Assisti a Mindhunter (Netflix) numa tacada. Confesso que nos dois primeiros capítulos da série pensei em desistir. Jonathan Grof (no pap...

Mindhunter: muque e Freud

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Assisti a Mindhunter (Netflix) numa tacada. Confesso que nos dois primeiros capítulos da série pensei em desistir. Jonathan Grof (no papel do agente do FBI Holden Ford) não estava funcionando como um policial esquizóide que, nos anos 70, começou a dar os primeiros passos na chamada investigação de perfis psicológicos de assassinos seriais.

Holt McCallany (como Bill Tench), companheiro de jornada de Holden, funcionava melhor como o canastrão de sempre, o do policial durão, meio tosco, bem naquele estilo Bolsonaro de ser.

Do terceiro capítulo em diante ( de um total de 10) a coisa melhora. Conseguimos ver as engrenagens do FBI funcionando para entrar num novo nicho de ação policial, tentando compreender as motivações das pessoas que matam por prazer, por distúrbio mental ou por mera patologia momentânea.

A polícia, enfim, começa a estudar rudimentarmente aquilo que está na gênese dos crimes que são acionados por gatilhos emocionais, levando personagens sombrios pelos caminhos estranhos do vale da morte, sem que isso signifique qualquer emoção ou sentimento de culpa.

Holden e Bill entrevistam assassinos tenebrosos nas penitenciárias do País. Conhecemos assim malucos de todas as espécies, gente aparentemente normal que terminou sendo presa por ter decapitado a mãe e o pai, matado com requintes de crueldade mocinhas perdidas, estuprado e esquartejado famílias inteiras, como se estivessem fazendo um passeio pelo jardim do Éden.

No sexto capítulo Mindhunter agarra pelo pescoço criando aquela relação viciante que o arrasta pela madrugada adentro forçando-o a ver mais uma parte.

E assim penetramos no “puritanismo” da chamada América profunda, com policiais obedientes às regras morais que, no limite, talvez faça com que o público brasileiro imagine os EUA seja um País perfeito, habitado por seres perfeitos, exceto por aquele seleto grupo de sociopatas que vamos conhecendo a cada capítulo.

No final, a obra se fecha( deixando espaço para a próxima temporada), desenhando um painel curioso dos anos 70 (mesmo com exageros e irrealismos), do qual estamos, na atualidade, percebendo cada vez conexões interessantes com esse período histórico, mesmo porque não havia celulares, computadores sofisticados e tudo era feito no muque, na intuição e com as idéias do Dr. Freud.

Se eu tivesse que recomendar uma série para ser assistida num fim de semana, certamente seria Mindhunter.  Apesar do clima pesado que o cerca, o jogo bem humorado entre Holden e Bill (mesmo com a dramaticidade das relações que os cercam) permite que acompanhemos o horror com certa leveza.  



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