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Dante Filho: Fábio Trad é um mistério

 

Fábio Trad, candidato a governador de MS pelo PT,
 faz o L com a mão direita: o pecador não consegue disfarçar seu pecado

Até hoje não entendi direito os motivos pelos quais Fábio Trad decidiu ser candidato a governador pelo PT. Qualquer amador em assuntos políticos perceberia que se tratava de uma esparrela. O homem é sua circunstância. Fábio sempre foi um democrata. A vida toda esteve no espectro da direita da nossa política. Bom orador, advogado de extenso saber jurídico, foi deputado federal com brilhantismo, sempre - como se diz - lutou o bom combate sem perder a cabeça.

Sua filiação ao PT causou estranheza. A esquerda nunca foi seu campo. Dizem que o bolsonarismo mexeu com sua psiquê. Articulou seu ingresso no partido de Lula sem atravessar atalhos: foi direto para o topo, engajou seu discurso na linha do partido com a consciência de que o Mato Grosso do Sul havia um eleitor majoritariamente bolsonarista.

Talvez tenha imaginado que mudaria esse voto no gogó. Talvez quisesse mostrar que a esquerda havia ingressado no caminho da moderação e ultrapassado sua imagem de bicho-papão. Talvez quisesse mostrar  que o petismo havia havia abandonado o ranço contra a burguesia e aceitado ter em seus quadros um membro de família tradicional, emprestando um pouco de racionalidade a uma agremiação conhecida como um ajuntantamento de malucos ideológicos. 

Sei lá. Mas Fábio decidiu encarar a empreitada mergulhando fundo na pauta combativa, encenando discursos críticos contra o adversário que julgava ser o objeto central de sua campanha: os donos dos bois, os grandes grupos corporativos dos setores industriais, os comerciantes de peso, enfim, a fina flor do Capital.

Ás vezes, num excesso de entusiasmo, Fábio tenha abaixado alguns centímetros abaixo no nível do ralo, mas as emoçõe geradas pelo embate eleitoral perdoam todos os desatinos. 

Viu em Eduardo Riedel, Azambuja, Paulo Correa e a classe média estadual os inimigos a serem derrubados. Fez vista grossa para as bandalheiras de Lula e do STF, passou pano nas barbaridades jurídicas de Xandão, transformou-se em paladino da moral e dos bons costumes, dividindo ao meio a família Trad, e assim acreditou que ia botar fogo no mundo. 

Claro, não está dando certo. Não consegue ultrapassar 25% na média das pesquisas, tem a mais alta rejeição entre os eleitores, e corre o risco de ver a eleição terminar na primeiro turno. 

Muitos membros de sua equipe de campanha reclamam que Fábio funciona sem freio em direção à ribanceira. Não ouve ninguém, não pondera, nao aceita divergências em relação aos seus pontos de vista, não discute a pauta com seus companheiros, enfim, age com aquele típico voluntarismo de que só ele está correto e os eleitores estão equivocados. 

Daí, muitos estão discretatamente se afastastando, concentrando esforços na candidatura de Vander Loubet que, num passe de mágica, virou bolsonarista, numa virada que mistura oportunismo e desespero, percebendo que o Capitão Contar é fraco de campanha e não tem a malícia dos políticos escolados. 

Chegamos agora num ponto até então inimaginado: Lula corre o risco de perder a eleição e Flávio Bolsonaro, com a ajuda do quarteto aloprado do Supremo, segue firme com a chance (real) de vencer a parada. Espera-se para as próximas semanas jogadas inusitadas para garantir a reversão do atual quadro, pois, caso contrário, o PT vai conhecer o real significado do "buraco sem fundo" ou do "caminho sem saída". 

Assim, Fábio insere-se neste contexto. Caso ocorra o que a maioria dos operadores da política está prevendo, o PT e seus satélites enfrentarão um longo e sombrio inverno, com choro e ranger dos dentes. Caso contrário, teremos mais 4 anos nutrindo o sentimentos de vazio e obscurantismo que a maioria da sociedade diz estar experimentando nos dias dias atuais. Seja lá o que for, desde já adianto os cumprimentos: "meus pêsames",