Governador Eduardo Riedel participou de um debate "democrático"
para se transformar em saco de pancadas
O governador Eduardo Riedel podia perfeitamente ter se negado a participar do debate do Midiamax em respeito ao eleitor sul-mato-grossense.
Não alteraria um milimetro suas intenções de voto. Bastaria que ele gravasse um vídeo esclarecendo os motivos pelos quais não participaria, visto que não estava disposto a servir de alimentos para feras famintas, enfrentando uma disputa de um jogo desigual, sem nenhuma utilidade para o eleitor, dando de barato que o evento não tinha real utilidade pública. Às vezes é preciso correr riscos para alterar os sinais do jogo.
Claro que seus opositores reclamariam, dizendo que essa quebra de uma regra democrática demonstraria soberba, desrespeito e autoritarsmo. Talvez houvesse desgaste, mas o eleitor reconhece quando alguém toca fundo um tema de interesse.
Notem: a bem da verdade, o que se viu naquele 7 contra 1 foi soberba, desrespeito e oportunismo de candidatos que não pontuam nas pesquisas (com exceção de Fábio Trad) achincalhando quem está no exercício do mandato, lidando com o dia a dia da camplexidade da máquina pública e da realidade social. Não há plausível atuar neste contexto;
O objetivo destes debates não é valorizar o jogo democrático; ao contrário, é produzir cenas, frases de efeito, memes, que depois gerarão cortes nas redes sociais para estabelecer uma narrativa que resulte numa ideia falsa do que teria sido o "debate" e, assim, atender o gosto das militâncias dando-lhes o prazer sádico de ter elementos para destruir o inimigo da vez.
Por isso, a repercussão do evento foi frustante no dia seguinte, mesmo porque apresentou um quadro político desfavorável para todos.
As regras destes debates, com tempo cronometrado e arbitrado por um mediador severo, que não permite a conclusão de raciocínios claros e completos, só favorece o candidatos populistas e histriônicos, ou seja, os especialistas em lacração, que estão ali mais para fazer graça do que para discutir temas sérios da política.
Acredito que essa fórmula já se esgotou, não acrescenta mais nada ao jogo eleitoral, tornando-se um despedício de tempo do eleitor e dos candidatos.
Sempre aqueles que ocupam os primeiros lugares nas pesquisas serão prejudicados.
Se fôssemos usar os verdadeiros pressupostos da democracia os organizadores dos eventos tinham que optar por modelos que expressassem o conceito de desigualdade entre os iguais, garantindo mais tempo para os melhores colocados nas medianas das pesquisas, além de maiores punibilidades para os chamados nanicos que extrapolem nas baixarias, que estão ali em clara atividade festiva.
Mas aí os partidos inexpressivos não aceitariam, com seus candidatos anões, a acatar regras que lhes desfavoreçam, talvez, em último caso, renunciando à participação, o que, quem sabe, nos poupasse de ver celerados acusando os adversários de "assassino e genocida", o que caberia, de imediato, a judicialização por calúnia e difamação, com as penalidades cabíveis.
A direção do debate errou por não ter excluído unilateralmente o participante acusador, visto que ali todos presenciamos uma transgressão legal inaceitável.
Fica a pergunta: será que essas bizarrices não são intencionais?. Será que a imprensa não acalanta o árduo desejo de estimular que a eleição tenha mais uma rodada, não querendo encerrar as atividades comerciais dessa máquina de negócios que se chama "segundo turno"?
A democracia e a livre circulação das ideias são um processo de constante aprimoramento. Os debates como são realizados vão perder cada vez mais a relevância, até porque ela infantiliza o processo eleitoral e entedia os eleitores.
O correto, na minha opinião, é recusar a ida aos debates, mesmo que a militância grite e esperneie, pois só assim haverá a chance das mídias que promovem esses shows repensem o formato e estabeleçam um regramento decente e respeitoso para com o público interessado.
Caso contrário, o blá-blá-blá de se promover debates democráticos com propostas de gestão vai se transformar numa grande piada.