conhecimento e influência, aqueles que estão exercendo mandatos. Os demais estão diluidos, disputando um lugar ao sol. Dependendo da formação de boas redes de apoio, além de estrutura eficiente de divulgação e massificação. 

Isso demanda recursos elevados, carisma, propostas racionais, conhecimentos familiares, marketing diferenciado, enfim, elementos que possam gerar empatia que desaguem na preferência do eleitor. 

Trata-se de operação complexa, porque o eleitorado vota em quem ele acredita que vai representar seus valores e protegê-lo contra as deficiências do Estado. Não adiante sonhar: o eleitor, em sua maioria, quer, primeiro relações fisiológicas, depois, só depois, propostas e gestão. É um mundo cruel. 

Avaliando o quadro geral, acompanhando pelas redes e propaganda eleitoral gratuita posso dizer que há excelentes candidatos para as 8 vagas que representarão nosso Estado no parlamento. Muitos estão há anos na política, formando laços com parcela dos nossos quase 2 milhões de eleitores. 

Separei 3 nomes de novatos na nossa política que merecem uma atenção especial do eleitor. Aponto Luiz Orcírio Figueiró (NOVO), agrônomo e veterinário, pesquisador, com fortes raizes no agronegócio, filho do ex-senador Ruben Figueiró. Um candidato comprometido com o crescimento sustentável do Estado, aberto ao diálogo, democrata convicto, com ideias que podem ajudar a alterar os runos de um setor básico de Mato Grosso do Sul. Seria fundamental tê-lo no parlamento.

Há também a novataViviane Luíza, ex-secretária de Cidadania (PSDB), que vem sendo apontada como a grande novidade deste pleito. 

Historiadora com especialização em antropologia, influente nas comunidades indígnenas, estudou nos Estados Unidos e Canadá, onde foi professoras de universisdade, trata-se de uma intelectual que conhece o chamado chão de fábrica devido a sua origem humilde (seu pai foi motorista de taxi e sua mão vendedora de perfume), além de uma vida com grandes perdas pessoais, enfim, um exemplo de brasileira que conquistou seus espaços graças ao esforço que lhe concedeu a educação pública, fomentada por um senso especial de empreendedorismo intelectual.

Temos, por fim, Jaime Verruck, candidato mais conhecido dentre os três, sendo a primeira vez que entra num embate eleitoral, pontuando bem nas últimas pesquisas. Seu nome foi muito cogitado há dois anos para ser candidato a prefeito de Campo Grande. Era o nome preferido do governador Riedel, mas o projeto não foi adiante dada a carnificina em que se transformou aquele pleito, onde a ambição e ganância marcaram a disputa com as consequências drásticas que se verifica no dia a dia da cidade.

Se o eleitorado conceder uma chance a este três candidatos e eles trabalharem juntos no Congresso Nacional tenho a esperança de que haverá frutos a serem colhidos no futuro. São cabeças privilegiadas (cada um no seu campo) que podem se complementar e criar um ambiente interessante na política de nosso Estado. Peço que os eleitores pensem nisso. Mato Grosso do Sul merece qualificar o parlamento oferecendo bons nomes para transformar a República.