Lula recebeu apoio da classe artístitica
da chamada intelectualidade engajada
campanha desesperada de Lula. Uma orgia de fake news, desinformação e
chantagem emocional barata comandada por centenas de artistas e intelectuais
brasileiros.
Como explicar esse fenômeno, essa servidão voluntária? Existem algumas pista e respostas.
Talvez a melhor definição para essa conduta esteja nas páginas de ‘Mente Cativa’,
obra seminal do poeta e ensaísta lituano Czesław Miłosz.
O livro merece ser lido, sobretudo porque seu autor veio estragar a festa de quem acredita na esquerda como portadora exclusiva das grandes virtudes políticas e democráticas.
Nesse particular, Miłosz tem autoridade para falar. Ele conheceu de perto os
mecanismos pelos quais os intelectuais se submetem ao poder e passam a justificar
aquilo que, em outras circunstâncias, condenaram. O problema não é apenas a
adesão a uma ideologia, mas a disposição de sacrificar a própria consciência em
nome dela.
Há, nesse comportamento, uma combinação de oportunismo, vaidade intelectual e medo do ostracismo. Suas predileções políticas acabam se transformando em monumentos ao vazio, à irrelevância e à estupidez.
Por que parte da classe artística age dessa forma? O pavor da irrelevância talvez sejam uma das respostas. Em certos círculos intelectuais, apoiar candidatos progressistasm funciona como uma espécie de salvo-conduto moral. O artista ganha prestígio entre os seus, frequenta os ambientes certos e preserva a imagem vituosa de intelectual do bem. Emm troca, aceita não enxergar o que deveria denunciar. A independência de pensamento passa a ser dispensável quando ameaça o conforto e o luxo.
Para não admitirem que venderam a própria consciência em troca de segurança, prestígio ou proximidade com o poder, artistas militantes desenvolvem teoriasn complexas para justificar a conivência com o poder. Convencem a si mesmos de quem a violência, a censura e os abusos são necessidades históricas temporárias, sacrifícios inevitáveis para a construção de um futuro melhor. A velha desculpa de que os fins justificam os meios ganha verniz acadêmico, vocabulário sofisticado e elogios.
Não é a primeira vez. Tampouco se trata de um caso isolado.
Antes de lerem Miłosz, aconselho aos leitores uma sessão de Mefisto (1981), filme de
István Szabó, disponível no YouTube. O longa mostra como e por quais motivos
artistas e intelectuais se acomodaram ao nazismo e ao fascismo, negociando a
própria autonomia em troca de reconhecimento, proteção e espaço. O protagonista não precisa se tornar um fanático para se comprometer moralmente. Basta que aceite, uma vez após outra, o preço cobrado pelo poder. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.
Não que isso alterasse significativamente o jogo. A política tem seus interesses, seus acordos e suas conveniências. O que deveria causar espanto é a facilidade com que pessoas que se apresentam como guardiãs da democracia encontram justificativas para relativizar princípios quando a corrupção e a ingerência pública vestem a camisa de seu partido. A democracia, para elas, parece uma ferramenta retórica:serve para condenar o adversário, mas se torna inconveniente quando exige coerência dos aliados.
O tempo costuma ser impiedoso com a classe. Os discursos passam, os governos acabam,asconveniências mudam de lugar. Ficam os registros, as contradições e a pergunta incômoda: quando a história cobrar explicações, quantos dessesm intelectuais ainda terão coragem de dizer que não sabiam?
Alexsandro Nogueira,
é jornalista músico e escritor