Publicado originalmente no site Campograndenews: Os novos e os antigos poderosos dos Executivos e Legislativos não se cansam de reclama...

Mário Sérgio Lorenzetto: Existe uma banalização da justiça contra os poderosos?

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Publicado originalmente no site Campograndenews:

Os novos e os antigos poderosos dos Executivos e Legislativos não se cansam de reclamar - os órgãos de fiscalização, notadamente os promotores públicos, estariam exagerando no cumprimento de suas funções. E estão. Emitem ofícios, abrem processos, debatem na imprensa, processam e, especialmente, prendem aqueles que, até há pouco, agiam e se sentiam "donos do poder". O tempo dos ultrapoderosos do Executivo passou...

As novas atribuições dos promotores pertenciam aos delegados de polícia e aos membros dos legislativos. Foram tão somente ampliadas e modernizadas. A polícia civil se encarregava da prisão dos poderosos. Aos vereadores, deputados e senadores era atribuído o poder de fiscalizar os membros das prefeituras, governos estaduais e federal. Era. Na prática, isso deixou de existir.

Perderam os poderes porque não os praticaram. Pior. Muitos, deles, se locupletaram.

Partidarizaram, esqueceram de prestar serviço para a sociedade e foram fazer genuflexões aos poderosos. Os promotores, jovens em sua maioria, ocuparam os espaços, ocuparam um vácuo que existia desde dezenas de anos. Talvez, desde sempre. Delegados e parlamentares perderam seus poderes. Provavelmente, para sempre. Enquanto corporações, estão diminuídos em suas ações. Também não gozam de credibilidade ou respeito.

Mas, afinal, existe uma banalização dos promotores de justiça contra os poderosos? A resposta é que existem exageros, no meio de acertos. São decorrentes de atos de afirmação, de gerir o que é novo. Ainda estão aprendendo e medindo suas forças reais. 

"Espicham" as leis para ver até onde é possível chegar. Também há o erro, esperado para quem estuda, dos exageros midiáticos. Não podem ver uma câmera de televisão ou um repórter sem emitir opiniões ou proferir sentenças, usurpando o papel dos juízes. São apenas 3 ou 4 anos de verdadeiro poder. Muito pouco tempo para eles, e parcela ponderável da população, estabelecerem os reais limites de seus poderes.

Terão de aprender a usar a arma que a sociedade lhes legou, sem perder a bala, sem desperdiçar o cacife de credibilidade que lhes foi legado. Terão de aprender a não apresentar denúncias vazias ou raquíticas. Não podem banalizar. Também não podem denunciar gregos e deixar incólumes troianos. 

Terão de entender que os poderosos hoje tremem com suas ações. E respeitar esse temor reverencial. Não podem desejar a extinção do poder executivo. Atualmente, uma parcela de loucura, ou de desconhecimento, acomete aqueles que ousam aceitar um cargo de secretário municipal. 

A continuar, abandonarão os cargos, pedirão demissão. As notícias que chegam dos bastidores da administração municipal dizem que quase todos estão vivendo sob a égide do temor, alguns do terror. Há poucos dias chegaram ao porto do poder, preparam as malas para o retorno a seus lares.

*Ex-secretário de Receita de Campo Grande e ex-Secretário de Fazenda de Mato Grosso do Sul.


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